Junho 2012 - Ainda sou do tempo

sábado, 30 de junho de 2012

... do Urso Teddy

sábado, junho 30, 2012 3
... do Urso Teddy

O Urso Teddy era daqueles programas que conquistava a atenção das crianças devido ao seu aspecto surreal, até o facto da dobragem ser feita de forma a que conseguíamos ainda ouvir a versão original ajudava ao charme do programa. O escritor polaco Czesław Janczarski e a cartunista Zbigniew Rychlicki criaram esta série para uma revista de banda desenhada a 6 de Março de 1957, passando mais tarde para uns livros infantis que foram editados em diversos países.

Com o sucesso dessa série de livros, em 1975 os estúdios Studio Malych Form Filmowych produziram para a TV Polaca 104 episódios onde este pequeno urso seria o protagonista, numa série que ficaria no ar até 1987 e que foi um sucesso absoluto em mais de 20 Países em todo o mundo. A história é simples, víamos o pequeno urso de pijama a preparar-se para dormir e começava em amena cavaqueira connosco, contando uma história que envolvia ele e os seus amigos, normalmente um coelho e 2 bonecas, e de onde se extraía sempre uma pequena moral.

O urso era muito esperto, e mostrava ser sempre muito amigo de todos, e isso ajudava ao seu sucesso já que tinha muito carisma e era querido por nós todos. O programa foi transmitido pela RTP em 1986 com dobragem do António Montez, que narrava e fazia os diálogos todos sendo que se podia ouvir também o som original das coisas. Tenho boas memórias de ver isto nas tardes da RTP no mítico Brinca Brincando, e é mais um daqueles programas que me leva aos Invernos dos anos 80 enquanto eu via isto e me aquecia no sofá e de ouvir ele no final com o seu clássico "Boa Noite amiguinhos, até amanhã".





sexta-feira, 29 de junho de 2012

... do Ayrton Senna

sexta-feira, junho 29, 2012 6
... do Ayrton Senna

A Fórmula 1 sempre foi um desporto emocionante, seria de pensar que a adrenalina de ver carros em grande velocidade aliada à coragem dos homens ao volante daqueles pequenos foguetes já seria o suficiente para seguir este desporto, mas de tempos a tempos somos sempre premiados com pilotos que ajudam a tornar a competição ainda mais emocionante. Ayrton Senna foi um dos maiores pilotos de sempre, para muitos o melhor, e marcou toda uma geração com a sua forma de estar na vida e no desporto e especialmente com a sua destreza e coragem atrás do volante.

Ayrton Senna nasceu a 21 de Março de 1960, começando a sua carreira nas competições de Kart e dando o salto em 1983 com a sua vitória no campeonato Britânico de Fórmula 3, o que valeu o ingresso no mundo competitivo da Fórmula 1 pela equipa da Toleman-Hart em 1984. Em 1985 ele ingressou na mítica equipa da Lotus-Renault e foi aí que ele ficou conhecido para mim, na minha caderneta da F1 de 1987 (quando ele já tinha ganho 6 grandes prémios em 3 temporadas), onde o seu capacete e o design do seu carro despertaram-me a atenção.

Mas foi em 1988, no alto dos meus 10 anos e em que era tradição ver a corrida de F1 ao Domingo à hora de almoço na RTP, que a competição teve um dos maiores duelos da sua história e em que os pilotos estavam na mesma escuderia. O Francês Alain Prost, um dos pilotos mais talentosos de sempre, recebeu o piloto Brasileiro na equipa da Mclaren-Honda e juntos começaram um domínio que se estendeu até 1991 com três vitórias de Senna e uma de Prost.

Senna venceu o seu primeiro campeonato na primeira temporada atrás do bólide vermelho e branco onde ele e seu parceiro venceram 15 dos 16 grandes prémios desse ano conquistando assim também o prémio de melhor equipa para a Mclaren.

Desde cedo que Senna mostrou a sua rapidez na pista, na sua primeira temporada na Lotus ele conseguiu 7 pole positions e terminou em 4º lugar no campeonato de Pilotos à frente do seu parceiro De Angelis que sai da equipa por achar que esta começa a se basear somente no piloto Brasileiro. Um carro imprevisível impedia-o de ir mais longe, e apesar das 8 pole positions em 1986 ele não consegue ir mais além no ranking de pilotos o que torna natural a sua vontade de ir para uma equipa mais competente e um carro mais fiável.

A personalidade de Senna era forte e intensa, e isso levou-o logo a ter problemas com o seu parceiro Prost, em especial no Grande Prémio de Portugal quando ele faz uma manobra menos legal para impedir a progressão do Francês, e que leva a discussões internas que transpunham a rivalidade para níveis de grande intensidade.

O Grande Prémio de Portugal e o Grande Prémio do Mónaco tornaram-se em corridas emblemáticas para o piloto Brasileiro, foi por cá que ele ganhou a sua primeira Pole e onde começou a mostrar o seu talento a conduzir debaixo de chuva, enquanto que detém o recorde de vitórias na emblemática pista Francesa tendo até dado o seu nome à sequela do jogo para o Mega Drive, Ayrton Senna's Monaco Grand Prix II.

Mansell, Piquet, Prost, Nannini e Alboreto foram alguns dos nomes com os quais o piloto lutou, e venceu, dentro das diferentes pistas em redor do mundo desde o começo da sua carreira até ao fim da mesma aquando da sua morte em 1 de Maio de 1994 no Grande Prémio de San Marino no circuito de Imola, Itália ao volante de um Williams-Renault. Senna só ingressou na equipa Francesa após a retirada de Alain Prost que tinha uma cláusula que impedia que o piloto Brasileiro pudesse assinar pela escuderia.

Numa conferência no Estoril, Senna apelidou o Francês de cobarde por ter essa cláusula e chegou inclusive a oferecer-se para conduzir de graça para a Williams, uma equipa que ele gostava bastante apesar de já ter manifestado o desejo de terminar a sua carreira ao volante de uma Ferrari que ele achava que era a alma do desporto motorizado. Mas ninguém estranhava isto depois dos campeonatos ganhos em 2 anos seguidos em que 2 acidentes entre eles acabou por ser o factor principal dessas vitórias.

Prost afirmou que se retirava porque não queria repetir as animosidades de 89-90 e assim deixava o caminho livre para um namoro antigo entre o piloto Brasileiro e a equipa Francesa. Foi em 1992 que se falou pela primeira vez desta união, mas o próprio presidente da Honda pediu pessoalmente a Senna para que este não deixasse a Mclaren-Honda ao que este acedeu por um sentimento de lealdade e agradecimento. Aquando das disputas com Prost, em que o piloto Brasileiro acabou por confessar que iria chocar contra Prost no Grande Prémio do Japão, a equipa sempre o protegeu e foi assim normal essa decisão por sua parte.

