Novembro 2013 - Ainda sou do tempo

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

... de Picotar na escola

sexta-feira, novembro 29, 2013 0
... de Picotar na escola

A escola primária é sempre uma alegria, o estarmos a descobrir coisas novas, o termos novos amigos e o fazermos por vezes coisas divertidas nas aulas, como quando tínhamos que picotar algo.

Era naquela altura em que a Professora mandava fazer trabalhos manuais, algo que gostávamos sempre, já que significava que não íamos estar ali com tabuadas ou a tentar fazer letras bonitas, era o agarrar em tesouras, papel, cola, lápis e divertir-mo-nos a fazer algo criativo.

Só precisávamos de uma esponja, e um instrumento que era basicamente um alfinete, ou algo do género um pouco afiado, que tinha um bom cabo no fim, para agarrarmos e picotarmos como se não houvesse amanhã. Eu gostava disto, de fazer o recorte de algo, do barulho do alfinete no papel (por norma acho que era papel lustro) e na esponja, o poder fazer traquinices com aquilo e ameaçar alguém, tudo servia.

Não sei se ainda se pratica isso, com tantas coisas politicamente correctas e afins podem ter abolido isso, mas quero pensar que sim e que ainda se divertem a valer como eu me divertia com o simples acto de picotar.








... do Palhaço Croquete

sexta-feira, novembro 29, 2013 0
... do Palhaço Croquete

Nunca fui muito fã de Palhaços, mas na década de 80 havia uma dupla que fazia muito sucesso entre a pequenada, o Croquete e o Batatinha. Falarei aqui um pouco da memória que tenho da personagem interpretada por António Assunção.

O palhaço Croquete era o alter ego do actor António Assunção, um profissional do ramo que sempre se sentiu atraído por esta vertente da vida circense e começou a exercer a actividade na década de 70, depois de ter sido convidado por um amigo para fazer uma pequena actuação numa festa num Hotel conhecido de Lisboa. A sua perfomance foi um sucesso, e chamou a atenção de um colega palhaço com o qual viria a formar uma dupla que iria apaixonar Portugal.

António Branco interpretava o palhaço Batatinha, e como tinham a felicidade de viverem na mesma terra (naturais de Cascais), foram afinando as actuações e criando uma cumplicidade que fez a dupla crescer e fazer espectáculos por todo o nosso País. Foram cinco anos de enorme sucesso, com programas regulares na RTP e presenças obrigatórias em toda a festa infantil que quisesse ter sucesso.


Palhaços à solta (1980), Croquete e Batatinha, Férias em Festa ou Circoflê (1983) foram alguns dos programas da dupla que se separou em 1986 para surpresa de todos e enorme desgosto para António Assunção. Nunca se soube bem as razões para esta separação, mas era óbvio de quem tinha partido essa decisão e que se veio a mostrar na carreira meteórica que o Batatinha teve após essa separação.

Croquete esteve mais afastados dos holofotes mas nem por isso da carreira de Palhaço, onde continua a ser um nome respeitado e em actividade (já com mais de 30 anos de carreira) participando em diversas festas e espectáculos quer da sua terra Natal quer em outras localidades onde tenham saudades daquele que nos fez companhia durante tanto tempo.

Editou vários discos e ganhou por isso a alcunha de Palhaço Cantor, tendo também ainda feito algumas pequenas participações como actor em algumas produções da TVI como a novela Doce Fugitiva. Como disse nunca fui fã de palhaços, mas como filho de Cascais, tive em muita festa que tinha o Palhaço Croquete como principal atracção e apesar de não apreciar, não deixo de respeitar todo o seu esforço e profissionalismo.








quinta-feira, 28 de novembro de 2013

... dos Blusões de penas da Duffy

quinta-feira, novembro 28, 2013 0
... dos Blusões de penas da Duffy

O Blusão de penas da Duffy era um dos elementos fundamentais para quem queria estar na moda na década de 80, uma marca nacional que fez com que todos desejassem andar com aquele símbolo ao peito e mais quentinhos no Inverno.

Sempre nos habituámos a vestir casacos, sobretudos ou kispos, por isso o blusão de penas foi quase um verdadeiro acontecimento, a malta nova queria toda andar com um mesmo que isso impossibilitasse haver muito contacto físico com outra pessoa que usasse um também. Sim um abraço entre 2 utilizadores de blusões Duffy era quase impossível por vezes, mas a verdade é que ficávamos quentinhos e na moda e isso era sempre o mais importante.

O esverdeado e o azul eram os modelos mais populares, assim como a possibilidade de tirarmos as mangas e vestirmos um menos "volumoso" mas quentinho na mesma. Isto tudo era feito em Portugal, pela empresa Pato Rico e nos anos 70 e 80 eram um dos campeões de vendas do Centro Comercial Apolo 70 em Lisboa.

Hoje em dia a empresa, entre outras coisas, dedica-se à produção de Edredão e Almofadas (de muito sucesso em Países como França ou Alemanha) sendo que estes blusões são apenas uma recordação de muitos do seu tempo de liceu.









terça-feira, 26 de novembro de 2013

... do Bonanza

terça-feira, novembro 26, 2013 0
... do Bonanza


Volto a abordar aqui no blog, uma daquelas séries que deu pela primeira vez muito antes do "meu tempo", mas que tive a oportunidade de ver e vibrar como os que a viram pela primeira vez, numa das muitas reposições que a RTP fez desta série de Western. O Bonanza tinha tudo para agradar a um miúdo, cowboyada com muita acção e aventura, e também alguma comédia à mistura.

