Julho 2013 - Ainda sou do tempo

quarta-feira, 31 de julho de 2013

...do Gerhard Berger

quarta-feira, julho 31, 2013 0
...do Gerhard Berger

A Áustria já tinha dado à Fórmula 1 um excelente piloto, mas nos anos 80 e 90 foi Gerhard Berger quem carregou a bandeira do País pelas pistas de todo o mundo. Um piloto talentoso, simpático e bem humorado, que conquistou os fãs e os seus colegas durante toda a sua carreira, que incluiu passagens por duas das maiores equipas de sempre.

Gerhard Berger nasceu a 27 de Agosto de 1959, começando a correr na Fórmula 3 no começo da década de 80 e com a sua senda vitoriosa rapidamente passou para a Fórmula 1 em 1984, ingressando na ATS e passando para a Arrows logo de seguida. Apesar do seu começo neste desporto ter ficado marcado por um acidente de viação com o seu BMW, Berger conseguiu recuperar, começou a dar um pouco nas vistas e rapidamente passou para a Benneton, onde podia mostrar todo o seu talento e velocidade com o motor BMW que equipava a escuderia na altura.

A Ferrari não ficou indiferente ao seu talento e em 1987 contratou-o, para parceiro de Michele Alboreto e no final desse ano ele começou a vencer grandes prémios e a provar que a aposta tinha sido acertada.

Poles consecutivas e algumas boas vitórias impulsionaram o piloto e a Ferrari para uma época competitiva como há muito não acontecia para os Tiffosi. Teve um bom duelo com Mansell, e em 1988 foi o único piloto a destacar-se do duelo Senna-Prost na Mclaren com uma vitória no grande prémio de Itália e uma Pole no de Inglaterra.

Com um carro rápido mas instável, o piloto ia conseguindo alguns destaques, umas boas vitórias e a intrometer-se bastante nas lutas de outros gigantes da Fórmula 1. Com Mansell do seu lado, a última temporada do piloto Austríaco na Ferrari ficou de novo marcada pela sua intromissão no duelo Senna-Prost e com algumas boas corridas apesar de nesse ano não ter vencido muitos grandes prémios.

A Mclaren-Honda dominava o desporto, e quando Prost anunciou a sua retirada em 1990, ninguém estranhou quando Berger preferiu ir para o lado de Ayrton Senna, deixando a escuderia Italiana à procura de outros vôos. Esta mudança levou muitos a pensar que isto iria mostrar um novo concorrente para o título, mas apesar de ser muitas vezes quase tão rápido como Senna (ou até mais em algumas ocasiões), nunca conseguiu acompanhar a senda de vitórias do Brasileiro, voltando por isso à Ferrari depois de três épocas na Mclaren.

A relação entre Berger e Senna passou de simples colegas para grandes amigos, com o Austríaco a pregar grandes partidas ao Brasileiro, como substituir a foto de Senna no passaporte para a de um pénis, de lhe atirar uma mala janela fora numa viagem de helicóptero quando o Brasileiro se gabava desta ser indestrutível ou de lhe encher o quarto cheio de animais, e quando Senna veio reclamar com ele respondeu apenas "Conseguiste encontrar a Cobra?". Não se pense que Senna ficava parado, o Brasileiro respondia na mesma moeda, colando todos os cartões de crédito de Berger ou a de colocar um queijo mal cheiroso no sistema de ventilação do seu quarto.


Nikki Lauda persuadiu os Italianos a abrirem os cordões à bolsa, e foi essa aliciante proposta financeira que levou Berger a voltar para a Ferrari apesar desta passar por um período menos bom a nível de vitórias e boas perfomances. O seu retorno não foi muito auspicioso, uns quantos acidentes espectaculares e com apenas um 3º lugar num grande prémio levaram alguns a questionar o salário que o Austríaco auferia na equipa, enquanto que outros achavam que o problema estava na instabilidade do carro, e que a parceria de Berger com Senna podia ser muito valiosa para a Ferrari, para além de ter sido fundamental para o ingresso na equipa de Jean Todt.

Em 1994 conquistou a primeira vitória para a Ferrari num grande prémio desde 1990, isto numa altura conturbada com a morte dos seus colegas e amigos Senna e Raztenberger, numa vitória emocionante. A sua última temporada viu o piloto Austríaco atrás do seu parceiro Alesi, e apesar de ainda competir a bom nível, o espaço na Ferrari ficou cada vez mais reduzido e ele terminou a sua carreira ao serviço da Benneton e aos 37 anos conseguiu mesmo assim algumas pole positions e umas quantas vitórias, deixando o circuito com a admiração dos seus colegas e o carinho do público.

Depois de 210 Grandes Prémios e 14 temporadas, Berger retirou-se levando no seu recorde 10 vitórias, 48 idas ao pódio, 12 Pole Positions e 21 voltas mais rápidas, tendo passado ao lado de uma excelente carreira mas sendo mesmo assim um dos pilotos mais rápidos do circuito e um dos mais respeitados por tudo e por todos. Lembro-me bem das suas temporadas com Senna e Alesi, e que era um dos pilotos com que mais simpatizei.








segunda-feira, 29 de julho de 2013

... dos Pára-quedistas de plástico

segunda-feira, julho 29, 2013 0
... dos Pára-quedistas de plástico

A dada altura da década de 80, começaram a aparecer uns pequenos bonecos de plástico que era como se fosse uns pára-quedistas, vinham com um plástico anexado a eles que nos permitia atirá-los de uma certa altura e vê-los a descer com o seu pára-quedas até o chão lá em baixo.

Lembro-me de ver isto a ser oferecido como parte de uma promoção qualquer, assim como acho que também existiam uns chupas que traziam uns bonecos do género. Existiam uns pequenos monocromáticos, normalmente numa pose militar (com uma arma na mão ou não) e existiam uns maiores, também só de uma cor mas com um ar mais informal.

Eu lembro-me de brincar muito com um desses maiores, era cor de laranja e tinha um buraco enorme nas costas onde podia amarfanhar o pára-quedas para este ficar mais protegido e assim poder brincar com ele mais vezes. Os pequeninos também tinham esse buraco, mas não dava para colocar lá o plástico, acabávamos por o atar com o elástico à volta do boneco e pronto.

Seja qual fosse o tamanho do boneco, a diversão estava garantida já que eles "voavam" bem e era sempre divertido podermos controlar algo assim desta maneira, fazer uma guerra fictícia com os nossos bonecos no quintal, subir até ao telhado, janela superior ou o que fosse a atirar o pára-quedista cá para baixo para salvar a pátria. Um belo brinquedo, simples mas que me entreteve por muitas horas na minha infância nos anos 80.





domingo, 28 de julho de 2013

... do Modelo e Detective

domingo, julho 28, 2013 0
... do Modelo e Detective

Nos anos 80 era comum existirem séries no horário nobre da RTP, e muitas vezes nem as podia ver já que estava já na hora de me deitar, mas em algumas noites conseguia apanhar um bocado dessa série e ficar interessado na mesma. Modelo e Detective foi uma dessas séries, uma comédia que nos deu a conhecer aquele que se viria a tornar uma estrela dos filmes de acção, o Bruce Willis.

