Novembro 2014 - Ainda sou do tempo

domingo, 30 de novembro de 2014

... do Barco do Amor

domingo, novembro 30, 2014 0
... do Barco do Amor

É talvez um dos maiores símbolos da TV dos anos 80, a série do Barco do Amor tinha todos os clichés da altura e ao mesmo tempo um carisma que fazia com que fosse uma das mais populares do pequeno ecrã.

The Love Boat (O Barco do Amor) foi mais um programa com a marca de Aaron Spelling, um dos principais produtores que ajudou com que a ABC ficasse com a série e a transmitisse a partir de Setembro de 1977. Começou a tornar-se um caso sério de popularidade e em conjunto com a Ilha da Fantasia, tornou a noite de Sábado uma das mais proveitosas para a estação, estando no ar até 1987.

Era daquelas séries que parecia demorar uma eternidade, era uma hora que parecia quase uma tarde inteira para aqueles que a viam na RTP no começo dos anos 80. Por cá foi também um grande êxito sendo transmitida por diversas vezes na estação pública e agradando a várias gerações que sabiam cantarolar o genérico do programa de cor e salteado. No Brasil a Rede Globo chegou a transmitir em pleno horário nobre pelas 21 horas, sendo que a meio da década de 80 também foi passada no horário da tarde pela TV Bandeirantes.

O conceito da série revirava em torno de uma tripulação de um cruzeiro que ajudava os seus passageiros a terem a viagem da sua vida, e também a solucionarem os problemas que tinham, muitas vezes mostrados logo ao embarcar. O navio Pacific Princess era lindo e uma personagem de direito próprio, um barco imponente todo branco e que proporcionava a todos uma viagem espectacular e confortável.


A tripulação era constituída por:

Capitão Merrill Stubbing (Gavin MacLeod), extremamente simpático e apaziguador que tentava agradar a todos e controlar todos os problemas que iam surgindo

Dr Adam "Doc" Bricker (Bernie Kopell) era o médico do navio, e apesar de não ser nenhum adónis tinha alguma sorte junto das mulheres que embarcavam em cada episódio.

Isaac Washington (Ted Lange) era o Barman de serviço, um afro americano expressivo e carismático.

Julie McCoy (Lauren Tewes) era a directora de cruzeiro, uma jovem simpática e que adorava ver todos felizes e contentes.

Burt "Gopher" Smith (Fred Grandy) era o responsável de que tudo decorresse na normalidade, algo nem sempre possível neste navio.

Mais tarde tivemos ainda a filha do capitão Stubbing, um fotografo e a irmã de Julie que a substituiu nas duas últimas temporadas, mas que nunca tiveram muita aceitação por parte do público nem tinham o carisma da tripulação original. Era esse carisma que fazia com que voltássemos em cada episódio para ver o que acontecia, isso e o facto de aparecerem sempre actores que conhecíamos de outras séries a interpretar os passageiros daquele episódio.

Os episódios tinham algo original para o que estávamos habituados, cada um tinha cerca de 4 histórias individuais, intercaladas por algum acontecimento envolvendo a tripulação que unia um pouco todas as histórias. Em alguns casos, raros, as 4 histórias podiam ter alguma coisa a ver umas com as outras, mas por norma eram todas individuais e nada a ver umas com as outras.

Uma série doce e calma, típica da altura e que ainda hoje goza de alguma popularidade apesar de não ter envelhecido lá muito bem. O melhor para mim sempre foi o genérico, adorava ver os actores convidados a aparecerem com foto e o nome junto (ajudava a que reconhecesse logo quem era e a que série pertencia) e depois o elenco principal aparecia fazendo algo que o caracterizava na perfeição.







quinta-feira, 27 de novembro de 2014

... das Tartarugas Ninja

quinta-feira, novembro 27, 2014 0
... das Tartarugas Ninja


Uma das séries mais divertidas do final dos anos 80 e começo dos anos 90, os alicerces para uma verdadeira febre de merchandising e que originaria também filmes com actores de carne e osso no cinema. Os jovens Tarta Heróis, vulgo Tartarugas Ninja, misturavam humor com artes marciais (o que ainda era uma coisa muito na moda nos anos 80) e tornaram-se um caso sério de popularidade.

Teenage Mutant Ninja Turtles era originalmente uma BD Independente criada por Kevin Eastman e Peter Laird, com um aspecto mais sombrio e adulto do que aquele que muitos de nós tiveram a oportunidade de ver na RTP no começo dos anos 90. Foram 10 temporadas, esteve no ar até 1996 e começou a ganhar uma vida para além do desenho animado, existia de tudo um pouco em merchandising com estas simpáticas figuras nelas, e Portugal não foi excepção.

Os bonecos não pegaram muito por cá, eram caros também, mas a caderneta foi um enorme sucesso, assim como os porta-chaves e uns cromos que saíam nas bolachas Triunfo. Ainda hoje é considerado um dos programas infantis de maior sucesso, chegou a ser transmitido em mais de 130 estações de Televisão no começo dos anos 90. Artes marciais, pizza, ninjas, animais antropomórficos e humor misturado com alguma acção eram uma receita que garantia todo o êxito de um programa naquela altura.

Não se pense que aquilo era perfeito, eram muitos e constantes os erros na animação, desde cores de máscaras trocadas, a armas erradas a vozes trocadas, acontecia de tudo um pouco neste desenho, nada que ligássemos muito ou déssemos muita importância. O genérico era, como tantos outros desse tempo, super viciante e animado, todos sabiam cantarolar o tema e mal o ouvíamos íamos logo a correr para a TV. Por cá a RTP transmitiu isto ao Sábado e ao Domingo de manhã, na versão original e legendada em Português, sendo transmitido mais tarde pela SIC numa versão dobrada em Português.



O visual dos heróis era básico, umas bandanas coloridas sendo que conseguíamos identificar cada um por essa cor e pela arma que usavam, Raphael era o Vermelho e usava duas Adagas Sai, Donatello o Roxo que tinha um Bastão Bo, Leonardo o Azul com duas Katanas e Michelangelo o Cor de Laranja armado com Nunchakus,. Leonardo era o líder, o mais responsável, Raphael o mais agressivo e sempre pronto para a acção, Donatello que era o mais inteligente e adorava inventar coisas enquanto que Michelangelo era o comic relief do grupo, o mais divertido que adorava Pizza e tinha uns quantos bordões que pegaram de estaca.

Quem não gritava "Cowabunga" de vez em quando? O visual das outras personagens também era interessante, desde o mentor Splinter, uma ratazana mutante que treinou as tartarugas ao vilão Shredder (Destruidor), com um visual bem imponente mas que acatava ordens de um ser de outro planeta, o Krang que era um cérebro sem corpo. Depois tínhamos ainda os típicos vilões cómicos que apesar de fortes não criavam muita complicação, o Bebop (um Javali) e o Rocksteady (um Rinoceronte) ou a amiga humana April O'Neill, uma repórter que gostava dos nossos heróis e os apoiava nas suas reportagens. Com ela aparecia um elenco humano que servia como apoio cómico, com personagens muito a ver com a época que vivíamos naquela altura.