Em 1993 o piloto mostrava toda a sua habilidade conseguindo terminar em segundo lugar com um carro de fraca qualidade, onde Ron Dennis lutou para conseguir melhores motores mas que ficou apenas com um Ford que era de inferior qualidade aos fornecidos à Benneton-Ford, mas conseguiu que o piloto Brasileiro ficasse assim pela equipa num contrato de corrida a corrida ficando o ano todo sem um contrato assinado.

Numa época que era normal torcermos pela selecção Brasileira, torcer por um piloto do País irmão parecia natural, e as suas corridas no nosso autódromo ajudavam a isso, criando uma grande empatia com o povo Português. Eu era fã da sua personalidade, do seu discurso e da sua perfomance em pistas complicadas mesmo debaixo de chuva, algo que por norma diminui as capacidades dos pilotos que mostram sempre um pouco mais de receio. Como esquecer a sua performance em Donnington em 1993 onde ultrapassa 4 pilotos num clima torrencial?

Ayrton Senna foi o mais jovem tri-campeão com 31 anos (vitórias em 1988,90 e 91), tem o recorde de mais corridas onde liderou do começo ao fim (19), de conseguir começar as 16 corridas de 1989 na primeira posição e de ter começado 24 corridas consecutivas nessa posição (desde o Grande Prémio da Alemanha em 88 ao Grande Prémio de Austrália de 89). Tem ainda o recorde de mais pole-positions consecutivas (8) e de mais pole positions num grande prémio (o de San Marino por 8 ocasiões de 85 a 94).










... dos Fúria do Açúcar

sexta-feira, junho 29, 2012 1
... dos Fúria do Açúcar



João Melo, João Didelet e Renato Solnado formaram em 1991 o grupo Fúria do Açúcar onde a música se misturava com sketchs de humor e o exemplo ideal de um grupo café-concerto. Em 1993 a banda acabou por ficar só com músicos a sério e João Melo (vocalista), Ruca Rebordão (bateria), Filipe Larsen (baixo), Múcio Sá (guitarra) e Zeca Neves (baixo) começaram a andar pelo nosso País em concertos onde mostravam a sua música mas mantinham a sua componente de humor.

O vocalista da banda era extremamente carismático e alguém que sabe dar uso às expressões faciais como parte fundamental do humor que queria transmitir, para além de se vestir sempre de uma forma espalhafatosa e que atraía as atenções. Em 1996 editam o seu primeiro álbum, "Fúria do Açúcar", de onde a música "Rei dos Matraquilhos" começa a atrair a atenção nomeadamente do público mais jovem que é fã dos trocadilhos inerentes na letra da canção.

Mas é no segundo álbum que eles explodem, "O Maravilhoso Mundo do Acrílico" de 1997 tinha 2 singles que dominaram Portugal, "Eu gosto é do verão" e o "Joana bate-me à porta". Ainda hoje a primeira música é cantarolada por muitos de nós e marca sempre presença nessa Estação do tempo. João Melo teve direito a um programa de televisão e tudo, para onde levou a sua banda como grupo permanente do programa, que se baseava em vídeos humorísticos e capitalizava o carisma do seu apresentador.

A banda ainda editou mais 2 álbuns mas sem terem o sucesso que atingiram em 97, em todo o caso foi um grupo que marcou o panorama musical e ajudou a um pequeno boom de outros grupos do género com um humor subtil e não tão brejeiro/pornográfico como eram algumas bandas já existentes. A minha música preferida era o Joana Bate-me à Porta, que achava um cover brilhante do "Ring my bell" e em que a letra brincava com isso mesmo mas na nossa língua.






quinta-feira, 28 de junho de 2012

... da Nota de 500 Escudos

quinta-feira, junho 28, 2012 2
... da Nota de 500 Escudos

Quando eu conseguia apanhar uma nota de 500 Escudos era uma alegria, era daquelas notas que dava para comprar muitas coisas que eu gostava e o troco dela não desaparecia assim tão facilmente. Lembro-me de ver notas com o D. João II, mas foi a nota com o Mouzinho da Silveira que mais passou pelas minhas mãos sendo que o destino mais certo dela era sempre em livros da editora Abril, nomeadamente os de Super-Heróis.

A parte de trás da nota vinha com algo alusivo à agricultura presumo, tinha 156 mm por 74 mm tendo sido emitida em 07-10-1988 e foi retirada de circulação em 1997, altura em que entraram em circulação umas notas com menos charme, com umas modernices no design e na tentativa de evitar a falsificação mas que tiravam algum do gosto em ter uma destas notas no bolso ou na carteira.

Eram bastante mais pequenas, 125 mm por 68 mm, tinham a efígie de João de Barros e na parte de trás algo com naus e 2 homens, um de letras e um mercador. Ela foi emitida em 17-04-1997 e saiu de circulação em 2002 aquando da entrada de Portugal no Euro.

Já não tinha a mesma força e importância da sua antecessora, já que as notas de 500 com o D. João II ou com o Mouzinho da Silveira eram prendas apetecíveis e que nos possibilitavam pequenas loucuras em compras que nos saciavam os mais diversos apetites de uma forma bastante satisfatória.

Como curiosidade a nota de 500 Escudos do D. João II era do mesmo tamanho da sua sucessora, tinha obviamente a efígie do D. João II, e na parte de trás vinha com 2 figuras dos descobrimentos em conjunto com um mapa quinhentista de África. Foi emitida em 17-10-1966 e saiu de circulação em 1988.





quarta-feira, 27 de junho de 2012

... do Sledge Hammer (Tira da Pesada)

quarta-feira, junho 27, 2012 8
... do Sledge Hammer (Tira da Pesada)


Sledge Hammer é daquelas séries que só vimos uma vez há muitos anos atrás, mas que ainda hoje nos lembramos de pormenores do programa. Foi transmitida pela RTP no começo da década de 90, em 90 ou 91, e segundo me lembro era num dia de semana e de tarde mas não consigo me lembrar do nome que teve por cá, no Brasil sei que teve o nome de Tira da Pesada e por cá aposto que foi algum trocadilho do género.

Sledge Hammer foi filmado em 1986 tendo duas temporadas, acabando em 1988 num total de 41 episódios onde nos podíamos rir à grande com as aventuras de um polícia duro e nem sempre muito inteligente.

Alan Spencer foi o criador da série, com apenas 26 anos, e que queria nos mostrar uma personagem à lá Dirty Harry do Clint Eastwood, mas que levava a sua sede de justiça a extremos que roçavam a comédia física e que tinha sempre uma expressão para cada ocasião.

David Rasche protagonizou o irascível inspector Sledge Hammer, um polícia sádico e insensível que tinha a sua arma Magnum Smith & Wesson como a coisa mais importante da sua vida. O show beneficiou do sucesso dos 4 filmes de Dirty Harry e ainda da música de Peter Gabriel, "Sledgehammer", que escalou os tops de música nessa altura e que a usavam amiúde na publicidade à série.