Modelo e Detective (Moonlighting no original e A Gata e o Rato no Brasil) teve 5 temporadas entre 3 de Março de 1985 e 14 de Maio de 1989, com 84 episódios que ajudaram a consolidar e lançar as carreiras de Bruce Willis e Cybill Shepperd. É considerada a primeira série do género Dramedy (Comédia e Drama), com 84 episódios a mostrarem uma comédia que tinha cenas de acção que ajudaram a mostrar o talento de Bruce Willis nesse tipo de personagem.

Foi transmitido pela RTP a um dia qualquer da semana na segunda metade da década de 80, na sua versão original e com legendas em Português tendo algum sucesso entre o público Português, juntamente com outro clássico da altura do horário nobre da RTP, Os Soldados da Fortuna. No Brasil fez um enorme sucesso na sua versão dobrada e com um nome muito caricato, A Gata e o Rato, apesar de assim como o nome Português se adequar bem ao que acontecia no decorrer da série.


Afinal era a relação entre os 2 protagonistas que tornaram o programa um sucesso junto do público, e ainda hoje é considerada uma das melhores séries de sempre e eles um dos melhores casais da Televisão. Existia sempre uma tensão romântica e até sexual entre os 2 actores, e os diálogos ajudavam a isso sempre com algum humor à mistura.

A série mostrava como a ex-Modelo Maddie Hayes (Cybill Shepperd) dava a volta à sua vida depois de ir à falência e como começou a olhar melhor para algumas empresas que detinha, como a agência de Detectives chefiada por David Addison (Bruce Willis) que não dava muito lucro mas que o detective conseguiu dar a volta à modelo para continuar com ela aberta que as coisas iriam mudar.

Para além destes dois, o programa dava destaque ainda a Agnes DiPesto (Allyce Beasley), a recepcionista tímida e leal e a Herbert Viola (Curtis Armstrong), um temporário algo desastrado que acaba por ganhar um espaço próprio na agência e a uma relação com Agnes. Isto foi usado pelos argumentistas como forma de dar mais destaque aos dois e a evitar a tensão que existia no estúdio devido à má relação pessoal entre Willis e Shepperd, que começava também a notar-se na química entre os 2 no pequeno ecrã.


A Fantasia era algo comum nesta série, vários episódios foram produzidos de forma elaborada para representar uma fantasia com o elenco do programa. Para além disso era também comum o quebrar da barreira com o público, várias vezes fazendo alusões à vida pessoal do elenco, de problemas com a produção ou canal, etc.

O tema de Al Jarreau tornou-se um hit, e ajudou e muito ao sucesso do seriado, adequava-se na perfeição ao espírito que se queria transmitir, algo leve e descontraído. Uma pena que o mesmo não acontecia nos bastidores da série, os problemas entre os protagonistas davam azo a muitas discussões que provocavam mau estar no elenco e algumas más decisões dos argumentistas não ajudaram muito às audiências.

Quando os dois protagonistas consumaram a relação a coisa piorou, e o facto de Willis estar mais preocupado com a sua carreira cinematográfica e Shepperd com o nascimento dos seus 2 gémeos, foi natural que o cancelamento da série fosse inevitável.

Mesmo assim marcou uma época na televisão e muitos de nós continuamos a recordar com saudades as peripécias deste casal na sua agência de detectives.





sábado, 27 de julho de 2013

... do Passe Vite

sábado, julho 27, 2013 0
... do Passe Vite

Volta e meia tinha que ajudar na cozinha, coisas básicas e que por vezes até me divertiam enquanto as fazia, e uma das coisas que eu fazia com agrado era a de ajudar a minha Mãe a passar algo pelo Passe Vite.

Era um objecto estranho e complexo para mim, na minha cozinha havia um deste género, alaranjado e que era peça fundamental quando a minha Mãe fazia um dos pratos preferidos do meu Pai (e um dos que eu menos gostava), a bela da Sopa de Feijão. Eram tempos que mesmo não gostando de comer algo, ainda tínhamos que ajudar a fazer esse mesmo prato, nada que as recentes gerações conheçam já que basta umas bocas e os Pais fazem-lhes logo as vontade todas, mas já estou a divagar.

Colocava-se ali o Feijão e toca a dar à manivela, que era algo que até custava um pouco, para aquilo ficar meio empapado e volta e meia despejar-se um copo de água para cima dessa mistela. Sentia-me um homenzinho a fazer aquilo, e apesar de não gostar do aquilo ia significar para a minha hora de Jantar, mas conseguia abstrair-me e estar ali a ajudar a minha Mãe na preparação desse prato.

Era algo comum em todas as cozinhas, fosse de plástico, metal ou inox, o Passe Vite era indispensável na preparação de alguns dos pratos que comíamos nas décadas de 70 e 80.









... do duelo de "Manteigas" Planta vs Flora

sábado, julho 27, 2013 0
... do duelo de "Manteigas" Planta vs Flora
Portugal sempre foi um País que viveu em "crise", por isso sempre se viu na casa de muitos Portugueses em vez de um pacote de Manteiga, um pacote de creme para barrar parecido com manteiga. Duas marcas disputaram a preferência dos Portugueses, a Planta e a Flora.

A Planta apareceu em 1958, foi a primeira e por isso continua a ser a preferida de muitos Portugueses, e era uma marca que sabia apostar na publicidade, sendo comum nos anos 80 os anúncios na Televisão, normalmente mostrando donas de casa em provas de rua. Houve um muito conhecido que mostrava uma senhora dizendo "sou mesmo lambona".

Já a Flora apareceu 10 anos depois, em 1968, aparentava um ar mais "jovial" e apostava na publicidade nas revistas mostrando a leveza do seu sabor e que era o ideal para comer em torradas. Era a preferida na casa da minha Avó, e a minha preferida também, em torradas era imbatível e derretia facilmente ficando as mesmas ainda mais saborosas.

A Planta era mais "rija" mas mais resistente ao calor, a Flora durava pouco tempo fora do frigorífico, ficando rapidamente num "mar" de "margarina" que lhe tirava o gosto todo. Confesso que cresci nos anos 80 a pensar que isto era mesmo manteiga, tanto uma como outra e demorei muito para perceber que não eram nada disso, apesar de na minha casa até se utilizar para cozinhar os fritos.

Hoje em dia pertencem à mesma empresa, a Unilever, e estão um pouco longe do duelo que protagonizaram, sendo que a Planta continua o seu domínio apostando de novo na publicidade e em novos formatos.









quinta-feira, 25 de julho de 2013

... da Praça de Touros em Cascais

quinta-feira, julho 25, 2013 0
... da Praça de Touros em Cascais

A Praça de Touros de Cascais era dos locais mais míticos desta bela Vila, e era conhecida por várias coisas menos pela prática de touradas. Era local de uma Feira bimensal que quase todos visitavam, tinha espaços comerciais que eram bastante frequentados pelos estudantes do Liceu situado ao lado e foi palco de grandes concertos durante a década de 80 e 90.

