Abril 2012 - Ainda sou do tempo

segunda-feira, 30 de abril de 2012

... do Sporting de Marinho Peres

segunda-feira, abril 30, 2012 2
... do Sporting de Marinho Peres


A década de 80 foi atribulada para o Sporting, já começava a ser penoso a quantidade de anos sem vencer um título, e existiu um período atribulado nas direcções eleitas pelos sócios. Mas quando apareceu Sousa Cintra, ele começou a construir uma equipa com jovens talentos, e procurava um treinador à altura dos seus objectivos, o Brasileiro Marinho Peres.

Nascido a 19 Março de 1947, Marinho começou a dar nas vistas como um bom defesa central no começo da década de 70, na Portuguesa dos Desportos, conseguindo assim um contrato com o Santos do Pélé em 1972. Foi titular e capitão da selecção campeã em 1974 , embarcando numa aventura Europeia, sendo contratado pelo Barcelona onde jogou 2 épocas, mas mais tarde voltou ao Brasil, actuando por vários clubes e terminando a carreira no começo da década de 80.

Foi no seu País que ele começou a carreira como treinador, mas foi em 1986 quando assinou pelo Vitória de Guimarães que ele começou a demonstrar o seu valor e qualidade nesta nova etapa de sua carreira futebolística. Na sua estreia por cá, conseguiu levar o clube do Minho a um histórico 3º lugar e aos Quartos de Final da Taça Uefa, mas não resistiu ao temperamento instável do Presidente do clube.

Outro histórico clube de Portugal decidiu apostar neste treinador, o Belenenses, que assim alcançou também um 3º lugar e venceu uma Taça de Portugal. Voltou ao Brasil de onde foi resgatado por Sousa Cintra em 1990 de modo a treinar uma equipa cheia de jogadores jovens e talentosos onde teve direito apenas a 2 reforços, Careca e Bozinoski.

Venâncio (cap.), Leal, Carlos Xavier, Luisinho, Douglas e Ivkovic.
Cadete, Fernando Gomes, Filipe, Balakov e Oceano.


Comecei a ir ao estádio por esta altura, tive uma camisola da Umbro com o mítico patrocínio da Bonança, e lembro-me de ver o velhinho Estádio de Alvalade completamente cheio, apesar dos anos sem vitórias, e as claques completamente rendidas ao carisma e simpatia do treinador Brasileiro gritando o seu nome de forma constante.

Para além da colecção normal de cromos, lembro-me de ter uma de calendários (numa altura que isso também era moda) e consegui completar o desta equipa da qual tenho boas recordações. O dono das redes era o Croata Ivkovic, que ia do 8 ao 80 nas suas exibições, e quando estava engrenado era um Guarda Redes acima da média. Luisinho brilhava na defesa com um mítico Capitão de equipa ao seu lado, o constantemente fustigado pelas lesões Venâncio.

Leal e Carlos Xavier eram os outros habituais titulares, regulares e que cumpriam o seu papel dentro de campo sem muito alarido. Nesta equipa estiveram presentes 2 dos maiores, e melhores, Estrangeiros que passaram pelo nosso clube, o Douglas e o Balakov. A qualidade técnica de ambos era muito acima da média, os seus passes levavam quase sempre o selo de golo, assim como os livres do Búlgaro, e eles próprios marcavam com alguma regularidade. Oceano era o médio trabalhador do conjunto, enquanto que Filipe foi a eterna promessa sempre contrariada pelas lesões contraídas. No ataque tínhamos o veterano Fernando Gomes que tinha um futuro capitão do clube a seu lado, o jovem Cadete. Essa era a prova de como esta equipa foi importante para o nosso clube, Oceano, Cadete e Venâncio foram três dos maiores capitães que já tivemos.

João Luis, Amaral, Careca e Litos eram outros dos nomes que despontaram no plantel deste ano.