Apesar de nunca o vermos a matar alguém, Hammer apregoava sempre que acreditava em atirar primeiro e perguntar coisas depois, além de gostar de abusar um pouco dos suspeitos de uma forma sempre meio violenta. A história da personagem era sui generis, o seu pai era um freak do circo conhecido por apanhar balas com os dentes (ele salva o filho num episódio usando isso), e era descendente de pessoas históricas como Genghis Khan ou Gandhi (que ele chamava de Ovelha Negra da família).

Óculos escuros, fatos baratos e coloridos e puro machismo eram marcas distintas deste detective que adorava falar mal da sua ex-mulher, que aparece no último episódio, e das mulheres em geral, que leva sempre a discussões com a sua parceira, a Dorie Doreau (Anne-Marie Martin) que é sensível, inteligente e sofisticada, ou seja o completo oposto do seu parceiro o que só ajudava a termos ainda mais comédia na série.

Comédia que em algumas ocasiões era bem física pelo que me lembro, Hammer aleijava sempre o seu Capitão com tacos de bilhar, portas, ou outros objectos que encontravam sempre o corpo do seu chefe. Mas o melhor era sempre as tiradas dele, como esta no primeiro episódio:


Sledge Hammer: Well, Miss, I was in this store when two thugs entered and threatened the owner with shotguns. At that time I drew my magnum and killed them both. Then I bought some eggs, milk, and some of those little cocktail weenies.
News reporter: Inspector Hammer, was what you did in the store absolutely necessary?
Sledge Hammer: Yes, I had no groceries at all.

Logicamente que quando se tem escritores como Al Jean e Mike Reiss (futuros escritores em Simpsons) isso não é de se estranhar.

Revi há pouco alguns episódios da série, e esta ainda tem alguma piada, a personagem é muito carismática e é impossível não gostarmos dela apesar de todas as suas facetas politicamente incorrectas. Mas ainda hoje me lembro de o ver a rodar a pistola e "trust me, i know what i'm doing".










terça-feira, 26 de junho de 2012

... dos Filhos da Pantera Cor de Rosa

terça-feira, junho 26, 2012 0
... dos Filhos da Pantera Cor de Rosa


 "Os Filhos da Pantera Cor de Rosa" (Pink Panther and Sons) foi mais um desenho animado em que se pegava em conceitos de personagens antigas e se transformava as mesmas em crianças ou então, como neste caso, davam-lhes filhos. Maior parte desses programas saíram dos estúdios da Hanna-Barbera, e este não foi excepção tendo como principal criador o talentoso Friz Freleng, que assim ajudou a revitalizar a Pantera para toda uma nova geração, respeitando assim as tradições da personagem e estreitando a ligação com os estúdios da MGM.

A série foi produzida em 1984, com uma temporada de 26 episódios, tendo sido transmitida pela RTP em 1987 na sua versão original em Inglês com legendas em Português. Lembro-me de ver a série nos dias de semana à tarde no Canal 1 e tenho boas recordações dela, não tinha o humor refinado da Pantera original, mas tinha os seus momentos e a interacção entre ela e os seus filhos era bem trabalhado. Logicamente que ela era mais focada nos filhos e no grupo de amigos que estes tinham, mas isso não estragava as coisas para nós.

Pinky era o filho adolescente, enquanto que Panky era o bebé que tinha como característica principal o andar sempre a segurar na fralda enquanto caminhava já que esta parecia ser muito grande para ele.

O seu grupo de amigos consistia no gago Punkin, no atleta Rocko, a romântica Chatta, a inteligente Annie e o sonolento Murfel.

Todas as personagens falavam, menos a Pantera mantendo-se assim fiel à sua versão original, e eram sempre aventuras divertidas com a típica moral dos anos 80 no final do episódio a vir ao de cima.





... do Badaró

terça-feira, junho 26, 2012 2
... do Badaró


Ainda sou do tempo em que o humor politicamente incorrecto dominava as televisões, e por cá um dos maiores exemplos desse humor era o do comediante Brasileiro Badaró, especialmente quando encarnava a sua mítica personagem "Chinezinho Limpopó".

Manilo Hedair Badaró nasceu em São Paulo a 23 de Abril de 1933 e veio para Portugal em 1957 por onde ficou e construiu uma carreira nos palcos e na RTP. Era impossível não gostar do Badaró, mesmo que não fossemos fãs do seu tipo de humor, o homem era carismático e tinha um sotaque que ajudava a dar mais piada aos seus textos e bordões, e foi isso que o ajudou a dar o salto dos palcos de Teatro para os programas de Televisão. O seu bordão "Ó Abreu, dá cá o meu" percorreu o País todo e os seus especiais no Canal 1 sucediam-se agradando a miúdos e graúdos.

A sua personagem chinesa era o maior sucesso junto dos mais novos, o ridículo do seu fato, o seu penteado e especialmente o seu discurso com todos os clichés de uma personagem Asiática nos anos 80, eram logo garantia de um grande hit televisivo. Lembro-me de ver programas dele pelas tardes do Canal 1, e era sempre uma boa sobremesa para o almoço dar umas quantas gargalhadas com as suas tropelias. Morreu no dia 1 de Novembro de 2008 com 75 anos vítima de Cancro, tendo deixado marca no audiovisual Português apesar de ser ignorado por todos os canais nos seus últimos anos de vida.




segunda-feira, 25 de junho de 2012

... do Jogo do Ganso

segunda-feira, junho 25, 2012 4
... do Jogo do Ganso


Entre os primeiros concursos transmitidos pela TVI, na altura canal 4, encontrava-se um concurso Espanhol de enorme sucesso baseado num jogo de tabuleiro, o Jogo do Ganso. O jogo era apresentado da mesma forma que o jogo de tabuleiro, assim como os obstáculos a ultrapassar, e teve grande sucesso para cá sendo um dos primeiros líderes de audiência do canal da Igreja chegando a ter um especial com concorrentes Portugueses.

Foi em Junho 1994 que pudemos ver por cá este formato Espanhol, apresentado por Emilio Aragón e transmitido pela Antena 3, nas noites de fim de semana o que ajudaram esse verão a ficar ainda mais divertido. O concurso era leve, bem animado, e o apresentador era bastante carismático e ajudava a com que todos aqueles jogos parecessem mais imponentes do que eram na verdade. A produtora Espanhola Globomedia apostava em jogos em que as pessoas pudessem se divertir tanto vendo o concurso em casa, como participando no mesmo. Os jogos envolviam muita água, muito exercício físico e sempre que possível mostrando umas beldades do sexo feminino para aguçar o apetite e era esta a receita que nos prendia ao ecrã.