Quando era criança volta e meia via panfletos a anunciar algo na Praça de Touros de Cascais, mas a mesma estava a alguma distância da minha casa, por isso nunca ligava muito à coisa, mas sempre que ia à Feira que lá se realizava, ficava a olhar para aquilo e a imaginar o que podia acontecer lá dentro. Aliás sempre me fez confusão porque é que a feira se realizava na parte de fora e não lá dentro, seria muito mais engraçado e castiço, mas o certo é que aquela Feira era algo por que ansiava todos os 1ºs e 3ºs Domingos do Mês.


Os Pães com Chouriço eram a maior atracção da Feira, extremamente saborosos e que sabiam bem quentinhos enquanto vínhamos a pé para casa (sim porque não valia a pena esperar pela 404 ao fim de semana e dias de feira) e depois quando chegava a casa e sentava-me a ver o resto do Clube Amigos Disney ou à espera que começasse o MacGyver ou o Justiceiro.

Era no meio dos pilares em torno da Praça que se realizava a Feira, também conhecida por boa roupa falsa e por enchidos e queijos de qualidade tudo devidamente separado, cada espaço destinado a um certo produto. Quando comecei a estudar na Pereira Coutinho, olhava para ela todos os dias quando ia no autocarro para as aulas, mas foi quando comecei a estudar na Polivalente que a conheci melhor. Meus colegas iam muito para os Morgadinhos, jogar Snooker e beber café e imperiais, e eu por vezes dava volta ao monumento quando tinha um furo no horário. Era sempre estranho ver aquilo assim abandonado e sem a vida que tinha nos Domingos de feira.

É que no final dos anos 90 já nem a usavam sequer para concertos, algo que foi muito comum nos anos 80 e no começo da Década de 90. Por lá passaram bandas como Status Quo, Scorpions, Bryan Adams, Mike Oldfield, Guns n Roses ou Billy idol. Dos últimos concertos (se não o último) foi da Boys band, Backstreet Boys, a 15 de Abril de 1998. Curiosamente muitos artistas gabaram o local e o público Português, o vocalista de Smashing Pumpkins disse que um dos melhores concertos da sua vida foi naquele preciso local.

Em 2004 tomou-se a derradeira decisão de demolir a Praça, e penso que foi logo no ano seguinte que isso aconteceu deixando ali um buraco enorme perto da Escola Secundária e onde já nem se realiza a mítica feira bimensal que tinha os fabulosos Pães com Chouriço. Penso que até hoje não se fez nada com aquele espaço, provando que por vezes não faz sentido tanta pressa numa demolição quando não está nada ainda garantido para esse local.





quarta-feira, 24 de julho de 2013

... do Roberto Baggio

quarta-feira, julho 24, 2013 0
... do Roberto Baggio

Foi no Mundial Itália 90 que vi pela primeira vez o nome de Roberto Baggio, rapidamente fiquei fã desde jogador que para além de marcar muitos golos, foi um dos melhores números 10 da década de 90. Espalhou magia pelos relvados das equipas onde jogou, e carregou a selecção Italiana durante alguns anos, uma verdadeira estrela dentro e fora dos relvados.

Roberto Baggio nasceu a 18 de Fevereiro de 1967, em Caldagno, uma província de Vicenza, Itália. Aos 14 anos jogava nas ruas de Itália com os seus amigos, e no clube do seu bairro onde marcou 46 golos em 23 jogos, ficando debaixo do radar de vários clubes Italianos e foi aí que foi chamado para jogar no Vicenza, quando tinha apenas 15 anos. O seu talento e a sua veia goleador continuou a manifestar-se, e rapidamente foi chamado à equipa sénior, ajudando o clube a subir de divisão e tornando-se rapidamente alvo da cobiça dos gigantes da série A. Foi a Fiorentina que venceu a corrida, contratando-o e esperando que ele se tornasse o grande nome da equipa Viola.

O problema foi que Baggio lesionou-se gravemente nos joelhos num dos últimos jogos pelo Vicenza, tendo que se submeter a uma operação delicada e que o afastaria dos relvados durante algum tempo. A Fiorentina honrou o acordo e colocou todo o seu departamento médico de roda do jovem jogador, que teve azar aquando da estreia pelo clube viola, lesionando-se de novo e tendo que ser operado numa digressão por França. Aos 21 anos decidiu tornar-se Budista, isto num País estritamente Católico, e a partir daí (coincidência ou não) as coisas começaram a correr melhor para o jovem jogador, voltando a jogar regularmente e a ser convocado pela selecção Italiana.


Assumido fã do jogador Brasileiro Zico, Baggio tinha algumas semelhanças com o estilo do talentoso Brasileiro e os seus golos de livre mostravam bem isso. Apesar de ser um fantasista e um típico nº10 que devia armar o jogo e passar a bola, ele marcava bastante golos, praticamente um por jogo e era de todas as formas e feitios, bola corrida, cabeça, livres e pontapés de longe, tudo servia para este jogador colocar a bola nas redes adversárias.

As suas exibições no Mundial de 1990 elevaram-no ao estatuto de mega estrela, assinando um contrato recorde com a Juventus antes do final desse Mundial e o colocando assim num dos grandes de Itália. Mas o carinho e o amor pela Fiorentina ficaram no coração do jogador, protagonizando um episódio caricato num confronto entre as duas equipas no ano seguinte, quando ele se recusou a marcar um penalty a favor da Juventus levando a que ele fosse substituído e que o jogador que tentou a marcação, falhasse o penalty para gáudio de um estádio que aplaudiu de pé a decisão de Baggio.

Na Juventus ele nunca convenceu realmente os críticos e adeptos, fustigado pelas lesões e por algumas más épocas da Vecchia Signora, apesar de a ter ajudado a conquistar a Taça Uefa em 92-93 no ano em que também foi eleito capitão da equipa. No seu último ano na equipa, ele conseguiu vencer o Scudetto, conseguindo finalmente um título de campeão de acordo com o talento deste jogador.

Conflitos com Marcelo Lippi (treinador da altura) e com a concorrência de Del Piero, a venda do jogador era inevitável sendo transferido para o Milão em 1995 e conseguindo conquistar aí o seu segundo campeonato Italiano.

Era bem conhecido a opinião de Baggio em relação ao rumo que o futebol tomava, como verdadeiro fantasista que era, abominava por completo a aposta nos jogadores que corriam mais do que verdadeiramente jogavam.

Na selecção tornou-se a verdadeira estrela da equipa, o nº10 que dominava o jogo, passava a bola e marcava golos decisivos. No Mundial de 1994 ajudou esta a chegar à final, depois de um começo decepcionante e teve um dos piores momentos da sua carreira, quando falhou uma das grandes penalidades entregando assim o título ao Brasil. Isto levou a um afastamento da equipa Nacional, só voltando para o Mundial de 98, depois de uma bela época ao serviço do Bolonha.

De novo em confronto com o seu treinador, o táctico Arrigo Sacchi, viu-se forçado a mudar de equipa de novo, escolhendo o modesto Bologna para renascer de novo para o futebol, rapando inclusive o seu cabelo para ficar de acordo com a sua nova "vida". Ali e livre das correntes que os outros treinadores o mantinham, foi-lhe dada carta branca para fazer o que quisesse em campo e isso mostrou-se com o seu recorde de golos na série A, marcando 22 golos e ajudando a equipa a conseguir um fantástico 8º lugar.


