Março 2015 - Ainda sou do tempo

terça-feira, 31 de março de 2015

... do Fernando Pessa

terça-feira, março 31, 2015 0
... do Fernando Pessa

Fernando Pessa acompanhou diversas gerações e foi uma das figuras mais queridas da RTP. Todos na família gostavam das suas reportagens e achavam piada ao seu "E esta, hein?", que o ajudou a ser uma das personalidades mais marcantes do nosso audiovisual.

Nascido a 15 de Abril de 1902 em Vera Cruz, Aveiro, Fernando Pessa e começou a sua vida profissional numa companhia de seguros, antes de finalmente entrar na vida jornalística em 1934, quando tentou, com sucesso, entrar para os quadros da Emissora Nacional. Ficou em segundo lugar, sem cunhas como gostava de dizer, sendo o primeiro locutor da emissora. Passados apenas quatro anos, foi para a BBC em Londres, onde se notabilizou como correspondente na Segunda Guerra Mundial.

Fez a sua profissionalização e sofreu com os bombardeamentos Alemães em Londres, encarando sempre a situação com muito humor, ficando célebre uma caricatura que fez de Hitler, demonstrando toda a sua irreverência e bom humor. Por cá, e devido à ditadura de Salazar, as transmissões em Português da BBC eram muito apreciadas por todos, que tentavam ouvir e assim saber mais do que acontecia no mundo.

Casou-se e voltou para Portugal em 1947, mas viu negada a entrada na Emissora Nacional por causa do regime que não queria uma personalidade conhecida pelo seu gosto pela liberdade e irreverência num lugar de destaque. Voltou ao mundo dos seguros, colaborando com algumas revistas e foi cara da primeira emissão da RTP na Feira Popular em 1957, mas só entrou para os quadros da estação pública em 1976, já com 74 anos.


Granjeou popularidade entre os Portugueses, participando de diversos programas e nem o avançar da idade lhe retirava o entusiasmo, aparecendo num programa do Herman José como se estivesse ainda a relatar a guerra para a BBC. Na década de 80 e na de 90, eram comuns as suas reportagens perto do final do Telejornal, muitas vezes sobre alguma situação da câmara de Lisboa, num "postalinho" que ele gostava de enviar, terminando sempre com a sua frase mítica "E esta, hein?" que era como que um piscar de olho para o telespectador.

A minha Avó adorava o ouvir, o meu Pai ria-se e concordava com as suas reportagens, e eu acabava por achar piada ao velhote cheio de genica, que andava ali pelas ruas de Lisboa a corrigir injustiças ou obras mal feitas. Foi condecorado por Ramalho Eanes e também por Mário Soares, recebendo também anda a Ordem do Império Britânico, devido aos seus trabalhos como correspondente de guerra.

Morreu a 29 de Abril de 2002, poucos dias depois de ter completado 100 anos, mantendo-se jovial até ao fim e mesmo depois da sua reforma, nunca esteve completamente afastado.





















domingo, 29 de março de 2015

... do Columbo

domingo, março 29, 2015 0
... do Columbo


Peter Falk interpretou aquela que foi uma das personalidades mais marcantes da história de televisão, e que todos reconhecem como O detective policial de eleição. A série Columbo foi um sucesso também em Portugal, e ainda hoje todos têm saudades do detective de gabardina e charuto na mão.

Columbo foi a primeira série a investir na premissa da história de detective invertida, ou seja, nada daquele suspense de "quem terá sido?", ali o criminoso era logo mostrado no começo do episódio, assim como os pormenores do crime e depois assistíamos a como os detectives chegavam à solução.

Criado por William Link e Richard Levinson, Columbo teve 10 temporadas e cerca de 69 episódios, com o actor Peter Falk no principal papel. O detective aparecia no seu Peugeot no local do crime logo no começo do episódio, envergando a sua habitual gabardina surrada e sempre com o seu estilo meio distraído, que dava aos criminosos uma falsa sensação de segurança.

Falk era sempre muito educado, fazia perguntas absurdas e dava a entender aos suspeitos que nunca conseguiria resolver o crime. Mas na verdade a sua mente metódica ia juntando as peças do quebra cabeças, resolvendo os crimes por pura lógica,


Passou na RTP pela primeira vez em 1973, sendo transmitido depois do Telejornal em pleno horário nobre, mas foi repetido por diversas ocasiões, tendo tido grande sucesso no começo da década de 80, numa altura que séries de mistério estavam em alta no canal público.

Columbo apesar do seu ar educado e meio desajeitado, tinha toda a aura de um anti herói, com a sua gabardina e charuto na mão, tendo um ar de herói de cinema de outros tempos, com um grande carisma e forte personalidade.

Como todas as séries da altura, passaram por lá grandes nomes como artistas convidados, actores como Leslie Nielsen ou Ray Milland entre outros, e teve ainda como curiosidade ter alguns episódios realizados por Steven Spielberg.

Falk ganhou quatro Emmy's, provando a qualidade que apresentava no pequeno ecrã e a série teve sempre bons níveis de audiência e gozou sempre de boa popularidade.







sexta-feira, 27 de março de 2015

... dos Rugrats

sexta-feira, março 27, 2015 0
... dos Rugrats

Foi um dos melhores desenhos animados dos anos 90, e um dos que marcou o começo da SIC, com personagens interessantes e um estilo de animação diferente do que estávamos habituados, os Rugrats tinham tudo para triunfar e assim o fizeram.

Os Rugrats (com o cognome meninos de coro em Portugal e os anjinhos no Brasil) foram uma das séries mais populares do canal Nickelodeon, tendo tido nove temporadas bastante premiadas e ainda alguns filmes fora dos episódios regulares. Criados por Arlene Klasky, Gabor Csupo e Paul Germain, os Rugrats pretendiam mostrar como os bebés e as crianças na idade pré escolar viam o mundo, fugindo um pouco do que se via nas outras décadas, que mostravam quase sempre crianças em idade escolar ou mais avançado.

A forma como eles encaravam o mundo que os rodeava dava azo a situações bem engraçadas, com um bebé líder com um grande espírito de aventura sempre acompanhado dos seus quatro amigos bebés e fugindo da sua prima de três anos que tentava sempre infernizar a vida deles. Os adultos do desenho animado não tinham grande protagonismo, mas marcavam a sua presença no programa e tornavam-se por vezes parte integrante das histórias.

Foi transmitida em Portugal pela SIC em 1992, lembro-me de ver aos fins de semana de manhã (Domingo acho) e de as primeiras temporadas serem no original com legendas em Português, mais tarde começaram a dar com dobragem Portuguesa que foi alterada algum tempo depois. Ambas as versões tinham a sua piada, mas a versão Portuguesa foi bem feita e tinha mais piada que a original.


Tommy Pickles (Natália Luísa) era o bebé em destaque na série, uma criança aventureira (com um ano) que ainda mal conseguia andar e estava sempre com uma t-shirt azul e a sua fralda, o seu melhor amigo era o Chuckie Finster (Cristina Carvalhal), que parecia ser um pouco mais velho, usava óculos e uma farta cabeleira ruiva e sempre com uma camisa azul e uns calções verdes, para além de ténis sempre com os atacadores de fora. Era o medroso do grupo, sempre com objecções às ideias dos outros e pouca vontade se aventurar.