O nome original era EL Gran Juego de la Oca, e só não me recordo se ele era legendado ou se alguém fazia voz off ajudando-nos a perceber melhor o que acontecia, mas lembro-me que me divertia bastante vendo-o e foi um dos meus primeiros programas preferidos nessa estação. Eu achava piada ao tabuleiro gigante, aos concorrentes vestidos com cores diferentes como se fossem os peões e aos jogos que cada casa proporcionava depois do lançamento dos dados.


sábado, 23 de junho de 2012

... da Nucrema

sábado, junho 23, 2012 1
... da Nucrema


Nucrema era uma das escolhas preferidas da criançada da década de 80 no que tocava a coisas para barrar no pão, era mais uma das escolhas doces que competia com o Tulicreme e afins como rainha das preferências do público infantil.

Leite, Cacau e Avelãs (ou chocolate) numa mistura mais espessa e granulada que a "manteiga de chocolate" fornecida pelo Tulicreme, a Nucrema é do género da outra maravilhosa escolha que dá pelo nome de Nutella, um creme para barrar que se podia (e devia) manter fora do frigorífico e era daquelas coisas que em algumas ocasiões até preferíamos comer sem o pão e somente à colherada.

Os anúncios a ela, nas revistas de Banda Desenhada ou na TV, aludiam quase sempre à prática do desporto, numa vã tentativa de nós pensarmos que éramos desportistas só por a estar a comer provavelmente. Lembro-me que nem sempre podia ter esta iguaria lá por casa, e das poucas vezes que a comi gostei muito mais do que do Tulicreme, mas agora penso que já não existe no nosso País, ficando somente a Nutella nesta variante de paste da chocolate num boião.







sexta-feira, 22 de junho de 2012

... dos Eternos Novatos (Perfect Strangers)

sexta-feira, junho 22, 2012 7
... dos Eternos Novatos (Perfect Strangers)


A série os Eternos Novatos (Perfect Strangers) foi uma comédia da segunda metade da década de 80, nela víamos dois primos vivendo juntos com aquele clássico argumento de serem completamente diferentes na sua forma de viver e no comportamento que tinham nas mais diversas situações. A série teve 8 temporadas, 150 episódios que foram transmitidos entre 1986 e 1996 na cadeia ABC tendo sido transmitida por cá em horário nobre no final da década de 80.

Larry Appleton (Mark Linn-Baker) vai viver para Chicago para ganhar a sua independência longe dos seus pais, mas quando ele começava a desfrutar dessa vida recebe a visita do seu primo afastado Balki Bartokomous (Bronson Pinchot), um pastor de cabras simples e ingénuo de uma ilha do Mediterrâneo, que tinha uma energia tremenda e só conhecia a América por referências de pop-culture que lhe chegavam à ilha. Este choque de culturas deu origem a muitas gargalhadas com uma série simples mas divertida onde os dois primos se metia sempre em sarilhos devido às diferentes perspectivas que cada um deles tinha da vida em sociedade.

Lembro-me que amava o sotaque de Balki e a sua frase padrão, "Don't be ridiculous", rindo-me sempre que ele a proferia para o desespero do seu primo Larry. Outra coisa comum era Balki conseguir sempre o que queria e quando o seu primo colocava objecções, ele apenas chorava desesperadamente até que Larry cedia e concedia o desejo do seu primo excêntrico, e isto levava Balki a dançar a Dança da alegria (Dance of Joy).

Larry era o típico citadino neurótico, aspirava a ser um fotógrafo e tinha a mania que sabia das coisas usando em muitas ocasiões a frase "Watch and Learn", mas muitas vezes metia-se em problemas e era o seu primo Balki que o salvava.

A série foi um sucesso de audiências, e continua na memória de muitos de nós que se divertiram a ver as peripécias de um simples pastor de cabras numa grande cidade. Bem que a RTP Memória podia repetir esta série de modo a podermos recordar melhor esses episódios.








quinta-feira, 21 de junho de 2012

... do Sensible Soccer

quinta-feira, junho 21, 2012 3
... do Sensible Soccer

Se houve jogo onde passei horas da minha vida a jogar no Mega Drive, esse jogo foi o Sensible Soccer, um daqueles jogos em que tinha que ter cuidado ao tirar o cartucho porque este ficava demasiado quente depois de tanto tempo ligado.

Lembro-me de comprar daquelas revistas do começo da época, onde vinham os plantéis das equipas nacionais, de ver as constituições das equipas estrangeiras nos jornais e de escrever pacientemente aquilo tudo no editor do jogo. De relembrar que isto era no Mega Drive, onde só tinha um comando para escrever isso tudo (tornando esse processo muito demorado), e que eu piorava quando tentava escolher a equipa com as 3 estrelas como eu pretendia.

Sim, uma das melhores características desse jogo era de que podíamos ter 3 estrelas na equipa (normalmente eu tentava 1 na defesa, 1 no meio campo e 1 no ataque), e quando queria jogar com o Sporting procurava sempre uma assim. Outra luta era a de usar as cores limitadas nos equipamentos (não podíamos usar listas) para os tornar o mais parecido com o verdadeiro equipamento.


O jogo usava um tipo de visão um pouco semelhante ao que víamos no Super Kick off ou no Itália 90, via-se o campo de cima e os bonecos eram apenas pequenos corpos que víamos a partir da sua cabeça. Como os outros jogos, existia sempre a hipótese de marcar um golo certo recorrendo a uma jogada simples e eficaz, neste caso o de rematar na diagonal quando estávamos à entrada da grande área e colocando um pequeno arco na trajectória da bola. O ritmo de jogo era rápido, troca constante de bola, carrinhos que rapidamente roubavam a bola e uma música que cumpria o seu dever, deixava nos concentrar no jogo.

O jogo saiu em 1992 e foi um sucesso completo, quem tinha um Commodore Amiga ou um Mega Drive e gostava de futebol, tinha que ter este jogo. Eu fui bastante viciado nele, tinha um caderno onde apontava os resultados, as ligas que eu inventava e os planteis que criava no editor, o jogo nisso tinha uma vida longa. Podia inventar uma liga dos campeões a 2 voltas e depois um esquema de mata-mata, um campeonato Português com 10 equipas e 3 voltas ou tudo aquilo que eu quisesse.




terça-feira, 19 de junho de 2012

... do Coiote e Bip Bip/Papa Léguas (Coyote and Road Runner)

terça-feira, junho 19, 2012 8
... do Coiote e Bip Bip/Papa Léguas (Coyote and Road Runner)



Chuck Jones foi um dos maiores génios da animação, e um dos seus melhores trabalhos é sem sombra de dúvida a dupla Coiote e Bip-Bip (Coyote and Road Runner/Papa Léguas) dos segmentos Looney Tunes e Merrie Melodies, que pudemos ver por cá na RTP como tapa buracos, no programa do Vasco Granja ou naquele período que antecedia o filme na Lotação Esgotada.