As Tartarugas eram um pouco como o Batman nos seus gadgets, tinham Tartaruga-comunicadores, uma carrinha bem engraçada assim como um balão tartaruga. Apareciam uns vilões ocasionais (como o Rei dos Ratos) ou aliados (como os Sapos Ninja) que tinham também eles algum carisma, o que ajudava ao sucesso do programa e a febre que ele ajudou a provocar.



Confesso que gostava bastante deste desenho, o facto de andarem sempre nos esgotos, o tipo de humor apresentado e também algumas das histórias de alguns episódios. Tive os porta chaves, alguns cromos da Triunfo, assim como a caderneta. Tive também algumas revistas de BD que saíram cá, mas a versão igual à do programa de TV e não a versão original de Eastman e Laird.

Saíram três filmes que ajudaram ainda mais à febre que já existia, e de x em x anos sai sempre uma versão nova de um desenho animado baseado nestes quatro heróis com nomes de artistas Renascentistas. Em alguns países tirava-se o ninja e chamava-se Teenage Mutant Hero Turtles, por cá chegou-se a tentar Jovens Tarta Heróis, mas tudo ficou pelas Tartarugas Ninja. Há pouco tempo estreou mais um filme no cinema, provando que ainda hoje estas personagens continuam a ter um forte apelo.

Quem mais via e gostava destas simpáticas Tartarugas?








quarta-feira, 26 de novembro de 2014

... da Novela Cinzas

quarta-feira, novembro 26, 2014 0
... da Novela Cinzas


Passou-me despercebida quando passou pela primeira vez na RTP, há pouco tempo revi na RTP Memória e gostei, não é das melhores produções nacionais mas aguenta-se bem e tem algumas grandes interpretações no seu elenco. A novela Cinzas tem um argumento que revira em torno de uma família, de traições e de como não podemos escapar do passado.

A telenovela Cinzas foi escrita por Francisco Nicholson, e foi a primeira no horário das Sete da tarde na RTP 1, sendo emitida entre 14 de Setembro de 1992 e 9 de Abril de 1993. Foi a primeira grande produção da NBP, a mítica produtora de Nicolau Breyner que teve um dos seus melhores papéis como o bêbado Securas, uma personagem que deu nas vistas e foi uma peça fulcral em toda a história.

O maior elogio é o ritmo como tudo decorre, como foram só 130 episódios, aquilo não cai em períodos mortos e as coisas avançam de uma forma que nunca nos deixa aborrecidos. Antonio Montez está fenomenal como o asqueroso Amílcar Santos, e o casal constituído por Júlio César e Maria João Luís deram um verdadeiro show, especialmente a actriz que teve aqui um dos seus melhores desempenhos. Para além disso deram-se a conhecer actores como Julie Sergeant, Helena Laureano, Ricardo Carriço ou Sofia Sá da Bandeira, aprendendo com os veteranos Armando Cortez, Rui Mendes, Manuela Maria ou Mariana Rey Monteiro.


A familia Veiga é o ponto central para tudo o que decorre nesta história, com a sua Herdade de todos os Santos e o Pinhal de São Torcato a serem alguns dos locais mais importantes de toda a trama. O incêndio do pinhal é o que despoleta tudo aquilo que se viria a tornar uma verdadeira viagem ao passado, percebendo todos os podres da vida do patriarca da família. Desde o começo que o bêbado Securas ganha destaque, sendo acusado de ser ele a pôr fogo ao pinhal, e a relação que tinha com a polícia da localidade mostrou-se complicada, mas no final era completamente o oposto.

A evolução de Nicolau Breyner desde bêbado fétido e desgraçado para um ex-polícia inteligente como tudo é fenomenal, vemos como um homem pode descer mas se quiser recuperar de novo a sua vida. Por outro lado vemos a decadência de Rui Veiga, que quer ser o dono do mundo, e vê tudo a desmoronar até morrer e perder algumas das coisas que fez crescer. Foram os seus filhos a dar a volta à coisa e a fazer com que a família não perdesse tudo, mas os legítimos já que ao longo da história veio-se a saber que havia alguns que não tinham sido reconhecidos pelo patriarca e eram filhos de duas empregadas suas.

Carriço era o mais novo que toureava e adorava andar a cavalo, enquanto que André Gago era o mais velho e o que tomava conta da empresa da família e um verdadeiro mulherengo como o seu pai. Maria João Luís apresentava alguns problemas mentais e sofria num casamento conturbado com Júlio César, um sacana que queria apenas o dinheiro da família mas no final confessa o seu amor por ela e se redime perante todos.


O núcleo de empregados teve boas interpretações, especialmente dos novatos Rosa do Canto e Fernando Mendes, mais habituados à revista ou a registos cómicos. Eduardo Viana é mais uma vez um daqueles paus mandados do vilão maior da história, e os seus crimes abalam a terra dos Veiga, a mando de Amílcar Santos que odiava a família e queria a vingança. Veio-se a descobrir que a vida de todos estava interligada, um passado conturbado em África unia Securas, Santos e até alguns Veiga.

Podia-se ter explorado melhor um ou outro aspecto, a loucura de Maria João Luís merecia mais e teve um desfecho demasiado feliz, mas o mistério todo do primo desaparecido foi bem conduzido, assim como o desenrolar do passado do Securas e as ligações a várias pessoas.

Não entra no meu top 5 de novelas Portuguesas, mas fica no top 10 com certeza, gosto dos textos do Nicholson e aqui provou isso e é uma pena ser um autor um pouco desaparecido da nossa Televisão.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

... do Jornalinho

segunda-feira, novembro 24, 2014 0
... do Jornalinho

Mais um programa infantil/juvenil que educava e entretinha os jovens Portugueses, uma espécie de telejornal para os mais novos que tentava assim fazer com que estes soubessem um pouco mais sobre tudo o que os rodeava. O Jornalinho abriu caminho a outros programas como o Caderno Diário e é algo que podia continuar a existir na estação pública.

O jornalista António Santos teve a ideia de criar um noticiário para os mais novos, algo que a RTP abraçou e deu luz verde para o programa ir para o ar semanalmente aos Sábados à tarde. Foi em 1984 que este programa foi para o ar, com o jornalista António Santos a ser acompanhado por dois bonecos, o Elias e o Horácio, que animavam a pequenada com os seus diálogos escritos por Alice Vieira. Para além disso tinha também a colaboração de Carlos Ribeiro, Manuela Sousa Rama e Vasco Brilhante, em algumas ocasiões também eram crianças as protagonistas, afinal o programa era direccionado a elas e fazia sentido a sua presença em estúdio.

Não se pense que o Jornalinho era só um noticiário, também eram emitidos desenhos animados com carácter didáctico relacionados com temas educacionais como a prevenção rodoviária. A interacção com o público era uma constante, e por vezes eram efectuadas reportagens a partir de sugestões do público. O programa recebeu diversos prémios e teve até um single dos Queijinhos Frescos e Ana Faria, esteve no ar durante três anos até sair do canal público em 1987.