O futebol do Sporting de Marinho Peres era bonito e contagiante, primava pela qualidade técnica e pela quantidade de golos marcados. Eram constantes as goleadas com Cadete, Gomes e Careca a serem os marcadores de serviço e na Europa tivemos uma caminhada triunfante onde se destaca a goleada ao Timisoara por uns claros 7-0 e nos levou quase à final dessa competição onde fomos travados na meia final pelo Inter dos alemães Matthaus e Klinsmann.

Foi devido a essa caminhada Europeia que a equipa começou a ressentir-se no Campeonato Nacional, depois de 11 vitórias consecutivas a equipa começou a sofrer com as lesões físicas terminando num inglório 3º lugar devido a não termos um banco à altura do que a equipa estava a lutar para.

Lembro-me de um jogo mítico para a Taça de Portugal onde defrontámos o Porto e fomos roubados à grande pelo Sr. Carlos Valente e que terminou com a claque a gritar por Marinho reconhecendo assim o bom trabalho do treinador.

A época seguinte foi mais irregular, começaram a despontar outros jovens na equipa como Peixe e Paulo Torres, e estrangeiros como Guentchev e Iordanov. mas o futebol não era tão espectacular e o treinador não chegou ao final da época.

Mesmo assim deixou boas recordações, foi um futebol como há muito não víamos e os golos contagiavam a equipa e os adeptos com uma energia positiva que só voltou a acontecer 2 anos mais tarde quando Bobby Robson pegou o comando do clube.

1990-1991 1ª Divisão
Edel, Fernando Gomes, Leal, Ivkovic (GR), Carlos Xavier, Oceano,
Cadete, Filipe, Litos, Douglas, Venâncio, Careca, Luisinho,
Balakov, Miguel, Bozinovski, João Luís Esteves, Mário Jorge,
João Luís Barbosa, Lima, Ali Hassan, Marinho, Sérgio (GR),
Paulo Torres, Peixe
Tr: Marinho Peres (Brasileiro)




sexta-feira, 27 de abril de 2012

... do Pica-Pau

sexta-feira, abril 27, 2012 2
... do Pica-Pau



A RTP nunca apostou muito nos desenhos animados do Pica-Pau (Woody Woodpecker), normalmente eram usados como tapa buracos na programação, o que é uma pena já que era um dos desenhos animados mais divertidos da altura envolvendo um animal representado de uma forma antropomórifca, neste caso um Pica-Pau. Esta ideia surgiu depois de uma viagem em que o criador do programa, Walter Lantz,foi atormentado por um destes animais que ao mesmo tempo provocou-lhe situações engraçadas. Foi difícil vender a ideia aos estúdios da Universal, mas nos anos 40 este animal começou a ganhar destaque nas curta metragens cinematográficas do estúdio atingindo algum sucesso.

No começo ele era desenhado de uma forma mais rude, com um aspecto "louco" e uma aparência grotesca, sendo que as histórias representadas seguiam mais essa linha, atingindo uma grande violência que só viu um abrandamento quando começou a ser transmitido na TV em 1957. Até 1972, altura que o criador decidiu encerrar o estúdio, o desenho foi ganhando contornos mais simpáticos e simples, com o seu comportamento sendo acalmado e abandonando os teores agressivos do começo.


Por cá deu a versão original, um dos actores originais era o lendário Mel Blanc, e a sua gargalhada histérica ganhou contornos épicos com tudo a tentar imitá-la. Mais tarde vi a versão Brasileira e a mesma está extremamente bem feita, os dubladores captaram na perfeição a loucura da personagem e aumentavam o carisma da mesma, um pouco como a dobragem Portuguesa do Ren & Stimpy.

Ben Hardaway e Grace Stafford foram as outras vozes da personagem, mantendo a risada usada por Blanc e que virou imagem de marca do desenho, sendo que sofriam da mesma "aceleração" para dar aquele tom "esganiçado" ao pássaro que combinava com o seu espírito louco e agressivo. Apesar disso tudo, Pica-Pau foi dos primeiros desenhos animados a ter direito a uma estrela no passeio da fama em Los Angeles, e teve uma música baseada nele que alcançou sucesso no top de vendas.