Existem ainda o casal de gémeos Phil e Lil Deville (Isabel Ribas e Luísa Salgueiro) sempre vestidos de igual como manda a praxe, e.também eles andavam em pé em vez de rastejar mas também eles seguiam o que Tommy sugeria. Neste desenho os bebés comunicam entre si, apesar dos adultos nunca perceberem e existia alguém que percebia tanto os adultos como as crianças, a prima do Tommy, Angélica Pickles (Isabel Ribas), que tem três anos, e usa isso como uma vantagem quando pretende manipular os adultos ou os pequenos. O problema é que ela é muito má para os bebés e pensa que já não é um, tratando eles muito mal e sempre a querer estragar a felicidade deles.

Os pais de Tommy eram os que apareciam mais, e normalmente eram bem calmos e preocupados com a sua criança, ao contrário da mãe de Angélica que se focava mais no trabalho. Os restantes pais apareciam pouco, e o adulto com maior destaque era o Avô, que ficava muitas vezes a tomar conta das crianças para grande alegria delas. Sempre que saía um filme, era criada uma nova personagem e isso acabou por diluir um pouco o espírito do desenho.









sábado, 21 de março de 2015

... do Batman do Tim Burton

sábado, março 21, 2015 0
... do Batman do Tim Burton

Foi o filme que relançou o género de super-heróis no cinema, e que originou uma verdadeira Bat-Mania a nível mundial. O Batman de Tim Burton foi um sucesso de bilheteira, originou 3 sequelas e deixou a sua marca na história do cinema.

A Warner Brothers esteve sempre interessada em produzir um filme do Batman, e calhou ao novato Tim Burton (que tinha tido algum sucesso com o filme Pee Wee) a tarefa de o realizar. Burton começou logo por rejeitar o script que existia da autoria de Tom Mankiewicz, por o achar muito alegre e parecido com o que se fazia nos anos 60 em relação à personagem. Apesar de não ser fã de comic books, Burton ficou admirado quando lhe entregaram em mãos as sagas Killing Joke e Dark Knight Returns e a Warner chamou o escritor Steve Englehart para ajudar na criação de um novo argumento.

As ideias dele envolviam no começo Joker, Rupert Thorne, Silver St. Cloud, Dick Grayson e o Pinguim, mas apesar da aprovação da produtora, o próprio escritor achou que eram personagens a mais só para um filme e retirou alguns nos papeis que entregou em Maio de 1986. Burton no entanto tinha outras intenções e chamou Sam Hamm para fazer um script que lhe agradasse, e no final desapareceram muitas das ideias de Englehart, já que Hamm não queria apresentar a origem da personagem (apenas em flashbacks), substituiu Silver St. Cloud por Vicki Vale e Thorne por uma criação sua, Carl Grissom. Apesar do desinteresse da Warner, o criador Bob Kane deu a sua aprovação à história e a mesma avançou para produção após o sucesso comercial de Burton em 1988 com o filme Beetlejuice.

A escolha do actor principal foi bastante atribulada, foram muitos os nomes lançados e todos eles de grandes estrelas de Hollywood, nomes como Mel Gibson, Kevin Costner ou Bruce Willis foram considerados, com o estúdio a preferir uma estrela de acção no papel principal. O produtor Jon Peters sugeriu o nome de Michael Keaton, por achar que este podia representar o ar atormentado e sombrio desejado para a personagem, algo que Burton (que já o tinha dirigido) concordou, muito para o horror de Bob Kane, Sam Hamm ou o produtor original e dono dos direitos Michael Uslan. Como podem imaginar, também o público desconfiou desta escolha, pensando nas comédias do actor e no filme Pee-Wee do realizador, achando que isto ia ser de novo uma versão como aquela dos anos 60.



Para o papel de Joker (que ia ter pela primeira vez a sua origem retratada numa adaptação) também foram considerados alguns nomes conhecidos, como William DaFoe, Tim Curry ou James Woods com Robin Williams a fazer uma campanha muito forte para conquistar o papel. Mas desde o começo da década de 80 que a escolha de Uslan recaía em Jack Nicholson, e depois de umas árduas negociações o actor foi convencido a assinar com algumas regalias que poucos podiam se gabar. Tinha direito a escolher as folgas e a ficar sempre livre quando os Lakers jogavam em casa, para além de ter exigido parte da bilheteira como seu salário o que fez com que levasse para casa mais de 60 Milhões de dólares o que até 2005 constituía ainda um recorde em Hollywood.

Eu gostei bastante de ver ambos os actores, achei que Keaton ficou muito bem como um Bruce Wayne distraído, atormentado e intelectual e Nicholson (apesar de ser muito como ele é na realidade) interpretou um Joker fora do comum, completamente alucinado e muito a ver com o que conhecíamos da banda desenhada. Houve cenas fantásticas (como ele a entrar no museu) e que expunham uma loucura que casava muito bem com a personagem. A parte física foi a que mais sofreu com estas escolhas, mas mesmo assim acho que as coisas correram bem e não foi por isso que deixámos de vibrar e gostar delas.

Os restos das escolhas não foram tão atribuladas, no papel de Vicki foram consideradas Sean Young e Michelle Pfeiffer mas acabou por ser Kim Basinger a ficar com o papel, Michael Gough foi escolhido para representar o mordomo Alfred pensando já no futuro da franquia, assim como Billy Dee Williams como Harvey Dent para no futuro ser um Duas-Caras (algo que não aconteceu como sabemos). Pat Hingle ficou como Jim Gordon (num papel muito reduzido para o que muitos esperavam), William Hootkins como Tenente Eckhardt, o veterano Jack Palance como Grissom e Robert Wuhl como o repórter Alexander Knox, que ia morrer no começo do filme mas gostaram tanto do seu desempenho que o deixaram ficar até ao fim.

Com Danny Elfman como responsável pela música, estava tudo preparado para entrar em acção e a Warner Brothers rapidamente fabricou um trailer para afastar todas as dúvidas das pessoas em relação a algumas escolhas. Esse trailer, mostrado em algumas salas sem conhecimento prévio das pessoas que assistiram, teve enorme sucesso e tornou-se um bootleg muito desejado nas convenções de então. O fato de Batman ficou meio "esquisito", já que era de uma borracha rígida, apesar de ao mesmo tempo impor algum respeito e ajudar na falta de imponência física do actor Keaton, que nele parecia muito mais ameaçador e dono de um físico impressionante.



Existiram cenas de acção que demonstravam alguma lentidão, tanto devido ao facto como a falta de jeito mas não prejudicou em demasia o divertimento do filme. Para mim foi muito pior a escolha do nome para o alter ego de Joker, Jack Napier, e estabelecer que tinha sido ele o assassino dos pais de Bruce Wayne e que como tinha sido este (como Batman) a deixar Jack cair para o ácido, ambos tiveram influência na criação um do outro. Outra coisa que não concordei foi no facto de Alfred deixar Vicki entrar na batcaverna, algo impensável na realidade dos comics.

No filme vemos como Batman ataca os vilões e faz com que estes espalhem o mito no meio do submundo, de que ele é uma personagem mais que humana, muito ameaçadora e muito perigosa. A própria polícia não sabe como encarar, e a imprensa tenta descobrir mais sobre este vigilante. Vemos como o Joker era um simples bandido ao serviço de um barão do crime, e que quando fica desfigurado vira algo que estava já meio presente na sua mente psicótica. Como Joker ataca todos em Gotham com um produto que mata as pessoas e as desfigura, deixando ao cargo do nosso herói descobrir como evitar isso. Vicky Vale para além de interesse romântico para Wayne, atrai as atenções do vilão também que a corteja e a tenta conquistar em algumas das cenas mais interessantes do filme.

