Abril 2015 - Ainda sou do tempo

quinta-feira, 30 de abril de 2015

... da Miss Marple

quinta-feira, abril 30, 2015 0
... da Miss Marple

Mais uma série de mistérios com o selo de qualidade da Agatha Christie, desta feita com adaptações dos livros estrelando a personagem Miss Marple.

Miss Marple foi mais uma criação da escritora Agatha Christie, aparecendo em diversos livros da autora e estrelando alguns pequenos contos editados pela mesma. Assim como com Poirot, também esta personagem foi adaptada ao pequeno ecrã, com mais de 10 episódios com a chancela da BBC e tendo a veterana Joan Hickson no principal papel.

Antes disso já tinham existido diversas peças de teatro  e até filmes com Miss Marple, com Margaret Rutherford a interpretar uma versão muito diferente daquela que conhecíamos dos livros. A própria Christie não gostou muito destas versões, mas chegou a escrever um livro baseado na actriz, que ficou muito famosa na Alemanha, onde estas películas são repetidas por diversas vezes para gáudio dos fãs germânicos.

Era uma Miss Marple mais jovial, menos sóbria do que a versão em papel, para além de ter vários trabalhos ao contrário do que Christie tinha idealizado. Angela Lansbury, antes de ser a fantástica Fletcher em Crime, Disse ela, foi também Miss Marple num único filme em 1980.

Margaret Rutherford como Marple
Mas foram os 12 episódios da BBC que fizeram com que muitos de nós reconhecessem Joan Hickson como a verdadeira Miss Marple, numa versão física e psicologicamente mais fiel às obras de Christie. Mais de 30 países acompanhavam avidamente as aventuras desta detective com ar de avó, brilhantemente interpretada pela octagenária Hickson.

Bastantes fiéis aos livros, aqui podíamos ver a mente brilhante de Marple em acção, que muitas vezes solucionava um crime simplesmente ouvindo uma frase de alguém e com o seu rápido raciocínio deduzia algo desse mesmo comentário.

Não trabalhava e vivia dos rendimentos e da ajuda do seu sobrinho, que apareceu num par de episódios, gostando da pacatez da sua casa e não era muito de se envolver com os outros. A actuação brilhante da actriz conquistou até a Rainha Isabel II, que se revelou ser uma fã incondicional do programa.

Em 2004 a ITV decidiu fazer de novo uma série baseada nas obras com Miss Marple, com a actriz Geraldine McEwan a assegurar o papel principal nos primeiros episódios, sendo substituída por Julia McKenzie.

Passou na RTP por diversas ocasiões, sendo também transmitida várias vezes em vários canais de cabo, provando que também continua muito popular no nosso país.









terça-feira, 28 de abril de 2015

... da Tele Semana

terça-feira, abril 28, 2015 0
... da Tele Semana

Foi uma das revistas de programação de TV mais popular de Portugal, a revista Tele Semana trazia a programação da RTP e não só, com banda desenhada, artigos, reportagens e entrevistas a personalidades do mundo da Televisão.

A revista Tele Semana era propriedade da Ediguia, que tinha ligações à RTP e com Rui Ressurreição como director, comandando uma equipa que tinha nomes como Rolo DuarteFrancisco Nicholson, Maria Elisa, José Niza, Maria João entre outros.

Saindo às Sextas Feiras, assumia-se como a revista semanal dos programas de TV, começando a sair para as ruas em Janeiro de 1973, trazendo um bom número de páginas com entrevistas, reportagens, banda desenhada (como a Pipi das Meias Altas), cupões para concursos, culinária, desporto e claro a programação da semana seguinte que ocupava maior parte das páginas.

Em 1974 saiu um editorial dizendo que se iria diminuir o número de páginas, mantendo-se o preço de 5 escudos, para poder continuar a ser publicada sem decréscimo da qualidade. Isto apesar de o seu interior ser a preto e branco, com excepção para a capa e contra capa e os posters centrais.

Manteve-se nas bancas até 1979, altura que foi substituída pela TV Guia, outra publicação muito popular e que apresentava uma maior qualidade no papel e era inteiramente a cores. Alguém comprava esta revista?












... dos Cranberries

terça-feira, abril 28, 2015 0
... dos Cranberries

Foi uma das minhas bandas preferidas dos anos 90, fiquei completamente fã da sonoridade dos Cranberries e ainda hoje gosto de ouvir as suas músicas, que serão obviamente abordadas neste post.

Os Cranberries formaram-se no começo da década de 90, uma banda Irlandesa chamada então de Cranberry Saw Us formada pelos irmãos Hogan (Noel na guitarra e Mike no baixo), Fergal Lawler na bateria e como vocalista Niall Quinn, que deixou pouco tempo depois o grupo que colocou então um anúncio num jornal a pedir uma vocalista feminina. Dolores O'Riordan arrasou com a sua versão da música Linger e ficou então com o lugar.

Mudando o nome para Cranberries, o sucesso da sua demo tape não passou despercebido e começaram a chover convites de editoras discográficas. Depois de alguns problemas com o seu manager e o primeiro EP, eles contratam um novo e lançam o seu primeiro single, "Dreams" em Setembro de 1992, seguindo-se então um álbum em 1993, chamado Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We?.

Não estavam a ter muita atenção de parte do público, mas isso mudou quando fizeram parte de uma tour dos Suede, fazendo a primeira parte deles, que chamou a atenção da MTV que decidiu começar a passar vídeos do grupo, especialmente o de "Linger".


O álbum subiu então a primeiro lugar do top UK, e a tour que fizeram com Duran Duran nos Estados Unidos fez com que a banda ficasse conhecida também nesse país e começasse então a sua escalada nos tops mundiais. Investiram então num segundo disco, No Need to argue, um pouco mais pesado do que o da estreia, mas com a sonoridade intensa que eles nos tinham habituado.

Rapidamente chegou a tripla platina, muito por culpa do single "Zombie", e mesmo em outros países tornou-se um sucesso de vendas, no Canada (5x) e nos Estados Unidos (7x), com outros 4 singles a serem tocados non stop, "Ode to My Family", "I Can't Be With You" e "Ridiculous Thoughts"

O terceiro disco,  To the Faithful Departed, lançado em 1996 não teve o mesmo sucesso comercial dos restantes, com o single "When you're gone" a ser o mais bem sucedido nas tabelas mundiais. Mas em 1999 o grupo voltou aos grandes sucessos, com o lançamento do álbum Bury the Hatchet.