Tudo isto, aliado às boas exibições pela selecção, fizeram com que um grande de Itália voltasse a apostar nele, desta vez o Inter de Milão. Infelizmente o azar perseguiu de novo este fantástico jogador, com constantes mudanças de treinadores e a chegada de Marcelo Lippi, alguém com que ele tinha uma relação conflituosa. Desde cedo houve desavenças entre eles, e as más exibições da equipa não ajudavam nenhum dos intervenientes. Mesmo assim Baggio demonstrou todo o seu profissionalismo, ajudando a equipa a ir à Champions mesmo significando a sua saída do clube e a permanência de Lippi, com 2 golos no último jogo do campeonato frente ao Parma.

Sempre fustigado por lesões, mas sempre a marcar golos, fazendo assistências e espalhando a sua magia um pouco por todo o lado, sendo um dos últimos jogadores fantasistas e opondo-se até ao fim ao futebol musculado, táctico e sem charme nenhum.

Decidiu terminar a carreira no Brescia, e aqui voltou a mostrar a sua influência levando a modesta equipa a um 7º lugar que lhes podia dar acesso à Taça Uefa algo a que a equipa Transalpina não estava habituada. Continuou a marcar muitos golos, mas também a ter azar com as lesões que o afastavam da equipa em alturas decisivas, nunca lhe permitindo mostrar todo o seu talento e ajudar a sua equipa a alcançar outros feitos.


O seu talento não foi suficiente para ter uma carreira a grande nível, fosse pelo problema das lesões, fosse pelos problemas que teve com diversos treinadores, Baggio podia ter sido um dos jogadores com mais títulos de sempre, algo que iria combinar bem com a sua qualidade dentro de campo.

Marcou mais de 300 golos em todas as competições onde jogou, e o importante nem é a quantidade mas sim a qualidade deles, quase todos dignos de replay e de fino recorte técnico fossem de livre directo ou de futebol corrido. Terminou a carreira em 2005 enquanto ainda jogava pelo Brescia, com um jogo em San Siro contra o Milão, onde todo o estádio lhe prestou homenagem aplaudindo e gritando o seu nome cada vez que este tocava na bola e dando-lhe uma fantástica ovação quando saiu de campo.

Isto provou o amor e carinho com que ele se entregava aos clubes onde jogou e que os adeptos devolviam a ele com seus cânticos e aplausos. Ele merecia outra carreira, para mim devia ter jogado noutro País, mais merecedor da sua técnica e fantasia do que o rígido futebol Italiano, mesmo assim foi para mim um dos melhores jogadores de sempre e um dos meus preferidos.





terça-feira, 23 de julho de 2013

... das Máquinas com Garras metálicas para tirar Brindes

terça-feira, julho 23, 2013 0
... das Máquinas com Garras metálicas para tirar Brindes

No começo dos anos 90 eram várias as artimanhas que alguns cafés inventavam para ganhar mais uns trocos, e na minha zona um lembrou-se de colocar uma daquelas máquinas cheias de Peluches, com uma garra metálica para que os tentássemos apanhar e os levarmos para casa.

A piada disto tudo, era de que corríamos o risco de gastar mais dinheiro do que gastaríamos se fossemos comprar o brinde a uma loja qualquer, mas nada substituía aquela emoção de ver o peluche na garra e tentarmos colocá-lo no compartimento que nos permitia levá-lo para casa.

As máquinas eram grandes, pareciam uns aquários gigantes cheios de peluches ou brindes, e com um joystick que nos permitia controlar uma garra que se encontrava no topo da máquina e com a qual tentávamos agarrar o brinde. O problema era que muitas vezes não conseguíamos levar o boneco na garra até ao seu destino final.

Penso que era uns 50 Escudos cada tentativa, e sei que o meu Pai torrou uns bons Milhares de Escudos na máquina do Laranjinha (Café Vencedora), e nem sempre saíram muitos peluches. Em todo o caso era um vício desgraçado mas tão depressa apareceram como desapareceram dos cafés do nosso Portugal.





segunda-feira, 22 de julho de 2013

... da Novela Chuva na Areia

segunda-feira, julho 22, 2013 0
... da Novela Chuva na Areia

Quando a Chuva na Areia foi para o ar, tinha eu uns 7 anos de idade e já olhei com um pouco mais de atenção para o que estava a acontecer ali na minha Televisão a preto e branco, acabando por isso por ser a minha primeira telenovela Portuguesa.

Olhei para esta novela com algum espanto, já ligava mais ou menos a este tipo de programas, mas pensava que estas só existiam com sotaque Brasileiro e por isso achei estranho ver ali alguns actores conhecidos e com um sotaque bem Português. Chuva na Areia estreou com pompa e circunstância no dia 7 de Janeiro de 1985, em pleno horário nobre da RTP e sucedendo a duas grandes novelas Brasileiras, (O Bem Amado e Guerra dos Sexos) sendo por isso esperada com alguma expectativa pelo público nacional.

O programa foi referido algumas vezes como Tele-romance e não como telenovela, muito por se basear num romance chamado "Agarra o Verão Guida, agarra o verão" do autor Luís de Sttau Monteiro, autor de obras como "Felizmente ao Luar". A imprensa dedicava artigos a esta obra que foi inteiramente produzida pela RTP, sem recurso a nenhuma outra produtora, numa cidade-estúdio construída em Tróia numa aposta como nunca se tinha visto por cá.

Foram 84 episódios intensos, que pude rever recentemente na RTP Memória e analisar assim de outra forma a terceira telenovela Portuguesa. Há alguns defeitos, óbvios de uma indústria ainda a dar os seus primeiros passos por cá, mas nada que estragasse muito o ritmo da coisa e até dava outro encanto, como o calão usado pelos personagens da história e que chegou a chocar os telespectadores, nada habituados a este tipo de coisas no pequeno ecrã.


Caniço foi a personagem que se destacou na trama, tanto por esse calão como pela brilhante interpretação de Nuno Melo que culminou numa cena mítica com ele a "auto-capar-se", cortando o seu próprio sexo e indo para a praia em sangue depois de não aguentar mais a relação que mantinha com o turista Alemão interpretado por Carlos Wallenstein. Aliás existia uma franca abordagem a temas sexuais (nada comum no nosso País na altura), chegando até a haver cenas em Topless numa praia.

Ambientada na vila piscatória Vila Nova da Galé durante a década de 60, foi a primeira novela de época e abordou alguns temas fortes como as novas lojas que se abriam (como os supermercados modernos) e a PIDE. José Viana esteve bem como proprietário da Pensão onde se passava algumas cenas da trama, assim como Rui Luís, brilhante no papel do cobarde dono de Taberna que acaba por se revoltar contra tudo aquilo que se passava ali nas suas barbas.

Um dos temas principais da história centra-se na passagem de dois turistas Alemães que em conluio com a personagem de Henrique Viana, tentam comprar várias terras naquela vila para construir coisas mais modernas e sofisticadas. Dona Odete (Alina Vaz) referia constantemente como estava farta de viver "Nesta merda de terra", querendo-se sempre armar mais em fina para os seus amigos ricos que curiosamente amavam passar as suas férias ali e não queriam nenhuma mudança.