O final também não foi muito do meu agrado, fazendo com que Joker morresse numa queda de helicóptero, depois de uma luta entre os dois protagonistas. Mas mesmo assim fui mais um membro da Bat-Mania, com dossier do filme, caderneta completa, camisola, algo para cozer no blusão com o símbolo do morcego e outras coisas relacionadas com a personagem. Sempre fui fã dela e este filme ainda contribuiu mais para isso, deixando-me completamente extasiado e interessado em ver outros filmes do realizador (que se tornou um dos meus favoritos).

O marketing assentava basicamente no simbolo do morcego dentro da elipse amarela, mas foi mais do que suficiente para se tornar uma febre mundial e tudo querer algo onde ele estivesse assinalado. Ainda antes do filme sair já tinham sido vendidos uns fantásticos 750 Milhões só em merchandising, algo que provava quer a força da personagem, quer o interesse do público. A própria DC Comics aproveitou isso para relançar as vendas nos livros, ficando todos a ganhar com esta Bat-Mania como ficou conhecido esse verão de 1989.

No seu fim de semana de estreia fez mais de 42 Milhões de Dólares, destronando Caça-Fantasmas II do topo de filmes mais rentáveis do ano, foi o primeiro filme a conseguir 100 Milhões nos primeiros dez dias de exibição e no geral conseguiu mais de 410 Milhões de dólares em bilheteira. Quando foi lançado em VHS, bateu novos recordes conseguindo mais de 150 Milhões de dólares em vendas, sendo um sucesso no aluguer de filmes e na venda directa de k7's.

Adorei todo o ar sombrio do filme, o ar clássico do Batmobile e as cenas de Nicholson como Joker. Continuo um dos defensores do Wayne de Keaton, apesar de não ser tão fã dele como Batman e para mim o filme continua como um dos melhores de Super-Heróis apesar de sofrer muito com a greve de argumentistas que assolou Hollywood nessa altura.






Texto meu já publicado no Leituras BD, aqui com algumas alterações.


sexta-feira, 20 de março de 2015

... do Isso Julgas Tu

sexta-feira, março 20, 2015 0
... do Isso Julgas Tu

Isso Julgas Tu foi um programa infanto juvenil da RTP que colocava as crianças como advogados, um daqueles programas educativos mas que entretinha ao mesmo tempo.

A RTP 2 dedicava boa parte do Sábado aos mais novos com o espaço Agarra o 2, e em 1991 estreou um programa chamado Isso Julgas tu. Neste programa, crianças entre os 12 e os 15 representavam casos como advogados de defesa e de acusação, perante a "Juíza" Carla Dias.

Depois do processo ser lido, ouvíamos os advogados a defender os seus clientes. Entretanto um júri interagia com todos os envolvidos e depois no final tentava chegar a uma decisão. A ideia do programa partiu da jornalista Diana Andringa, foram gravados 13 episódios, que foram repetidos em 1992.

Como curiosidade, temos o apresentador Zé Pedro Vasconcelos como um dos advogados de defesa de um desses programas. Alguém via isto?





Imagens e alguma info retirada daqui







quarta-feira, 18 de março de 2015

... do Trio Odemira

quarta-feira, março 18, 2015 0
... do Trio Odemira

O trio Odemira é um daqueles grupos que parece que existe desde sempre, tal é o tempo de carreira que têm, Um favorito das nossas tias e avós, e que conhecíamos por ser também uma das presenças mais aguardadas no Natal dos Hospitais.

Os irmãos Júlio e Carlos Costa foram ainda novos para Odemira, começaram a participar em concursos e  em 1955 venceram um promovido por um programa raidiofónico da moda e que ajudou a catapultar este Duo Odemira para as ondas da rádio.

Pouco tempo depois entrou José Ribeiro, que ajudou assim a formar o Trio Odemira e onde ficou durante 22 anos. Em 1957 gravaram o primeiro LP pela Valentim de Carvalho e começaram a estabelecer uma carreira, com as suas músicas românticas e graças ao carisma e à voz de Júlio.

No final dos anos 50 e começo da década de 60, embarcaram numa série de concertos pelo continente Africano, ajudando a tornar o nome do grupo mais conhecido e e fazendo com que começassem a actuar um pouco por toda a Europa, e no final da década ficaram uma temporada com Tony de Matos nos Estados Unidos e no Canadá.


Gravaram um grande repertório de músicas, tornando-se uns dos mais activos no panorama musical nacional, abrandando um pouco nos anos 70 quando decidiram abrir uns restaurantes, mas voltando em força nos anos 80, quando já tinham a companhia do irmão Juca.

"Maldita tu, Ana Maria" e "Anel de Noivado" foram das músicas mais tocadas nessa década, e ajudaram a popularizar ainda mais o trio que aparecia agora frequentemente na TV e tornou-se um dos mais importantes a abrilhantar o Natal dos Hospitais. São poucos os Portugueses dessa década que não sabem cantarolar a partir do "A igreja estava toda iluminada.." ou não conheça alguns versos da canção sobre uma Ana Maria que não respeitava os sentimentos do outro.

Nos anos 90 a RTP convidou o grupo para gravar um especial de carreira no Coliseu dos Recreios, a banda é aliás das que tem mais compilações a celebrar a sua carreira, tal a força que possuem no nosso mercado. Ainda actuam no Século XXI, começando a incluir ritmos latinos no seu repertório e começaram até a recuperar músicas de artistas como Amália.

Quase todos têm um carinho especial por este trio, e o carisma de Júlio ajuda a que a banda fique para sempre na história da música Portuguesa.

















terça-feira, 17 de março de 2015

... do Robert Prosinecki

terça-feira, março 17, 2015 0
... do Robert Prosinecki


Foi uma das maiores figuras da geração de jogadores Croatas que despontou na década de 90, um futebolista cheio de classe que deixava fãs pelos clubes por onde passava. Robert Prosinečki faz parte daquela elite de jogadores que alinhou tanto pelo Real Madrid como pelo Barcelona, algo que serve como uma espécie de atestado de qualidade e uma prova do seu talento.

Prosinečki nasceu a 12 de Janeiro de 1969 na Alemanha, onde viveu e passou a sua infância até fazer dez anos, altura que viu seu pai Croata a querer voltar para a sua terra natal e onde começou então a sua carreira desportiva profissional, no Dinamo Zagreb em 1986. Rapidamente chamou a atenção do Estrela Vermelha de Belgrado, que o contratou de imediato e onde ficou até começo dos anos 90. Venceu 3 campeonatos, brilhou na Europa e ganhou uma taça da Jugoslávia, passou por alguns dos melhores momentos que um futebolista pode ter e ainda era um jovem.

Tinha uma técnica fenomenal, dava nas vistas pelo seu drible e capacidade de manter a bola, tendo também a capacidade de ver tudo dentro do campo e fazer passes mortíferos. Em 1991, depois de ter vencido uma taça Europeia, foi contratado por um dos maiores clubes do mundo, o Real Madrid, iniciando assim uma carreira em Espanha que iria durar quase uma década.

Atormentado por lesões e por mudanças técnicas na equipa, o seu primeiro ano foi bastante complicado, só aparecendo regularmente na segunda temporada em Madrid, mas com exibições longe do que era esperado pelo clube e pelos seus adeptos. Apesar disso tudo, ainda marcou alguns golos importantes, especialmente de livre directo, algo que fazia de forma exemplar.