Lembro-me que gostava bastante da revista da editora Abril, tanto quando aparecia ele ou os seus personagens secundários como a Morsa, ou ainda companheiros como o Picolino, um pinguim bem engraçado. Na TV quando ele virou algo mais engraçado e calmo, perdeu muito da piada e do carisma, piorando quando juntaram a ele 2 sobrinhos pequenos.







quinta-feira, 26 de abril de 2012

... do Portugal Radical

quinta-feira, abril 26, 2012 2
... do Portugal Radical



Já falei aqui como a SIC primava por marcar a diferença com uma programação original e irreverente, e isso foi levado a outro nível quando estreou em 1996 o programa Portugal Radical.

O programa era apresentado por Raquel Prates e Rita Mendes com a Rita Seguro como repórter e apresentadora ocasional. Os desportos radicais, com uma grande incidência sobre o Surf, eram os protagonistas deste Portugal Radical, e numa altura em que a geração mais nova queria fugir à normalidade e ao cinzentismo do nosso Portugal, este programa mostrava toda a cor e movimento que eles pretendiam ao mostrar imagens de grandes momentos desses desportos, acompanhados por reportagens que explicavam mais sobre o assunto em questão e assim ajudavam quem quisesse começar nesse desporto.

Chegou a existir uma revista com o mesmo nome, tal o sucesso que isto atingiu, e esteve no ar até 2002 com bons resultados a nível das audiências e chegando a transmitir competições importantes de Surf, BMX e Skate.

Era transmitido pelas manhãs e apesar de não ser nada fã deste tipo de desportos, até ficava a ver o programa contagiado pelo carisma, entusiasmo e beleza das apresentadoras (apesar de me rir com a linguagem algo exagerada para ser "buéda fixe") e a boa música que acompanhava as imagens. Era algo com a cara da SIC da altura e que marcou a estação e lançou 3 apresentadoras que continuaram a marcar presença no audiovisual Português.





quarta-feira, 25 de abril de 2012

... do Sr. Doutor tenho uma dor

quarta-feira, abril 25, 2012 0
... do Sr. Doutor tenho uma dor




Ainda sou do tempo em que existiam várias brincadeiras onde tínhamos que pensar ao mesmo tempo que tínhamos que nos mexer. Uma delas era o Sr. Doutor tenho uma dor. O jogo podia ter vários jogadores, convinha ser no mínimo uns 4, e escolhia-se um deles como Sr. Doutor.

Esse irá ficar de costas para os restantes e começava a contar até 100, os outros começavam a formar uma roda dando as mãos e tentando emaranhar-se com todos os seus membros, os superiores e os inferiores, sem nunca largar as mãos uns dos outros. Alguém gritaria depois "Sr. Doutor, tenho uma dor" e o Doutor iria tentar desemaranhar os jogadores mas sem eles largarem as mãos uns dos outros.

O jogo provocava bastantes gargalhadas e não era de fácil resolução para o Doutor. Não era dos mais populares no recreio, implicava muito tempo parado, mas era bem divertido quando se jogava.

... dos Heróis do Mar

quarta-feira, abril 25, 2012 2
... dos Heróis do Mar


Era o começo da década de 80, a revolução do 25 de Abril ainda era muito recente e na música apareciam coisas que fugiam ao que se estava habituado, que primavam pela rebeldia e pela originalidade e os Heróis do Mar não eram excepção. A diferença era que na originalidade deles, existia ao mesmo tempo uma lembrança dos tempos fascistas e nacionalistas, quem olhava não via distinção entre o que era apenas uma paixão pelo País em que viviam ou uma tentativa de relembrar os tempos pré revolução.