Bonanza foi transmitido pela NBC pela primeira vez em Setembro de 1959, tendo ficado no ar até 1973, num total de 14 temporadas e mais de 400 episódios. A RTP transmitiu pela primeira vez um episódio desta série a 14 de Maio de 1961, e foi um verdadeiro sucesso já que as pessoas só estavam habituadas a ver filmes de Cowboys no cinema, e podiam assim ver regularmente uma boa "cowboyada". Infelizmente não podíamos desfrutar de tudo o que a série oferecia, afinal um dos seus maiores atributos foi o de ser um dos primeiros Western a cores, e a NBC promovia bem isso mostrando as paisagens lindas do Rancho Ponderosa.

A primeira vez que vi a série também foi a Preto e Branco, mas mesmo assim senti-me fascinado com todo aquele mundo e fã de um actor que ia gostar muito de seguir em tudo o que ele protagonizou para a tv, o Michael Landon. Ele era o irmão caçula, o rebelde bonitão da família que se metia algumas vezes em sarilhos e tentava se guiar pelo forte código moral imposto pelo seu Pai e respeitado pelos seus Irmãos.



Lorne Greene tinha a figura imponente necessária para o chefe desta família, e Ben Cartwright era mesmo uma pessoa a respeitar e a tomar em atenção. Ben recordava das suas ex Mulheres com saudades, e tratava todos os irmãos (cada um de uma mãe diferente) da mesma forma. O irmão mais velho do grupo (Adam) era interpretado por Pernell Roberts, uma pessoa serena e culta que tinha cursado arquitectura e chegou a projectar a casa do Rancho Ponderosa. Roberts saiu a dada altura, em desacordo com algumas das decisões na série, e com uma vontade de regressar ao palco.

Hoss era o irmão do meio, um grande bonacheirão que adorava divertir-se e tinha uma visão da vida muito optimista. Interpretado por Dan Blocker, era um dos favoritos de muitos dos que viam a série, sentiam-se atraídos pela sua boa disposição e a sua maneira de ser. Blocker faleceu e foi retirado da série, um rude golpe mas que a produção da série decidiu substituir por completo, matando a sua personagem no ecrã também.

Foi a primeira vez numa série de horário nobre que isso acontecia, por norma costumavam ou colocar outro actor no mesmo papel, ou inventar outro membro da família. Quando Roberts saiu, a produção tentou isso com vários actores (incluindo o Zorro Guy Williams que fez de Primo Cartwright). A série teve alguns problemas de audiências nos seus primeiros anos, quando era transmitida aos Sábados à noite, mas a NBC continuou forte na aposta por ser uma das primeiras séries filmada a cores, e ser rodada num local paradisíaco e cheio de paisagens lindas para o efeito. Quando a série começou a dar ao Domingo à noite, atingiu um grande sucesso e até ao seu final foi sempre uma das séries mais vistas dos Estados Unidos.

Um belo genérico com uma música animada, um elenco que tinha uma grande química e cowboys aos tiros e montados em cavalos, era complicado não gostar de Bonanza, e a série realmente cumpria todos os requisitos para um rapaz ficar fã dela.









segunda-feira, 25 de novembro de 2013

... do Jabberjaw

segunda-feira, novembro 25, 2013 0
... do Jabberjaw

Todos sabem que gosto de muita coisa feita pela Hanna-Barbera, mas Jabberjaw não entra nessa categoria. odiava o estilo do desenho animado, a cópia que era de outros desenhos animados e o humor e diálogos fracos que povoavam cada episódio. Mesmo em revista de BD não gostava das aventuras deste tubarão e dos seus amigos, mas fez parte da nossa infância e há de certeza quem tenha gostado disto.

A série foi criada em 1976, sendo os seus criadores dois artistas que mais tarde teriam um estúdio só deles também, Joe Ruby e Ken Spears. Um tubarão grande que era baterista numa banda de humanos era um conceito muito estranho, mas o pior era que aquilo nem conseguia aproveitar o surreal da situação e estragavam todo o pouco humor que aquilo tinha com o exagero das gargalhadas enlatadas, tão típico da HB a dada altura.

Jabberjaw aproveitava a febre dos Tubarões que estava em alta nos anos 70 (por culpa do filme Jaws), mas depois no conceito bebia de várias produções da Hanna-Barbera como Scooby-Doo ou Josie and the Pussycats e o elenco parecia cópia chapada de outros desenhos animados da produtora. Como noutras produções era um grupo de adolescentes que resolvia mistérios e enfrentava inimigos, só que numa civilização sub aquática em 2076.

Odiava a gargalhada do Tubarão e o exagero das gargalhadas enlatadas, para mim é uma das piores coisas do estúdio e não admira ter tido apenas uma temporada de 12 episódios, que a RTP transmitiu em 1982 (e usou também como tapa buracos ao longo da década) na sua versão original com legendas em Português.








quinta-feira, 21 de novembro de 2013

... das Pastilhas Pirata

quinta-feira, novembro 21, 2013 0
... das Pastilhas Pirata

As Pastilhas Elásticas são uma das coisas mais apetecíveis para uma criança, e as que cresceram na década de 70 e 80 não eram diferentes e mascavam todo o tipo de pastilha, incluindo umas que não eram lá grande coisa como era o caso das Piratas.

As Pastilhas Pirata eram um produto nacional, distribuído pelo Fomento Eborense limitada e feito na fábrica Diana em Évora. O grande trunfo desta pastilha era a sua constante publicidade em revistas juvenis e de banda desenhada, a própria marca chegou a editar uma revista juvenil de grande sucesso, que foi publicada durante 14 anos com o seu primeiro número a ser lançado em 1965.

Chegaram a fazer um clube, e o clube Pirata foi bem importante para muitos jovens, chegou a ter mais de 90 Mil sócios, numa altura em que não abundavam este tipo de clubes.