Apesar da sua terceira época ter sido a melhor em Espanha, não foi o suficiente para continuar como Merengue e foi dispensado para o Oviedo em 1994, onde ficou somente um ano, tendo assinado pelo Barcelona e entrando assim na restrita elite de jogadores que alinharam pelos dois gigantes de Espanha.

Ganhou apenas uma Supertaça, juntando-se à que já tinha conquistado em Madrid, mas fez melhor época do que aquelas que tinha passado na capital Espanhola, limpando um pouco o seu nome nesse país. Jogou ainda pelo Sevilha, antes de sair em 1997 e voltar ao ponto de partida e ao Dínamo de Zagreb onde voltou a estar a um bom nível exibicional.

Em 2001 rumou para o Standard de Liege onde ficou por uma temporada antes de assinar pelo modesto Portsomuth de Inglaterra, onde foi considerado um dos melhores jogadores a passar por lá e que foi peça fundamental para salvar o clube da descida de divisão.

Na selecção da Croácia esteve presente nos mundiais e europeus dos anos 90, tendo conseguido um fantástico terceiro lugar em 1998, onde chegou a marcar alguns golos, Um daqueles jogadores que com a sua qualidade merecia mais títulos, mas que mesmo assim deixou saudades.











segunda-feira, 16 de março de 2015

... da Cera Dabris

segunda-feira, março 16, 2015 0
... da Cera Dabris

Ainda apanhei a febre de se usar cera para os soalhos lá de casa, era parte das tarefas domésticas das nossas mães/tias, e já sabíamos que haveria uns dias que iríamos gramar com o cheiro e escorregar um bocado. A cera Dabri era uma das que via lá por casa, por isso merece essa referência.

Volta e meia havia um Sábado lá por casa que iria ver a minha Mãe a tratar de encerar o nosso soalho de madeira, algo que iria deixar um cheiro intenso e que dava até para patinar com as meias às vezes. A cera Dabri era uma das que a via utilizar, uma marca pertencente à empresa Marouço, conhecida por também fabricar outras marcas bem conhecidas dos anos 70 e 80, que prometia não ser necessário puxar lustro depois da sua utilização, e dava o brilho quer a soalhos quer aos móveis lá de casa.

Os tacos lá de casa ficavam bem a brilhar, mas gabava a capacidade da minha Mãe de aguentar aquele cheiro intenso e de estar ali aquele tempo todo de gatas de roda do chão. Outros tempos, outros produtos.











... do Camilo na Prisão

segunda-feira, março 16, 2015 0
... do Camilo na Prisão

O actor Camilo de Oliveira conheceu como que um renascimento da sua carreia nos anos 90, e muito por causa de umas quantas séries das quais foi protagonista na Sic. Hoje irei relembrar o Camilo na Prisão, uma das que ficou mais conhecida do público e que tinha um excelente elenco a apoiar a sua estrela.

Desde 1996 que era habitual existir uma série na SIC onde o Camilo de Oliveira fosse o protagonista, isto fez com que o actor ganhasse de novo popularidade junto do grande público, e por isso de tempos a tempos aparecia sempre uma nova sitcom com o veterano actor como a principal figura.

Essas sitcoms eram por norma adaptações de clássicos da Televisão Inglesa, e Camilo na Prisão não foi excepção, sendo baseada em Porridge. Foi transmitida em horário nobre entre Maio e Agosto de 1998, ficando famosa pela frase final do actor ""Lá fora está-se pior, está-se, está-se... está-se", onde o final dava um innuendo malandro à coisa.

Ao contrário dos outros programas dele, neste em especial Camilo dava mais ênfase ao seu lado irónico e sarcástico, e como todos os anteriores, dependia dele para que aquilo tivesse sucesso, não havia dúvidas de quem era a estrela. A acompanhá-lo um elenco fantástico com nomes como Carlos César e Henrique Viana na parte dos guardas ou Joaquim Nicolau como seu parceiro de cela.

Na série abordava-se a vida presidiária de uma forma leve e humorada, com os episódios a se desenrolarem sempre em torno da astúcia de Camilo, que levava sempre a melhor sobre seus colegas de prisão ou sobre os guardas prisionais. Preferia mais a Camilo e Filho, mas também gostei bastante desta série, e achei das melhores do Camilo enquanto na SIC.















sexta-feira, 13 de março de 2015

... do Instinto Fatal

sexta-feira, março 13, 2015 0
... do Instinto Fatal

Um dos filmes que marcou a década de 90 e que elevou Sharon Stone como símbolo sexual do cinema, Instinto Fatal foi uma daquelas películas que dependia do sexo, e foi isso que chamou a atenção de todos e fez com que fosse um dos mais lucrativos e vistos da altura.

Basic Instinct (Instinto Fatal em Portugal e Instinto Selvagem no Brasil) foi um thriller erótico de 1992, realizado por Paul Verhoeven e com Sharon Stone e Michael Douglas nos principais papéis. Já tínhamos visto Douglas num filme carregado de erotismo, curiosamente também com fatal no seu nome, mas Sharon Stone era ainda relativamente desconhecida, mas um descruzar de pernas fez com que isso chegasse ao fim.

O filme tinha cenas com elevado nível de sexualidade e também com bastante violência, criando alguma polémica por isso mesmo e também pelo retrato que fazia de pessoas bisexuais, ou pelo menos algumas associações assim acharam. Muitos acharam que o final deixou no ar que afinal a culpada era mesmo aquela que todos achavam ser, mas isto pode ter sido apenas para deixar esse ideia no ar. e é essa parte dúbia que perdura durante toda a história.

O detective Nick Curran (Douglas) é uma pessoa algo perturbada, e que é afectado pelo caso em que investiga Catherine Tramell (Stone), uma suspeita de assassínio que gosta de jogar com a cabeça das pessoas. É ajudado pelo seu colega Gus (George Dzunda que é aqui o típico sidekick cómico) e uma ex paixão, a Dra. Beth (Jeannie Tripplehorn) com a qual protagoniza uma das cenas sexuais mais intensas do filme.

Entre o jogo psicológico e sexual de Tramell, há uma cena que entra para a história do cinema, quando está a ser interrogada na esquadra e decide fazer um descruzar de pernas que acaba por mostrar a sua vagina. Numa entrevista, Stone afirmou que não sabia estar a ser filmada desse ângulo, descobrindo isso num visionamento do filme, que a fez depois esbofetear o realizador e sair da sala.

 Apesar de algumas falhas, acaba por ser uma história interessante, os jogos psicológicos são intensos e a violência e sexo ao longo de tudo acaba por deixar todos presos ao ecrã.

















quinta-feira, 12 de março de 2015

... do Pimenta Machado

quinta-feira, março 12, 2015 0
... do Pimenta Machado

Um dos dirigentes mais emblemáticos do futebol Português, Pimenta Machado foi uma figura incontornável dos anos 80 e 90 ao comando do Vitória de Guimarães. Como presidente soube sempre defender os interesses do clube, apesar de por vezes perder a cabeça em alguns momentos e isso em nada beneficiar o clube. Ficou célebre pela frase "No futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira".

António Alberto Coimbra Pimenta Machado nasceu a 12 de Abril de 1950 em São Torcato, Guimarães, no seio de uma família abastada e vivendo uma vida onde sempre demonstrou a paixão pelo clube da sua terra, deixando de parte a sua licenciatura em Direito para ser parte activa na direcção do clube, chegando a ser vice-presidente durante dois anos antes de assumir a presidência a 10 de Março de 1980, com apenas 29 anos de idade.