Quem via o Jornalinho?














... do Farense de Paco Fortes

segunda-feira, novembro 24, 2014 0
... do Farense de Paco Fortes


Nos anos 90 o nosso campeonato era fértil em equipas que deixaram a sua marca nas memórias de todos os fãs de futebol, o Farense de Paco Fortes era um bom exemplo disso. Um treinador castiço e carismático, acompanhado por jogadores de qualidade ou também eles de alguma forma carismáticos, ou vá "cromos", que fizeram a equipa chegar à Europa e à final da Taça de Portugal.

Paco Fortes chegou a Faro para acabar a sua carreira de jogador, algo que fez em boa forma e conquistando os adeptos do Sporting Clube de Farense, abandonando os relvados em 1988/89 e começando logo de seguida a carreira como treinador no clube Algarvio. Os Leões de Faro equipavam de branco com algum preto nas suas camisolas, faziam campeonatos de uma forma modesta mas estavam prestes a ficar na história do nosso campeonato nacional.

Cimentou a sua posição no campeonato da primeira divisão, ajudado por alguns jogadores que também eles ficaram na história do clube. Nas suas primeiras épocas tinha na baliza o talentoso Guarda Redes Montenegrino Lemajic e na defesa despontavam Sérgio Duarte (que virou figura no clube) e Miguel Serôdio. O show que o treinador Espanhol dava no banco era um espectáculo à parte, todos começaram a gostar desta figura e de como ele se portava dentro de campo. Em 89/90 levou à final da Taça de Portugal, perdendo com o Estrela da Amadora.



Lemajic acabou por ir para o Boavista, perdendo o plantel que se começou a formar em 1992/93, com Jorge Soares, Nuno Amaro e Portela a juntarem-se a Duarte e Serõdio e ao Brasileiro Stefan, garantindo uma defesa algo sólida e experiente para o guardião Candeias. No meio campo Barrigana e Hajry alimentavam um ataque de luxo com o Marroquino Hassan a dar nas vistas ao lado do Sérvio Djukic.

Hassan era um avançado potente e foi uma verdadeira dor de cabeça para as defesas dos clubes, mesmo os chamados Grandes, já Djukic tinha uma boa técnica e dava outro ar ao futebol praticado pelo clube Algarvio. Paco Fortes não era adepto de jogar pelo empate e para resultados que não fosse a vitória e especialmente se isso fosse através de um jogo fluido e de ataque.

Em 1994/95 o estádio de São Luis, conhecido pela quantidade de bolas que iam para fora devido ao tamanho do mesmo, viu um plantel que chegou à melhor posição de sempre, o 5º lugar que os levou às competições Europeias. O internacional Nigeriano Peter Rufai tomou conta das redes Algarvias e King pegou de estaca na defesa, o que juntando aos outros jogadores que já se conheciam e tinham qualidade levaram a que o clube fosse pela primeira vez à Uefa.

Como em tantos outros casos, essa boa campanha levou a que perdessem alguns dos seus melhores jogadores, basicamente ficaram Rufai, Candeias, Barrigana, Djukic e Jorge Soares, aos quais se juntaram alguns nomes bem conhecidos, como Idalécio, Caccioli, Paiva, Paixão ou Tozé.

O carisma do seu treinador Espanhol continuava a deixar o clube nas bocas do povo, lembro-me que não gostava quando o meu Sporting tinha que ir jogar lá abaixo, mas ao mesmo tempo gostava de ver o show que Fortes dava de um lado para o outro.

O seu bigode foi uma imagem de marca tanto para si como para a sua equipa, já que praticava um futebol de homens como nem sempre se via e como se praticava noutros tempos.

Nessa altura começaram a aparecer várias equipas "Europeias", Marítimo, Guimarães, Boavista que tinham mais dinheiro para gastar e a equipa Algarvia começou a perder algum fôlego nesse aspecto. Mas continuou sempre na primeira parte da tabela e a apresentar boas equipas.

Paco Fortes abandonou a equipa após 10 anos à sua frente, em 1999. O Farense nunca mais foi o mesmo, perdeu um pouco a sua identidade e os problemas financeiros fizeram com que passasse algum mau bocado chegando a desaparecer do mapa do futebol profissional.

Voltou a aparecer e a animar as tardes de futebol da gente Algarvia, sonhando voltar ao escalão máximo do nosso futebol. Já Paco Fortes teve um período muito mau na sua vida, passando dificuldades e chegando a viver na rua até que uma associação de futebolistas veteranos do Barcelona (clube onde jogou), deu-lhe a mão e arranjou um emprego no qual ele ainda se encontra e espalha a sua boa disposição.

Saudades de ver equipas como esta no nosso futebol, praticava um bom jogo e tinha jogadores de extrema qualidade.








domingo, 23 de novembro de 2014

... da Moeda de 10 Escudos

domingo, novembro 23, 2014 0
... da Moeda de 10 Escudos


Volto à nossa antiga moeda para falar da de 10 escudos, uma que praticamente não existiu nos anos 80, mas que voltou à circulação no final dessa década e manteve-se assim até o término da nossa moeda.

Uma das primeiras moedas de 10 Escudos a entrar em circulação foi em 1955, continuando assim até 1966 altura em que saiu e só voltou em 1971 mas também não esteve muito tempo nas carteiras dos Portugueses, desaparecendo em 1982. Ainda apanhei umas destas, eram muito parecidas com as de 5 e de 2,50 escudos com a caravela a dominar a sua face, imagino a confusão que não devia dar.


                                                             
                                               

Situação que curiosamente veio a acontecer com a sua sucessora, que surgiu em 1987, com o bordo serrilhado e sendo de Latão-níquel ao contrário do cupro-níquel do modelo anterior. Nunca fui muito fã destas moedas, as de 5 e 10 sempre foram muito semelhantes e com pouca personalidade, eram as do troco ou para ajudar o troco.









sábado, 22 de novembro de 2014

... do Touch Me de Rui da Silva

sábado, novembro 22, 2014 0
... do Touch Me de Rui da Silva

Como já referi por aqui, no começo do Século XXI a música de dança dominava os mercados e o airplay e existia um Português com um single que tocou bastante em 2001. A música era Touch Me de Rui da Silva(com Cassandra), e foi uma música que dominou os tops e as pistas de dança.

Touch Me saiu no dia 1 de Janeiro de 2001, um single do produtor de House Rui da Silva e da compositora e cantora Cassandra Fox. A música dominou logo o top do Reino Unido, mantendo-se uma semana no primeiro lugar (única vez que um Português conseguiu isso) e vendeu mais de 300 Mil cópias.

Uma voz agradável, e a mistura entre House e Trance fazia com que a canção agradasse a muita gente, um ritmo inebriante com uma voz melodiosa a unir tudo e a fazer com que fosse um sucesso em vários países e vencesse vários prémios.