Para além das revistas e do clube, também eram dados alguns brindes com a pastilha, sendo que por norma os cromos eram o mais comum podendo vir também (ou não) uma caderneta. A dos Aviões a jacto foi das mais conhecidas e mais adoradas por todos.

O curioso é que não era de longe a pastilha preferida do pessoal, especialmente nos anos 80 com a concorrência das Super Gorila, eram rijas, com pouco sabor e muito corante à mistura mas era, para variar, mastigada sem problema por qualquer criança a quem a dessem.

Foram membros do clube Pirata? Gostavam mais dos brindes ou da pastilha?










quarta-feira, 20 de novembro de 2013

... das Disquetes

quarta-feira, novembro 20, 2013 0
... das Disquetes

Houve uma altura que em vez de andarmos com pen usb para pedirmos ficheiros, jogos ou algo para o computador, tínhamos que andar com umas disquetes onde se iria gravar então o que queríamos e depois instalarmos em casa.

Apanhei pouco das Disquetes "gigantes" e quando precisei de as usar já as de 3,5 polegadas dominavam o mercado e era comum ver caixas com umas dezenas de disquetes dentro para podermos apenas nos divertir com um simples jogo por exemplo. Como elas não tinham muita capacidade de armazenamento, podíamos ter que inserir várias disquetes para instalarmos a coisa (e para a gravar) e mal de nós se não tivéssemos uma disquete à mão para gravarmos algo no instante e não corrermos o risco de ficar sem aquilo.

Como maior parte das coisas não eram muito "pesadas", uma disquete até podia dar para gravar várias coisas nela, mas tínhamos que ter cuidado no seu transporte e manuseamento porque eram um pouco frágeis e aptas a estragarem-se. Os vírus começaram a aparecer por este meio, alguém gravava um ficheiro infectado e pronto, estava tudo estragado.

Apareceram na década de 70, e já foram uma das coisas essenciais para o trabalho em computador, hoje é apenas usada em algumas situações e deixou de ter a importância que já chegou a ter.














terça-feira, 19 de novembro de 2013

... dos Cigarros Kentucky e outras marcas

terça-feira, novembro 19, 2013 0
... dos Cigarros Kentucky e outras marcas

Felizmente nunca tive o hábito de fumar, mas isso não me impediu de ver o que os meus familiares ou colegas na escola fumavam e as marcas que mais eram fumadas na década de 70 e 80. Mata Ratos ou Definitivos eram alguns dos nomes que mais se ouviam nos intervalos, enquanto havia sempre um crava a pedir cigarro a outros.

Alguns também tinham eram fumados pelos nossos Pais ou Tios, mas por norma o tabaco de escolha destes eram os da SG enquanto que estas outras marcas faziam sucesso entre os mais novos. O Kentucky ficou conhecido pelo "Mata-Ratos", o porquê não sei mas pronto era algo que se dizia sempre que se falava dessa marca. Já os Definitivos não eram tão populares mas tinham um nome deveras original (existiam outros chamados Provisórios e presumo que a diferença fosse da força do tabaco em cada um deles).

Lembram-se ou fumaram destas marcas?







segunda-feira, 18 de novembro de 2013

... do Ivan Lendl

segunda-feira, novembro 18, 2013 0
... do Ivan Lendl

Nos anos 80 podíamos assistir Ténis de excelente qualidade, e um dos mais talentosos dentro do court era sem dúvida o Ivan Lendl. É o segundo tenista a vencer mais de mil partidas na sua carreira, vencendo vários torneios do Grand Slam na década de 80 e tornando-se um dos maiores nomes do desporto.

Filho de 2 tenistas Checos, Ivan Lendl nasceu a 7 de Março de 1960 na Checoslováquia, indo para o Estados Unidos em 1981 quando era já jogador profissional e rapidamente deu nas vistas pela sua frieza nos courts e a sua força na resposta em corrida que muitas vezes confundia por completo os seus adversários.

Gostava do tenista e a par de Boris Becker tornou-se um dos meus favoritos, e vibrei com os duelos que os dois tiveram ou ainda das partidas contra McEnroe ou Edberg. No começo dos anos 80 ele venceu vários torneios do WCT (campeonato para profissionais antes do ATP dominar por completo o ténis) frente a tenistas de qualidade como McEnroe, mas foi as suas constantes idas a finais de torneios do Grand Slam que o colocaram na mira de todos. Perdeu o 1º em Roland Garros em 1981, um ano depois perdeu na final do torneio dos Estados Unidos e em 1983 voltou a chegar ao final do Open dos Estados Unidos e também ao da Austrália, perdendo mais uma vez na final.


Perdendo contra lendas como Bjorg ou Jimmy Connors, Lendl nunca baixou a cabeça e prosseguiu a sua carreira vencendo vários torneios e conseguindo finalmente uma vitória num Grand Slam em 1984, conquistando a final de Roland Garros numa final emocionante contra John McEnroe, recuperando de uma desvantagem de 2 sets naquele que é considerado pelo desportista um dos seus melhores jogos.

Entre 1985 e 1987 conseguiu uma percentagem superior a 90% nos jogos de onde saiu vitorioso, tendo para isso contribuído o recorde (ainda hoje em vigor) que conseguiu em 1986, o de vencer 52 sets consecutivos. Esta percentagem de 90% foi atingida anos mais tarde por Federer, mas Lendl continua a ser o único a conseguir essa percentagem em cinco anos diferentes.

Em 1989 conseguiu vencer pela primeira vez o torneio da Austrália e teve mais um ano de sonho, vencendo 10 dos 17 torneios que competiu nesse ano. Lutou sempre para conseguir a cidadania Americana de modo a poder defender as cores desse País na Taça Davis, mas infelizmente só conseguiu isso em 1992, dois anos antes do seu abandono em 1994, por dores crónicas nas costas.