O nome da banda mostrava isso mesmo, era tirado do primeiro verso do hino Nacional e pretendia assim reforçar a paixão pelo País e pela sua história assim como os fatos que usavam, que lembrava a época dos conquistadores. A banda formou-se em 1980 e era constituída por Pedro Ayres Magalhães (voz), Paulo Pedro Gonçalves (guitarra), Zé Almeida (bateria), Carlos Maria Trindade (teclas) e Rui Pregal da Cunha (baixo e bandolim). Este último era o único estreante nestas andanças e com o passar do tempo assumiu-se como vocalista da banda também com o seu carisma e personalidade.

Com o seu primeiro álbum assumiam uma onda mais romântica, com o tema "Saudade" a ganhar destaque nas rádios, mas foi recebido com grandes críticas e insultos exagerados a acusá-los de Nacionalismo exacerbado a que a banda explicava como isso não tinha nada a ver com o objectivo deles. Foram tempos difíceis já que não podiam tocar em todo o lado, as terras mais "vermelhas" não os viam com bons olhos achando que estavam a cuspir na revolução.  As suas actuações no pequeno ecrã eram míticas, o seu visual era arrojado e todos aqueles fatos misturavam coisas nacionais, Nipónicas e até Nórdicas.



Foi em 1984, com o single "Amor", que a banda ganhou relevância e dominou os top's nacionais alcançando a dupla Platina. Ao adoptar uma onda mais animada, o grupo ganhou ainda mais audiência quando foram escolhidos para a primeira parte dos concertos do Bryan Ferry no nosso País e em França depois de um ano onde dominaram as rádios com a música "Paixão", que levou a imprensa Britânica a considerá-los a melhor banda a tocar rock na Europa.

Lembro-me que já na primária não havia quem não cantasse o tema de uma forma divertida e animada, em especial se alguém tivesse Paixão no nome, o que mostrava que a banda conseguia um público bastante abrangente. Nos anos seguintes continuaram a compor sucessos, "Só gosto de ti" e "Alegria" mostravam que a banda não era um mero acaso e estavam ali para durar.




O visual dele tinha sido alterado, mas mantinha-se mesmo assim arrojado para a época com calças de ganga rasgadas e muito cabedal. Mas com o aproximar da década de 90, os conflitos internos multiplicavam-se e mesmo após o álbum Macau ter sido muito bem recebido pela crítica, a banda chegou ao seu fim com os seus intervenientes a multiplicarem-se em projectos a solo ou relacionados com a música.  A importância da banda é bem realçada no documentário Brava Dança de Jorge Pereirinha Pires e José Pinheiro que mostra como a história do grupo está ligado à própria história do 25 de Abril e de Portugal.

Continua a ser um dos meus grupos favoritos, e não tenho dúvidas que se algum dia se decidissem reunir para um concerto, os bilhetes esgotariam em três tempos. A sua última música foi o "Inventor" e conseguiram acabar em grande com uma letra que ainda hoje se mantém actual.









Álbuns

  • Heróis do Mar (LP, Polygram, 1981)
  • Mãe (LP, Polygram, 1983)
  • O Rapto (Mini-LP, Polygram,1984)
  • A Lenda dos Heróis do Mar (1981-1984) (Compilação, Polygram,1985)
  • Macau (LP, EMI, 1986)
  • Heróis do Mar IV (LP, EMI, 1988)


Singles

  • Saudade/Brava Dança dos Heróis (Single, Polygram, 1981)
  • Amor/Amor (versão Nocturna) (Máxi, Polygram, 1982)
  • Amor (Parte I)/Amor (Parte II) (Single, Polygram, 1982)
  • Paixão (Máxi, Polygram, 1983)
  • Paixão/Cachopa (Versão Nova) (Single, Polygram, 1983)
  • Alegria/A Glória do Mundo (Single, Polygram, 1985)
  • Alegria/A Glória do Mundo/Castelo de S. Jorge (Máxi, Polygram, 1985)
  • Mad Mix / Fun Mix (remisturas de Adriano Remix) (Máxi, Polygram, 1986) 4
Fado/Fado (Versão a Guitarra) (Single, EMI, 1986)
  • Só No Mar/Canhões ... (Single, EMI, 1987)
  • O Inventor (Máxi, EMI, 1987)
  • O Inventor/Homenagem (Máxi, EMI, 1987)
  • Eu Quero (Mistura Possessiva)/Rossio/Eu Quero (Máxi, EMI, 1988)
  • Africana/Eu Não Mereci/D.F.S. (Máxi, EMI, 1989)
  • Paixão (Single, Universal, 2001)