"Promises", "Just My Imagination", "Promises" e "Animal Instinct" fizeram com que a banda tivesse sucesso um pouco por toda a Europa. No final do Século XX sucederam-se os concertos e eram presença regular na MTV. E foi nessa altura que os descobri, vendo na nossa TV Cabo os seus vídeos e começando depois a descobrir o resto da sua discografia.

Em 2003 começaram a apostar nas suas carreiras a solo, sendo que em 2009 aconteceu uma reunião que voltou a suceder em 2014. Alguém aí é fã do grupo?
















domingo, 26 de abril de 2015

... dos Barriguitas

domingo, abril 26, 2015 0
... dos Barriguitas

Os Barriguitas foram um dos bonecos mais famosos dos anos 80, um dos maiores best sellers da Famosa e tornou-se das prendas preferidas para toda a jovem menina dessa década.

Sempre tivemos a nossa quota parte de brinquedos Espanhóis nos anos 70 e 80, a empresa Famosa era presença constante nos escaparates das lojas Portuguesas, por isso não foi de estranhar que os Barriguitas também tivessem algum sucesso por cá.

O boneco destacava-se pela sua cabeça e braços moles e maleáveis, em contraste com o seu corpo duro e de plástico. Por cá a versão mais popular, foi a variedade carequinha e de olhos azuis, que fazia ainda ter mais aspecto de bebé do que toda a linha deste popular brinquedo.

A primeira versão desta linha saiu em 1969, e nos anos 70 existiam duas variedades, uma de cabelo liso e outra de cabelo ondulado, sendo esta última a única a ser comercializada no final dessa década. Ganhando o prémio de brinquedo do ano numa importante feira do género, os Barriguitas entraram nos anos 80 com toda a força, apostando numa gama de acessórios para capitalizar o interesse pelo boneco.

Para além disso algo chamava a atenção nesta gama da Famosa, a variedade étnica dela apresentava para todos um boneco mulato, um índio e até um chinês. Para além das roupas diferentes para vestir as barriguitas, começaram a aparecer outros objectos, como berços, armários, etc, tudo que fizesse as pequenas crianças querer completar a experiência barriguita.


Existiam diferentes tipos de barriguitas também, como disse as mais populares por cá eram as de simples bebé, mas existia de tudo um pouco, desde uma pequena criança que podia andar a uns que tinham uma barriga preparada para receber muitos beijos.

A dada altura saiu uma gama para coleccionadores, com personagens temáticas como um Gnomo, Ninfa ou outra personagem mitológica. Nos anos 80 a linha atingiu todo o seu potencial, foram acrescentados outros elementos étnicos (como um esquimó) e a dada altura criou-se uma linha baseada nos contos de fada como Branca de Neve e afins.

Todos eles populares, todos eles bom sucesso de vendas, os olhos que se mexiam ligeiramente, que ficavam semicerrados e pareciam um bebé a dormir, tudo isto apaixonava as meninas que brincavam assim com os seus filhotes de uma forma muito apaixonada. Para além de França e Portugal, países fronteiriços de Espanha, também alguns países da América do Sul receberam com entusiasmo estes bonecos, sendo que no Brasil foram lançados pela Estrela e mesmo com outro nome foram êxito de vendas.

Foram sempre evoluindo e ganhando novas colecções, mas perdendo algum terreno para outros brinquedos e bonecos do género. Quem teve um barriguita?


















sexta-feira, 24 de abril de 2015

... do Samurai X

sexta-feira, abril 24, 2015 0
... do Samurai X

Foi um dos desenhos animados com mais sucesso da TVI, Samurai X conquistou uma geração que não conhecia este género de animação, e foi para muitos o primeiro anime que viram.

Rurouni Kenshin é o Manga de Nobuhiro Watsuki, e foi onde o anime Samurai X, foi baseado, tendo sido produzido pelos estúdios Gallop em 1995. Foram cerca de 95 episódios, que por cá foram transmitidos pela TVI no final do Século XX, numa dobragem em Português liderado por Carla de Sá.

Carlos Macedo, Adriano Luz e Helena Montez eram alguns dos outros nomes envolvidos neste que era um dos principais destaques do Batatoon. O Anime teve uma grande aceitação por parte do público, não habituados a ver desenhos deste tipo mais sérios e sóbrios, e ainda hoje é considerado dos melhores que passou na nossa TV.

Kenshin Himura é um guerreiro samurai da época Meiji(séc.XIX) que jurou nunca mais matar. O problema é que ele se envolvia quase sempre em problemas, que o faziam ter que lutar e nunca conseguir viver uma vida em paz. Durante 10 anos Kenshin vagou pelo Japão até encontrar abrigo no Dojo Kamiya, onde conhece a jovem Kaoru Kamiya, que leccionava kendo no estilo Kamiya Kashin.

A dobragem em Português respeitava o tom sério do programa, tudo feito de uma forma mais adulta, fazendo com que adolescentes e alguns mais velhos ficassem também fãs deste anime, apesar de passar num programa infantil.

Quem via isto?










quinta-feira, 23 de abril de 2015

... do Mandrake

quinta-feira, abril 23, 2015 0
... do Mandrake

Mandrake é mais uma criação de Lee Falk, uma personagem que marcou época e um dos símbolos da King Feature Syndicate, Um Mágico cheio de estilo e que derrotava os seus inimigos sem recorrer à violência, que podia ser encontrado nas tiras de jornais ou nas revistas da RGE.

Antes da criação do Fantasma, o autor Lee Falk tinha criado uma série de aventuras com um Mágico cheio de estilo, que chamou de Mandrake, como um mágico chamado Leon Mandrake conhecido pela sua Cartola alta, bigode fino e capa escarlate. Publicado a 11 de Junho de 1934, rapidamente teve o artista Phil Davis a tomar conta da arte da personagem, redefinindo a mesma e a deixando como um símbolo de personagens de banda desenhada.

As histórias passavam-se nos anos trinta, mostrando Mandrake em Xanadú, uma propriedade fantástica no alto de uma colina. Tinha uma noiva, a princesa Narda de Cockaigne4 , fictício reino na Europa oriental e era ainda acompanhado por Lothar, um príncipe africano que abandonou a sua tribo para acompanhar o mágico e tornando-se assim muito provavelmente o primeiro personagem negro nas histórias em quadrinhos.

Elegantemente vestido em finos ternos, usando cartola e luvas e uma capa forrada em vermelho, Mandrake conseguia evitar confrontos físicos utilizando a hipnose, bastava um olhar e fazia com que o bandido em vez de uma arma ter um ramo de flores na mão. O seu principal inimigo era o Cobra, e as suas aventuras iam desde evitar o simples crime a situações de tráfico e outras mais graves.