Competiu sempre a um nível acima da média, boa parte da década de 90 conseguia vencer 90% dos jogos em que entrava e isso diz muito da sua qualidade e força dentro de campo, sendo o #1 do ranking em muitos desses anos e um recordista a vários níveis.







sexta-feira, 15 de novembro de 2013

... do Emplastro Leão

sexta-feira, novembro 15, 2013 0
... do Emplastro Leão

O Emplastro Leão era uma daquelas coisas que poucos usavam mas todos conheciam, um forte anúncio publicitário deu-nos a conhecer este produto que ajudava a aliviar as dores nas costas e todos ficámos a querer um igual e ficou para sempre no léxico Português.

Um emplastro é como se fosse uma compressa ou adesivo "quente", que ajuda a amolecer os tecidos ajudando assim a acelerar o processo de cura, nomeadamente dor muscular. Nos hospitais há vários e com vários tipos de utilização, mas por casa é usado por norma para curar alguma inflamação ou mau estar que tenhamos a nível muscular ou reumático.

O anúncio que dava na tv, evidenciava todas essas qualidades e fazia com que parecesse algo fantástico para usar a toda a hora.






... de Jogar às Damas

sexta-feira, novembro 15, 2013 0
... de Jogar às Damas

É algo que ainda se joga hoje em dia, mas não é de certeza um dos mais jogados como já o foi a dada altura. O jogo das Damas era um dos primeiros que aprendíamos a jogar, logo era um dos que mais pegávamos e continuávamos a jogar dentro e fora de casa.

Era mais um jogo de tabuleiro para nos fazer estar sentados e ocupados com algo, ao mesmo tempo que exercitávamos a massa cinzenta com as estratégias (ou a batota) para o jogo com o nosso adversário. Tanto em Portugal como no Brasil, o habitual é o tabuleiro de 64 casas (8x8), mas mundialmente joga-se normalmente num com 100 casas (10x10). 2 jogadores, um com as peças brancas outro com as pretas (por norma as cores em duelo) que eram colocadas nos quadrados escuros do tabuleiro e fazia-se então na tentativa de captura (comer) as peças adversárias dando um salto por cima delas.

Ao contrário do Xadrez, aqui havia algo que odiava, que era o "és obrigado a comer", algo que se pode usar para logicamente prejudicar o adversário ao mesmo tempo que este nos come uma peça. A parte melhor era mesmo quando conseguíamos comer mais que uma peça ao mesmo tempo.

Na escola Preparatória onde andei, Pereira Coutinho em Cascais, existiam uns tabuleiros nuns bancos de pedra e lembro-me de apanhar pedras de cores semelhantes com um amigo meu para efectuarmos ali os nossos jogos de damas.. Era uma boa forma de passar os intervalos por vezes.








quarta-feira, 13 de novembro de 2013

... dos Carrinhos de Rolamentos

quarta-feira, novembro 13, 2013 0
... dos Carrinhos de Rolamentos


Ainda sou do tempo de termos que fabricar os nossos brinquedos, ou o material com que íamos nos divertir e nada animava mais o pessoal que uma bela corrida em Carrinhos de Rolamentos. Com ou sem a ajuda dos nossos Pais, ou dos mais velhos, lá íamos montando algo que nos possibilitasse descer a toda a velocidade e nos divertirmos com um grupo de amigos.

Martelo, Serrote, Madeira, Corda e Rolamentos eram alguns dos materiais essenciais para a construção de um carro que tinha tão pouco de segurança como tinha muito de alegria. Como era algo que muitos dos nossos Pais, ou mais velhos, tinham feito/brincado também, não era complicado obter permissão para nos aventurarmos na construção de um carrinho de rolamentos e de obter o material ou as ferramentas necessárias para esse efeito.

Madeira nas obras, rolamentos nas oficinas.. era uma autêntica caça ao tesouro para obtermos os tão desejados materiais e por norma isto era sempre feito em grupo para depois fazermos uma corrida entre todos.


O carro era tinha um pedaço de madeira grande (onde nos sentávamos) com um eixo móvel na frente (utilizado para controlar o carrinho), para diminuir a velocidade tínhamos que puxar o pedaço de madeira para uma posição em que encoste no chão. Havia pessoal que aperfeiçoava isto a colocar madeira de modo a que pudessem encostar as costas, quase como um banco, outros até faziam a coisa ficar aerodinâmica para ver se conseguiam mais velocidade.

Maior parte de nós brincou a isto com os amigos sem mais intenções do que ser o vencedor naquela corrida, mas havia quem organizasse corridas a sério (aliás ainda há) e com carros cada vez mais sofisticados apesar de na sua essência serem sempre um carrinho de rolamentos.

Quem andou em corridas?



terça-feira, 12 de novembro de 2013

... da Balada de Hill Street

terça-feira, novembro 12, 2013 0
... da Balada de Hill Street

Existiam aquelas séries que quando éramos miúdos dávamos uma olhadela, gostávamos do que víamos mas não seguíamos por ser muito adulta ou nem percebermos muito o que se passava ali. A Balada de Hill Street foi uma dessas séries para mim, e quando a pude ver com outros olhos (já adulto) comprovei que realmente valia a pena e foi um dos melhores programas que deu na TV.

A produtora MTM contratou os escritores Steven Boccho e Michael Kozoll que escreveram a série para a NBC, tendo sido transmitida 7 temporadas entre 1981 e 1987 num total de 144 episódios. Por cá a RTP transmitiu a mesma em pleno horário nobre e no Brasil foi transmitido com o nome de Chumbo Grosso. Uma série altamente premiada e elogiada pela crítica, recebendo 8 Emmys na sua primeira temporada, um recorde só batido por West Wing anos mais tarde.