Contrabandistas, Tursitas, Pide, Polícia e comerciantes de bairro, eram estes os ingredientes desta história que se vê bem apesar de pecar em muita coisa que se deve relevar devido ao amadorismo ainda presente na nossa indústria televisiva da altura, para além da falta de experiência de alguns actores para representar na Televisão.


Algumas imagens e curiosidades retiradas do Brinca Brincando.



sábado, 20 de julho de 2013

... das Crépitas da Nestlé

sábado, julho 20, 2013 0
... das Crépitas da Nestlé

Há daqueles produtos alimentares que apesar de terem tido uma passagem fugaz pelas prateleiras dos Supermercados, marcaram-nos para sempre e os cereais Crépitas da Nestlé são um bom exemplo disso.

Na década de 80 tentava-se mudar o hábito dos pequenos-almoços dos Portugueses com a aposta forte da Nestlé, e outras marcas, numa variedade de cereais para se comer com Leite e tentar um pequeno almoço diferente do que estávamos habituados.

As Crépitas foram um dos cereais preferidos por muitos de nós, estaladiças e boas para comer à mão cheia (a seco, sem leite), tinham um sabor agradável com uma mistura de Milho, Trigo e Mel. Apareceram na segunda metade dos anos 80, e em 1986 eram uma das minhas escolhas para um bom pequeno almoço ou para um lanche em frente à TV.

Infelizmente não duraram muitos anos na venda ao público, e apesar de começarmos a ter uma enorme variedade de cereais para a nossa escolha, as Crépitas deixaram algumas saudades e continuam a ser recordadas por alguns de nós.









sexta-feira, 19 de julho de 2013

... dos Parodiantes de Lisboa

sexta-feira, julho 19, 2013 0
... dos Parodiantes de Lisboa

Foi a minha Avó que me criou, e na casa dela se havia algo sagrado era o hábito de ouvir no rádio dela os Parodiantes de Lisboa e o seu programa de humor. Acabamos por nos habituar e a volta e meia soltar uma gargalhada com aquele grupo de humoristas com os seus textos simples, directos e com muitos efeitos sonoros à mistura, que garantiam um bom momento ali no sofá da sala da minha Avó.

A formação dos Parodiantes de Lisboa surgiu a 18 de Março de 1947, com a equipa que fazia o Semanário humorístico A Bomba, a querer continuar a fazerem humor após o fecho deste semanário. Ruy Andrade, Ferro Rodrigues, Santos Fernando, Mário de Meneses, Mário Ceia, Manuel Puga, José Andrade entre outros começaram assim a colaborar por carolice e a fazer um programa de rádio que animou os Portugueses e ajudava até a fazer alguma crítica ao regime. Segundo Mário de Meneses, o nome era uma homenagem à companhia teatral "Comediantes de Lisboa" do Ribeirinho e António Lopes Ribeiro.

Começaram na Rádio Peninsular (situada na rua Voz do Operário) com o programa Parada da Paródia, que ia para o ar em pleno horário "nobre" pelas 20 horas, fazendo com que as pessoas jantassem ao redor dos seus aparelhos de rádio e a rirem com as tropelias deste grupo. Muitos outros humoristas foram-se juntando ao grupo, que lançou no mesmo ano o programa que vim a conhecer na década de 80, o "Graça com todos" que esteve no ar durante 50 anos e foi um dos maiores sucessos do Rádio Clube Português e Rádio Comercial.


Dentro do programa havia vários sketchs, com o fantástico "Rádio crime" (sempre apresentado de forma fenomenal e com o patrocínio Chaves do Areeiro) onde estrelavam o Patilhas e Ventoinha. Eram sempre uns casos com muito pouco mistério e umas confusões sempre com maus resultados para o pobre ajudante do chefe detective. Do resto do programa lembro-me pouco, só gostava mesmo desta parte que era sempre guardada para o fim obviamente. Mas achava alguma piada aos efeitos sonoros ao longo do programa (quase sempre feitos por eles), à voz da mulher em alguns dos sketchs e às piadas fáceis com um final óbvio mas que nos divertia na mesma.

A 18 de Março de 1997, Rui Andrade decide terminar com um dos grupos mais queridos por parte dos Portugueses, com direito a um restaurante e um doce que tem o mesmo nome e serve como homenagem a este grupo de pessoas que estiveram sempre dispostos a divertir e entreter os Portugueses por cerca de 50 anos.






quinta-feira, 18 de julho de 2013

... dos Amigos do Gaspar

quinta-feira, julho 18, 2013 0
... dos Amigos do Gaspar

As Marionetas estavam em grande nos anos 80, e os Amigos do Gaspar foram o expoente máximo desse tipo de diversão infantil, um dos melhores programas Portugueses de sempre e mostrando a qualidade de João Paulo Seara Cardoso.

Já tínhamos tido um programa Português com Marionetas em destaque, o mítico Árvore dos Patafúrdios, e foi devido ao sucesso desse programa que a RTP voltou a apostar na mesma equipa, nascendo assim o Amigos do Gaspar onde se deixavam os animais e as questões filosóficas, para um grupo de amigos que vivia situações do dia a dia mas também abordando algumas questões muito interessantes.

O primeiro episódio foi para o ar no dia 19 de Outubro de 1986, tendo sido transmitidos 10 episódios numa primeira temporada de sucesso, existindo assim uma segunda temporada de 25 episódios que foram emitidos irregularmente até 1989. Essa segunda temporada mostrou-nos algo de uma qualidade acima da média, muito devido ao estágio que João Paulo Seara Cardoso fez nos estúdios de Jim Henson.

João Seara foi um dos 15 escolhidos (entre 150 candidatos) para um curso administrado pelo próprio Jim Henson, e essa qualidade notou-se na segunda temporada com um aumento de personagens, uma melhoria e maior variedade de cenários utilizados nas histórias da série.

A escrita do programa estava a cargo do próprio João Seara e de Jorge Constante Pereira que também fazia a música para as letras de Sérgio Godinho que continuava assim envolvido neste tipo de programas.

O episódio de Natal teve uma tal importância na programação da RTP que foi transmitido em 2 dias consecutivos, provando que as pessoas gostavam desta série e estavam rendidos à qualidade dos bonecos manipulados por João Seara e a sua equipa. Vamos então conhecer um pouco melhor as personagens da série e também quem os manipulava e lhes dava voz:

Gaspar (João Seara) era um rapaz tímido e calmo, que estava naquela idade de fazer muitas perguntas e de viver grandes aventuras com os seus amigos como a Marta (Ana Queiroz), uma jovem activista e preocupada com o mundo ao seu redor, o Romão (Raul Cosntante Pereira), um miúdo entusiasmado pela música ou o Farturas (Raimundo Tavares), um jovem de algumas posses e muito chato com as suas conversas sempre a mencionar o seu pai ou as dificuldades que as brincadeiras podiam acarretar para ele.

Os maiores problemas para este grupo de amigos vinha do guarda Serôdio (Mário Moutinho), um fiel defensor do MCPP (Manual de Coisas Proibidas no Parque) e zelador do parque onde os rapazes brincavam. Foi sem sombra de dúvidas uma das personagens principais da série, aquela que se destacava das outras pelo seu ar castiço, o seu tom de voz e a tentativa sempre de impor a sua autoridade.