A votação foi praticamente unânime (apenas um voto nulo), numas eleições sem concorrência tal era o apoio que ele recolhia em todos os sectores. Hoje apesar de todas as polémicas e de estar já afastado do clube, o seu nome continua sinónimo do Vitória Guimarães, tal a força com que defendeu o mesmo por mais de 20 anos, é o segundo presidente da I divisão com mais anos à frente de um clube, e o terceiro da Península ibérica com mais anos em função (só perdendo para Josep Lluis Nuñez do Barcelona e Pinto da Costa no Porto).

Desde cedo demonstrou um grande à vontade a intervir nas decisões do futebol português, foi um forte contestatário do sistema de arbitragem, defendendo o sorteio e enfrentando personalidades desse sector sem nenhum problema, entrando também em conflitos com outros dirigentes como Valentim Loureiro ou Pinto da Costa.

Fez boas contratações, quer em jogadores quer em treinadores, mas neste último caso o seu mau feitio e falta de paciência fazia com que dispensasse treinadores sem dó nem piedade, mesmo que estes até estivessem a fazer um bom trabalho.


Jaime Pacheco, Paulo Autuori, Marinho Peres, Quinito, Vítor Oliveira, Manuel José, João Alves, António Morais e René Simões são alguns dos nomes que estiveram ao comando do banco vitoriano. No caso de René deu até azo à frase mais famosa do dirigente, isto porque em 1987 após um empate contra o Marítimo, houve uma fuga de informação acerca do despedimento do treinador e levou a que o presidente voltasse atrás (apenas por uma semana), e proferindo a frase "No futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira".

Foram 24 nomes, três comandaram a equipa em duas ocasiões distintas (Djunga, Marinho Peres e Quinito se bem que podemos incluir também Autuori, que começou no clube como adjunto e depois voltou como principal), um esteve sempre presente em diversos quadros técnicos (Manuel Machado), e apenas meia dúzia fez duas épocas seguidas no banco vimaranense, com Jaime Pacheco e Pedroto a serem os que estiveram mais perto de bater recorde de permanência no banco.

 Nem sempre era o presidente a demitir os treinadores, muitas vezes estes saíam sozinhos, muitas vezes a seguir a uma bela campanha desportiva, como aquela que apurou os Vimaranenses para a Europa em 90 com Autuori a sofrer com as pressões do presidente, que queria escolher a equipa a entrar em campo e vendeu elementos essenciais ao treinador como era o caso do central William.

Foi o único a demitir-se com uma época a decorrer, todos os outros apenas não aceitaram renovação alegando problemas com o presidente, como Manuel José, Quinito ou Marinho Peres. Este último foi responsável pela melhor época do emblema Vimaranense em 1986/87, com a melhor classificação no campeonato e uma boa campanha europeia, a equipa chegou aos quartos de final, eliminando o Sparta de Praga (Checoslováquia), o Atlético de Madrid (Espanha) e o FC Groeningen (Holanda). O clube vimaranense só foi travado pelos alemães do Borussia de Moenchengladbach


Apresentando um futebol bonito, assente em contratações chave escolhidas a dedo pelo treinador, o clube apresentava resultando, conseguindo conquistar até uma supertaça. Mesmo assim o treinador saiu, e anos mais tarde voltou mas para uma época esquisita, sem nenhum apoio da direcção e que muitos consideram apenas uma tentativa de Pimenta Machado atacar o mito do treinador e a sua força perante os adeptos.

Nos anos 90 era comum ver a equipa de Guimarães na Europa, e apesar de nunca chegar aos lugares cimeiros, a equipa andava sempre na primeira metade do campeonato, fruto de belos plantéis que Pimenta Machado colocava à disposição dos seus treinadores, e quando eles não correspondia ele não perdoava, mesmo quando eram suas apostas pessoais como foi o caso de Vítor Oliveira, que nunca conquistou a simpatia dos adeptos.

Numa equipa que tinha nomes como Paneira, Capucho ou Zahovic, esperava-se muito mais e o futebol defensivo do treinador nunca soube tirar o melhor proveito dessas pérolas. O contrário aconteceu com Jaime Pacheco, o treinador levou o clube por duas vezes ao 5º lugar (sendo que na primeira vez pegou na equipa em despromoção) e foi despedido na terceira época, quando estava no segundo lugar e parecia levar a equipa para outros vôos.

Por outro lado era considerado um bom negociante, conseguindo vender ou trocar vários jogadores para os clubes grandes, Paulinho Cascavel, Pedro Barbosa e Pedro Martins e mais tarde Quim Berto viajaram para Alvalade, Paulo Ricardo, Paquito e Capucho (este último tinha vindo para o Guimarães no negócio dos Pedros) para o Porto e Ademir, William e mais tarde Paulo Bento e Dimas para o Benfica, negócio que levou ao corte de relações entre os dois clubes.

Foi também responsável pela construção do complexo desportivo do Guimarães, o primeiro clube a ter algo do género em Portugal, a prova de que foi um dos dirigentes com maior visão, apenas se deixando levar muitas vezes pela paixão que tinha no futebol. Mesmo depois de ter sido preso, conseguiu voltar a candidatar-se e vencer uma eleição, provando que os adeptos não esquecem o que já fez por eles.


Num texto de António Poças no Record, encontrei este interessante Dez Mandamentos de Pimenta Machado.

1) AUTORIDADE - No V. Guimarães, a liderança é questão que não se coloca: todos sabem que "manda quem paga" e se exige o respeito pelas hierarquias. A par com a disciplina, que é por lá coisa sagrada.

2) BALNEÁRIO - Pimenta Machado praticou futebol mas não cultiva o hábito de "descer" ao balneário. O que tem a dizer fá-lo no recato do seu gabinete e as idas à cabina não são bom sinal: há bronca pela certa!

3) CONTRATAÇÕES - É um "dossier" que o presidente do Vitória não abdica de controlar por inteiro. E não há "manager" ou director desportivo que o façam delegar competências. Como se provou no último "Natal"...

4) "DICAS" DO ONZE - Nenhum treinador o revela às claras mas muitos reconhecem "em off" que o presidente tem opinião sobre a formação da equipa. E não se inibe de dá-la, sempre que entende necessário.

5) DISCRIÇÃO - É outra das máximas que o "patrão" do vitória preserva. Detesta quem dê com a "língua nos dentes", por entender que as fugas de informação são uma prerrogativa da sua exclusiva competência.

6) FUTEBOL - Vinte anos na presidência deram-lhe a "escola toda", nos regulamentos e na detecção dos craques. E, em matéria de compra e venda de jogadores, já provou bastas vezes ter "olho" para o negócio.

7) PRESSÃO DOS SÓCIOS - Eis uma matéria a que é particularmente sensível, em termos de opiniões alheias. Sabe que depende do agrado das massas e, quando a pressão é muita, o líder não hesita em ceder.

8) PROTAGONISMO - Um dos aspectos de maior melindre para todo e qualquer candidato a treinador do Vitória. O presidente habituou-se à luz dos "holofotes" e é opção de risco querer ser "mais papista que o papa".

9) "RECADOS" - "Usar" a Imprensa para atingir os seus alvos foi uma das artes em que Pimenta se especializou. Com precisão clínica, tanto a promover jogadores como a advertir os seus técnicos ou adversários.