A Balada de Hill Street (Hill Street Blues) abordava o dia a dia de uma Esquadra numa das zonas mais complicadas da cidade, abordando os conflitos profissionais e pessoais de quem trabalhava junto lado a lado numa das profissões mais complicadas de sempre, numa série de histórias que se uniam no final do episódio ou no final de um arco que durava vários episódios. Nas primeiras temporadas duas coisas eram comuns na série, no começo de cada episódio era mostrado o "Roll Call", uma chamada ao serviço onde o Sargento explicava os pontos mais importantes do seu dia de trabalho, e no final de cada episódio tínhamos o Capitão Furillo e a promotora pública Davenport a discutir o seu dia de trabalho numa situação doméstica normal (normalmente na cama antes de dormirem).


A série vivia dos seus carismáticos personagens, para além de nos mostrar situações sociais e reais de uma forma sóbria e utilizando linguagem simples e urbana, por vezes até abusando do "calão" e da "gíria" para percebermos as situações todas das gangues e do crime naquela cidade. E foi mais uma daquelas séries que tinha um genérico fantástico que nos fazia logo ficar excitados ainda antes do episódio começar a sério (por norma o roll call era antes disso).

Muitos adoravam o Detective Belker (Bruce Weltz) que estava quase sempre em missões à paisana e vestido quase como um mendigo e com a barba por fazer. Para além disso fervia em pouca água e adorava morder como um cão os suspeitos que não cooperavam muito com a polícia. Outros gostavam do calmo e sereno Sargento Esterhaus (Michael Conrad) que dirigia a chamada (roll call) pela manhã e que era visto como todos como o "pai/avô", aquele que transmitia a calma e tinha os conselhos que necessitavam. A morte do actor que o representava levou à substituição (óbvia) da personagem na série.

O Capitão Frank Furillo (Daniel J. Travanti) era a pessoa que comandava este grupo de profissionais, um homem honesto e com bom senso para as decisões complicadas que por vezes tinha que tomar. Tinha que aturar a sua ex-mulher, Fay Furillo (Barbara Bosson) que aparecia constantemente para o chatear e o Chefe Fletcher Daniels (Jon Cypher) que não concordava com muitas da suas opiniões, mas acabava por respeitar as convicções de Furillo. A promotora pública Joyce Davenport (Veronica Hamel) era chamada constantemente à esquadra e tinha algumas divergências com alguns dos seus polícias pela forma como tratavam os suspeitos, e isso complicava também a relação amorosa que mantinha com Furillo.


Mas eram muitas as personagens para gostarmos nesta série, tínhamos a dupla polícia negro-polícia branco que eram Bobby Hill (Michael Warren) e Andy Renko (Charles Haid) que se metiam constantemente em sarilhos, o louco por armas Howard Hunter (James B. Sikking) que comandava a SWAT ou o super calmo negociador Henry Goldblume (Joe Spano) que tentava sempre acalmar as coisas e encarava a vida de forma mais serena. Tínhamos ainda também a mulher polícia, Lucille Bates (Betty Thomas) que tentava sobreviver numa esquadra dominada por homens ou o tenente latino Ray Calletano (Rene Enriquez) que servia basicamente como intérprete ou "arma" para acalmar os suspeitos latinos, entre tantas outras personagens.

Incrível como conseguíamos nos preocupar com todos estes elementos, percebermos os seus problemas, as suas nuances e como as resolviam. Esse era um dos maiores feitos da série, e os casos apresentados eram quase sempre interessantes, umas vezes dramáticos, outros mais cómicos e por vezes com tiroteios e muita acção à mistura. Uma das melhores séries de todos os tempos e um must see para os fãs de séries policiais.





segunda-feira, 11 de novembro de 2013

... do TV Rural

segunda-feira, novembro 11, 2013 0
... do TV Rural

O TV Rural foi um daqueles programas que marcou gerações de Portugueses, mais que não fosse por ser aquele que ficávamos a ver enquanto esperávamos que começassem os desenhos animados. Muita criança ficou a saber termos agrícolas e como cuidar de uma colheita ao ver este programa, por isso acabava por cumprir o seu objectivo mesmo que não sendo o seu público alvo.

Foi dos primeiros programas da RTP e também um dos que teve vida mais longa (até mesmo na Europa) com mais de 30 anos de antena (entre 6 de Dezembro de 1960 e 15 Setembro de 1990), com uma personalidade simples mas carismática, o Engenheiro Sousa Veloso. Talvez tenha sido dos programas com mais sentido para o serviço público, sendo idealizado pelo ministério da Agricultura (onde o engenheiro trabalhava) procurando dar a conhecer ao público tudo relacionado com a agricultura, os problemas e nuances deste sector e também ser uma ferramenta útil para o próprio agricultor, com conselhos úteis e notícias sobre o que de novo se fazia nesta área.

Foram mais de 1500 emissões em que o carismático apresentador viajava por todo o País (e até mundo) falando-nos de locais tão distintos como uma simples quinta ou uma qualquer convenção agrícola ou feira internacional. Por mais de três décadas podemos assim saber qual a melhor forma de combater o Oídio ou como preservar milho durante muito tempo entre outras coisas. O programa teve vários horários na televisão estatal, mas para o fim dava ao Domingo de manhã, logo antes dos desenhos animados deixando muitas crianças ansiosas para que o programa terminasse, para poderem ver as aventuras das suas personagens favoritas.

O apresentador parecia-nos castiço, um qualquer agricultor de uma aldeia, ali com sobrancelhas bem grossas, umas patilhas bem alinhadas e uma voz que nos cativava pela sua simpatia e sabedoria. Mostrava que sabia do que falava, e todos adorávamos a sua despedida padrão "senhores tele-espectadores despeço-me com amizade até ao próximo programa". Até a música do genérico era-nos querida, ela foi mudando ao longo dos anos, mas durante muito tempo era um clássico do Folclore Português "A Tirana".