Rui da Silva disse que a música era para ter uma parte de guitarra como sample de uma música de Spandau Ballet, mas a dificuldade em conseguir os direitos fez com que adiassem o lançamento do Natal de 2000 para o começo do ano seguinte.

You'll always be my baby
I'm always thinkin of you baby
yeaahh

Touch me in the mornin
and last thing at night
keep my body warm baby, u know it feels right
take it a little higher
i'm takin it too
tell me what your feelin
i'll feel it with you


We can only understand what we are shown
how was i supposed to know our love would grow



Move a little closer
make sure i'm lookin up
heal me with your loving
i need you so much, i need you so much, i need your so muchhh
yeahhhh
Ohh ohhhh

We can only understand what we are shown
how was i supposed to know our love would grow

We can only understand what we are shown
how was i supposed to know our love would grow



You touch my mind in special places
my heart races with you
i'll take your love and i'll take my chances
I'll take them with you


Touch me in the mornin
and last thing at night
keep my body warm baby, u know it feels right
take it a little higher
i'm takin it too
tell me what your feelin
i'll feel it with you


heeyyy

We can only understand what we are shown
how was i supposed to know our love would grow



You touch my mind in special places
my heart races with you
i'll take your love and i'll take my chances
I'll take them with you

i need you so much








quinta-feira, 20 de novembro de 2014

... do Anúncio da Stucomat da Robbialac

quinta-feira, novembro 20, 2014 0
... do Anúncio da Stucomat da Robbialac

Um dos anúncios mais míticos dos anos 80, ficámos com a música na cabeça e todos adoravam cantarolar este hino de uma marca de tintas. O anúncio da Stucomat é uma grande tinta da Robbialac marcou o panorama televisivo em Portugal, e deixou dentro de nós uma melodia que nunca nos vai deixar.

Foi nos anos 20 que chegou a Portugal uma tinta fabricada pelos Ingleses Jensen & Nicholson, que tinham chamado de Robbialac em homenagem ao pintor Renascentista do Século XV Luca Del Robbia. Em 1931 é fundada a sociedade Robbialac Lda, que começa a produzir tintas e esmaltes que se destacam pela sua qualidade. O produto Stucomat é criado em 1964, tornando-se desde logo uma imagem de marca da companhia, algo que viria a continuar durante anos até que na década de 80 a empresa aproveita e cria um anúncio publicitário que abalou o País.

Stucomat é uma grande tinta, Stucomat é Robbialac era o refrão que um grupo de homens em fatos macaco cantava num tom quase de parada militar, uma toada que entrava no ouvido e fazia com que todos decorassem com facilidade a letra e começassem a cantar isto até nos recreios da escola. Quem não gostava de ver este anúncio?




                    


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

... da Aula nº 100

quarta-feira, novembro 19, 2014 0
... da Aula nº 100

Era uma alegria quando uma disciplina chegava ao número redondo de 100 lições, maior parte dos professores entrava na onda e era uma aula diferente, por vezes até uma festinha se fazia.

A aula nº 100 só acontecia em algumas disciplinas, mas a partir do momento em que um desses professores nos deixou, ou ele próprio tomou a iniciativa, de fazer aquilo de forma diferente, que quisemos sempre fazer isso em todas as lições nº 100, por mais chato que o professor(a) pudesse ser.

Em algumas ocasiões até havia comes e bebes, e algum convidado especial (tipo outro(a) professor(a) ou continuo(a)) mas a diversão era garantida. Estávamos dentro de uma sala de aula, mas não estávamos a escrever nem a ler algo, era tudo a rir e na conversa e muitas vezes o docente estava tão divertido como nós. Havia sempre aquele professor mais mal humorado e que não alinhava muito na coisa, mas era raro isso acontecer.

Quem mais gostava da lição nº 100?


terça-feira, 18 de novembro de 2014

... do Querida, Encolhi os Miúdos

terça-feira, novembro 18, 2014 0
... do Querida, Encolhi os Miúdos


Hoje revi um clássico de infância e que devia passar mais vezes na televisão, o Querida, encolhi os miúdos/crianças. Uma comédia com muita aventura à mistura, alguns efeitos especiais q.b. o que garantia uma diversão para toda a família, e não só para os mais novos como muitos podem presumir.

Honey, I shrunk the kids (Querida, encolhi os miúdos em Portugal e Querida, encolhi as crianças no Brasil) foi um filme produzido pela Walt Disney e lançado em 1989, basicamente era um filme de ficção científica para toda a família, mas resvalava um pouco também para a comédia, o que ajudou a que se tornasse um sucesso que chegou a originar duas sequelas e uma série de TV, para além de uma das maiores atracções da Disneyland.

Stuart Gordon (realizador) e Brian Yuzna (Produtor) levaram o conceito do filme à Buena Vista com o nome de Teeny Weenies, algo demasiado infantil para o que o argumento apresentava e foram propostos então outros nomes até se decidir ficar por uma das linhas usadas no filme, quando o inventor explica à sua mulher o que tinha acontecido. A primeira escolha para protagonista do filme foi Chevy Chase, mas devido a estar ocupado passaram então para John Candy que declinou o convite mas sugeriu o seu amigo Rick Moranis (algo que tinha acontecido em Caça-Fanttasmas também).

Moranis interpretou então Wayne Szalinski, um inventor que tinha alguns problemas a desenvolver o seu raio de encolhimento e também com o seu casamento. A sua mulher Diane (Marcia Strassman) não estava contente com as coisas e passava algum tempo fora de casa, deixando ele com a sua filha adolescente Amy (Amy O'Neill) que era a típica jovem popular e despreocupada e o seu pequeno filho Nick (Robert Oliveri) que se interessava também pelas invenções e queria ser como o seu pai.


A casa estava um pouco desleixada, assim como o seu quintal, contrastando com o dos seus vizinhos, pessoas mais simples que gostavam da caça e pesca ao contrário dos cerebrais e tecnológicos Szalinski. Os Thompsons eram constituídos por Russ Sr. (Matt Frewer), Mae (Kristine Sutherland), o filho adolescente Russ jr. (Thomas Wilson Brown), um jovem mais calmo e menos desportista que o seu irmão mais novo Ron (Jared Rushton). Foi a jogar basebol que Ron contribuiu para que a máquina de Wayne funcionasse, quando a sua bola partiu a janela e se alojou na máquina fazendo com que esta emitisse raios que acabaram por encolher os 4 jovens.

Estes depois vivem grande aventura no quintal de relva mal cortada dos Szalinski, já que tudo era enorme e tiveram que enfrentar desde o cão Quark (nome bem geek), a gotas de água gigantesca dos regadores, a uma formiga que se provou ser amiga e um escorpião que acabou por ser um dos maiores perigos que enfrentaram.

Os efeitos eram agradáveis, a bolacha "gigante" era bem engraçada e foi bom ver a união que as crianças desenvolveram ao enfrentar aquilo tudo juntos. A peça de Lego onde dormiram também foi um bom toque e a formiga foi aquele argumento que ajudou a dar um pouco de drama, já que esta acaba por morrer protegendo a família.