No Brasil estreou-se num suplemento juvenil de Jornal em 1935, mas teve bastante destaque numa série de revistas publicadas pela Rio Gráfica Editora, que não tinham o mesmo fascínio para mim do que as do Fantasma, mas cheguei a ler com interesse uma ou outra aventura. Por cá estreou-se na Mundo de Aventuras a 19 de Outubro de 1950, sendo também publicado em diversas revistas como Águia (1ª série), Álbum Agência Portuguesa de Revistas, Álbum Correio da Manhã, Álbum do Mundo de Aventuras, Álbum Editorial Futura, Álbum Portugal Press, Almanaque «O Mosquito», Aventureiro, Canguru (1ª série), Chico Zumba, Ciclone, Comix, Condor (amarelo), Condor (mensal), Condor Popular, Enciclopédia «O Mosquito», Êxitos da TV, Galo, Gatinha, Grilo (APR), Grilo, Herói (1ª série), Herói (2ª série), Heróis Inesquecíveis, Jornal do Cuto, Mandrake (1ª série), Mandrake (2ª série), Mandrake (Especial), Mundo de Aventuras (2ª fase), Mundo de Aventuras Especial, Quadradinhos (1ª série), Quadradinhos (2ª série), Quadradinhos (3ª série), Selecções (Mundo de Aventuras), Selecções BD (2ª série), Tico, Tigre (1ª série), Viva!

Também fez sucesso nos desenhos animados Defensores da Terra, onde ele e Lothar tinham bastante destaque.







quarta-feira, 22 de abril de 2015

... do Paulinho Cascavel

quarta-feira, abril 22, 2015 0
... do Paulinho Cascavel

Paulinho Cascavel foi um dos avançados que aterrorizou as balizas de muitos clubes nacionais na década de 80, Um dos jogadores que deixou o seu nome na história do Sporting Clube de Portugal.

Paulo Roberto Bacinello nasceu em 1959, em Cascavel no Brasil, adoptando o nome da sua terra natal quando começou a jogar futebol profissionalmente, ficando então conhecido como Paulinho Cascavel. Foi campeão Estadual no clube da sua terra em 1980, logo na época de estreia, continuou por outros clubes do estado de Santa Catarina, onde foi de novo campeão e por duas vezes foi o melhor marcador, até chegar a um clube de renome, o Fluminense, onde se estreou em 1984,

Por cá já vários clubes seguiam com atenção a sua carreira, a regularidade com que jogava e marcava golos não passava despercebido e por isso foi natural que viesse para cá em 1985, ingressando no FC Porto. Tapado pelo bi-bota de ouro Fernando Gomes, ele nunca teve grande oportunidade de brilhar, mas mais pessoas sabiam da sua qualidade atacante e Pimenta Machado era um desses apreciadores do atleta.

Chegou ao Vitória de Guimarães em 1985/86, marcando 25 golos na sua época de estreia e torna-se um dos mais importantes da equipa treinada por António Morais. Ficou atrás de Manuel Fernandes na luta por melhor marcador do nosso campeonato (mas ganhou o prémio Adidas de ter sido mais vezes o melhor em campo), feito que atingiu no ano seguinte conquistando assim a bola de Prata do jornal a Bola, isto apesar de ter marcado menos 3 golos que na temporada transacta.


O seu bigode e farto "mullet" chamavam a atenção, mas mais do que isso era a sua qualidade técnica de jogador completo que fazia com que todos ficassem fãs dele. Ele tanto marcava golos de fora da grande área em remates de forte potência, como finalizava com remates dentro da pequena área cheios de precisão.

E para além desses remates, também era um exímio cabeceador, e marcava livres directos e penaltys como poucos,  tendo uma taxa de concretização bem elevada. Marinho Peres soube tirar todo o potencial dele enquanto treinador do clube da cidade berço, tendo uma boa campanha a nível nacional e na Europa também onde se tornou o melhor marcador de sempre do clube Vimaranense nas competições europeias.

No ano seguinte volta a um grande clube do nosso país, indo substituir o mítico Manuel Fernandes no Sporting Clube de Portugal. O que parecia ser uma tarefa inglória, revelou-se o contrário, já que revalidou o título de melhor marcador com 24 golos, e era uma peça fundamental no onze leonino. Jogando com nomes como Douglas ou Carlos Manuel, continuou um avançado temível e um dos favoritos dos adeptos do Sporting.

A sua qualidade técnica não esmorecia com a idade, em três épocas de leão ao peito, foi quase sempre titular, marcava muitos golos e conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira, mas conflitos com o presidente Sousa Cintra fizeram com que tivesse que deixar o clube e terminasse a sua carreira no nosso país no Gil Vicente em 1990/91. Fustigado por lesões nunca conseguiu nada por aí além no clube de Barcelos, terminando a sua carreira e voltando ao seu país onde ainda brilhou num campeonato de veteranos.

Hoje é um empresário de sucesso, mas continua ligado ao futebol com uma escola onde forma jovens talentos e inspira novos goleadores. O seu clube de coração será sempre o Vitória de Guimarães, onde por vezes aparece para assistir a algum jogo e sendo sempre bem recebido pelos adeptos e gentes vimaranenses. O nome da sua filha, Vitória, é também prova desse amor. Quem gostava de ver jogar este avançado?



















segunda-feira, 20 de abril de 2015

... da BMX

segunda-feira, abril 20, 2015 0
... da BMX

Foi um dos objectos mais desejados nos anos 80 e 90, todos queriam ter a bicicleta de ar cool chamada BMX. Com ou sem amortecedor, eram uma das preferidas dos fãs de bicicletas, e tornaram-se um produto de ostentação para criar inveja ao amigo ou vizinho.

As BMX foi criada no final da década de 1950 na Europa e tornou-se popular nos EUA, especialmente na Califórnia, na década de 60. O Motocross ganhava cada vez mais adeptos, e todos queriam imitar os seus ídolos e ir para as pistas de terra batida ou matas por perto, para poder andar com toda a liberdade. O problema é que uma bicicleta normal não daria para isso, ou pelo menos não asseguraria um final muito feliz, então as BMX foram pensadas para isso mesmo, criadas com material mais resistente e havendo a possibilidade de escolher modelo com ou sem amortecedor.

Os mais destemidos preferiam os modelos de quadro simples, permitia acrobacias mais arrojadas e arriscadas e a prática do bikecross não ficava prejudicada. Foi também a máquina que popularizou as protecções para os seus utilizadores, já que não nos livrávamos das quedas e com o que se podia fazer com estas biclas, tudo convinha estar bem preparado.