... da música Quando o Coração chora

segunda-feira, novembro 11, 2013 0
... da música Quando o Coração chora


Esta música era um clássico no programa de rádio "Quando o telefone toca", e foi uma daquelas que quase todos cantaram mal mas ao mesmo tempo não passavam sem ela e adoravam ouvir a voz possante de Carlos Guilherme numa das suas músicas de cariz mais popular e de maior sucesso de sempre.

Quando o Coração Chora tem a mão de Luís Arriaga, mítico compositor Português e foi cantada pelo duo "Romeu e Julieta" lançando um dos singles de maior sucesso de 1983. Esta edição vendeu mais de 100 Mil unidades, passando várias vezes na rádio e ficando no 2º lugar dos mais vendidos do ano à frente de Moonlight Shadow de Mike Oldfield e só ficando atrás de Let's Dance de David Bowie, provando por isso ser um grande êxito, que foi de longe a música Nacional mais ouvida e vendida em Portugal (Portuguesa Bonita de José Cid ocupou o 18º lugar).

Carlos Guilherme era um conhecido tenor que aparecia por vezes na RTP, mostrando toda a intensidade dos seus dotes vocais mas sempre associado à música clássica devido à sua presença em óperas e peças clássicas de locais como o São Carlos. Aqui enveredou por um lado mais pop, ao lado de uma cantora desconhecida e de voz esganiçada que contrastava assim com todo o vozeirão do cantor lírico.



Um sucesso entre as mulheres e por isso um clássico dos programas onde se pedia a música que devia ser transmitida pela rádio, contribuindo para isso para o número de vendas que teve sendo assim a música Portuguesa de maior sucesso em 1983. Hoje em dia continua um clássico nos Karaokes e muitos gostam de exagerar para tentar chegar à intensidade do cantor, sendo uma daquelas músicas que por vezes é "cantada" mais para a diversão do que para a intensidade romântica que tenta transmitir.

E mesmo hoje muitos se enganam, e cantam "Quando o coração chora de amor" quando na verdade é "quando o coração chora é a dor".

Quando o coração chora é a dor

Por se recordar de um grande amor

E tantas vezes eu me lembro

Daquelas férias em Setembro

Das rosas, dos beijos que eu te dei



Como posso eu esquecer-te aqui

E as saudades que eu tenho de ti

Das noites quentes de Verão

Do vinho doce e da canção

Dos sonhos que contigo eu vivi



Quando o coração chora é a dor

Por se recordar de um grande amor

E tantas vezes eu me lembro

Daquelas férias em Setembro

Das rosas, dos beijos que eu te dei



E se um dia a gente se encontrar

Mesmo havendo muito para esperar

Estando Roma tão distante

Sei que não será diferente

E de novo se ouvirá cantar



(em italiano) Quando o coração chora é a dor

Por se recordar de um grande amor

E tantas vezes eu me lembro

Daquelas férias em Setembro

Das rosas, dos beijos que eu te dei)



Na na na na na na



Estando Roma tão distante

Sei que não será diferente

E de novo se ouvirá cantar



Quando o coração chora é a dor

Por se recordar de um grande amor

E tantas vezes eu me lembro

Daquelas férias em Setembro

Do que eu fui p’ra ti e tu per mi….





... dos Papeis de Carta com desenhos

segunda-feira, novembro 11, 2013 0
... dos Papeis de Carta com desenhos


Ainda sou do tempo de se escrever cartas regularmente, fosse para familiares ou amigos que moravam longe, fosse para aquela pessoal especial que gostávamos na escola e era a melhor forma para mostrarmos os nossos sentimentos. Para isso existia uma panóplia de papel de carta com desenhos fotos, e alguns até com cheiro, e isso depois até originava colecções por parte de muitas meninas.

Alguns rapazes também coleccionavam isto, afinal havia papéis de carta com personagens conhecidas como o Snoopy ou o Astérix, mas a esmagadora maioria eram imagens "fofinhas", em fundos floridos e cheios de coisinhas que faziam as delícias das meninas. Pequenos poemas, mensagens amorosas, ou apenas uma carta para uma amiga, vários eram os motivos para usar este tipo de papel e enviar para outra pessoa e perceber que gostávamos tanto dela ao ponto de escolher um tipo de papel especial para expressar isso.

Lógico que muitos(as) preferiam ficar apenas com os papéis, ir colocando dentro de caixas, micas ou outro tipo de coisa que desse para depois de vez em quando espalhar em cima da cama e ficar a olhar para esses papéis, isso ou cheirar os mesmos já que muitos deles vinham com cheiros.

Alguém aí coleccionou disto?










quinta-feira, 7 de novembro de 2013

... das Navegantes da Lua (Sailor Moon)

quinta-feira, novembro 07, 2013 0
... das Navegantes da Lua (Sailor Moon)

Hoje falarei aqui de um anime de sucesso no nosso País, o das Navegantes da Lua, um programa que já foi transmitido em vários canais no nosso País e sempre com algum sucesso. Baseado num conhecido Mangá, este desenho animado percorreu gerações e continua a encantar tudo e todos com a sua boa dobragem em Português e história animada.

Foi mais uma produção da Toei Animation, com uma temporada de 46 episódios lançada em 1992 e baseada em parte no Mangá de Naoko Takeuchi (de 1991) que passou no nosso País com uma dobragem em Português de sucesso, com um genérico que ainda hoje faz as delícias de muitos. Segundo a pesquisa que fiz, a série estreou na SIC em 1994 (no Super Buéréré) mas tinha a impressão de ter visto isto no segundo canal, mais alguém partilha dessa ideia ou é apenas um devaneio meu? Se isso realmente aconteceu, é mais um daqueles casos raros de um programa que deu nos 3 canais Portugueses, já que a TVI também transmitiu isto (em 2000) no Batatoon. Mais recentemente, tivemos oportunidade de rever isto no canal Panda, que tem dado os episódios todos no horário nobre.