Logicamente que a personagem da qual todos se lembram é a do Manjerico (Maria João Pires), um estranho animal de estimação que tinha uma forma peculiar de comunicar com o seu dono. A Tia Felismina (Ana Queiroz) era uma velhota simpática que tomava conta do mini mercado da rua, que era o alvo dos olhares do Sr. Pires (João Seara) um velho Lobo do Mar que estava sempre de pijama e recordava com saudades outros tempos.

Existia na rua ainda o Professor Fidebeque (Mário Moutinho) um inventor que conseguia transformar qualquer objecto simples em algo mirabolante, e o Neca (Mário Moutinho) o puto que é maluco por futebol. Era ao professor que o Gaspar e os seus amigos recorriam quando se encontravam em sarilhos, e às vezes a solução dele podia não ser a melhor mas era certamente muito engraçada. Mais tarde juntou-se ao grupo o Pitágoras (Teresa Miranda), um rapaz intelectual ou as irmãs mais novas de alguns de outros membros do grupo.

Excelentes músicas e histórias engraçadas fizeram o sucesso deste programa, que ainda hoje é recordado com saudade por mais de que uma geração que ficaram apaixonados por este grupo de amigos e personagens engraçadas que tinham um grande carisma apesar de serem "simples" marionetas.


Algumas curiosidades e informação retiradas do excelente site Brinca Brincando.



terça-feira, 16 de julho de 2013

... do Mergulhador de plástico

terça-feira, julho 16, 2013 0
... do Mergulhador de plástico


Nos anos 80 existiam muitos vendedores de rua com todo o tipo de brinquedos para nós chatearmos os adultos e estes comprarem-nos os mesmos. O Mergulhador de plástico foi um desses brinquedos, algo simples mas que nos entusiasmava e com o qual nos divertíamos muito.

Lembro-me perfeitamente quando vi um pela primeira vez, ia na Rua Direita em Cascais com a minha Mãe e estavam uns vendedores com uns alguidares de plástico cheios de água no chão, e dentro desses alguidares estavam uns pequenos mergulhadores a dar freneticamente aos braços e às pernas a nadarem de um lado para o outro.

Os Mergulhadores eram laranjas e de plástico, parecidos com a imagem que coloquei acima no blog mas o que tive era mais comprido e um laranja mais forte acho. Tinha uns óculos, uma botija de oxigénio e umas barbatanas pretas e dando um pouco à corda era vê-lo a dar com os braços e com as pernas num qualquer alguidar ou banheira cheia de água.

Colocava o meu muitas vezes na banheira ou no tanque de pedra do quintal, e ficava ali a ver ele a nadar de um lado para o outro completamente entusiasmado e excitado com aquilo tudo. Normalmente juntava uns mergulhadores que tinha da Playmobil também, só que esses ficavam estáticos enquanto que o outro dava mesmo um show na água.

Não devia ser um brinquedo muito caro, já que não foi preciso chatear muito a minha Mãe para ter um e até penso que cheguei a ter mais que um a dada altura. Brinquedos simples mas muito divertidos, saudades desses tempos. Uma pena não encontrar as imagens dele, estas imagens são o mais aproximado que encontrei e foram-me cedidas por Fernando Ferreira do http://aarcadotesouro.blogspot.pt/










segunda-feira, 15 de julho de 2013

... do Querido John

segunda-feira, julho 15, 2013 0
... do Querido John

Volta e meia os Americanos gostam de adaptar uma série Britânica para a Televisão Americana, no final da década de 80 a escolha foi a Dear John, com o talentoso Judd Hirsch no papel principal de um divorciado que tenta retomar a sua vida.

A série teve 4 temporadas, entre Outubro de 1988 e Julho de 1992, tendo sido transmitidos 90 episódios que foram sempre um pouco maltratados pela NBC que mudava constantemente o dia em que o mesmo era emitido. Em Portugal foi emitido pela RTP em pleno horário nobre no início da década de 90, na sua versão original e legendada em Português. Dava a um dia de semana e lembro-me que adorava ver aquele começo com a musiquinha "Dear john.." enquanto ele lia a cara que a mulher lhe tinha deixado.

Judd Hirsch era John Lacey, um simples professor de liceu que um dia chega a casa e encontra uma carta que a sua mulher Wendy lhe tinha deixado, uma "Dear John letter" que por é o que os Ingleses chamam às cartas onde se terminam relacionamentos.

John junta-se a um grupo de apoio onde divorciados, viúvos e pessoas solitárias se apoiam mutuamente, e logicamente que esse grupo era um pouco peculiar.


Tínhamos desde uma ninfomaníaca a um engatatão, eram várias pessoas que se reuniam numa sala e falavam dos seus problemas, por vezes causando problemas uns aos outros e sempre com algumas gargalhadas à mistura.

Não via muito a série, mas lembro-me de ver um ou outro episódio e me rir um pouco com aquilo apesar de achar um pouco "parada" demais. Também era mais novo, e se calhar não entendia bem as nuances de algumas piadas e do humor ali apresentado. Mas era bem fã da música do genérico e do começo dos episódios.










domingo, 14 de julho de 2013

... dos Wuzzles

domingo, julho 14, 2013 0
... dos Wuzzles

Na década de 80 a Disney apostava bastante na diversidade da sua programação televisiva, em desenhos animados interessantes e que fugissem ao tipo de oferta habitual da companhia. Os Wuzzles foram uma dessas apostas interessantes, mostrando-nos animais híbridos em episódios cheios de aventura e animação.

Michael Eisner (então presidente da Disney) foi o mentor da ideia, achando interessante a produção de um desenho animado onde as estrelas fossem Animais que fossem a fusão de dois animais diferentes. Estreou na mesma altura que os Gummi Bears , partilhando o mesmo estilo de animação e mostrando-nos uns animais fofos meio arredondados e muito coloridos em aventuras divertidas e cheias de humor.

Foram produzidos 13 episódios para a CBS em 1985, sendo a série de animação com menos episódios da história da Disney. Isto deveu-se à morte de um dos actores que dava a voz a uma das personagens, tendo a produção decidido cancelar o programa em vez de arranjar uma voz substituta.

A série fez mais sucesso na Europa do que no seu País, por cá foi transmitido pela RTP no Clube Amigos Disney em 1986, na sua versão original e com legendas em Português, enquanto que no Brasil foi transmitido pela Rede Globo e naturalmente dublado em Português do Brasil.

Existiram muitos peluches com os animais da série, mas eu lembro-me com saudade da caderneta de cromos, uma das mais coloridas e divertidas que fiz nos anos 80. Também gostava quando apareciam nas revistas para colorir da editora Abril e pelo que me lembro chegaram a ter algumas histórias aos quadradinhos e tudo.