Existiam as modalidades de corrida e de freestyling, podíamos assistir a uma corrida dura e intensa ou então ver manobras fantásticas de pessoal que usava e abusava da sua amiga de duas rodas. ainda hoje são muito populares, mas já longe daquela aura de objecto desejado que tinham nos anos 80 e 90.

Alguém por aí teve uma?












domingo, 19 de abril de 2015

... da Luluzinha e do Bolinha

domingo, abril 19, 2015 0
... da Luluzinha e do Bolinha

Era uma das minhas BD's preferidas enquanto criança, apesar do aspecto anacrónico das suas personagens e de tudo ser passado numa época antiga, as aventuras da Luluzinha e do Bolinha eram bem divertidas, e faziam com que quisesse sempre ler mais e mais.

Luluzinha e Bolinha faziam parte da quantidade industrial de quadrinhos infantis que a Editora Abril colocava nas bancas nos anos 80, e que nós tivemos a sorte de receber por cá também, existindo tanto em revista mensal como em almanaque ocasional. Quem não se lembra do lema “Menina, não entra!”?

Little Lulu (a Luluzinha) foi criada em 1935 por Marjorie Henderson Buell para umas tiras de jornais no Saturday Evening Post, sendo publicadas até 1945. A rapariga de cachos no cabelo e vestidinho vermelho é acompanhada pelo seu colega gordinho Tubby Tompkins, mais conhecido por nós como Bolinha. Ambos estrelaram alguns álbuns juntos ou separados, até começar a ser publicada uma revista regular com argumento e arte de John Stanley.

Irving Tripp entrou a bordo alguns anos depois, tratando da arte e deixando o argumento a cargo de Stanley. Irving começou a fugir do estilo artístico de Marjorie e a deixar o seu cunho na personagem, os próximos 2 artistas ficaram mais perto desta encarnação de Luluzinha do que da sua versão original. O sucesso da personagem originou também a criação de desenhos animados, com uma música de genérico que todos ainda se recordam com saudade e que marcou uma geração.

Os primeiros desenhos foram nos anos 40 e 50 mas foi a série tipo Anime que muitos de nós conheceram, a que foi produzida entre 1976 e 1977 pela Nippon Animation. Essa versão teve direito a dobragem no Brasil e foi a que também vimos por cá em alguns episódios esporádicos na RTP.

A forma de vestir das personagens e o seu modo de vida não deixa dúvidas em relação à antiguidade da coisa, aquilo tudo reportava aos anos 40 e 50, mas mesmo assim as personagens continuaram a fazer sucesso muitos anos depois.


No Brasil começaram a ser publicados pela editora Cruzeiro em 1955, e foram distribuídos até 1972 onde os direitos passaram para a Editora Abril que começou a editar as revistas em 1973 e com o mesmo sucesso da Cruzeiro com o público a continuar a comprar avidamente as suas aventuras.

Era uma fase de ouro da editora, podíamos comprar nas bancas todo o tipo de publicação infantil, e esta turma era das que mais sucesso fazia, chegando a ter mais de 4 revistas só com estas personagens. Luluzinha, Bolinha, Almanaque da Luluzinha, Almanaque da Luluzinha e do Bolinha, Luluzinha e Bolinha Especial fora edições ocasionais como as que se dedicavam ao Bolinha e ao seu alter-ego Aranha.

Eu adorava ver o Bolinha e suas ideias estapafúrdias, ele como Aranha tinha sempre aventuras muito divertidas para tentar descobrir o culpado, que era quase sempre o pai de Lulu. A sua paixão não correspondida pela Glória também dava alguns bons momentos, para mais quando todos percebiam que ele e a Luluzinha sentiam “algo” um pelo outro.

Para além das revistas da editora Abril, chegou a haver um álbum de figurinhas (caderneta de cromos) da RGE -Rio Gráfica Editora, e inclusive uma música pela dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos onde cantavam uma historinha com as personagens.

Eis o grupo que constituía a turminha:

Bolinha - ("Tubby Tompkins") líder do grupo de meninos que têm como lema de seu clube a frase: Menina não entra! Personagem que todos gostam porque está sempre metido em problemas. Gosta também de vestir a pele do detective Aranha.

Carequinha ("Iggy Inch") é o melhor amigo do Bolinha, tenta sempre evitar (sem sucesso) que este se meta em problemas e está sempre a discutir com a sua irmã Aninha.

Zeca - ("Eddie Simson") e Juca - ("Willy Wilkins") são os outros integrantes da turma do Bolinha;

Aninha - ("Annie Inch" ou "Magee") Com um cabelo bem espetadinho é a melhor amiga de Luluzinha e está sempre do lado dela.

Plínio Raposo - ("Wilbur Van Snobbe") O maior rival de Bolinha, quer sempre entrar para o clube mas nunca consegue apesar de ser o menino mais rico da turma. Também é apaixonado por Glória.


Glória - ("Gloria Darling") Menina snobe da turma, sempre é perseguida pelos outros garotos;

Carlinhos - ("Chubby (Tompkins?)") Primo do Bolinha, é a clássica personagem que é quase clone da principal, só que menor. Sempre se mete em confusões e chega a ser rival do detective Aranha.

Alvinho - ("Alvin James" ou "Jones") é um pequeno menino a quem Luluzinha toma conta, o que dá algum trabalho já que é mal comportado e muito enérgico. Só sossega quando ela conta umas histórias que cria só para ele.

Dona Marocas - ("Miss Feeny") a professora da escola da Turma da Luluzinha;

Dona Marta Palhares - ("Martha Moppet") mãe de Luluzinha;

Seu Jorge Palhares - ("George Moppet") pai da Luluzinha;

Aranha - ("The Spider") apelido usado por Bolinha quando atua como detective procurando coisas perdidas para Luluzinha. O culpado era sempre o seu pai. Tem como lema "O aranha ataca novamente".

Mino - ("Sammi") amigo marciano do Bolinha;

Fifi - amiga da Lulu que mora em Paris;

Pobre Menininha - versão pobre da Luluzinha, geralmente aparece nas histórias contadas para Alvinho;

Bruxa Alcéia - ("Ol' Witch Hazel") tia da Bruxa Meméia ("Little Itch"), aparece nas histórias que Luluzinha conta para Alvinho;

Turma da Zona Norte - ("The Westside Boys") liderada por Zico, é a gangue de meninos que atazanam a turma.