Tudo acaba por se resolver, as duas famílias percebem que se deviam dar melhor e ficam amigas no final. É um daqueles filmes que já não se fazem, porque agora ou é tudo demasiado infantil ou muito adulto, e este conseguia agradar tudo e todos.










segunda-feira, 17 de novembro de 2014

... do Brick Game

segunda-feira, novembro 17, 2014 0
... do Brick Game


Numa altura que ainda não existia muito entretenimento portátil, tudo o que aparecia virava moda e o Brick Game foi uma das mais intensas dos anos 90. Uma pequena máquina de jogos a preto e branco, principalmente o Tetris, que agradava a miúdos e graúdos.

Nos anos 80 começaram a aparecer em Portugal umas pequenas consolas portáteis, traziam só um jogo e tão depressa iam de um guarda-redes a defender remates vindos do nada, a um tanque a disparar sobre naves (como foi o primeiro que tive). Eram portanto aparelhos que interessavam mais às crianças ou pré adolescentes, sendo fáceis de encontrar nas praças e em algumas lojas que vendiam de tudo um pouco.

Pelos Estados Unidos, uma empresa começou a produzir um aparelho que agradasse a todos os públicos, saindo no final dos anos 80 o primeiro modelo chamado de Apollo e que vinha somente com o Tetris. Rapidamente evoluiu para o Brick Game, nome pelo qual ficou conhecido e foi comercializado no Brasil e em Portugal, sendo um dos produtos mais procurados e comprados no começo da década de 90.

Maior parte vinha com a designação de ter mais que um jogo, podia ser só 2 em 1 ou 1800 em 1, mas a verdade, é que eram muitas vezes apenas níveis diferentes do Tetris, com mais dificuldades ou peças diferentes, mas seguindo o mesmo conceito. Na verdade existiam versões que traziam alguns jogos populares como Arkanoid, jogo da Cobra (sim esse mesmo), Space Invaders e outros do género. Mas sem sombra de dúvidas que tudo ficava satisfeito somente com o Tetris, era comum ver pessoas mais velhas a jogar isto em locais públicos, como autocarros ou serviços públicos. Era algo ideal para uma viagem longa e nos distrair um pouco. Existiam várias cores, mas o cinzento e o preto eram as que mais se viam nas mãos das pessoas.

Quem teve um?








domingo, 16 de novembro de 2014

... do Hercule Poirot

domingo, novembro 16, 2014 0
... do Hercule Poirot

Uma das grandes personagens da literatura, Hercule Poirot teve também direito a filmes, telefilmes e uma série televisiva que esteve décadas no ar com um actor com o qual identificamos logo com a personagem, o David Sauchet. Recordar um pouco do detective Belga criado pela escritora Agatha Christie.

Hercule Poirot foi baseado em outros detectives ficcionais da sua altura e teve também influência do maior de todos, Sherlock Holmes. Agatha Christie afirmou que criou o detective Belga seguindo alguns passos da criação de Arthur Conan Doyle, o facto de ser um detective algo excêntrico, ter um parceiro que era o oposto e até de ter um inspector da polícia de personalidade semelhante, sublinhava essas parecenças.

Teve 33 livros, mais de 50 contos curtos e uma peça de teatro tudo isto entre o período entre 1920 e 1975, tudo isto com o carisma de um homem baixo, bem vestido e com um bigode que era como que um cartão de visita. Era bastante analítico e calmo, sereno na forma de abordar os casos e adepto de uma pontualidade que fazia questão de cumprir sempre acompanhado com o seu relógio de bolso.

Teve Arthur Hastings como parceiro, a sua secretária Felicity Lemon e o Inspector Harold Japp como companheiros em muitas das suas histórias, e o sucesso destas fizeram com que fosse uma personagem apetecível para adaptações à rádio, TV e cinema. Austin Trevor foi o primeiro a aparecer diante de uma câmara como Poirot, adaptando a peça que existia do detective e chegou a surgir em mais que um filme. Albert Finney teve a particularidade de ser nomeado para o Óscar, pela sua interpretação no filme Murder on the Orient Express e Peter Ustinov começou a ser o primeiro rosto que muitos ligaram à imagem de Poirot devido aos 6 filmes que protagonizou entre 1978 e 1988.



Vi alguns desses filmes, mas para mim (e tantos, tantos outros) foi David Suchet que interpretou na perfeição os tiques e tudo aquilo que constituía a personalidade de Hercule Poirot. A prova disso foi que a ITV manteve isto no ar desde 1989 até Julho de 2013, um caso de longevidade raro mas merecido quer pela qualidade do actor, quer pelos argumentos dos episódios que tinham sensivelmente uma hora de duração e eram sempre uma história contida ou então algo contado em duas partes.

Lembro-me de ver isto nos dias de semana, no começo da tarde a meio da década de 80 na RTP 1, via quando saía da escola e gostava sinceramente daquilo tudo, apesar da minha tenra idade pedir mais desenhos animados do que séries com mistério e coisas adultas. Talvez a sua forma de agir metódica e sua excentricidade que por vezes o tornava algo irritante mas fazia também parte do seu charme.

Poirot estava a residir em Inglaterra aquando do começo da I Guerra Mundial, mas por vezes viajava até outros países, o que dava o ar soturno necessário a alguns dos casos apresentados. Raramente era contratado por alguém, entrava nos casos por estes terem acontecido perto de si ou então por conhecer algum dos envolvidos. A polícia nunca lhe pedia ajuda, mas Japp também não o afastava e no fundo até esperava pelos seus palpites.

O conceito era quase sempre o mesmo, o suspeito raramente era aquele que pensávamos ser e era outra pessoa que julgávamos inocente. Só li alguns livros quando era mais novo, e não me recordo se era assim nos livros também, mas gostava bastante de ver esta série.









sábado, 15 de novembro de 2014

... do Mighty Man

sábado, novembro 15, 2014 0
... do Mighty Man


Um daqueles desenhos animados surreais que muitos guardam na memória por causa da maluquice toda por lá apresentada. Mighty Man era um super herói que tinha como parceiro um cachorro (com uma casota de cão na cabeça) chamado Yukk como parceiro

Produzida pelos estúdios Ruby-Spears, Mighty Man estreou em 1979, teve cerca de 32 episódios que pudemos ver na RTP na década de 80, muitas vezes como tapa buracos, apesar de ter sido transmitido regularmente em 1983 num dos espaços infantis da estação pública. Sempre na sua versão original com legendas em Português, ao contrário do que acontecia no Brasil que foi sempre dublado no Português do Brasil e apresentado com o nome de Mini Polegar e Yogui.

O milionário Brandon Brewster tinha o poder de encolher, voar e apresentava uma super força que o ajudava a combater o crime, como companhia tinha o seu fiel cão (que quando Brandon fica diminuo parecia gigante) que era famoso por ser o cão mais feio do mundo, tão feio que tinha que ficar com uma casota de cão na cabeça. Quando os vilões viam a sua cara desmaiavam, e a feiúra era tanta que fazia prédios desabarem quando não tinha a casota colocada.

