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O mealheiro era uma tradição já antiga, tentava-se ajudar a que os jovens aprendessem a poupar, a juntar o dinheiro em vez de o gastar logo na primeira ocasião para isso. Até à década de 80, muitos dos Mealheiros só se abriam um última instância, quando já estavam cheios ou quase cheios. Nos anos 80 já começaram a ser com uma abertura mais fácil e a perder o fascínio de outros tempos começando a cair um pouco em desuso nas décadas seguintes.

Era complicado o Mealheiro dos anos 80 ser igual aos das décadas anteriores, afinal estes foram os anos dourados para o consumismo e o capitalismo, éramos bombardeados com anúncios que nos faziam desejar tudo e mais alguma coisa, e não estávamos para esperar que o Porquinho ficasse cheio.

O Porquinho era o animal escolhido para os mealheiros, qual a razão para isso não sei, mas era um clássico e havia de todos os formatos, sendo o mais usado o Porquinho de Porcelana, aquele que se partia no final para podermos tirar o dinheiro lá de dentro (e comprar outro mealheiro, algo muito estúpido para mim). Eu tive um do género mas já com uma daquelas rodelas de abertura fácil por baixo, ou seja se eu quisesse abria-o e tirava lá de dentro as moedas que queria e voltava a fechar e a colocar mais lá dentro.



O banco Montepio foi um grande impulsionador dos Mealheiros em Portugal, desde sempre que oferece algo do género a quem abre contas por lá e nos anos 80 tinha um clássico que só se podia abrir no banco com uma chave própria. Mais seguro que isso era impossível, era o mealheiro que recebia mais notas que moedas, já que os nossos parentes sabiam que não iríamos tirar nada lá de dentro a não ser que alguém nos levasse ao banco.

Começaram também a aparecer mealheiros de metal, por norma num formato tipo lata e que ou se abriam por cima ou também não tinham nenhum tipo de abertura e tínhamos que os inutilizar para poder tirar o dinheiro lá de dentro. O meu pai costumava fazer um caseiro, com aquelas latas compridas do Whiskey, fazia uma ranhura de lado e selava a tampa. Colocava lá dentro só moedas de 100 e 200, para depois ter-se uma bela maquia quando se abrisse, mas o certo é que eu passava boas horas a sacudir a lata para que caíssem algumas moedas pela ranhura, e era bem sucedido.

Mais tarde até houve algo um pouco mais tecnológico, o Porta Moedas Multibanco, que não deixava de ser uma espécie de mealheiro. Uma pena ser um hábito que foi-se perdendo e está longe da popularidade que já teve e da importância que tinha na nossa educação económica.






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