As histórias eram sempre simples, mas envolviam os vários elementos da turma dando a conhecer os amigos todos, algo que nem sempre acontecia nas outras revistas infantis, talvez uma das razões do pessoal gostar disto.

A tensão romântica entre Luluzinha e Bolinha era sempre deixada umas vezes no ar, nunca exageraram na abordagem e até era feito de forma muito subtil, no entanto em algumas histórias percebia-se bem isso.

Comprava quase todos, e ao contrário de algumas outras revistas da época, continuo a ler e a querer ler mais histórias deste divertido grupo de amigos.






Texto meu originalmente publicado no Leituras de BD, mas que reaproveitei para o meu blog por se adequar ao tema :)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

... das Queridas e Maduras

quinta-feira, abril 16, 2015 0
... das Queridas e Maduras


Baseado no sucesso Sarilhos com elas, a série Queridas e Maduras foi uma adaptação bem divertida, com quatro actrizes veteranas que não ficavam a dever nada às Norte-Americanas.

A série estreou em Julho de 1995, voltando no ano seguinte para mais uma série de episódios devido à boa aceitação por parte do público, tendo assim sido transmitidos 26 episódios em duas temporadas, no horário nobre do Canal 1 da RTP. Uma adaptação do sucesso Golden Girls (por cá conhecido como Sarilhos com elas), Queridas e Maduras teve o seu próprio mérito devido à qualidade e química do elenco envolvido.

Dirigidas por Henrique Viana, todas as actrizes mostravam se divertir nas filmagens e isso passava para o telespectador. Apesar de nunca mais ter sido repetida, lembro-me de ver alguns episódios e de me ter divertido tanto como quando via a original. A premissa era a mesma, três amigas que já passaram a meia idade (duas viúvas e uma divorciada), encontram-se a viver juntas no mesmo apartamento, e ainda se junta a mãe de uma delas, que apesar de ter 80 anos, é muito jovem de espírito.

Comparando com a série Americana, Catarina Avelar (Edite) era Beatrice Arthur, Amélia Videira (Inês) fazia as vezes de Betty White, Lia Gama (Salomé) tentava ser sedutora como Rue McLanan e a veterana Luísa Barbosa (Aparecida) era tão desbocada como Estelle Getty. Do que me recordo, todas eram muito fiéis à personagem original, com uns pequenos apontamentos próprios, o que tornava aquilo mais divertido, Era bom poderem repetir esta série, mas parece que a RTP já não possui os direitos para isso.







Imagens e info retiradas do Brincabrincando







quarta-feira, 15 de abril de 2015

... da Novela O Casarão

quarta-feira, abril 15, 2015 0
... da Novela O Casarão

O Casarão foi a segunda telenovela Brasileira a passar no nosso país, não teve o mesmo sucesso de Gabriela, mas nem por isso não deixou de ter alguns fãs, que ainda hoje se recordam de algumas situações que por lá aconteceram.

Depois do sucesso que a Gabriela teve no nosso país, a RTP decide transmitir logo no começo de 1978 a sua sucessora, sendo escolhida a novela de Lauro César Muniz, O Casarão. Tendo sido transmitida dois anos antes no Brasil, era uma trama mais complicada, contando a história de três gerações que se estabeleceram no norte de São Paulo, à época da grande imigração para as terras férteis do café. Um casarão situa o foco da narrativa. Desde a sua construção no ano de 1900 até o ano de 1976, O Casarão conta uma saga familiar. A ação se passa em três épocas diferentes, quais sejam, de 1900 a 1910, de 1926 a 1936 e, enfim, no ano de 1976, o período de difusão da telenovela.

A terra e a mulher são os pontos fundamentais da trama, aliás Manuel Luís Goucha disse uma vez ser a sua novela favorita, por causa de falar da emancipação da mulher e que tem belas recordações sempre que ouve a voz de Elis Regina cantando o tema da telenovela. Aliás a cantora esteve presente no Festival da canção desse ano, interpretando Fascinação para gáudio de todos.

Longe do impacto que teve Gabriela, muitos louvavam na mesma a qualidade da trama desta sua sucessora, e até se pode dizer que foi mais bem recebida no nosso país do que no Brasil. Talvez por nesta se encontrar um núcleo de actores Portugueses quem sabe. Esses foram apadrinhados por Raul Solnado (na altura muito popular por lá) e assim Laura Soveral, Tony Correia e a Moçambicana Ana Maria Grova formavam o núcleo nacional da trama.


No primeiro período da história (1900-1910) temos Deodato Leme (Oswaldo Loureiro) que é o chefe político do município de Tangará, situado no interior do Estado de São Paulo. É nesta época que é erguido o casarão da família, onde tudo se vai desenrolar, e mostra também como é um dos principais impulsionadores para que o caminho-de-ferro chegue até à região

Sua mulher é Olinda (Myrian Pires), que aguenta em silêncio e de uma forma submissa a frieza e os ciúmes doentios do marido. Maria do Carmo (Analu Prestes) é a filha do casal que, apesar de apaixonada pelo imigrante português Jacinto (Tony Correia), se casa com Eugénio (Edson França), tendo tido uma filha chamada Carolina.

No segundo período (1926-1936) vemos como o progresso chega à cidade, com Eugénio como o seu líder político. Jacinto e Francisca (Laura Soveral) são pais de Atílio (Denis Carvalho), com quem Maria do Carmo pretende casar Carolina (Sandra Barsotti), vendo nesta união a realização das suas próprias frustrações.

O problema é que a jovem gosta de João Maciel (Gracindo Jr.), filho adoptivo do capataz Afonso Estradas (Lutero Luiz). João Maciel recebe a incumbência de esculpir uma santa para a capela da Fazenda Água Santa, promessa que Olinda fizera para o restabelecimento de Maria do Carmo, que se encontrava gravemente doente. O modelo para o rosto da santa será precisamente Carolina. João Maciel apaixona-se e, como forma de homenagem à amada, transforma a estátua numa escultura de Vénus, a deusa da beleza e do amor.

Os dois fazem planos de deixar a cidade e partir para São Paulo, onde pretendem iniciar uma vida em comum. Mas João acaba por partir sozinho e, para evitar problemas, enterra o corpo da estátua, colocando a cabeça num pedestal coberto com um véu. Após uma longa ausência, regressa a Tangará e fica a saber que Carolina está noiva de Atílio, com quem acaba por se casar.