Era o típico parceiro de séries do género, trapalhão mas bem intencionado, era mais as vezes que colocava o seu herói em perigo que o ajudava, mas no final conseguia sempre dar a volta e ajudar a que tudo acabasse bem. Alguém via isto?










sexta-feira, 14 de novembro de 2014

... do Leitor Betamax

sexta-feira, novembro 14, 2014 0
... do Leitor Betamax


O leitor Betamax teve uma vida curta, lembro-me de ver um em casa do meu tio, mas eu só tive aquele que se tornou muito mais popular, o leitor VHS. Mas os Beta foram uma perda para muitos que consideravam esta tecnologia melhor que a que lhe sucedeu,

A Sony lançou o seu primeiro Betamax a 10 de Maio de 1975, um leitor de videocassete que usava alguma tecnologia do seu predecessor, o U-Matic, também desenvolvido pela Sony. Foi um sucesso no Japão e muitas empresas começaram então a desenvolver leitores baseados na tecnologia criada pela empresa Nipónica. Os estúdios começaram a lançar os seus filmes neste formato e este começou então a enraizar e a criar hábitos entre as pessoas, especialmente no Japão e nos Estados Unidos.

Sony e Sanyo eram as marcas que dominavam o mercado dos Beta (nome como ficou conhecido), mas existiam leitores da Toshiba, Pioneer, Nec e outros. O problema foi quando a JVC recusou usar a patente da Sony (sabendo que esta continuaria assim com o monopólio) e desenvolveu o seu próprio leitor, o VHS. O baixo custo dos leitores e das k7s deste modelo, aliado a uma boa campanha de marketing, fizeram com que acabasse por sair como vencedor nesta luta de formatos. No começo dos anos 80 em toda a Europa o domínio era já quase total, ao contrário do que acontecia noutros países como o Japão ou mesmo nos Estados Unidos onde ainda havia muitas famílias (cerca de 40%) com Beta.


Em 1977 os leitores Beta apresentaram a novidade de poderem gravar em mais que uma velocidade, e gravar mais tempo do que o habitual nas k7s, podendo ir até duas horas, mesmo assim perdendo para o VHS que ia de 2 a 4 horas. Em 1984 já 40 companhias se tinham rendido ao VHS, contra as 12 do Beta tendo a Sony assumido a sua derrota em 1988 quando começou a produzir leitores VHS (até então era via Hitachi) apesar de ter continuado a produzir os Beta até 2002.

Betacam continua a ser usado em produções cinematográicas, e no mercado nipónico continuou até muito tarde a merecer a preferência dos utilizadores. Foi uma parte importante no desenvolvimento da gravação em estúdios de música, assim como a gravação de filmes e séries televisivas, e por isso um formato que deixa saudades entre os profissionais do meio.

A dada altura originou julgamentos e processos criminais nos Estados Unidos, muito para definir o que se podia ou não gravar salvaguardando os direitos de autor dos envolvidos, algo que quando o VHS foi implementado foi perdendo a importância e quase todos "aceitaram" esse facto como algo inevitável.

Quem teve um leitor Betamax?









quinta-feira, 13 de novembro de 2014

... do Urtigão

quinta-feira, novembro 13, 2014 0
... do Urtigão

Volto ao meu maior prazer no mundo, a Banda Desenhada, para falar de uma das personagens que mais gozo me deu ler nas revistas da editora Abril, o caipira Urtigão. Uma das poucas personagens humanas no meio de Patos, pássaros e ratos, Urtigão conquistou tudo e todos tornando-se um dos mais populares e tendo direito a revista própria com grandes histórias produzidas no Brasil.

Hard Haid Moe (Urtigão) foi criado em 1964 por Dick Kinney e Al Hubbard, fez 50 anos há pouco tempo e apesar de estar longe da popularidade que alcançou nos anos 80, continua a ser uma personagem muito acarinhada por todos aqueles que cresceram a ler as revistas da Disney, em especial os que tinham acesso ao material Brasileiro da Editora Abril. Teve o mérito de ser das primeiras personagens humanas criada para os comics, as outras vinham dos filmes (como Madame Min) e foi talvez por isso a mais popular.

Foi caracterizado como um caipira, que vivia no Brejo das Urtigas a sul de Patopólis, uma zona rural onde existiam pessoas simples e que viviam do campo e do que este lhes dava. Não devia ser muito longe de onde morava a Vovó Donalda e eles chegaram inclusive a aparecer em algumas histórias juntos. Com um temperamento irascível, aparecia quase sempre de carabina na mão pronto a disparar contra todos que o fossem chatear à sua quinta, especialmente se esses fossem o Peninha e o Donald.


As primeiras histórias dele envolviam aliás muito o Peninha, era quase uma espécie de antagonista, e quando o estúdio Brasileiro começou a produzir histórias aproveitava essa rivalidade de uma forma hilariante. Inicialmente criado com barba e cabelo ruivo, na Itália e no Brasil apareceu com barba e cabelo branco, de pé descalço e usando uma camisola amarela e um macacão preto remendado. Usando um chapéu verde na cabeça, era fácil simpatizar com ele apesar do seu temperamento, afinal ele apenas queria o sossego e viver na sua quinta juntamente com o seu cão preguiçoso e fiel.

Depois de algumas aparições na década de 60 e 70, começaram a surgir as primeiras histórias feitas no Brasil, em 1972 o artista Carlos Edgard Herrero desenhou uma história que acabou por ser lançada para o mercado externo e na revista do Zé Carioca começaram a sair histórias escritas e desenhadas por Brasileiros com Carlos Alberto Paes de Oliveira e Ivan Saidenberg em grande destaque.

Não tardou a ganhar uma revista própria quinzenal que esteve nas bancas entre 1987 e 1994, um caso raro de longevidade mas fácil de entender pela popularidade que o simpático caipira tinha atingido. Aliás em algumas das histórias o mesmo começou a não ser tão rezingão e a ser muitas vezes simpático, especialmente com os sobrinhos do Donald com os quais ele engraçava muito.


O próprio Saidenberg desenhava ele de uma forma menos agressiva, e os seus diálogos transmitiam também menos raiva mas sempre com aquele jeitinho especial caipira e brejeiro. Confesso que me divertia muito a ler aqueles "uai" e "craro" entre outros "erros" nas palavras que ele dizia, fazia parte do charme, era uma espécie de Thor mas no reverso da medalha.

Anos mais tarde criaram a Firmina, uma espécie de governanta (algo confuso para quem vivia numa barraca) e da qual nunca fui muito fã. Acho que descaracterizava muito a personagem e ele ficava melhor sozinho com o seu cão. Gostava quando interagia com os seus vizinhos caipiras, fosse em competições para ver quem cultivava mais, fosse numa simples interajuda. Lembro-me de uma história em que ele fica chateado porque todos eles têm electricidade e preferem ficar a jogar, ver tv a ir ajudar ele apanhar o milho, mas depois quando falta a luz vão todos juntos para o campo.

