Abril 2016 - Ainda sou do tempo

quinta-feira, 28 de abril de 2016

... do Paulinho Santos

quinta-feira, abril 28, 2016 0
... do Paulinho Santos

Paulinho Santos ficou mais conhecido pelo seu temperamento irascível do que propriamente pelo seu talento futebolístico, mas não se pode negar que foi uma peça fundamental no plantel Portista que dominou o futebol nacional na década de 90.

João Paulo Maio dos Santos nasceu a 21 de Novembro de 1970 em Vila do Conde, começando a dar os primeiros passos futebolísticos no clube da sua terra, o Rio Ave, onde se estreou de forma profissional em 1988, ficando por lá até 1992, altura em que assinou pelo FC Porto. Nas antas ficou por mais de uma década, tornando-se um dos cinco jogadores que ajudou o clube a vencer o campeonato nacional por cinco vezes consecutivas.

Actuava na zona do meio campo, sendo um trinco agressivo que defendia o último reduto da sua equipa com unhas, dentes e pitons, mas a dada altura da sua carreira começou a jogar como lateral esquerdo, sendo proeminente na selecção nacional no Euro 96. Dono de um pontapé forte, marcou alguns golos dessa forma, mas foram as suas entradas mais duras que o deixaram na história do nosso futebol, em especial o duelo com João Vieira Pinto.

Chegaram a ser expulsos em conjunto e tudo, em batalhas que começaram em 1994 e que só tiveram uma pequena trégua em 96 (devido ao estágio da selecção), com António Oliveira a obrigá-los a fazer as pazes e a dormirem no mesmo quarto. Em 1998 Paulinho deu uma cotovelada tão forte que o jogador do Benfica andou um mês com o maxilar partido, mas quando foi a despedida de Paulinho Santos dos relvados em 2003, João Vieira Pinto (na altura no Sporting) troca de camisola com o seu eterno rival.

Num jogo com o Sporting, não me esqueço de o ver simular falta e depois de queimar tempo deitado no chão e enquanto era levado numa maca, levanta o polegar em ar de gozo. Era muito típico dele, e agora só resta esperar que não ensine esses truques aos mais novos, que treinam sobre a sua alçada no Porto. Um jogador que Bobby Robson elogiava mas que dizia que nos treinos se irritava quando começava com as faltas e gritava "Stupid Paulinho".
















terça-feira, 26 de abril de 2016

... da série Uma Família as direitas

terça-feira, abril 26, 2016 0
... da série Uma Família as direitas


Esta foi daquelas séries que marcou a minha vida, quando a vi pela primeira vez achei-lhe logo piada, mas era muito novo para entender os pormenores e perceber tudo aquilo que a rodeava. All in the Family quebrou barreiras com os temas que abordava, mas principalmente como os abordava, tendo como protagonista alguém racista e antiquado, que não tinha problemas em dizer o que pensava.

Criado por Norman Lear, All in the Family (Uma Família as direitas em Portugal e Tudo em família no Brasil) estreou em 1971 e esteve no ar até 1979, num total de 9 temporadas, sendo que existiram ainda mais 4 temporadas de uma série chamada Archie Bunker's Place, que continuava as coisas como se fosse a original. Por cá foi transmitida pela RTP por diversas vezes na década de 70 e 80, e sendo repetida na SIC Gold anos mais tarde e na RTP Memória.

O programa conquistava logo o público pelo seu genérico, com a voz estridente da mulher a chamar logo a nossa atenção. Foi durante cinco anos consecutivos o líder de audiências, recorde absoluto, e ultrapassou largamente em popularidade o original britânico onde se baseava. Era um prato cheio para os fãs do politicamente incorrecto, mas as histórias eram sempre apresentadas de uma forma que não dava para ter raiva das tiradas racistas e cheias de preconceito que por lá apareciam.


Archie Bunker (Carrol O'Connor) era o patriarca da família, um veterano da II Grande Guerra que trabalhava como despachante nas docas e que não tinha problema nenhum em vociferar as suas ideias e opiniões sobre as minorias e os democratas, que só atrapalhavam o crescimento do seu país. A sua mulher Edith (Jean Stapleton) era o oposto, afável e simpática para todos, evitando ver o mal nas pessoas e apesar de ingénua, conseguia perceber quando a tentavam enganar (ou ao seu marido).

Na casa deles viviam ainda a filha e o genro, Gloria (Sally Struthers) tenta com que as coisas entre o seu pai e o seu marido corram bem, já que Archie não é nada fã de Michael Stivic (Rob Reiner), um polaco liberal com ideias muito diferentes do seu sogro, para além de ter um apetite voraz e não ter um emprego para ajudar nas despesas, já que andava a tirar um curso superior. Apesar disso mais tarde, Archie fica orgulhoso dele terminar os estudos e ser alguém.

Existiram muitas personagens regulares, mas as mais marcantes foram sem sombra de dúvida os Jefferson, uma família Afro-Americana que teve direito a uma série própria anos mais tarde. George e Louise (Sherman Hemsley e Isabel Sanford) tinham uma química fantástica, ele tinha o mesmo feitio de Archie, apesar de mostrar ser mais astuto que o vizinho, enquanto que Louise era bastante inteligente e tornou-se uma grande amiga de Edith, assim como o filho Lionel (Mike Evans) se tornou amigo de Michael.