Por fim vemos como as coisas estão em 1976, mostrando os três filhos daquele casamento infeliz: Violeta (Aracy Balabanian), Alice (Daisy Lucidi) e Eduardo (Marcos Paulo). Atílio apresenta já alguns sinais de senilidade e passa o tempo todo mexendo uma banheira cheia de merda, tentando criar ouro com isso, uma das cenas mais marcantes de toda a novela e aquela que muitos lembram nos dias de hoje.

João Maciel tornou-se um famoso escultor e foi casado cinco vezes. Carolina (que ainda o ama), descobre que João teve um ataque cardíaco e escreve-lhe. João faz uma visita oficial à cidade e fica hospedado no casarão. Pouco a pouco, renasce o clima de romance entre os dois.

A morte de Atílio acaba por ser um passo decisivo no tão adiado reencontro entre João Maciel e Carolina. Já o casarão, que outrora representara o poder de Deodato Leme, torna-se um lugar decadente e destinado ao desaparecimento, ironicamente, com o prolongamento da estrada de ferro.

Uma trama cheia de segundos sentidos e pequenos momentos que o público por vezes não percebia, fazendo com que ela fosse mal recebida e mal amada. No entanto trata-se de um excelente enredo que deixou a sua marca na história da televisão.




segunda-feira, 13 de abril de 2015

... do Charles Barkley

segunda-feira, abril 13, 2015 0
... do Charles Barkley

Foi um dos basquetebolistas que marcou as décadas de 80 e 90, um dos melhores períodos da NBA e onde actuaram dos melhores praticantes deste desporto. Charles Barkley conquistou tudo e todos com a sua simpatia e o seu talento dentro do court, deixando o seu nome no historial da competição.

Charles Barkley nasceu a 20 de Fevereiro de 1963 no Alabama, começando a jogar Basquetebol universitário como tantos outros e dando logo nas vistas pelo seu poderio físico, chegando à NBA em 1984 sendo escolhido pelos Philadelfia 76ers e entrando numa equipa onde pontificavam nomes como Julius Erving ou Moses Malone. Malone ajudou Barkley a saber utilizar o seu físico portentoso como uma vantagem, fazendo ele perder peso e utilizar isso para desenvolver o seu jogo.

Para Power Forward não era muito alto, mas conseguia compensar isso e atingir boas médias de jogo. Na temporada de 86-87 começa a assumir a liderança da equipa, com a saída de Malone para outro clube, conseguindo entrar para a equipa All Star apesar de ter ficado mais uma vez pelo caminho nos playoffs.

No ano seguinte bate todos os seus recordes, sendo um dos principais jogadores da NBA apesar dos 76ers nem terem chegado aos playoffs.mas com Barkley a assumir o seu papel como um dos principais atletas do campeonato Norte-Americano e voltando a marcar presença na All Star team. Na temporada de 89-90 quase que conseguiu ser o MVP, ficando em segundo lugar atrás de Magic Johnson (apesar de ter tido mais votos para o primeiro lugar) e sendo eleito basquetebolista do ano por diversas publicações especializadas.

As suas últimas temporadas em Filadélfia foram excepcionais, com Barkley a exibir-se em grande nível e a ser presença constante nas equipas do ano da NBA e a ser um dos principais jogadores em toda a competição. Na sua temporada final, em 91-92, ele utiliza o número 32 em vez do seu tradicional 34, em homenagem a Magic Johnson que tinha anunciado a sua retirada por ter contraído o vírus HIV.

Apesar dessa atitude, e do seu sorriso constante que o levava a ser um favorito dos fotógrafos e dos adeptos, ele tinha atitudes controversas com algumas lutas dentro e fora do campo, com especial destaque para um incidente onde cuspiu para cima de uma fã.


A sua mudança para os Phoenix Suns correu às mil maravilhas, sendo eleito MVP nesse mesmo ano (o terceiro jogador a conseguir esse feito no ano que muda de equipa) e conseguindo levar a equipa à final onde perdeu contra os Chicago Bulls de Michael Jordan. O problema veio na temporada seguinte, onde começou a ser fustigado por uma lesão que fez com que o restante período em Phoenix fosse cheio de altos e baixos, isto apesar de conseguir sempre marcar presença nos jogos All Star. e alguns prémios como ser sempre All NBA e All Star todos os anos.

Continuou a ser uma figura controversa, como quando disse que atletas não deviam ser considerado modelos de conduta a seguir pelos jovens, numa discussão que envolveu até o vice presidente dos EUA. Em 1996-97 muda-se para os Houston Rockets, numa tentativa de chegar a um título de campeão, juntando-se a uma equipa onde existiam dois dos 50 melhores jogadores de sempre da NBA, Hakeem Olajuwon e Clyde Drexler.

Com o agravar das suas lesões, começou a concentrar-se mais nos ressaltos, conseguindo mesmo assim ser o segundo melhor marcador do clube. Foram temporadas inconstantes e marcadas pelo mau génio com Barkley a envolver-se em disputas físicas com outros jogadores como Oakley ou Shaquille O'Neal.

Fez parte das duas Dream Teams dos EUA, conquistando o ouro nos Jogos Olímpicos tanto em Barcelona como em Atlanta. Ambas as equipas com alguns dos melhores jogadores de sempre desta competição, ou não fosse ele também considerado um dos 50 melhores da NBA. Ao terminar a carreira, começou outra de comentador onde é alguém respeitado e considerado por  todos.

Ainda hoje é chamado de Sir Charles, alcunha que recebeu pelos seus companheiros e que vingou até aos dias de hoje.


















domingo, 12 de abril de 2015

... do Pipe Mania (ou Pipe Dream)

domingo, abril 12, 2015 0
... do Pipe Mania (ou Pipe Dream)



Hoje recordo mais um daqueles jogos tão simples no conceito mas que tantas horas de diversão nos davam, Pipe mania (ou Pipe Dream) consistia simplesmente em criarmos uma ligação de canos de uma ponta à outra, mas o que é certo é que nos divertíamos muito com isso.

Pipe Mania foi desenvolvido em 1989, no seu começo era simplesmente para o Amiga, mas a Lucasfilm deu uma mãozinha e rapidamente o jogo começou a ser exportado para as mais diversas plataformas. Foi-lhe dado o nome Pipe Dream e o este começou a cativar tudo e todos que adoravam dar uma de canalizador e conseguir ligar uma ponta à outra,

Game Boy, Playstation 2 ou mesmo para o computador, foram vários os sistemas que receberam este jogo. A Microsoft chegou a instalar num sistema de entretenimento que tinha nos anos 90, fazendo o jogo ficar assim mais conhecido por todos aqueles que operassem uma máquina com Windows. Jovens e menos jovens gostavam do conceito e do aspecto simples do jogo, apesar da sua dificuldade, fazendo com que ainda hoje existam variações deste jogo por aí.