Chegou a ter almanaques, e eram mais as histórias divertidas e interessantes que aquelas que não queríamos ler. Era sem sombra de dúvidas um dos melhores da produção Brasileira relacionada com a Disney e deixa muita saudade. Ultimamente os Italianos voltaram a pegar nele, mas está uma personagem sem charme nem carisma nenhum.





 

















... da Sabrina Salerno

quinta-feira, novembro 13, 2014 0
... da Sabrina Salerno

Sabrina Salerno era a grande concorrente de Samantha Fox para a posição de rainha nos posters de parede em quartos e em oficinas automóveis. Também com um grande êxito musical, Sabrina fez as delícias de muitos adolescentes nos anos 80, ficando na memória de muitos até hoje.

Norma Sabrina Salerno, conhecida simplesmente como Sabrina, nasceu a 15 de Março de 1968 em Génova, Itália e começou desde muito cedo a dar nas vistas a vencer concursos de beleza e a iniciar uma carreira de modelo. Em 1985 com a ajuda dos produtores Claudio Cecchetto/Joseph Paduano lança um single "Sexy Girl", que acabou por ser um sucesso no seu país e na Alemanha apesar de ser cantando em Inglês e a almejar o mercado internacional.

Mas em 1987 esse desejo foi alcançado, com o lançamento do álbum Sabrina que para além de incluir o seu primeiro single, trazia também aquele que se viria a tornar um hit estrondoso, Boys (Summertime). Foi #1 em alguns mercados importantes como o Francês ou o Espanhol, e #3 no Reino Unido, em Portugal também não passou despercebido e era uma grande concorrente da Samantha Fox no quesito sexualidade musical.



Com mais de um Milhão e meio de cópias vendidas só nesse single, Sabrina tornou-se uma presença em todos os programas de música e em 1988 chegou a ser considerada a melhor cantora Europeia. O teledisco ajudou ao sucesso, com a artista a aparecer em fato de banho aos saltos numa piscina, Chega-se até a ver o mamilo a dada altura, por isso para além de uma música dançável e animada podíamos desfrutar de uma imagem sexy numa altura em que não tínhamos grande acesso a coisas de natureza sexual.

Ela chegou a ter mais alguns sucessos como All of me (boy oh boy), My Chico e Like a Yo-Yo, este último foi produzido por Giorgio Moroder e tornou-se o genérico de Odiens, um programa Italiano muito popular e que tinha também a cantora no seu elenco. Aparecia constantemente em programas de vários países e teve alguns concertos de lotação esgotada como aquele que deu no Estádio Olímpico de Moscovo em 1989.

Nos anos 90 esteve bastante activa na televisão do seu país, apresentando vários programas ou aparecendo em diversas séries e talvez por isso decidiu cantar os seus primeiros temas em Italiano. O dueto com  Jo Squillo "Siamo Donne" foi aclamado pela crítica e marcou um ponto de viragem na artista que começou a ser olhada de outra forma. Mas nessa década foi mesmo a carreira como apresentadora que ganhou destaque e foi assim que entrou no novo Milénio.

Mas os Portugueses vão para sempre se lembrar da sua imagem voluptuosa e sexy dos anos 80 e daquele mega hit que colocou muito jovem a suspirar. Lembro-me também de no liceu haver uma versão da sua música que fazia sucesso como "Boys boys boys, as mamas da Sabrina, boys boys boys, parecem gelatina"














quarta-feira, 12 de novembro de 2014

... do Damon Hill

quarta-feira, novembro 12, 2014 0
... do Damon Hill


Volto ao saudoso mundo da F1, numa altura em que ainda seguia com algum interesse este desporto, para falar de um dos nomes que marcou a década de 90, o piloto Damon Hill. Foi daqueles campeões que nunca conseguiu conquistar por completo todos os fãs da modalidade, mas como outros pilotos Britânicos nunca deixou de sorrir e acabar por agradar pela sua forma de estar no circo da F1.

Damon Graham Devereux Hill nasceu a 17 de Setembro de 1960 perto de Londres, Inglaterra e o seu pai era outro campeão da modalidade, Graham Hill. Ele é aliás o único filho de um campeão que conseguiu também ser o primeiro entre os outros pilotos, um feito que vale o que vale mas não deixa de ser assinalável. Começou a carreira em modalidades inferiores, como tantos outros, e apesar de ser um piloto competente e até interessante de seguir, nunca venceu uma corrida ou conseguiu algum título na Fórmula 3000, facto que não impediu de ser chamado para piloto de testes da Williams em 1992 depois de estes se terem sagrado campeões.

Quando Riccardo Patrese deixou a escuderia para se juntar à Benetton, Hill passou à frente de outros pilotos experientes como Mika Hakkinen e foi o escolhido para se juntar ao tri-campeão Alain Prost. Como Nigel Mansell abandonou a competição após ser campeão, a escuderia ficou então com o número 0 e o número 2, calhando ao novato o 0 sendo o segundo piloto na história da F1 nessa situação (após Jody Schecker em 1973).

Aprendendo com a experiência do seu colega de equipa, Hill demonstrou uma evolução agradável conduzindo o monolugar da Williams, passando por um começo atribulado mas que rapidamente ultrapassou e começou a terminar as corridas num lugar do pódio, para além de conseguir a sua primeira pole position no Grande Prémio de França e depois a primeira vitória no da Hungria.


Na época de estreia viu o seu colega de equipa ser campeão e ficou atrás de Senna que ficou em segundo, aquele que curiosamente viria a se tornar o parceiro de Hill na Williams-Renault em 1994 após a retirada de Prost, que tornaria o britânico a ser o primeiro piloto a ficar com o número 0 em 2 anos consecutivos. Infelizmente o piloto Brasileiro morreu no acidente fatídico no Grande Prémio de San Marino, correndo sozinho no do Mónaco e tendo a companhia do piloto de testes David Coulthard na corrida de Espanha onde se sagrou vencedor, com a curiosidade histórica de seu pai ter vencido o mesmo grande prémio 26 anos antes, depois de também ter morrido o seu companheiro de equipa.

Começou então a lutar com o Germânico Michael Schumacher (que dava nas vistas na Benetton) em algumas corridas, sendo que a do Reino Unido saltou para todas as primeiras páginas quer pela vitória de Hill (numa pista onde seu pai nunca venceu), quer pelo comportamento do Alemão que foi castigado por tentar prejudicar o seu adversário e ficou de fora algumas corridas. Durante esse castigo, afirmou ainda que Hill não tinha a classe para ser um piloto campeão, mas o certo é que foram para a última corrida com apenas um ponto de diferença, e foi só após uma colisão ainda polémica que Schumacher pôde festejar o título.

Muitos dizem que foi totalmente acidental, outros que o Alemão fez de propósito sabendo que assim manteria o primeiro lugar no campeonato de pilotos. Isto fez com que muitos passassem a encarar com outros olhos o piloto inglês, que entraria na temporada seguinte como um dos favoritos e com a vantagem de conduzir um carro da melhor escuderia do circuito. Mas mesmo assim ele não conseguiu nada, ficou em segundo e fez também com a sua equipa perdesse o título de melhores construtores o que fez com que muitos na equipa começassem a preferir que este se fosse embora e desse lugar a outro piloto.