Tivemos de tudo um pouco, desemprego, violação, cancro, roubos ou tentativas de burla várias. Tenho vários episódios de eleição, num é mostrado (através de um jogo) que o Michael não é assim tão diferente do Archie, com o seu próprio amigo Lionel a chamá-lo a atenção sobre isso. Gosto de um em que uma nota falsa lança a confusão entre os Jefferson e os Bunkers, ou então um em que Archie aceita que a sua casa se transforme numa casa modelo, e depende da ajuda de todos para que isso se resolva.

Há um episódios em que dois ladrões negros acabam por não roubar a casa devido a terem gostado muito da alma de Edith, e tendo gozado com os ideias de Michael e Archie. E claro que o episódio com o Sammy Davis jr é espectacular, com o beijo final a ser algo completamente inovador e com todo o diálogo nesse episódio a ser uma coisa fantástica de se ver.

Aliás esse é para mim um dos maiores factores de sucesso, os diálogos da série foram sempre de extrema qualidade e a realçar o melhor das personagens. Quem mais era fã?














segunda-feira, 11 de abril de 2016

... do Sony Walkman

segunda-feira, abril 11, 2016 0
... do Sony Walkman
O Sony Walkman é um dos objectos que melhor simboliza os anos 80, quase todos nós tivemos um (da Sony ou de outra marca) e adorávamos andar na rua a ouvir as k7's que tínhamos gravado em casa ou alguma que se tivesse comprado. O amarelo "sports" foi o mais conhecido e desejado de todos, mas o modelo azul e cinza foi provavelmente aquele que muitos tiveram.

O Walkman surgiu quando um dos sócios executivos da Sony, Akio Morita, pediu ao departamento de áudio que concebesse um aparelho para que pudesse ouvir Opera nas viagens que fazia. Em Abril de 1979 decidem colocar o aparelho no mercado, mas os vendedores diziam que aquilo não iria ter sucesso e Morita decidiu então apostar a sua posição na empresa se vendessem menos que 100 Mil unidades em dois anos. Foram vendidos cerca de 1,5 Milhão de unidades e estava assim criado o aparelho que iria ser um dos mais populares da década de 80.

Quando tudo gravava as suas músicas favoritas da rádio para k7's de áudio, um aparelho que permitia ouvi-las na rua parecia extraordinário. Tornou-se a companhia preferida de quem corria, ou apanhava transportes públicos, e muitos modelos permitiam também ouvir rádio, para não se ficar limitado só ao som das k7's. As outras marcas desenvolveram vários aparelhos, e apesar de Walkman ser só o nome do modelo da Sony, tornou-se comum chamar todos de walkman. Quem teve um?





















quarta-feira, 6 de abril de 2016

... da série Cheers, aquele bar

quarta-feira, abril 06, 2016 0
... da série Cheers, aquele bar


Uma série de humor que deixou a sua marca na história da televisão, com um elenco fantástico e uma qualidade acima da média que esteve no ar por mais de uma década. Cheers aquele bar passou por cá na RTP, onde podíamos apreciar as tropelias que aconteciam no bar gerido por Sam Malone.

Criada em 1982 por James Burrows, Glen Charles e Les Charles, Cheers teve 11 temporadas e esteve no horário nobre da NBC até 1993. Ambientada em Boston, apresentava-nos um bar gerido por um alcoólico em recuperação chamado Sam Malone, interpretado por Ted Danson.

Sam era um ex jogador de baseball bastante mulherengo, que ficou com o bar onde tem como ajudantes o seu antigo treinador, Ernie Pantuso (Nicholas Colasanto), um velhote castiço e bastante ingénuo, e a desbocada Carla Tortelli (Rhea Perlman), uma empregada que não tem receio de dizer o que pensa. Shelley Long dá vida a Diane Chambers, uma mulher inteligente e sofisticada que depois de abandonada no bar, aceita a proposta de Sam para que comece ali a trabalhar. Os dois vivem uma relação conturbada, e ela acaba por se mudar para outra cidade a dada altura.

Na clientela do bar há dois regulares que conquistam rapidamente o público, o Norm Peterson (George Wendt) um contabilista que prefere estar ali a beber cervejas do que ir para perto da sua mulher, e Cliff Clavin (John Ratzenberger), um carteiro sabichão que dá muitas argoladas e incomda quase sempre os outros clientes com as suas teorias. Mais para a frente surge Frasier Crane (Kelsey Grammer) um psiquiatra que acaba por se tornar também namorado de Diane.


Com a morte do actor que dava vida a Coach, este é substituído por um rapaz ingénuo de uma terrinha, chamado Woody e interpretado por um jovem Woody Harrelson. No caso de Shelley Long, foram problemas entre ela e a produção que fizeram com que fosse substituída por Kirstie Alley, que dava vida a Rebecca Howe que ficou como gerente do bar a pedido do Sam.

Filmada com várias cameras, a sitcom dependia muito da química entre o elenco e a qualidade dos diálogos, com a série a manter uma qualidade acima da média ao longo dos anos. Recebeu vários Emmys e Globos de Ouro e originou a série Frasier, que teve também bastante sucesso.

Sempre achei alguma piada ao programa, mas só anos mais tarde pude apreciar todos os pormenores que mostravam toda a sua qualidade. Gostava das teorias de Cliff, das respostas de Norm e das atitudes de Coach e Woody a tudo ao seu redor. Uma série que deixa saudades.