10) RESULTADOS - "Ai dos vencidos" é uma máxima dos imperadores romanos cultivada também por Pimenta Machado. Sem "pachorra" para resultados que tardam, não hesita em ir à procura de um novo "general".



quarta-feira, 11 de março de 2015

... do Banco Português do Atlântico

quarta-feira, março 11, 2015 0
... do Banco Português do Atlântico


Volto a relembrar um banco de outros tempos, desta vez o Banco Português do Atlântico, uma instituição sólida do nosso país, que sofreu com a nacionalização e nunca mais recuperou. Ainda teve alguma força nos anos 90, mas claudicou no começo do Século XXI, sendo engolido pelo BCP.

O Banco Português do Atlântico foi a primeira grande instituição bancária do nosso país, tendo aparecido com este nome no final de 1942, mas resultava da experiência da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Companhia, que existia desde 1919 e tinha uma excelente reputação.

Desde que abriu portas o BPA marcou pela diferença, na forma que tinha de abordar os clientes e sempre assentando numa solidez financeira que o fez assumir a liderança da banca, algo que começou a esmorecer com a nacionalização que foi alvo em 1975, sofrendo com isso e perdendo alguns dos requisitos que o destacavam de outros bancos.

No início dos anos 90 tinha mais de três centenas de agências, voltando a ser privatizado em partes graduais, sendo que o BCP foi aquele que ficou com a maior fatia. A parceria foi boa, a influência em áreas como o turismo e indústria eram evidentes, mas a 30 de Junho de 2000 decidiu-se ficar apenas com o nome de BCP.





                         








segunda-feira, 9 de março de 2015

... de Star Trek o Caminho das Estrelas (série TV)

segunda-feira, março 09, 2015 0
... de Star Trek o Caminho das Estrelas (série TV)

Volta-se hoje a uma Memória dos Outros, desta feita pelo Nuno Amado que nos vai ajudar a relembrar de uma série marcante da história televisiva, Star Trek. Existiram muitas inovações tecnológicas que usamos no nosso dia a dia, que eram já algo habitual entre a tripulação da Enterprise, e isso prova bem a força desta série.

Quem nunca ouviu pelo menos falar de “Caminho das Estrelas” (Star Trek)? Penso que ninguém dentro da cultura “ocidental”.Star Trek foi uma série de televisão que se tornou de culto mais do que qualquer outra. Porquê? Bom, para além de ter desbravado terreno virgem ao nível dos seriados de televisão, continha todos os ingredientes que nos fazem sonhar. O mistério do espaço profundo, raças alienígenas, ameaças distantes, singularidades espaciais, federações planetárias, guerra, luta pela paz, e belas naves espaciais. Para além disto foi reunido um conjunto de personagens com muito carisma! Penso que toda esta mistura fez com que esta série se tornasse incontornável na cultura pop ocidental.

Um pouco de História…
Star Trek foi criada por Gene Roddenberry em 1966 e contava as aventuras da tripulação da nave espacial terrena USS Enterprise com a “matrícula” NCC 1701. Mas a aventura começou no ano em nasci, em 1964, quando Roddenberry apresenta este projecto a Herb Solow, director da “Desilu Productions”, um canal independente de televisão. Durante 3 anos este projecto foi amadurecido por estes dois homens, com o nome “The Cage”. Mas nada é fácil e esta produtora recusou o projecto por já estar a desenvolver algo parecido: Lost in Space.

Finalmente o primeiro episódio piloto fica concluído e é apresentado à NBC, mas esta considera-o muito cerebral e recusa-o. Mas nem tudo é azar e a NBC tinha ficado impressionada com o conceito e paga um segundo piloto. Este sai com o nome “Where no man has gone before“. Como curiosidade a única personagem que fica em relação ao anterior piloto é Mr Spok interpretado por Leonard Nimoy!
Finalmente a NBC aceita este piloto e calendariza o início da série para 1966 com o nome Star Trek.



Esta primeira, chamada “série original” durou até 1969 com três temporadas (1966/67, 1967/68, 1968/69) com um total de 79 episódios.
Durante a primeira temporada a grelha de personagens foi a seguinte:  
Capitão  Kirk (William Shatner)
Oficial de Ciência e Segundo no Comando Mr Spock (Leonard Nimoy)
Oficial de Engenharia Scott (James Doohan)
Oficial Navegador Sulu (George Takei)
Médico Leonard McCoy (DeForest Kelley)
Oficial de Comunicações Uhura – (Nichelle Nichols)
Enfermeira Christine Chapel (Majel Barrett)
Oficial Administrativa Janice Rand (Grace Lee)
Durante a segunda temporada junta-se outro Navegador: o cómico Pavel Chekov interpretado por Walter Koenig.

A série acabou por ser um retumbante sucesso a todos os níveis criando toda uma sub-cultura associada ao seu nome. Desde o tema musical da série, criado por Alex Courage, aos aliens Klingons e Romulanos tudo era muito apelativo para a altura! Deu origem a mais séries com outras personagens (Star Trek: Next generation por exemplo), animação, Banda Desenhada, e muitos filmes.

Não há muitas criações em televisão que tenham tido uma longevidade de sucesso tão grande como o que Star Trek deu origem. Mais, muitos dos seus gadgets tornaram-se famosos como o Tricorder, o telemóvel que abria, e claro, o sistema de teleporte! As convenções tornaram-se famosas entre os fãs, apelidados de Trekkies (ou Trekkers) levando multidões a estes eventos. O cosplay nestas convenções foi frequente desde o início, e não só… muitos fãs protagonizando Klingons chegavam apenas a falar em klingon, conseguindo comunicar nesta língua alienígena!!
Esta série ganhou 31 Prémios Emmy…



Em Portugal começou a ser transmitido em Janeiro de 1978, substituindo outra série de culto: Espaço 1999. Os primeiros episódios foram emocionantes e levaram imediatamente a USS Enterprise para o coração dos portugueses. Apesar dos efeitos parecerem agora bastante maus, na altura eram mágicos para todos os que viam a série. Não me posso esquecer do primeiro combate da Enterprise com os Romulanos em que quando a nave “abanava” com os tiros, chegam a cair blocos tipo tijolo…

Para o sucesso contribuiu decididamente a tripulação da nave. Todos tinham personalidades bem diferentes e vincadas. A relação entre o Capitão Kirk e o vulcano Spock era sui generis, muitas vezes cómica. Spock foi uma das armas para este sucesso. Interpretado por Leonard Nimoy, falecido no passado dia 27 de Fevereiro, ficou na retina e memória de toda a gente, mesmo de quem não gostava da série. As suas sobrancelhas e orelhas em conjunto com um semblante que não demonstrava emoção eram a sua marca. Isso e sempre um discurso lógico muitas vezes politicamente incorrecto.

De notar que Nichelle Nichols foi a primeira actriz de etnia africana a conseguir um papel principal numa série de televisão deste género. A muito sexy Tenente Uhura. Juntamente com Shatner protagonizaram algo histórico, o primeiro beijo inter-racial da história da televisão.

Depois tivemos o cómico Chekov com a sua pronúncia russa, um desenrascado “Scotty” nas máquinas (a frase “Beam me up, Scotty” ficou para a posteridade), e o sempre pronto médico de bordo “Bones”…

Mas haviam alguns anónimos que ficaram famosos… os tipos de “camisola vermelha”! Eu e o meu irmão apostávamos a ver quais eram os que ficavam vivos no fim do episódio… por vezes não ficava nenhum!



Como adolescente “admirava” muito o trabalho da oficial administrativa do Capitão: Janice Rand! Interpretada por Grace Lee Whitney a sua carreira na série teve um final abrupto quando fez uma queixa de assédio sexual por parte de um dos executivos da série… claro que foi despedida, infelizmente, com uma desculpa esfarrapada!