O design de Chuck, em 1948, foi levado a píncaros de loucura pelo escritor Michael Maltese que escreveu  os primeiros cartoons transmitidos no cinema, e os ocasionais especiais para a televisão, onde podíamos ver as tentativas frustradas de um Coiote, que tentava apanhar uma ave super veloz por meio de armadilhas extremamente elaboradas ou planos complexos que davam sempre mau resultado para este carnívoro.

Foram 48 curtas, quase todas de Chuck Jones, e passadas num deserto que podia ser super realista ou bastante abstracto, dependendo de quem trabalhou nesse episódio. A companhia ACME foi presença quase constante em todos os episódios, era de lá que o Coiote encomendava as peças para as suas armadilhas, assim como a violência nas situações pós armadilha falhada, era impossível não sentir pena em cada queda do penhasco do Coiote, ou então dar uma sonora gargalhada.

O mais engraçado nessas situações era quando o Bip Bip desafiava as leis da física, como quando conseguia entrar num falso buraco pintado numa parede pelo coiote, ou quando este último fica a pairar em pleno ar até se aperceber disso e cair sem dó nem cerimónia.

Também me divertia sempre quando ele montava uma armadilha, a ave passava por ela sem se magoar porque esta não disparava/funcionava, mas depois ele ia todo furioso saltar em cima da mesma e claro que esta funcionava deixando ele de novo humilhado e sem conseguir apanhar o Bip Bip.

Aliás ele parecia sempre mais humilhado que magoado, e é por isso que quase todos gostam da personagem, têm simpatia por ela devido à frustração de não conseguir o seu objectivo e saciar a sua fome.

As animações não tinham mais que 8 minutos, mas era algo que nos enchia de divertimento de tal modo que nem parecia ter sido tão curto. Achava piada ao facto de que no começo do episódio aparecia o nome dos animais, e entre parêntesis aparecia um nome "científico" das espécies enquanto aparecia também os nomes dos artistas envolvidos no episódio. Foi mais um desenho animado cheio de violência que podíamos ver enquanto crianças e nos divertirmos, sem terem medo que fossemos imitar as peripécias ali demonstradas.







segunda-feira, 18 de junho de 2012

... dos 2 Cachorros Bobos (2 Stupid Dogs)

segunda-feira, junho 18, 2012 5
... dos 2 Cachorros Bobos (2 Stupid Dogs)


Existiram grandes desenhos animados na década de 90, e os 2 Cachorros Trapalhões/Bobos (2 Stupid Dogs) é um bom exemplo disso. A série foi criada por Donovan Cook nos estúdios da Hanna-Barbera em 1993, numa altura que estes estavam já como parte do império de Ted Turner e por isso estes desenhos animados foram transmitidos pela TBS de 5 de Setembro de 1993 a 13 de Fevereiro de 1995.

Por cá pudemos ver a série em 1995 no programa Buéréré, que era transmitido na SIC, na sua versão dobrada em Português do Brasil. Há muito que isso não acontecia pelo nosso país, mas até foi uma boa opção já que a dobragem adequava-se à loucura do desenho animado e respeitava o seu espírito na perfeição o que pude comprovar quando anos mais tarde vi a versão original no Cartoon Network.

Foram duas temporadas de 36 episódios que mostravam as aventuras de 2 cães não muito inteligentes, o cachorro pequeno e o cachorro grande, numa animação algo incomum para a época com um aspecto mais simplista lembrando as animações clássicas do estúdio HB mas com um humor à anos 90.



2 Stupid Dogs é o responsável pelo revitalizar dos estúdios da Hanna-Barbera, que não tinha um sucesso desde a última animação dos Smurfs, com um sucesso em vários países devido a um tipo de humor muito próprio e que realçava sempre na perfeição a estupidez dos dois cães. Gostava sempre quando um osso ficava preso na cabeça do pequeno cão e este perdia o episódio todo à procura dele, ou este apaixonado por um cão de brinquedo. Outra parte que gostava era quando surgia uma pequena capuchinho vermelho que era bastante sádica e torturava os 2 cães sem dó nem piedade.

O cão pequeno era o líder, apesar de em algumas ocasiões ser menos inteligente que o cão grande, e era bastante energético e hiperactivo com um grande medo de gatos procurando a ajuda do cão grande, que na verdade era mais preguiçoso do que estúpido, apenas queria que o deixassem em paz e não se preocupava muito com as coisas ao seu redor.

Existiam personagens que apareciam em diversos episódios, como um homem grande que invariavelmente surgia no caminho dos cachorros e com pouca paciência para eles. Quando lhes explicava algo e eles não entendia, reagia sempre "isn't that cute...BUT IT''S WRONG".

Um dos meus episódios favoritos é quando ele tem que colocar gotas nos olhos e fica sem conseguir ver, procura então um cão guia e logicamente que fica com estes 2 que só lhe causam problemas. Um programa bem divertido, foi raro o episódio que não teve piada, e um dos desenhos animados que ninguém com um bom sentido de humor deve perder.



... da Mulher do Sr. Ministro

segunda-feira, junho 18, 2012 0
... da Mulher do Sr. Ministro

Ana Bola foi uma das melhores aprendizes do mestre Herman José, e que provou ser uma herdeira digna desse género de humor nos seus próprios programas. A Mulher do Sr. Ministro é um bom exemplo disso, uma série baseada na britânica "Yes prime minister" mas com uma personalidade própria e um humor que contava com a ajuda de um País ainda em plena era Cavaquista. Assim como nos programas do Herman, também Ana Bola soube reunir um elenco com extrema qualidade ao seu redor. 

Vítor de Sousa era o seu parceiro, o Ministro Rocha, a pessoa ideal para representar um ministro incompetente, ingénuo e que se deixava levar por alguém mais forte e com uma personalidade muito mais vincada como era o caso da sua esposa.

Maria Rueff foi a revelação do programa no papel da criada Rosa, a afilhada de Lola Rocha, uma pessoa simples que vinha da terrinha e se apaixona pelo polícia Manuel, interpretado por João Cabral.

No escritório Miguel Melo era Alfredo, o fiel assistente do ministro e que tinha pouca paciência para a falta de inteligência do mesmo, enquanto que Maria de Lima era Tita, uma secretária bonita e um pouco "tia".


A primeira temporada durou de 1994 a 96 e acompanhou a ascensão do ministro Rocha sempre apoiado pela sua mulher Lola. O programa foi mudando com os tempos até ao ponto que a própria Lola virou ministra, e o elenco foi sendo mudado (para pior) com a entrada de Cândido Mota e Alexandra Leite para os lugares de assistente e secretária.

O programa era bastante divertido, tinha diálogos inteligentes e engraçados ao que se juntava um elenco que tinha uma grande química e se conheciam muito bem. Eu ria-me bastante com a figura de Ana Bola, em especial a enorme cabeleira que colocava na sua cabeça, e na interacção entre ela e a Maria Rueff. O ar clueless do Vítor de Sousa também ajudava ao sucesso do programa que era sempre passado ou no apartamento do Rocha ou no seu escritório.