Compilações

  • Heróis do Mar Vol. 1 (1981-1982) (Polygram, 1992)
  • Heróis do Mar Vol. 2 (1982-1986) (Polygram, 1992)
  • Paixão (Universal, 2001)
  • Amor - O Melhor Dos Heróis Do Mar (EMI, 2007)
  • O single "Amor (Hap Hap Happy Day)/Pásion", edição limitada a 2000 exemplares, foi oferecido com o MEP 12" Philips 880079-1 (1984).
  • O CD single "Paixão", de 2001, inclui a versão longa de Paixão (editada em 1983) e duas remisturas de Adriano Remix incluídas no máxi-single "Mad Mix/Fun Mix".

terça-feira, 24 de abril de 2012

... de Um Anjo na Terra (Highway to Heaven)

terça-feira, abril 24, 2012 0
... de Um Anjo na Terra (Highway to Heaven)


Michael Landon sabia como contar uma história, era perito em mostrar histórias familiares com algum drama, mas também com algum humor, e que no final nos deixavam a sentir bem.

Um Anjo na Terra (Highway to Heaven) estreou nos Estados Unidos da América em 1984, e mostrou-nos um Michael Landon mais velho, depois o termos visto como um rapaz novo em Bonanza, e como um pai de família em Casa na Pradaria. Desta vez em parceria com o seu amigo Victor French (que também aparecia na série anterior), numa série na mesma linha de outras como o Cão Vagabundo, onde alguém viajava pelo País ajudando outras pessoas a resolver os seus problemas.

Lembro-me de ver isto depois da hora de almoço, a RTP a dada altura transmitia séries neste horário, e que gostava do teor leve da mesma, e do carisma que emanava do Michael Landon. A série mostrava Landon como um anjo que não podia ficar no céu enquanto não passasse por uma série de provações na Terra, e era ajudando as pessoas que ultrapassava essas provações e ascendia aos céus. Os problemas iam desde os amorosos aos policiais, passando por disputas familiares ou apenas problemas de saúde.

Durou 5 temporadas, até 1989, e teve 111 episódios sendo que as últimas temporadas foram bastante fracas. Lembro-me bem do começo disto, de como ele tinha que convencer French, que era um ex-polícia, para o ajudar e de que ele era um Anjo na Terra. French era o contraponto perfeito para o bonacheirão Landon, tinha um aspecto mais cínico e rude, o que ajudava a sobressair ainda mais o sorriso e boa vontade de Michael.

Para variar foi mais uma série dessa década com um genérico marcante e que nos prendia ao ecrã, apesar de ser um pouco fraca em argumentos, devido ao seu carisma e personalidade.





... do Nokia 3310

terça-feira, abril 24, 2012 4
... do Nokia 3310


Os telemóveis começavam a ganhar o seu espaço em Portugal no final do século XX, com a Nokia a ganhar protagonismo em 1999, quando começou a destronar a Alcatel do topo de vendas com um modelo simples de telemóvel como era o 3210. Mas o domínio do País seria alcançado meses depois, quando esta lançou no mercado o 3310 e este começou a se multiplicar nas mãos dos Portugueses sem parar.

O telemóvel era pequeno, mas com um design agradável, e para além disso tinha uma resistência acima do normal a quedas e afins o que possibilitava uma vida longa ao mesmo. Isso agradava a um público mais adulto, enquanto que o adolescente e infantil era conquistado com as mensagens animadas e os jogos que ele possibilitava jogar para além da constante troca de capas o que possibilitava termos um telemóvel novo sempre que quiséssemos.