Temos um tempo limite e vão aparecendo partes de canos que temos que ir colocando de forma a que o líquido passe de uma ponta para a outra, e nem sempre isso é muito prático. Mas na altura era muito divertido e puxava pela pessoa, chegou a ser feito um arcade para capitalizar esse sucesso e como é lógico também foi bem sucedido.

















sábado, 11 de abril de 2015

... do DragonHeart Coração de Dragão

sábado, abril 11, 2015 0
... do DragonHeart Coração de Dragão

Um daqueles filmes que apesar de não ser nada por aí além, ganhou um estatuto de culto e um carinho especial pela parte do público. Os bons efeitos especiais e a excelente voz de Sean Connery são as principais razões para que DragonHeart seja ainda hoje um filme com algum sucesso.

DragonHeart - Coração de Dragão foi um filme de fantasia e aventura de 1996, realizado por Rob Cohen e com Dennis Quaid e a voz de Sean Connery como protagonistas. O dragão parecia fantástico, para quem viu isto no cinema (como eu) era impossível não ficar impressionado com algumas das cenas, e as expressões faciais em tudo semelhante às de Connery na vida real, ajudavam a dar uma alma e vida à personagem que foram muito para além do que a história pedia.

A empresa ILM esmerou-se, e Draco é considerado ainda hoje um dos melhores Dragões do cinema, com a sua presença a ser quase sempre imponente, e a voz de Connery a dar-lhe uma dignidade e sobriedade muito boa.

A história do filme é simples e todo ele é feito quase a pensar num público juvenil, vemos um príncipe (Elnon interpretado por Lee Oakes) filho de um tirano a receber parte do coração de um dragão, com esperança que ele venha a ser melhor Rei que o seu pai. O cavaleiro Bowen (Dennis Quaid) também cai no erro de confiar no petiz, e tenta-o treinar para perceber as boas regras dos cavaleiros e ser assim um bom rei. Quando este vira um monarca pior que o seu progenitor, Bowen culpa a parte de coração de dragão e persegue o mesmo para se vingar.

Quando o encontra percebe que afinal ele é um ser nobre, e depois de algumas conversas chegam até a engendrar um plano para ganhar algum dinheiro, com Bowen a fingir-se caçador de Dragões e a prometer às aldeias que as podia libertar da ameaça deste animal. Mais tarde decidem enfrentar o tirano, mas percebem que este só podia morrer se Draco fosse morto também.

Uma película interessante com alguma leveza mas que não torna o filme fraco, mas ao mesmo tempo afasta-o do que poderia ser verdadeiramente. Em todo o caso aconselho a qualquer um que seja fã do género medieval. Originou uma prequela e uma sequela, ambas directas para vídeo e sem nenhum do charme do original.












sexta-feira, 10 de abril de 2015

... dos Filhos dos Flintstones

sexta-feira, abril 10, 2015 0
... dos Filhos dos Flintstones

O nome do desenho animado em Português engana um pouco, não se trata dos filhos dos Flintstones e sim do grupo habitual da série que todos amam, mas em versão diminuta e mais infantil. Aproveitou bem uma febre, e foi um dos principais dessa moda de desenhos com versões infantis de programas de sucesso.

The Flintstones kids (Os filhos dos Flintstones) foram criados pelos estúdios Hanna-Barbera em 1986, criando uma espécie de prequela (que ao mesmo tempo era um spin off) dos míticos Flintstones, apesar de ignorar por completo toda a cronologia e história de Fred, Wilma, Barney e Betty que se tinham encontrado somente em adultos.

Foram 24 episódios que ajudaram a criar uma moda, a de mostrar personagens famosas em versão infantil, que foram transmitidos pela RTP em 1988 na versão original com legendas em Português, e também era um dos programas de sucesso quando o Cartoon Network começou a ser transmitido na TV Cabo. No Brasil existiu uma versão transmitida pela SBT e dublada como é costume por lá.

O programa tinha vários segmentos, para além da história principal havia um cartoon dentro de um cartoon, o Capitão Caverna e filho, que era um desenho animado que eles viam com grande entusiasmo e nós ficávamos a ver também. Os outros segmentos consistiam em histórias curtas, que mostravam os dilemas de Dino ou então uma curta com um dos Flintstones.

Víamos as aventuras deste grupo na escola primária de Bedrock, e como tinham que enfrentar um bully chamado Rocky e que para além de ter uma paixoneta por Wilma, gostava de fazer a vida negra do grupo. Era algo simples e divertido, os segmentos tinham bastante piada, mais que as histórias principais por vezes, e é realmente o melhor dos desenhos deste género. Até teve um comic produzido pela Marvel, que teve até algum sucesso.



























segunda-feira, 6 de abril de 2015

... do Vangelis

segunda-feira, abril 06, 2015 0
... do Vangelis

Voltamos a mais um Memórias dos Outros, desta vez Paulo Costa aborda a carreira de um dos maiores compositores de sempre, Vangelis. Conhecido pelos seus trabalhos em filmes de renome, Vangelis sempre foi um músico respeitado e também tinha os seus sucessos nos seus trabalhos a solo.

Alguém diga o nome de um artista musical grego? Demis Roussos... não, não é esse que estou a pensar. Este é compositor. E juntamente com John Williams é um dos mais proeminentes produtores de bandas sonoras de filmes das últimas décadas. O seu nome artístico é simples e fácil de pronunciar: Vangelis, mais conhecido por ter feito a música para filmes como “Momentos de Glória”, “Blade Runner: Perigo Iminente” e “1492: Cristóvão Colombo”, entre muitos outros.

O seu nome artístico pode ser fácil de pronunciar, mas o seu nome de baptismo, não. Evangelos Odysseas Papathanassiou nasceu a 29 de Março de 1943, na vila turística de Agria, situada na península de Volos. Embora gostasse de criar temas musicais, durante a infância teve muito pouco treino musical formal, preferindo dedicar-se à pintura, estudando na Academia de Belas Artes de Atenas. Quando os pais o inscreveram numa escola de música aos seis anos, Evangelos recusou-se a aprender a ler pautas, algo que ainda hoje admite não ser capaz de fazer.

Como muitos jovens dos anos 60, Evangelos sonhava ser uma estrela de rock. Pegando num grupo de amigos, formou a banda The Forminx, ensaiando uma mistura de covers e material original, mas sempre cantado em inglês. Lançaram uma dezena de singles em 1964 e 1965 e conseguiram algum sucesso, mas separaram-se no ano seguinte, sem nenhum álbum (uma compilação foi lançada finalmente lançada em 1976).