A RTP Memória repete bastante este programa que foi transmitido pelo Canal 1 entre 94 e 97 e as suas duas primeiras temporadas continuam a ser do melhor humor que já se viu por cá.




domingo, 17 de junho de 2012

... do Hugo

domingo, junho 17, 2012 2
... do Hugo

Em 1997 a RTP 2 ainda era aquele canal que só ligávamos quando não havia mais nada para ver ou que nos interessasse, mas nesse ano estreou um programa por lá que nos fazia mudar para lá quando este estava a ser transmitido, e esse programa era o do Hugo.

O Hugo era um concurso interactivo que tinha a sua origem na Dinamarca, País onde se estreou no começo da década de 90, que consistia em pessoas ligarem para o programa e jogarem o mesmo com as teclas do seu telefone. O jogo consistia no nosso herói a tentar salvar a sua família das garras da bruxa Maldiva, que os tinha preso na Caverna das Caveiras na Hugolândia. A produção estava a cargo da Costa do Castelo, com direcção de Paulo Trancoso e António Luís Campos com a dobragem a cargo de Paulo Coelho com os textos de Mário Botequilha e Pedro Castro. O programa tinha uma toada leve e os seus apresentadores ajudavam a manter o jogo num tom jovial e divertido, eles tinham um à vontade com os concorrentes e mais tarde brincavam com o próprio boneco num programa que era transmitido em directo.

Pedro Pinto e Alexandra Cruz (Xana), foram os primeiros apresentadores de um programa que se mantinha sempre fresco com novos jogos e cenários reformulados que ajudavam a que não se perdesse o interesse pelo jogo. Antes do programa passar para o Canal 1, sai Pedro Pinto e entra Fernando Martins, que continua a apresentá-lo quando este muda de canal e tem a companhia de uma nova apresentadora, a Joana Seixas que substituía a Xana.




O participante começava com uma pequena conversa com o apresentador. Este explicava as regras do jogo: para o jogo começar, o participante tinha que carregar na tecla 5. O Hugo andava sózinho; o contrôlo incidia sobre as direcções e movimentos que este fazia. Normalmente o código era: tecla 4 para salto à esquerda, tecla 6 para salto à direita, tecla 2 para salto, tecla 8, para agachamento e, tecla 0 para consulta de mapa, quando o caminho do jogo tinha várias direcções possíveis. Dependendo do jogo, só estavam disponíveis alguns movimentos.

O jogador tinha que acumular pontos para poder passar à fase final, à caverna. Para tal, este tinha que fazer com que o Hugo tocasse, com qualquer parte do corpo, através dos diversos movimentos, em bolas de ouro presentes no cenário do jogo. Cada bola de ouro valia 10000 pontos, num mínimo de 80000 que eram necessários para entrar na caverna. Porém, quase sempre havia uma bola que era falsa, retirava 20000 pontos aos conseguidos até então e, uma bola polivalente, adicionava 30000 pontos, em vez dos habituais 10000. Quando se apanhava uma bola vulgar, ouvia-se um som parecido com moedas a tilintar; quando se apanhava a bola falsa, ouvia-se um riso de bruxa, semelhante ao riso que a bruxa Maldiva fazia quando Hugo não conseguia salvar a família e; quando se apanhava a bola polivalente, ouvia-se o som da bola normal, acompanhado de cordas.

Existia bastante armadilhas durante cada jogo. O jogador tinha 3 oportunidades para caír nas armadilhas e, poder continuar o jogo. Por cada armadilha, o jogador perdia 10000 pontos. Porém, em certos jogos havia armadilhas que, apanhadas à primeira, terminavam logo o jogo.



Na caverna, existia 3 opções que decidiam o final do jogo. Tais opções eram representadas por cordas no cenário do jogo. Duas delas, permitiam que a família de Hugo saísse do cativeiro e, consequentemente, que o jogador ganhasse o jogo. Uma delas, triplicava a pontuação conseguida até então e, outra apenas a dobrava. Uma terceira corda, fazia com que Hugo fosse projectado para fora da caverna, não salvando a família e, o jogador perdia toda a pontuação conseguida ao longo do jogo.


Os jogos eram interessantes, fossem numa linha de comboio ou na neve, era sempre interessante ver os obstáculos constantes e como os concorrentes lidavam com estes. Depois era as situações engraçadas que colocavam no ecrã sempre que o Hugo perdia, e isso ainda ficava mais engraçado com as frases dele como "é tramado mas este jogo está acabado". O típico programa que se fica a ver quando não há mais nada para ver mas que até divertia bastante, e quem é que ainda não se lembra da letra?


Precisas de ajuda
para lá chegar.
Amarra a bruxa
para a catapultar.

Hugo,
à esquerda e à direita,
sem fazer asneiras.

Hugo,
para cima e para baixo,
até à Caverna das Caveiras.







sexta-feira, 15 de junho de 2012

... do Três Homens e um bebé

sexta-feira, junho 15, 2012 0
... do Três Homens e um bebé


Hollywood sabe vender os seus filmes, juntar três actores que estão no seu auge a um bebé significa grandes números na bilheteira, mesmo que o filme não seja tão engraçado como pareça, se souberem colocar bem a grande máquina de marketing a trabalhar. Tenho boas memórias de Três Homens e um Bebé, Three Men and a Baby, que estreou por cá a 29 de Abril de 1988 e foi um sucesso estrondoso já que as salas estavam sempre esgotadas e lembro-me que foi complicado para conseguir ver o filme.

Steve Guttenberg era daqueles canastrões que conseguiu um enorme sucesso em Hollywood, foi presença comum em comédias dos anos 80, e um daqueles actores em que só o carisma explica o sucesso que teve. Representou o cartoonista Michael Kellam.

Ted Danson tinha já experiência em comédias, a série Cheers comprova isso, e o seu talento nesse campo só era superado pelo seu aspecto que atraía as fãs às salas do cinema garantindo com isso uma boa bilheteira. No filme era o actor Jack Holden.

Tom Selleck não ficava atrás no departamento de atrair as fãs com o seu aspecto, e o seu inacreditável carisma e presença no grande ecrã tratava do resto. Era o arquitecto Peter Mitchell.

Eram três solteirões (foi esse o nome adoptado no Brasil) que viviam juntos num apartamento e gozavam de uma grande popularidade entre os membros do sexo oposto, sendo por isso normal que existissem grandes festas no apartamento ou grandes noitadas. Mas isso tudo mudou quando um dia descobrem uma criança abandonada à porta do apartamento e com um bilhete informando que Jack era o pai dela.


