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A segunda parte do post sobre os vilões da Disney nas revistas aos quadradinhos, mais um grupo de vilões carismáticos e que até simpatizávamos e muitas vezes torcíamos um pouco por eles. Do terrível Mancha Negra ao por vezes inofensivo Lobão, tento fechar aqui uma passagem por algumas das personagens de BD que mais gostei de ler na infância.

A Disney sabia que ao ter uma personagem detective, e que colaborava constantemente com a Polícia, tinha também que criar uma galeria de vilões que rendesse boas histórias e que tivessem um aspecto bastante maléfico para que o leitor pudesse torcer mais pelo herói do que pelo vilão.

O Mancha Negra (Phantom Blot) é sem sombra de dúvidas o maior vilão da Disney. Tinha um carisma enorme e o seu aspecto misterioso assustava as crianças e conseguia assim o seu intento de que um vilão fosse odiado e temido como muitos dos seus filmes de animação. A sua primeira aparição foi em 1939, numa história para as tiras de jornal idealizada por Floyd Gottfredson em que curiosamente ele é preso e logo desmascarado mostrando uma face que muitos diziam ser baseada em Walt Disney. Nos anos 60, e em especial nas histórias de Paul Murry, ele volta ao activo mas como se nunca tivesse sido desmascarado e ganha uma aura intensa com uma onda de crimes que o coloca no primeiro lugar do universo dos vilões da Disney, todos os outros vilões o respeitam e chegam até a ter medo dele.

Ele tinha como marca o facto de usar sempre um capuz negro que lhe cobria o corpo todo, e de deixar no local dos seus crimes um papel com uma mancha negra para todos saberem que era ele o autor desses crimes. Nunca fui fã do Mickey, mas gostava muito das histórias que envolviam este vilão, como uma em que ele hipnotizou o Pateta para que este se mascarasse de Mancha Negra, ou uma em que fez uma escola de vilões. Ele no Brasil tinha tanto sucesso que chegou a ter um Almanaque e Edições Extra especiais, para além de histórias criadas por autores Brasileiros onde o vilão expandia os seus ataques para apoquentar personagens como o Super Pateta ou o Tio Patinhas. Um dos meus aspectos preferidos neste vilão, é que ele era um vilão clássico, assaltava bancos e Joalharias e raramente era detido, ou então fugia da penitenciária sempre que o apanhavam.


Nos anos 70 e 80 chega a ter histórias com outros vilões, por vezes fazia parcerias com o Professor Gavião, liderava os Irmãos Metralha ou fazia dupla com a Madame Min que era completamente apaixonada por ele. Lembro-me de uma história muito divertida em que ele está perdido numa Floresta e acaba por encontrar os Sete Anões Maus. Foi perdendo o seu impacto ao longo das décadas, caindo em decadência quando os autores Italianos decidiram começar a fazer histórias com ele desmascarado, perdendo assim por completo todo o seu carisma.

Bafo de Onça (Black Pete) é a personagem mais antiga da Disney ainda em publicação, foi criado para um filme de animação pelo próprio Walt Disney e só mais tarde começou a atormentar a vida do Mickey quer nos filmes de animação quer nas revistas. Bafo é uma espécie de gato, aparecendo normalmente com um casaco e um chapéu de capitão de barco e com esquemas maquiavélicos tendo como parceiro o Escovinha, um vilão de aspecto fuinha que era quase sempre a razão pela qual ele era apanhado no final.

Bafo de Onça era o vilão habitual do Mickey, e aparecia em todo o tipo de histórias. Uma das minhas favoritas é numa corrida de dirigíveis em que ele aparenta estar do lado dos bons e apenas a querer fazer a corrida. Tinha um feitio complicado e não tinha problemas em ferir pessoas para atingir os seus objectivos, algo que se foi esvanecendo com o tempo quando este casa com a Tudinha e os seus planos foram perdendo o impacto que tinham anteriormente.

Paul Murry foi um dos autores que criou mais vilões para o universo Disney, como o Dr. Estigma, um cientista louco míope que atormentava a vida do Professor Ludovico ou do clube dos Heróis, ou a dupla Kid Monius e Ted Tampinha, uma dupla de bandidos que adorava atormentar a vida dos outros e que apareceram em algumas histórias do Mickey ou do Super Pateta. Eles não apareceram em muitas histórias, mas era uma dupla que caiu no gosto dos leitores por causa dos seus planos maléficos e o seu aspecto maquiavélico.

Murry foi ainda responsável pelas histórias da turma da Floresta, onde colocava o vilão João Honesto em parceria com o Zé Grandão a fazer a vida negra ao Quincas e aos outros habitantes da floresta e pelo Senhor X e a o seu gangue, uma quadrilha hilariante liderada por um “senhor do crime” (assim ele se achava) que chegou a atormentar o Mickey mas era mais visto em histórias do agente secreto 00-Zéro. Outro vilão do 00-Zero era a B.R.O.N.K.A, uma organização criminosa liderada pelo Grande Bronka, um vilão misterioso do qual nunca conseguimos ver a cara.



Outro gangue que atormentava as personagens da revista Disney era a do Professor Nefárius e o seu grupo (Magricela, Tatu e Boca Mole) que atormentava a vida de Sir Lock Holmes e do seu parceiro Mickey na Londres do início do Século. Esta era uma das minhas preferidas, pelos planos mirabolantes do Nefárius e pela estupidez de Sir Lock Holmes, gostava também de como o líder nunca era apanhado ao contrário do seu gangue.

Se as personagens da Disney recorriam ao Professor Pardal sempre que precisavam de uma invenção ou bugiganga, os vilões recorriam ao Professor Gavião, um génio científico que pecava pelo facto de morrer de inveja do Professor Pardal e tentar sempre atormentar a vida deste e roubar as suas invenções. Nunca tinha sucesso claro, mas tinha sempre piada com os seus planos e o facto de perder sempre as estribeiras facilmente. Foi também vilão importante para o universo do Super Pateta ou do clube dos Super-Heróis Disney.

Por fim devo falar do vilão clássico Lobo Mau, mais conhecido como Lobão, uma personagem que tinha como objectivo o apanhar e comer os Três Porquinhos, e que quando apareceu nas revistas tinha um ar mais maligno do que o ar fofinho que adoptou na década de 70 e 80, em histórias com o seu filho Lobinho (mais bonzinho do que o seu Pai) e que quando não tentava apanhar os três Porquinhos (algo que não conseguia levar até ao fim), entrava em esquemas para roubar comida ao Zé Grandão ou enganar outras personagens da floresta.

O Universo Disney era muito rico em todos os aspectos, para além destes vilões penso fazer um post onde abordarei as rivalidades amorosas desse universo, ou inimigos clássicos como a Anacozeca para o Zé Carioca ou o vizinho Silva do Donald. Espero que gostem destas viagens pelo passado de umas revistas que nos acompanharam por toda a infância.









Texto que escrevi originalmente para o http://bongop-leituras-bd.blogspot.pt/ mas que coloco aqui por ser do interesse dos leitores deste blog, e pertencer a uma das mais belas lembranças que tenho.





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