Os Wuzzles viviam na ilha Wuz, e as personagens que tinham mais destaque eram as seguintes:

Alçoca (Alce+Foca) foi o actor (Bill Scott) que dava voz a esta personagem que veio a falecer, Ursoleta (Urso+Borboleta), Abeleão (Abelha+Leão), Hipoco (Hipopótamo+Coelho), Eleru (Elefante+Canguru) e Rinaco (Rinoceronte+Macaco), cada um com a sua personalidade bem vincada e que podia ou não misturar as características que associamos a estes animais.

Preferia os Ursinhos, mas sinceramente até não desgostava destas personagens, alguém mais tinha um lugar no coração para esta amálgama de animais?











sábado, 13 de julho de 2013

... dos Pudins Boca Doce

sábado, julho 13, 2013 0
... dos Pudins Boca Doce
Nos anos 80 os Pudins estavam em grande força na nossa vida, era algo que as nossas Mães faziam amiúde fosse para as sobremesas das refeições, fosse para para um lanche saboroso. Os Boca Doce era uns dos nossos preferidos, e isso devia-se muito a um mítico anúncio que dava constantemente na RTP.

Os pudins Boca Doce vinham em diversos sabores, Baunilha, Flan, Ananás, Caramelo e Chocolate, todos eles bem saborosos e grandes rivais dos pudins El Mandarin, a outra marca que dominou a década de 80. Os donos da empresa souberam bem aproveitar algo que começava a dominar a publicidade Portuguesa na primeira metade dos anos 80, a originalidade criativa em anúncios divertidos e que ficavam na memória das pessoas.

"O Boca Doce é bom, é bom, é..
Diz o avô e diz o bebé..
O Boca Doce é bom, é bom, é!!!"

Era assim o jingle do anúncio deles, bem divertido e rápido de assimilar ficando na memória colectiva de todos nós, enquanto que as imagens do anúncio foram variando ao longo dos tempos. Havia o Avô que trazia o pudim de presente para a neta ou neto, havia o Avô que tentava roubar o pudim ao neto ou até o neto que roubava o pudim ao Avô. Todos eles bem divertidos e carregados de espírito oitentista, um dos anúncios mais míticos da década envolvendo familiares em conjunto com o de Fantasias de Natal.

Ainda estão presentes em muitas cozinhas Portuguesas, afinal eles existem desde 1955 e acompanharam várias gerações de Portugueses que continua a gostar do sabor simples deste pudim que podem depois alterar com pequenos pormenores para ficar ainda mais ao nosso gosto.













quinta-feira, 11 de julho de 2013

... do Chuckie Egg

quinta-feira, julho 11, 2013 0
... do Chuckie Egg

Existiam muitos jogos doidos nos primórdios das consolas portáteis, o Spectrum foi o maior filão dessa categoria e o Chuckie Egg foi um dos maiores exemplos desse tipo de jogo doido.

Chuckie Egg foi um título da A&F Software, tendo sido um dos maiores sucessos do Spectrum e devido a essa popularidade rapidamente foi lançado para outro tipo de consolas ou computadores de jogos como o Commodore Amiga ou o Atari. Foi lançado em 1983, e cá em Portugal teve uma grande aceitação por parte dos utilizadores do ZX Spectrum sendo uma das k7's mais trocadas nos recreios das escolas na pirataria típica dessa "consola".

Como quase todos os jogos da época, era cheio de escadas e plataformas, umas cores muito berrantes e um conceito que tinha tanto de simples como de maluco. Basicamente éramos uns criadores de galinhas a recolher os ovos e a a fugir de umas galinhas que mais pareciam uns patos para não perdermos vidas e os ovos que tínhamos que recolher.


A ideia veio de um jovem rapaz, Nigel Alderton, que criou uma versão simples utilizada nos Spectrum e uma um pouco mais elaborada para outro tipo de computadores de jogos (nomeadamente os IBM). Foi também graças a esses IBM que o jogo se popularizou ainda mais, devido a esse tipo de computadores ser muito utilizado em muitas escolas e como maior parte desses computadores vinha já com um Chuckie Egg instalado, o mesmo foi assim apresentado a um grande número de crianças.

Apesar da pirataria típica da altura, o jogo vendeu Milhões de cópias e continua a ser recordado com saudade por todos os fãs de videojogos um pouco por todo o mundo. Considerado um dos principais títulos a popularizar este tipo de jogo de plataforma, Chuckie Egg continua até hoje a ser um título com uma grande legião de fãs.













quarta-feira, 10 de julho de 2013

... do Lobijovem

quarta-feira, julho 10, 2013 0
... do Lobijovem

Lobijovem foi um daqueles filmes que só podia ter sido feito nos anos 80, uma comédia completamente sem sentido mas muito divertida (pelo que me lembro) e que dependia exclusivamente do carisma do seu protagonista, o talentoso Michael J. Fox.

Estávamos em 1985, a actriz Meredith Baxter estava em licença de Maternidade da série Family Ties (Quem sai aos seus / Caras e Caretas) e por isso os estúdios queriam aproveitar essa oportunidade e dar um filme a Michael J. Fox para capitalizar a sua popularidade e o ajudar na sua carreira cinematográfica.

Jeph Loeb, Tim Hayes e Matthew Weisman escreveram então esta comédia que foi realizada por Rod Daniel e filmada em apenas 3 semanas para aproveitar as folgas de Fox. O filme apesar de um pouco surreal e cheia de furos na história, revelou-se um sucesso junto do público que ainda hoje se lembra do filme com saudade.

Em Portugal ficou Lobijovem, ficando assim um nome a lembrar Lobisomem, já no Brasil foram vários os nomes do filme, Lobo Adolescente, Garoto Lobisomem e numa jogada de mestre para aproveitar o sucesso do Regresso ao Futuro, o filme ficou o Garoto do Futuro.

No filme Michael J. Fox era Scott Howard, um jovem de 17 anos que era apaixonado por uma rapariga da escola e jogava numa equipa de basquete que não ganhava nenhum jogo.


Um dia ele começa a notar diferenças no seu corpo, especialmente em noites de Lua cheia e após algumas transformações é-lhe então explicado pelo seu Pai de que ele descendia afinal de uma linhagem de Lobisomens. Ele começa a ficar mais animado na escola e mais liberto com a confiança que obteve devido a transformar-se num Lobisomem.

A parte engraçada é que pelos vistos os Lobisomens são excelentes jogadores de basquete, já que ele começou a dar verdadeiros shows nos jogos da sua equipa e a ajudá-la a ganhar jogos e a ser mais popular na escola. O plot depois é o do costume, ele começa a ficar mais convencido por andar com a malta popular e a esquecer-se dos seus verdadeiros amigos.

O filme foi filmado antes do Back to the Future, mas só estreou depois de modo a aproveitar o sucesso estrondoso deste filme e a popularidade ainda maior de Michael J. Fox. Nunca mais revi o filme, tenho até algum medo, mas tenho boas memórias do mesmo e não me importava de o rever.













terça-feira, 9 de julho de 2013

... do Charles Bronson

terça-feira, julho 09, 2013 2
... do Charles Bronson

Uma das maiores estrelas de acção de Hollywood, Charles Bronson foi um ídolo para os nossos Avós/Pais e arrancou muitos suspiros das nossas Avós/Mães nas décadas de 70 e 80. Um sucesso dos videoclubes nos anos 80, já que era comum termos que alugar muita K7 de filmes dele para os nossos pais poderem ver

Charles Dennis Buchinsky nasceu a 3 de Novembro de 1921 nos Estados Unidos, filho de pais Polacos-Lituanos, mudou o seu nome para Bronson na altura das audiências de McCarthy com medo do seu apelido ser confundido com o de um Russo. Escolheu Bronson em homenagem à Avenida Bronson em Hollywood onde se situa a entrada para os estúdios da Paramount.