Leonard Nimoy, o Sr Spock, foi o realizador do filme e soube captar na perfeição o melhor do seu elenco. A história do filme é simples e nem há assim grandes momentos de comédia, daqueles que não conseguimos parar de rir ao ver o filme, mas é divertido, "fofo" e o carisma e química do seu elenco consegue nos prender ao ecrã e a querermos ver no que aquilo tudo vai dar. O filme teve uma sequela, Três Homens e uma menina, que não teve o mesmo sucesso ou encanto (mas vê-se bem) e fala-se que irá ter agora uma terceira, Três Homens e uma Noiva, onde se espera que corra melhor as coisas.

É engraçado ver três homens de meia idade a tentarem de repente conciliar as suas vidas profissionais e sociais com o tomar conta de um bebé, e mais ainda quando acontecem situações com que eles nunca se depararam e não têm a mínima ideia de como resolver a mesma. Quando o filme deu numa Lotação Esgotada, gravei logo em K7 e guardei com a capa da Tv Guia e ficou como uma das k7's que revia de tempos a tempos. Continua a ser uma comédia leve e que entretém, com pequenas situações e uma história que apesar de não ser brilhante, não ofende. A cena deles os três a cantar para ver se acalmavam a bebé é um bom exemplo.







... da Novela Top Model

sexta-feira, junho 15, 2012 2
... da Novela Top Model


Na década de 90 também existiam novelas à hora de almoço, mas estas tinham um conteúdo mais leve e cómico, o que dava para espairecer um pouco enquanto se almoçava ou se esperava pelo almoço. Top Model foi uma das melhores novelas que deram nesse horário, tendo sido transmitida pela RTP em 1989 com algum sucesso por cá.

Lembro-me pouco da trama da novela, para além do óbvio da protagonista Malu Mader ser uma Top Model de sucesso, mas havia umas personagens que se destacavam e pertenciam ao núcleo familiar de um pai solteiro. Nuno Leal Maia representava o papel de um hippie quarentão, um surfista despreocupado que vivia com os seus cinco filhos que tinham uma característica em comum, terem nomes que serviam como homenagem a grandes personalidades do mundo do espectáculo.



Elvis, Ringo, Jane, Lennon e Olivia representavam Elvis Presley, Ringo starr, Jane Fonda e John Lennon. Quando todos pensávamos que Olivia seria de Olivia Newton John, o próprio pai explica num dos episódios que ela teve o nome dado pela sua mãe, logo não seria dado com essa finalidade.  Outro factor de destaque é que todos eles eram de mães diferentes, e mais filhos surgiriam no desenrolar da trama. Depois lembro-me que tanto este pai divertido como a personagem principal, estavam envolvidos em diferentes triângulos românticos sendo que um era mais para o divertido e outro mais para o lamechas.

A novela tinha uma excelente banda sonora, onde se destacava uma versão Portuguesa do hit dos Beatles, Hey Jude. Não a vi regularmente, os horários escolares não o permitiam, mas tenho boas memórias dos episódios onde esta família peculiar era protagonista.




quarta-feira, 13 de junho de 2012

... dos Mamonas Assassinas

quarta-feira, junho 13, 2012 3
... dos Mamonas Assassinas


Portugal começou a ser invadido por músicos do Brasil,  muitos deles eram diferentes daquilo que estávamos habituados a ouvir do outro lado do Oceano, na segunda metade da década de 90, mas nenhuma banda era tão diferente e irreverente como os Mamonas Assassinas, um grupo de Rock cómico que misturava um sem número de géneros musicais desde o Pagode ao forró e dentro dos quais podíamos até encontrar o Vira Português. A carreira da banda foi meteórica, durou de Julho de 1995 a Março de 1996, e com apenas um álbum de estúdio conquistaram o Brasil e Portugal continuando a tocar muito para além da sua morte trágica e inesperada.

A banda começou no começo da década de 90, quando o baterista Sérgio Reoli é apresentado ao guitarrista Bento Hinoto e ambos decidem começar a tocar juntos em casa de Sérgio. Isso desperta o interesse do irmão deste, Samuel, que pegando no baixo ajuda-os a formar a banda chamada Utopia que que começou a tocar covers de bandas conhecidas como Legião Urbana ou Titãs. O vocalista Dinho e o teclista Júlio Rasec se uniram à banda e ajudaram a que esta começasse a abandonar os covers e a música séria, para enveredar por músicas de paródia e mais palhaçada em palco. A exuberância de Dinho chamava a atenção de todos, e o seu carisma ajudou a chamar a atenção de um produtor que os ajudou a gravar as suas primeiras músicas, Pelados em Santos e Robocop Gay, e a mudar o seu nome para Mamonas Assassinas.



Em 1995 saiu então o seu álbum, Mamonas Assassinas, e com passagens por todos os programas televisivos de topo da Globo, o grupo começou a chamar a atenção e a lotar salas de espectáculos, chegando a vender 100 mil cópias de discos a cada dois dias. Infelizmente quando a banda começava a pensar numa carreira internacional, com viagem marcada para Portugal e tudo, um terrível acidente aéreo matou todos os elementos da banda e terminando assim uma carreira que podia ter tido ainda mais sucesso.

Logicamente que isso não impediu que escutássemos constantemente a banda por Portugal, a Rádio Cidade e outras trataram disso e quando saiu o cd deles por cá, rapidamente chegou ao 1º lugar de vendas. Vira-Vira, Mundo Animal, Pelados em Santos ou Robocop gay eram músicas que nos deixavam com um sorriso nos lábios ao mesmo tempo que podíamos dançar ao som dela e nos divertirmos em mais que um sentido. Por cá tivemos algumas bandas do mesmo género nessa altura, como os Fúria do Açúcar ou os Mercuriocromos, mas estes foram os que mais nos divertiram e nos deixaram com uma imensa saudade.














... de Saltar a Fogueira

quarta-feira, junho 13, 2012 3
... de Saltar a Fogueira


Ainda sou do tempo em que tínhamos alguma liberdade para ter brincadeiras um pouco mais perigosas, e um dos maiores exemplos era o Saltar a Fogueira na altura dos Santos Populares. Na semana que antecedia o 13 de Junho, existia na minha rua umas mini festas onde o ponto alto era o poder saltar a Fogueira à noite mesmo que ainda fossemos umas crianças.

Durante o dia íamos apanhando a lenha que iria servir para a fogueira e para a confecção das Sardinhas e Bifanas. Em algumas ocasiões até havia festas um pouco mais elaboradas, com jogos como soltar um hamster e apostar em que casa ele iria entrar, ou com um grupo musical a tocar durante a noite toda.