A dobragem era dirigida por António Semedo e Fernanda Figueiredo com nomes como a Cristina Cavalinhos ou Cristina Paiva a fazer parte do elenco, enquanto que a fabulosa música do genérico pertencia a José Natário e Emanuel Lima. O Estúdio Novaga fez um bom trabalho na adaptação, tentando adaptar o lado um pouco "louco" do anime, em especial da protagonista que era meio "aluada" (perdoem a piada fácil).

Bunny (Fernanda Figueiredo) tinha 14 anos e vivia a vida de um modo despreocupado e alegre na capital do Japão, que um dia salva um gato de um bando de crianças que o estava a maltratar e decide adoptá-lo. O problema foi que chegando a casa o gato começa a falar, assustando completamente Bunny e dizendo-lhe que agora iria virar uma guerreira que tinha como missão encontrar a Princesa da Lua. O gato Luna (António Semedo) ajuda-a a ganhar os poderes com a oferta de um alfinete que a torna assim numa Navegante da Lua que irá ter ajuda de 4 outras guerreiras, a Navegante de Mercúrio (Isabel Wolmar), Navegante de Júpiter (Cristina Cavalinhos), Navegante de Vénus (Cristina Paiva) e Navegante de Marte (Cristina Cavalinhos). Todas juntas combatiam o reino das trevas e tentavam salvar e encontrar então a princesa da Lua.

Não era muito fã disto, nem quando repetiu, mas mais uma vez a dobragem ajudava a que eu tivesse algum interesse a ver isto por mais do que uma vez. E quem não se lembra da frase "Em nome da Lua eu vou castigar-te"?

Vive a vida,
como uma festa,
Sob o vento
da floresta.

Lua navegante,
segue o teu rumo.
Vai em ti a paixão
Do meu destino.
Com o teu poder e a tiara,
E com o meu gato Luna
Vamos vencer as batalhas,
Dessas causas esquecidas.

Luna, Luna, conto contigo
Nestas lutas
Contra o inimigo
Monstros, sonhos são
Lendas ou imaginação
Luna, Luna, vem
Lutar pelo bem.








quarta-feira, 6 de novembro de 2013

... dos Iogurtes Longa Vida

quarta-feira, novembro 06, 2013 0
... dos Iogurtes Longa Vida

Os Iogurtes Longa Vida fizeram parte da nossa infância, é uma marca que ainda está no mercado mas está longe do brilho que já teve ao longo dos seus mais de 50 anos no mercado Nacional.

A marca teve origem nos Açores em 1957, e tinha como chamariz um velhote de ar simpático (quase um clone do Pai Natal) a demonstrar que "O que é bom é da Natureza", o slogan clássico destes iogurtes de aromas. Ainda continuam a existir e a tentar fazer frente a marcas fortes como a Danone, existindo na versão aromas ou com pedaços de fruta.

O meu preferido sempre foi o de morango, ainda hoje é seja qual for a versão, mas lembro-me como era comum abrir um frigorífico e ter lá dentro um iogurte da Longa Vida.






terça-feira, 5 de novembro de 2013

... da Farinha Amparo

terça-feira, novembro 05, 2013 0
... da Farinha Amparo

A Farinha Amparo é parte integrante dos Portugueses, mesmo aqueles que não comeram nada com ela sabem do seu nome devido ás expressões que originou, usadas para criticar alguém que não é bom a fazer algo.

O produto que ainda alimentou muitos na década de 70 e 80, já existia há muito no panorama Nacional mas ia perdendo aos poucos o lugar nas mesas Portuguesas para outras marcas do mercado e foi ficando na memória mais pelas expressões que ajudou a criar do que pelo sabor. Lembro-me de comer uma ou outra vez pela manhã algo com Farinha Amparo, mas ficou por aí as minhas lembranças, de resto só mesmo quando ia à pendura num carro e ouvia um "este tirou a carta na Farinha Amparo".

Essa é a expressão mais conhecida, isto porque saíam sempre brindes na Farinha e alguém achou piada e começou a usar isso para denegrir alguém que não fazia algo bem, ou alguém que passava por cima de coisas para obter o que tinha. Outra expressão da Farinha era o "Trigo Limpo Farinha Amparo", para a facilidade com que se conseguia algo (e era mais usada no futebol).

Ou seja um produto que ficou conhecido pelas expressões que originou, apesar de muitos ainda se lembrarem por causa do seu sabor obviamente.







segunda-feira, 4 de novembro de 2013

... do Sampdoria dos anos 90

segunda-feira, novembro 04, 2013 0
... do Sampdoria dos anos 90

O Campeonato Italiano era um dos mais interessantes de se ver na década de 90, muitas equipas tentavam disputar o título e as competições europeias e tornavam por isso tudo muito interessante. Os grandes jogadores e treinadores queriam ir para Itália e quando dava algum jogo na nossa televisão ficávamos todos colados ao ecrã. A Sampdoria foi um dos clubes que marcou essa década e que pudemos apreciar a jogar um belo futebol.

Uma equipa que costumava andar pelos escalões inferiores, a Sampdoria começou a chamar a atenção no final dos anos 80 com bons resultados na Serie A do Calcio e pela Europa onde conquistou a Taça das Taças no final dos anos 80 e começo dos anos 90, querendo mostrar que nessa década seriam uma força a temer. Com uma defesa sólida assente no guarda-redes Pagliuca e defesa Vierchwood, o talento no meio campo do Italiano Lombardo e do Ucraniano Mykhaylychenko que alimentavam na perfeição uma dupla atacante temível, a de Vialli e Mancini. Em 90/91 venceu surpreendentemente o Calcio, passando à frente de favoritos como Milão ou até Nápoles e foi na época seguinte a surpresa da Taça dos Campeões Europeus, conseguindo ir até à final na sua estreia nesta competição onde perdeu com o todo poderoso Barcelona de Cruyff.