Começou a fazer sucesso na década de 60 aparecendo em alguns Westerns e filmes como "The Great Escape" (A grande Evasão em Portugal e Fugindo do Inferno no Brasil), fazendo depois carreira na Europa sendo um dos actores preferidos de Sergio Leone que o considerou o melhor actor de sempre depois de ter trabalhado com ele em "Once upon a time in the West" (Era uma vez no Oeste no Brasil e Aconteceu no Oeste em Portugal).


Sei que era sucesso das idas ao cinema em Portugal e provavelmente no Brasil também, onde foi dublado pelo actor Garcia Neto em todos os seus filmes. No começo da década de 70 ele voltou para os Estados Unidos e teve o papel que veio a marcar a sua carreira cinematográfica, o de Paul Kersey em Death Wish (Desejo de Matar).

Paul Kersey era um arquitecto de sucesso que vira um vigilante depois da sua mulher ter sido assassinada e a sua filha violada, uma personagem violenta mas que conquistou tudo e todos, dando origem a algumas sequelas que foram todas estreladas por Bronson.

Teve em poucos filmes na década de 80, mas todos eles renderam-lhe bom dinheiro sendo uma das estrelas da Cannon, que apostou neste actor de ar rude e duro e que apesar da sua idade metia respeito a todos com o seu aspecto ameaçador e até mesmo algo assustador.

Não fui fã dos filmes dele, nem mesmo dos Death Wish, mas vi muito filme dele já que era um preferido do meu Pai, e achava piada ver um actor daqueles com ar daquele Tio que nos visitava de tempos a tempos, mas que afinal era um vigilante que arreava porrada nos outros como se não houvesse amanhã.

De galã duro a velhote cheio de rugas mas com ar ameaçador, Charles Bronson fez parte da vida de muitos de nós nas k7's de VHS que alugávamos durante os anos 80.




... do Skate de Dedo

terça-feira, julho 09, 2013 1
... do Skate de Dedo

Ainda sou do tempo de termos que montar os brinquedos que nos davam, o Skate de dedo vinha com essa particularidade e caía também noutra muito especial, aquela onde nós por não conseguirmos ter o original, arranjávamos uma cópia com os materiais que tivéssemos à mão.

Este foi um daqueles brinquedos de sucesso tanto em Portugal como no Brasil, um simples skate com umas rodas de plástico onde nós depois colocávamos dois dedos e andávamos com o mesmo em manobras dignas de um skate original. Podíamos brincar com isto simplesmente pelos móveis ou corrimões da casa, ou então usarmos uma rampa de skate que existia para brincar com isto.



Eu não tive um destes brinquedos, mas tive a versão "pobre e barata", a solução era simples, agarrávamos e tirávamos aquele pedaço de metal que estava na parte de cima das pernas da cadeira da escola, entregávamos ao nosso Pai ou a outro familiar com jeito para a coisa que moldava aquilo a ficar igual a um skate.

Depois punha-se um pouco de lixa para os nossos dedos poderem agarrar no "skate", e umas rodas de plástico e estava uma perfeita imitação para ninguém colocar defeito e tão ou mais divertido que o original. Eu e os meus vizinhos usávamos e abusávamos disto e não nos fartávamos. Mas que havia skates de dedo muito giros, lá isso havia, e no Brasil então aquilo chegava ao ponto de existirem campeonatos e tudo para o pessoal competir uns com os outros.





segunda-feira, 8 de julho de 2013

... da Hang Loose

segunda-feira, julho 08, 2013 0
... da Hang Loose
Hang Loose foi uma das marcas de roupa mais populares da década de 80 e 90, era comum ver o pessoal com t-shirts e bermudas com o logo da marca em destaque ou até mesmo carteiras e outro material do género.

Alfilo Lagnado criou a marca em 1982, tentando colmatar uma lacuna existente, a falta de vestuário adequado para a prática do Surf, dependendo da importação de bermudas feitas pelos Estados Unidos ou outros Países que viviam do Surf. Mas este Brasileiro decidiu que era altura de contrariar isso e criou algo que o ajudasse a praticar o desporto que tanto gostava de uma forma mais prática e eficiente.

Utilizando um símbolo popular para todos, e que tinha até algum significado para aqueles que gostavam de Surf, a marca rapidamente ganhou adeptos e começou inclusive a exportar para outros Países da Europa e da América Latina. A marca foi muito popular em Portugal, mesmo com o pessoal que nunca praticou Surf na sua vida.



Eu próprio tive uma carteira e alguns autocolantes da marca, adorava o símbolo apesar de nem sequer ir muito à praia e não saber que era mais direccionada para os Surfistas. No Brasil presumo que devia acontecer algo semelhante, mas Lagnado continuava a firmar a marca entre os surfistas e em 1986 chegou a organizar uma prova oficial no Brasil numa praia em Florianópolis, e hoje em dia é considerada a mais importante e tradicional do País.

Continuando a sua senda de se afirmar como uma marca 100% Brasileira, a Hang Loose enviou dois Surfistas Brasileiros para o ASP World Tour fazendo com que o País começasse a fazer parte do circuito de Surf mundial e a iniciar uma nova geração de Surfistas Brasileiros.

Continua a ser uma das importantes para os amantes do Surf, mas já não é uma marca utilizada por qualquer um como o foi nos anos 80 cá em Portugal, apesar de continuar a ser uma marca conceituada e com grande importância no circuito mundial.







domingo, 7 de julho de 2013

... da Super Confex Maconde

domingo, julho 07, 2013 0
... da Super Confex Maconde

Nos anos 80 devem ter sido poucos os que nunca foram a uma loja Maconde, a suas Super Confex eram o paraíso do vestuário naquela década, com os seus catálogos a serem muito disputados pelas nossas Mães que queriam ver as novidades todas que vinham nele.

Foi uma empresa de referência no Têxtil Português, com algumas fábricas no Norte do País a empregar centenas de pessoas e a ser um sucesso de vendas apostando muito na publicidade em revistas e na TV, e em eventos patrocinados pela empresa como algumas corridas de Automóveis que se tornaram importantes eventos no desporto automobilístico em Portugal. Quase sempre em Vila do Conde, sede da empresa e onde a mesma gozava de enorme popularidade.


Os seus catálogos de roupa eram enormes e muito populares, havia roupa para todos os membros da família e por isso era comum a visita de pais e filhos a estas lojas para verem o que queriam e podiam comprar. Havia roupa a preço acessível pelo que me recordo, e talvez por isso o sucesso desta marca no nosso País. Foram pioneiros nos famosos "Cartões de cliente" com anúncios a um cartão que permitia comprar roupa com descontos ou exclusiva só para os clientes com esse cartão, muito à frente.

Alguém ia comprar roupa a uma Super confex Maconde?