Podia estar aqui a falar destas três temporadas originais de Star Trek indefinidamente, do Capitão Kirk como galã, dos dilemas morais, da lista de episódios, das vezes em que Spock teve emoções fortes, enfim, iria ser um post muito longo… assim ficamos por aqui!

Para finalizar, gostava muito de referenciar Leonard Nimoy. A sua personagem tornou-se icónica e teve um lugar importante na minha juventude. Foi “fascinating”!
Esta foi a minha maneira de homenagear este homem.
Que descanse em paz!


LIVE LONG AND PROSPER











Texto de Nuno Amado, autor do blog Leituras de BD

domingo, 8 de março de 2015

... do Nils Holgersson

domingo, março 08, 2015 0
... do Nils Holgersson


Mais um daqueles desenhos animados que passaram na RTP nos anos 80, envolvendo animais de ar fofinho e com uma bela dobragem Portuguesa. Nils Holgersson era uma adaptação de um livro de histórias do mesmo nome, deixando-nos fascinados com tudo aquilo e ganhando um cantinho no nosso coração.

Nils Holgersson foi escrito por uma professora Sueca, Selma Lagerlö, tendo sido publicado em 1906 e 1907 e que fez com que ganhasse o prémio Nobel da literatura. Foi uma ideia que Selma teve para que o estudo de Geografia não fosse tão aborrecido, e assim as crianças soubessem mais sobre os rios, lagos, cidades e tudo o que mais precisassem saber.

Mais uma vez foi um estúdio Nipónico a adaptar uma história ocidental para desenho animado, algo comum nessa década, que produziram mais de 50 episódios que foram para o ar em 1980, sendo emitidos pela RTP em 1987, com mais uma daquelas dobragens portuguesas de qualidade da estação pública.

Holgersson era um pequeno rapaz de 14 anos, que ao contrário de muitos outros heróis dessa altura, era muito preguiçoso e mal comportado que vivia fazendo maldades nos animais da quinta onde vivia no sul da Suécia. Mas a coisa corre-lhe mal quando se mete com um duende que se vinga de uma forma original, reduz Nils a um tamanho diminuto (e o hamster que estava com ele), o que faz com que o rapaz ficasse à mercê dos animais que judiava.

Quando o ganso doméstico, chamado Martin, decide acompanhar um bando de gansos bravos até a Lapónia, Nils e seu hamster vão agarrados ao seu pescoço, e acabam por viver grandes aventuras juntos, o que faz com que a sua amizade cresça e se torne muito forte.

Irene Cruz, Canto e Castro, Luísa Salgueiro, João Lourenço e Teresa Sobral são alguns dos nomes envolvidos na dobragem fantástica da RTP, que deu ainda mais charme e carisma a estas aventuras. Como tantos outros da altura, teve também sucesso com colecção de cromos, bonecos pvc e livros diversos.




                            









sábado, 7 de março de 2015

... do Sabonete Lux

sábado, março 07, 2015 0
... do Sabonete Lux

Mais um produto de outros tempos, este mais dedicado ao público feminino, o sabonete Lux, aquele que era usado e recomendado pelas estrelas de Hollywood.

Este foi daqueles produtos que me lembro de ver em anúncios, mas não lá por casa, provavelmente era muito caro ou não o preferido pelos meus familiares, mas recordo-me bem de ver a marca Lux em revistas e afins.

O sabonete Lux existe desde os anos 20, e foi sempre algo apontado para o público feminino e com a premissa que deixaria a pele suave e radiante como a das estrelas de cinema. Aliás era comum os anúncios onde aparecia uma vedeta de Hollywood a dizer que só usava aquilo, e em todos aparecia a frase "9 de cada 10 estrelas usam Lux".

Sophia Loren, Jane Fonda ou Amália Rodrigues, apareciam com um sabonete destes na mão, ou a publicitar o mesmo. Talvez por isso, e o seu cheiro fresco e suave, tivesse tido algum sucesso, naquela tentativa de ser igual às estrelas.








Imagens retiradas do Santa Nostalgia


sexta-feira, 6 de março de 2015

... da Laura Pausini

sexta-feira, março 06, 2015 0
... da Laura Pausini


Nos anos 90 ouvia-se muita música Italiana em Portugal, e uma das mais ouvidas era a de Laura Pausini, uma cantora que encantou o nosso país (e não só), chegando a dominar os tops de vendas.

Laura Pausini nasceu a 16 de Maio de 1974 em Faenza, Itália, iniciando uma carreira profissional em 1993, quando venceu um festival de novos talentos com a música La Solitudine, que a lançou para o estrelato e fez com que se tornasse um dos maiores nomes da música Italiana, conquistando recordes de vendas, popularidade e prémios conquistados.

A meio da década de 90 a artista alcançou o êxito em países como o Brasil e em Portugal, cantando em Português e Castelhano, para além de ter temas também em Francês e Inglês para além da sua língua materna. O primeiro disco vendeu mais de 3 Milhões de exemplares, fazendo com que a sua produtora insistisse nestes temas em várias línguas para conquistar o mercado Latino e o Americano.

Non c'e, Strani Amori e Le Cose che vivi são alguns dos singles de maior sucesso da cantora, em 1994 foi considerada pela revista Billboard a segunda maior revelação do ano e em 1996 começou a escrever as suas próprias músicas.

Em 2002 lança o seu primeiro disco em Inglês e fica no #1 do top dos EUA, ultrapassando artistas consagrados e sendo um dos mais escutados do ano. Fez diversos duetos e foi vendendo cada vez mais, tendo conseguido mais de 70 Milhões de cópias

Apesar disso a sua popularidade esmoreceu em muitos países da Europa, apesar de continuar uma das artistas mais requisitas no facebook e a continuar a editar álbuns.
















quarta-feira, 4 de março de 2015

... da Revista Destaque e Brinque

quarta-feira, março 04, 2015 0
... da Revista Destaque e Brinque

A editora Abril fez parte da nossa infância, fosse pelas revistas de banda desenhada fosse pelas suas edições várias de revistas com passatempos e actividades lúdicas, como é o caso da Destaque e Brinque.

Existiam várias revistas para nos entretermos nos anos 70 e 80, fossem as com transfer tipo kalkitos, as para pintar com ou sem água ou umas que apareceram que nos permitia montar diversas coisas relacionadas com o universo Disney (e não só), chamadas Destaque e Brinque.

Nestas publicações da Editora Abril podíamos encontrar objectos ou personagens que iríamos retirar das páginas e montarmos sem muita dificuldade. E isto tudo era feito sem tesoura nem cola, ou seja sem fazermos muito estragos nem nos sujarmos muito.

Também a turma da Mônica teve direito a umas edições destas, no fundo isto tudo era basicamente uma variante das bonecas de papel que anos antes entretinham outra geração. É também a prova de que com pouco nos divertíamos muito, algo muito comum na década de 70 e 80.













segunda-feira, 2 de março de 2015

... da Novela Guerra dos Sexos

segunda-feira, março 02, 2015 0
... da Novela Guerra dos Sexos

Uma das novelas mais emblemáticas da Rede Globo, Guerra dos Sexos foi a primeira telenovela das sete a ser transmitida em Portugal (e a primeira com humor), tendo também a curiosidade de ser emitida na RTP2.