A emoção do perigo de nos podermos queimar, o estar ali o bairro em peso, tudo ajudava a que esse simples acto se tornasse como uma manobra digna do Jackass na nossa mente (embora na altura nem soubesse o que era isso). As músicas escolhidas ou eram o que mais tarde se gostou de apelidar de Pimba, ou então algo latino muito mexido e que para nós não importava, o que importava era pode estar acordado até de madrugada como os adultos e o poder saltarmos a Fogueira. Foi algo que se foi esmorecendo, primeiro acabaram as festas e agora já nem se vê Fogueiras nenhumas por aí.. uma pena.





segunda-feira, 11 de junho de 2012

... do Sai de Baixo

segunda-feira, junho 11, 2012 2
... do Sai de Baixo

Eu adorava ver o canal Brasileiro GNT que apresentava uma programação variada, que ia desde a repetição de grandes clássicos da Globo, como O Bem Amado, a programas de sucesso que ainda não tinham sido transmitidas por cá, como o fantástico Sai de Baixo.

Sai de Baixo era uma Sitcom Brasileira transmitida ao Domingo pela hora do jantar, como no Brasil, e que mostrava a vida de uma família e a dos seus empregados num apartamento situado no Largo do Arouche. Vavá (Luis Gustavo) vivia sozinho no apartamento com a companhia apenas da sua empregada Edileuza (Claudia Gimenez) e a presença ocasional do namorado desta, o porteiro do prédio Ribamar (Tom Cavalcante).

Mas um dia recebe a visita de sua irmã Cassandra (Aracy Balabanian) que tem uma notícia bombástica. Aracy era uma viúva que vivia com a sua filha Magda (Marisa Orth), e o seu genro Caco Antibes (Miguel Falabella) numa luxuosa mansão, e aparece a pedir abrigo a Vavá, já que problemas com as finanças deixaram Caco na miséria e eles todos à beira de irem viver para debaixo de uma ponte. Para convencer o seu irmão, ela usa a carta sentimental e perante a oposição deste, puxa da situação legal já que ela também é herdeira daquele apartamento deixando assim Vavá sem remédio, a não ser aceitar todos no mesmo tecto.

A primeira temporada do programa é genial, com um excelente elenco em palco, que transmitia o texto de uma forma perfeita, muito devido à grande química entre os membros do elenco, com maior destaque nas contendas entre Caco e Edileuza, ou entre Caco e Cassandra. Foi por isso uma pena quando Cláudia Gimenez saiu do elenco (segundo rumores por conflitos com os roteiristas), em especial porque a primeira substituta não tinha muita piada e nem química nenhuma entre os diversos membros do elenco, e também porque Claudia e Falabella tinham grande sucesso nas suas discussões. Mas o trabalho de Luis Gustavo e Daniel Filho (os criadores do programa), voltou a conhecer o sucesso com o desempenho competente de Márcia cabrita como a nova empregada Neide Aparecida e logicamente a continuação de bons textos e bons diálogos.


Era interessante ver as diferentes personalidades destas personagens, Vavá era calmo, sereno e um pouco ingénuo, exactamente o oposto da sua irmã Cassandra, que era arrogante e impaciente em especial para com a criadagem. Isso gerava momentos engraçados com Edileuza que tinha uma personalidade forte, e que lhe respondia à letra deixando-a furiosa com isso, e com o namorado dela, Ribamar, que era uma pessoa simples que só queria se divertir e encarava as coisas de uma forma bem leviana.

As estrelas brilhavam no casal Caco e Magda. Ele, com a sua arrogância e ódio para com os pobres, que gerava gargalhadas sempre que começava um discurso enumerando os defeitos dessa classe, e ela porque não era muito inteligente e tinha frases que nos deixavam a chorar a rir com a imbecilidade do conteúdo proferido por ela. Outro dos atractivos de Caco era a sua tentativa de falar em Inglês, quase sempre de uma forma desajeitada, levando os outros membros do elenco a não conseguir segurar a risada. Esse era outro atractivo da série, por vezes eles desatavam a rir com atitudes dos seus colegas, ou com as frases do texto.



Foi no começo da década de 90 que Luis Gustavo e Daniel Filho idealizaram uma série de humor que fosse filmada num palco, num ambiente familiar e com o público presente na gravação ao vivo enquanto que era dada liberdade total aos seus actores. O programa durou sete temporadas, com 241 episódios filmados entre 31 de Março de 1996 e 31 de Março de 2002, sendo transmitida por cá pelo canal GNT no final da década de 90, e mais tarde repetida pela SIC nas suas madrugadas. A série era sempre filmada na sala do apartamento e somente em 2000 passou para um cenário diferente, o de um café, que foi rapidamente abandonado pela falta de empatia com o público e pelo declinar das audiências.

Tom Cavalcante era um dos actores que improvisava mais no palco, o seu tipo de humor brilhava nesses improvisos ou então quando tinha que encarnar outras personagens, levando ao extremo os clichés da figura que ele tentava interpretar perante a gargalhada geral. Infelizmente, também ele saiu do programa, a meio de 1999, em conflito com o director Denis Carvalho, deixando assim o programa com uma grande baixa a nível do talento humorístico em palco.

As últimas temporadas tiveram as adições do veterano actor Ary Fontoura, e de uma criança que fazia de filho de Caco e Magda, que entraram ocasionalmente e nunca conseguiram fazer esquecer os membros que tinham saído.

Adorava quando os membros interagiam com o público, quer o presente na gravação quer nós em casa, em especial nos momentos que eles iam mesmo para o meio das cadeiras e brincavam com o público presente. Outra coisa que gostava, era quando eles começavam a falar o texto do programa mas usando os seus nomes da vida real, ou com referências a características suas na vida real, e nisso Miguel Falabella e Tom Cavalcante eram exímios.

Os convidados especiais do programa também usavam esta arma, ou eram alvos disso, José Wilker e Lima Duarte foram bons exemplos de ocasiões do género, e também os meus convidados preferidos. No caso de Lima Duarte, fingiu-se que ele tinha ficado chateado quando um dos membros do elenco entusiasmou-se e atirou água para cima dele obrigando ele a abandonar a personagem e começando a reclamar com todos em palco falando que não tem idade para essas coisas. Tudo muito bem feito.


As frases de Magda corriam a Internet, com o pessoal a enviar e-mails com a compilação das frases mais divertidas, e o chavão "odeio pobre" tornou-se comum mesmo em Portugal. O à vontade do elenco em brincar com eles mesmos ou com o cenário, era usual a brincadeira de "saírem" para o Quarto ou outras divisões que na verdade eram apenas os bastidores do palco, tornava o programa mais familiar e o público conseguia identificar-se com as brincadeiras deles. É uma série que deixa saudades pelo seu bom humor, pelo seu excelente elenco e por ser bastante divertida, daquelas que merecia uma edição completa em dvd.

Eis algumas frases da Magda:


- Eu não acredito no que os meus ouvidos vêem.

- Eu pretendo sumir da alface da terra!

- Me segura que eu vou desmamar...

- Eu quero o divórcio. Não, divórcio não porque é muito pouco, eu quero o trivórcio!

- Em briga de marido e colher não se mete na mulher.

- Deus escreve esperto por lindas portas.

- Nós nos casamos com um caminhão de bens.