Em 1968, Vangelis juntou forças com o cantor Demis Roussos, o baterista Lukas Sideras e o instrumentalista Argiris Koulouris e partiram para Londres. Não conseguiram ir além de Paris, onde, inspirados pelo movimento sindicalista e estudantil do Maio de 68, fundaram a banda de rock progressivo Aphrodite's Child, continuando a cantar em inglês. A banda grega lançou três albuns, “End of the World”, “It's Five O'Clock” e “666”, antes de diferenças criativas levaram à dissolução da banda, em 1971, justamente quando o terceiro álbum estava a ser produzido. Vangelis e Demis continuaram amigos e colaboraram ocasionalmente nos anos seguintes.

Durante essa fase, Vangelis já se tinha dedicado a uma veia mais experimentalista nas suas composições feitas em estúdio, criando música com objectivos específicos. Algum material seu já tinha aparecido em filmes curtos do seu país natal, mas a sua vida em França permitiu-lhe estabelecer novos contactos e trabalhar com uma indústria cinematográfica profissional. A sua primeira banda sonora foi para “Sex-Power”, do realizador franco-romeno Henry Chapier, lançado em 1970 e que contava com a participação da atriz britânica Jane Birkin. O álbum tinha 11 músicas sem nome. Em 1973 seguiu-se o seu primeiro trabalho documental, “L'Apocalipse des Animaux”.

Novas experiência se seguiram. “Earth”, um disco mais pop rock de 1974, contou com a presença de Elie Robert Fitoussi, que nos anos 80 se tornaria conhecido como F.R. David.La Fête Sauvage”, “Albedo 0.39” (de onde saiu a conhecida faixa “Pulstar”) e “Beauborg” eram mais experimentalistas. “Opera Sauvage” permitiu-lhe regressar à música clássica contemporânea com uma nova banda sonora de documentário, enquanto “China” já apontava mais para o futuro nascimento do synth pop.




Heaven and Hell”, originalmente lançado em 1975, foi depois partido aos bocados para fornecer o tema de genérico e música de fundo para o documentário “Cosmos”, de Carl Sagan. Este álbum contou também com a presença de Jon Anderson, primeiro vocalista dos Yes, numa faixa. Isto deu origem a uma colaboração com o cantor inglês, resultando em três álbuns lançados sob o nome da banda Jon & Vangelis entre 1980 e 1983, “Short Stories”, “The Friends of Mr. Cairo” e “Private Collection”. A faixa mais conhecida desta colaboração é “I'll Find My Way Home”, do segundo álbum, que chegou ao 6º lugar no UK Top 40. Anderson e Vangelis tinham-se conhecido anos antes quando o grego recusou o convite para integrar os Yes como teclista.

Mas é nos anos 80 que chega a consagração mundial para Vangelis, como compositor a solo. David Puttnam e Hugh Hudson, respectivamente produtor e realizador do filme “Momentos de Glória”, já tinham usado peças do músico grego em alguns filmes e documentários, e de início quiseram incluir a faixa “L'Enfant”, de “Opera Sauvage”, como tema de abertura do novo filme, mas Vangelis convenceu-os a usar uma nova composição, o agora icónico tema central do filme, depois usado ad nauseum em qualquer montagem em câmara lenta. Vangelis dedicou o tema de “Momentos de Glória” ao seu pai, também ele corredor. O filme foi um dos maiores sucessos de 1981. Três anos mais tarde, Steve Jobs escolheu o tema para o lançamento do primeiro computador Macintosh, e David Cooperfield usou-o no seu sexto espetáculo televisivo, “Floating over the Grand Canyon”.



Um ano depois, a convite de Ridley Scott, estava novamente ocupado a fazer a banda sonora de “Blade Runner”, baseado no livro de ficção científica de Phillip K. Dick, “Do Androids Dream of Electric Sheep”. Tanto os temas de abertura e encerramento como a peça de jazz “Love Theme” são imediatamente identificáveis, e todos os temas integram-se perfeitamente na viagem intimista do personagem principal e no clima depressivo da sociedade distópica do futuro. O filme japonês “Antarctica” (“Nankyoku Monogatari”) e “Revolta no Pacífico”, o terceiro filme baseado no motim do navio militar britânico Bounty (com Mel Gibson a interpretar o papel do tenente Christian Fletcher e Anthony Hopkins como capitão William Bligh) foram os trabalhos seguintes de Vangelis para o cinema.



Passou depois pelo teatro, onde escreveu música para as peças da antiguidade clássica “Elektra” e “Medeia”, onde os papéis foram interpretados pela actriz e cantora grega Irene Papas, e lançou as faixas inéditas de Jon & Vangelis num novo disco, “Page of Life”. Em 1991, Vangelis voltou a trabalhar com Ridley Scott, desta vez no filme “1492: Cristóvão Colombo”, com Gérard Depardieu no papel do navegador portu... perdão, genovês e Sigourney Weaver como a rainha Isabel de Castela. Tal como em “Momentos de Glória”, o uso de sintetizadores contrastava com a representação da antiguidade. O tema principal do novo filme, “Conquest of Paradise”, entrou nos tops de vendas de vários países europeus, e chegou também a ser abusado por tudo e todos, como tema do boxeador alemão Henry Maske ou da campanha do Partido Socialista às eleições legislativas de 1995.


Seguiram-se novos álbuns, nomeadamente “Voices”, onde participaram vários vocalistas convidados, incluindo Paul Young e Stina Nordenstam, em 1995, e um álbum inspirado no trabalho do pintor pós-bizantino El Greco (Domenicos Theotokopoulos), em 1998. Curiosamente, Vangelis fez um novo álbum intitulado “El Greco”, em 2007, mas desta vez para a banda sonora do filme homónimo que estreou nesse ano. Antes disso, no entanto, escreveu um álbum dedicado à missão Mars Odyssey da NASA, em 2001, intitulado “Mythodea”, e fez a banda sonora do filme “Alexandre, o Grande”, em 2004.

Mesmo hoje em dia, com 72 anos, Vangelis não está parado, continuando a responder a solicitações para compor temas oficiais de eventos e novas bandas sonoras, inclusive transformando as músicas de “Momentos de Glória” para poderem ser tocadas na peça de teatro inspirada no filme. Fora da música, a sua arte pintada esteve em tournée na América do Sul, em 2005.




Texto de Paulo Costa, repórter da Autosport e uma autoridade em diversos aspectos devido ao seu conhecimento enciclopédico