Guerra dos Sexos foi uma novela de Sílvio de Abreu, transmitida no horário das 19 horas pela Rede Globo entre 6 de Junho de 1983 e 6 de Janeiro de 1984, sendo emitida em Portugal de 23 de Abril desse ano a 03 de Janeiro de 1985 na RTP 2. Foi uma decisão polémica na altura, mas prendia-se com o acordo da televisão estatal e da rede Globo, que previa a compra e transmissão nesse mesmo ano do Bem Amado e desta telenovela. Numa altura em que a emissão da RTP 1 começava só pelas 17h, tornava-se complicado a transmissão noutro horário e por isso optou-se pelo segundo canal.

Em pouco mais de um mês a trama atingiu níveis de audiência fantásticos para a RTP 2, o que fez com o conselho de administração pedisse autorização ao governo para começar as emissões mais cedo, e transmitir assim o episódio da noite anterior à hora de almoço. Devido às dificuldades económicas isso não foi permitido, e apenas antecipou-se a transmissão da mesma no segundo canal, começando um pouco mais cedo, pelas 21h20.

A novela chegou a ser mais popular que aquela que era transmitida no primeiro canal, sendo constantemente capa de revista e motivo de conversa entre os Portugueses. Actores como Maria Zilda, Maitê Proença e Tarcísio Meira ficaram conhecidos do público Português, chegando a vir ao nosso país com toda a pompa e circunstância. Já Mário André e Edson Celulari foram reis do Carnaval e Sílvio Abreu veio promover as suas próximas novelas, deixando os portugueses fãs da sua escrita.


Dirigida por Jorge Fernando e Guel Arraes, foram 185 episódios que conquistaram tanto o Brasil como em Portugal, com uma divertida guerra entre homens e mulheres, todos a quererem mostrar a sua superioridade e com um elenco fenomenal com Fernanda Montenegro e Paulo Autran em grande destaque.

Os dois interpretam dois primos que ao receberem uma herança reavivam memórias antigas, inclusive dos namoricos que tiveram enquanto crianças, mas apesar disso percebem que como sócios têm um grave problema, um só acredita que homens devem ter responsabilidade na empresa, e a outra que as mulheres que têm esse direito.

Zilda, Montenegro e Proença de um lado, Meira e Autran do outro. Temos ainda nomes como Glória Menezes e Ary Fontoura, que asseguram quer a qualidade de interpretação, quer o humor durante toda a história. Foram editados vários discos com músicas da trilha sonora da novela, com nomes como Roupa Nova e Fevers em destaque.

Em 2012 houve um remake da novela, com nomes como Tony Ramos, Irene Revanche e Glória Pires envolvidos, mas longe do sucesso que a primeira versão teve.




Alguma info retirada daqui



domingo, 1 de março de 2015

... do Amo-te Teresa

domingo, março 01, 2015 0
... do Amo-te Teresa

Volto a ter aqui um "Memórias dos outros", para se recordar um telefilme que fez história, o Amo-te Teresa da SIC. Um filme que provocou discussões na opinião pública e que ajudou a lançar a carreira de Diogo Morgado.

Até ao fenómeno Big Brother, o grande acontecimento no panorama televisivo em Portugal no 2000 foi um conjunto de telefilmes produzidos e emitidos pela SIC. A iniciativa, denominada SIC Filmes, foi anunciada com pompa e circunstância e consistiu na produção de doze telefilmes, cada um exibido em cada mês do ano. Ainda longe de se pensar que em Setembro desse ano, a TVI daria os passos para alcançar o ceptro da liderança que a SIC orgulhosamente ostentava, a estação de Queluz ainda reinava indiscutivelmente  e esta iniciativa foi aguardada com muita expectativa, até porque o telefilme era até então um produto televisivo algo raro e pouco explorado em Portugal.

Entre os telefilmes resultantes da SIC Filmes, contam-se títulos como "Monsanto", "Facas e Anjos", "Mustang", "O Lampião da Estrela", "Aniversário" e "A Noiva". Mas o mais famoso e recordado de todos foi sem dúvida o primeiro deles todos, "Amo-te Teresa" que Portugal parou para ver no dia 11 de Janeiro de 2000.

Realizado por Ricardo Espírito Santo e Cristina Boavida (jornalista da SIC e autora do argumento), "Amo-te Teresa" narrava a história do amor proibido entre uma mulher adulta e um adolescente, interpretados por Ana Padrão e Diogo Morgado.    



Teresa (Ana Padrão) é uma médica que, após o fim de uma relação, decide trocar Lisboa pela vila alentejana onde nasceu para trabalhar no Centro de Saúde local. Apesar de guardar ressentimento sobre a reacção local a um escândalo que envolveu os seus pais, acaba por adaptar-se à vida local.
Teresa retoma a amizade de infância com Paula (Maria João Abreu) e muda-se para a casa em frente dela. Entretanto descobre que Miguel (Diogo Morgado), o rapaz que conheceu no dia da sua chegada à vila quando o avião telecomandado dele chocou contra o carro dela, é o filho mais velho de Paula. Miguel é um adolescente 15 anos, bonito e sensível, que para além da paixão pelo aeromodelismo, adora desenhar.

Apesar da diferença de idades e dos riscos que isso implica, Teresa e Miguel desenvolvem uma forte cumplicidade e uma atracção à qual são incapazes de resistir. Os dois chegam mesmo a ter momentos de ciúmes, Teresa em relação a Sandra (Margarida Vila-Nova), uma colega de Miguel, e este face a Vítor (José Wallenstein), um amigo de Teresa que vem de Lisboa visitá-la.

Tudo se complica quando Cândida (Isabel de Castro), a avó de Miguel que nunca gostou de Teresa, descobre desenhos de Teresa nua feito pelo neto e Paula surpreende os dois abraçados na casa dele. Escorraçada pela população, Teresa regressa a Lisboa mas Miguel não desiste da relação entre ambos, só que está tudo contra eles. Só depois de pagarem um duro preço é que Teresa e Miguel poderão ficar finalmente juntos.

Com todos os ingrediente típicos de uma telenovela condensados em 90 minutos, "Amo-te Teresa" foi um sucesso de audiência. Do elenco fizeram também parte nomes como Marcantónio Del Carlo, Sinde Filipe, Maria Emília Correia, Afonso Pimental e Sílvia Alberto. Como não podia deixar de ser, Herman José fez uma paródia ao filme intitulada "Babo-te Teresa", onde Herman recuperava a mítica Maximiana e Maria Rueff fazia de uma mulher de 35 anos que vivia um amor proibido com um idoso de 95 anos.



Embora Diogo Morgado já fosse conhecido de outros trabalhos como a telenovela "Terra Mãe", foi sem dúvida com "Amo-te Teresa" que lançou a carreira daquele que agora é mundialmente conhecido como o "Hot Jesus". Morgado entraria também noutro telefilme da SIC, "A Noiva", onde confirmou aos 19 anos a sua versatilidade fazendo de uma personagem de trinta anos, ao invés de ter feito de adolescente em "Amo-te Teresa".

"Amo-te Teresa", bem com outros telefilmes que se seguiram, tiveram direito a edição em VHS e a uma novelização em livro. A iniciativa SIC Filmes foi prolongada em 2001, mas com menor sucesso. Segundo o IMDB, o telefilme foi exibido em 2005 na Hungria.

De referir ainda que a principal música do filme é "Asas (Eléctricas)" dos GNR, que também foi o primeiro single do seu álbum "Pop Less".

Paulo Neto é escritor e nos seus tempos livres gosta de colaborar com blogs de nostalgia.