Ao volante do Williams FW18, Hill teve a sua melhor temporada na Fórmula 1 e acabou por se sagrar campeão à frente do seu colega de equipa Jacques Villneuve, Com um dos carros mais rápidos do circuito, não foi de admirar que ele nunca se qualificasse abaixo do topo da grelha de partida, igualando assim recorde de outros pilotos como Senna e Prost. Mas mesmo após essa excelente temporada, acabou por ser corrido da Williams e substituído por Heinz Harald Frentzen.

Hill prosseguiu assim a tradição da Williams, sendo o quarto piloto a sagrar-se campeão e não competir pela escuderia na época seguinte (isto apenas em nove anos), e acabou por ingressar na Arrows por não gostar das propostas financeiras das outras equipas do topo. Logicamente que numa escuderia de pouca tradição e pouco desenvolvida tecnicamente, a defesa do título não correu lá muito bem e fez com ele ficasse apenas um ano na equipa, passando depois para a Jordan (apesar de proposta da Prost) em 1998, tendo como parceiro Ralf Schumacher o irmão do seu antigo rival. Apesar de tudo deu algumas vezes nas vistas, especialmente no Grande Prémio da Hungria onde quase venceu a corrida.

Por lá acabou também por não ter muito sucesso, e só deu nas vistas quando começou a dar trabalho a Michael Schumacher, mas não no aspecto de correr lado a lado com ele, e sim de lhe bloquear o caminho e impedir que o Alemão fosse mais rápido. Ainda durava um pouco de ressentimento sobre os acontecimentos entre os dois, e na imprensa trocaram acusações um pouco fortes sobre o que cada um já tinha feito nos seus confrontos.

Acabou por se retirar em 1999, sem pompa nem circunstância, um piloto que nunca deu muito nas vistas e que muitos acharam que foi campeão mais por causa do carro que conduzia do que pela sua capacidade. Acabou por mesmo assim conseguir ultrapassar alguns recordes do pai, apesar de manter a sua memória usando um capacete como o dele com as cores do clube de remo de Londres. Fora das pistas ficou conhecido por pertencer à banda de Eddie Jordan, sendo um competente guitarrista.








terça-feira, 11 de novembro de 2014

... do Fungagá da Bicharada

terça-feira, novembro 11, 2014 0
... do Fungagá da Bicharada

Para além de ser uma das músicas mais míticas da nossa infância, Fungagá da Bicharada foi também um programa televisivo com nomes como Júlio Isidro, Cândida Branca Flor e o próprio José Barata-Moura em grande destaque.

Foi em 1976 que a RTP decidiu transmitir o programa infantil Fungagá da Bicharada, com o autor José Barata-Moura (ainda no seu estilo revolucionário que aliás sempre o caracterizou) a criar todas as músicas presentes no programa incluindo obviamente a do genérico. Transmitido aos Sábados, tinha na apresentação o grande Júlio Isidro, que tratava de andar sempre a animar as crianças.

Júlio Isidro conversava alegremente com as crianças em estúdio, com aquele à vontade que só ele sabe ter e ficávamos a conhecer em cada programa um novo animal, que tinha obviamente direito a uma música divertida com direito a alcunha engraçada e tudo e interpretados por Barata-Moura. Mais um da safra de programas educativos mas animados ao mesmo tempo, algo que se foi perdendo com o tempo e hoje desapareceu por completo do mapa.

Cândida Branca Flor e Carlos Alberto Moniz participaram também eles neste magazine de fim de semana que esteve no ar durante algum tempo. Teve direito a uma revista, de sucesso obviamente, e também a vários LP's com as músicas lá apresentadas.



[refrão] 
É o fungágá, fungágá da bicharada 
É o fungágá, fungágá da bicharada 
la la la la la la la la ra la la

Vamos falar de animais e de como eles são 
Do piriquito do gato e do cão 
E outros mais também virão 
Talvez uma girafa um macaco ou um leão 
[refrão]

Vamos todos aprender como vive a bicharada 
O que é um cardume e uma manada 
Vamos ver não tarda nada 
Quem é que afinal tem a voz bem afinada 
[refrão]

Vamos tambem descobrir uns amigos bestiais 
Bem diferentes dos habituais 
E vamos rir até não poder mais 
Com as palhaçadas dos amigos animais 














... das t.A.T.u.

terça-feira, novembro 11, 2014 0
... das t.A.T.u.

Uma dupla Russa que tomou de assalto os tops musicais no final do Século XX, as t.A.T.u. chamaram a atenção pela sua sensualidade e referências à sua sexualidade e de serem amantes. A música era animada e dava para dançar, algo que garantia o sucesso nessa altura e fez com que se tornassem um êxito em muitos países europeus.

Lena Katina e Yulia Volkova foram apoiadas pelo produtor Russo Ivan Shapolov e tiveram direito a uma própria editora discográfica o que podia ter sido algo muito complicado, não fosse o êxito estrondoso do single de estreia, "All the things she said" (com a ajuda de Trevor Horn que ajudou a escrever em Inglês a versão original Ya Soshla S Uma) que conquistou o público e a crítica sendo considerado ainda hoje um dos singles mais importantes do começo de 2000.

O álbum em Inglês chamou-se 200 km/h in the wrong lane e começou a percorrer os talk shows Americanos em 2002 no seu lançaento e a gerar alguma controvérsia, algo a que o grupo estava habituado. A dupla era acusada de promover o Lesbianismo e a Pedofilia, muito por causa das idades (Katina tinha 14 anos quando começaram) e imagens fortes como elas de uniforme escolar a beijarem-se à chuva. Os singles Not Gonna Get us e All about us também tiveram algum sucesso e chegaram a #1 em alguns países, provando que a dupla não era um one hit wonder apesar de sabermos que dependia de uma gimmick que se esgotaria em algum tempo.


Como já foi falado aqui diversas vezes, a música de dança estava em alta no final dos anos 90 e começo de novo Milénio, e por isso aquele ritmo animado pop-dançável da dupla foi bastante aceite pelo público, e a polémica em torno da sexualidade e a sensualidade das duas ajudou ao resto. Vivíamos numa era de liberdade sexual depois de anos de estarmos todos algo reprimidos, e o facto de elas serem de um país que não permite muito essas liberdades ajudaram mais à coisa.

Venderam mais de 11 Milhões de cópias, representaram a Rússia na Eurovisão em 2003 e aguentaram até 2008 o seu sucesso, altura em que este começou a desaparecer e em 2011 separaram-se decidindo seguir carreiras a solo.

Enfrentaram a censura no Reino Unido e proibições em outros países, mas foram sempre fiéis a esse estilo e acabaram por encontrar um nicho de mercado e fazer a coisa funcionar. All the Things she said faz parte de diversas listas de melhor canção pop daquela década e continua a ser o single de maior sucesso do grupo.