No campeonato Nacional as coisas não correram muito bem e ficaram num Sétimo lugar, vendo algumas estrelas da equipa e o seu treinador irem para outras paradas deixando assim o clube sem alguns dos seus principais nomes. O treinador Sueco Sven-Goran Eriksson volta a Itália (Depois de três boas épocas ao serviço do Benfica) e o clube aposta em algumas contratações sonantes para voltar aos lugares cimeiros. Gullit, Lombardo, Mancini, Chiesa, Seedorf, Karembeu, Platt e Pagliuca foram alguns dos nomes que passaram pela equipa nos cinco anos do Sueco (de 1992 a 1997) que mesmo assim nunca conseguiu vencer nada na equipa de Génova apesar de chamar a atenção com a qualidade dos seus jogadores e a mentalidade ofensiva da equipa.

Gullit e Platt foram duas injecções de qualidade nos Genoveses, Eriksson não foi muito além do 6º lugar mas a equipa era sempre considerada um adversário complicado e quando dava um jogo na televisão, sabíamos que íamos ver um bom desafio com aquela equipa que tinha um equipamento estranho com umas riscas horizontais no meio da camisola.

O Português sempre foi muito de apoiar o Estrangeiro que já passou pelo nosso País (e que deixou saudades), e por isso era normal a equipa de Eriksson ter algum destaque nos telejornais ou programas desportivos, era seguida como se fosse o Mónaco de Rui Barros.

Todos os anos haviam contratações sonantes, como a do veterano Walter Zenga ou o promissor Clarence Seedorf, mas a equipa ficava pelos lugares europeus e afastada da luta pelo título. Apesar disso o clube tinha boas campanhas na Taça Uefa, chegando quase sempre longe ou tendo sempre jogos emocionantes que chamavam a atenção de todos.

A equipa de Eriksson misturou sempre jogadores jovens muito promissores com jogadores de qualidade que estavam no pico da sua carreira. A dupla Gullit-Mancini foi tão letal como a que o Italiano havia formado com Vialli e eles tinham quase sempre o melhor ataque do campeonato (ultrapassando muitas vezes o do campeão), mas havia o reverso da medalha que era o de (apesar da segurança defensiva de Pagliuca) sofrerem muitos golos e por isso causar um mal goal average.


Mesmo assim era fã da equipa, gostava do conjunto de jogadores e do futebol de Eriksson, e tinha pena quando eles não iam mais longe porque achava que mereciam mais do que outras equipas de peso. O Sampdoria foi perdendo fôlego ao longo da década e no final dos anos 90 chegou a descer de divisão, nunca mais retomando o seu lugar europeu e o destaque que teve nos anos 90.

Mas para quem é fã de futebol, as equipas de Sampdoria do final dos anos 80 e começo dos 90 ficarão na memória de todos como uma das equipas mais temíveis da Europa.










sexta-feira, 1 de novembro de 2013

... do Pão por Deus

sexta-feira, novembro 01, 2013 0
... do Pão por Deus

Com o fim do feriado no dia 1 de Novembro, e a cada vez maior adesão ao Halloween Americano, a tradição do Pão por Deus sofreu duros golpes nestes últimos anos, tendo sido praticamente abolido das ruas Portuguesas.

No meu tempo também já não se seguia tudo o que esta tradição impunha, não havia cá versos no acto de pedir e nem da parte de quem nos entregava coisas (talvez em áreas mais rurais isso ainda se realizasse nos anos 80), era apenas o ir de porta em porta pedir o Pão por Deus, e receber coisas em troca. Por norma eram pequenos doces, rebuçados, chocolates, castanhas (assadas ou cruas) e quando tínhamos sorte algum dinheiro. Por norma moedas, mas volta e meia vinha uma nota (em especial de alguém da família), o que nos fazia sentir super contentes pela caminha ter valido a pena.

Era um grupo de amigos, numeroso ou não, que se fazia à estrada em procura dessas oferendas, cheguei a ir só eu e o meu vizinho, ou irmos uns 5 ou 6 juntos. Tinha que se acordar cedo, para tentar ir ás casas primeiro que os outros grupos e assim conseguir coisas melhores nos nossos sacos, era por isso e também para não os apanhar chateados por ter tantas crianças a baterem à porta. Depois íamos para casa de algum amigo (ou a nossa), e sentava-mo-nos no chão a apreciar o espólio obtido, contar quantas moedas tínhamos recebido e os doces que tínhamos conseguido nessa viagem.

Por norma ficávamos pelas ruas perto da nossa, nunca íamos muito para "fora de pé", mas ainda andávamos bastante, afinal a quantas mais casas fossemos, mais coisas conseguíamos.

Este costume tem um fundo religioso, associado ao facto de ser o dia dos defuntos e de se oferecer pão, vinho e outras oferendas aos mortos noutros tempos.

*Momento Wikipedia*
São vários os versos para pedir o pão-por-deus:
Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Ou então:
Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.
Como não é muito aceitável rejeitar o bolinho às crianças, as desculpas eram criativas:
Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote ” *Momento Wikipedia*

Por norma fazíamos isto até aos 12 anos mais ou menos, altura em que tanto íamos deixando de achar piada à coisa, como também não parecia tão bem o ir de porta em porta pedir coisas. Em todo o caso era um costume engraçado e do qual gostava muito, será que este ano ainda se fez em algumas terras do nosso Portugal?