Lembro-me que até estava contente com o Siemens que tinha, mas assim não podia receber as SMS com os ursinhos e afins (nem enviá-las) e o factor capas agradava-me de sobremaneira. Era comum a ida às feiras e comprar umas quantas capas para assim poder andar um dia com um telemóvel com golfinhos e no outro o mesmo telemóvel mas com uma capa dos Simpsons.

O jogo Snake também ajudava a que ficássemos horas agarrado a ele, e podermos mandar SMS enormes comparando com outros telemóveis, aquilo dava para quase 500 caracteres, o que levou à companhia a lançar depois um aparelho que era basicamente a mesma coisa mas mais prático para as SMS com um teclado completo e que possibilitava teclar com as duas mãos, mas que não teve o mesmo sucesso.

Outro sucesso neste modelo era os toques que o mesmo possibilitava, toques de programas de Televisão, músicas conhecidas ou de filmes de um modo "básico" mas que permitia reconhecer a música em questão.

Foi a primeira grande febre de consumo em relação a telemóveis, e nem imaginávamos que mais tarde seria algo comum e que quase todos teriam um ou dois telemóveis. Era o Iphone da altura basicamente.













domingo, 22 de abril de 2012

... do Quem é Quem?

domingo, abril 22, 2012 1
... do Quem é Quem?



Ainda sou do tempo em que os jogos de tabuleiro dominavam a diversão em família, e a companhia MB era já bem conhecido entre nós devido aos seus jogos divertidos e aos seus anúncios televisivos bem apelativos. No começo da década de 90 eram vários os jogos desta companhia que apareciam na TV para despertar o nosso desejo, e um deles era o Quem é Quem?, um dos menos movimentados e divertidos da companhia, mas que provocou o nosso desejo de o ter e de jogar com os nossos amigos.

Tinha uma prima que o adquiriu e ainda joguei em algumas ocasiões, o factor "mistério" e ter que pensar nas opções disponíveis para descobrir a carta em questão, eram bem interessantes mas ao mesmo tempo caía rapidamente numa monotonia, para além que começava a ser fácil de adivinhar as caras devido à pouca variedade. O anúncio acabava por ser o melhor do jogo, mas não significa que não me tenha divertido com ele ou que não provocasse essa diversão. Apenas era sol de pouca dura.

O jogo consistia num tabuleiro com 24 fotos e nomes, do outro lado uma pessoa tinha uma foto e nós tínhamos que ir tentando adivinhar qual seria essa foto com perguntas do género "é Homem?" "é Mulher?" "Tem bigode?" e assim ir colocando para baixo os que não se enquadravam nesse perfil e chegar à foto desejada.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

... do Não se esqueça da escova de dentes

sexta-feira, abril 20, 2012 7
... do Não se esqueça da escova de dentes


Em 1995 a SIC ia para o seu terceiro ano de existência e continuava a afirmar-se como uma estação televisiva rebelde e animada, contra o conservador canal 4 e a estagnação da RTP. Os seus programas eram originais, divertidos e movimentados, um dos melhores exemplos disso era o Não se esqueça da escova de dentes.

O programa consistia em jogos animados que possibilitavam os concorrentes ganharem diversos prémios, entre os quais viagens sendo por isso obrigatório terem consigo o passaporte e a escova de dentes. Teresa Guilherme era a apresentadora, mostrando aqui um registo mais moderno do que nos havia habituado e a química com o seu parceiro, Humberto Bernardo, ajudava ao sucesso do programa.

As noites de terça ganhavam assim uma animação extra, o público estava sempre bastante animado (há rumores que a produção dava bastante álcool ao público) e entre os jogos chegava a existir uns de strip-tease o que garantia a atenção de todos.

Lembro-me que o programa era longo, e por isso tinha alguns momentos mortos, alguns musicais também, mas no geral era bastante divertido e engraçado de se ver. Foi o começo de uma Teresa Guilherme cheia de empatia para com os concorrentes e o público.




quinta-feira, 19 de abril de 2012

... do Babar

quinta-feira, abril 19, 2012 2
... do Babar



Babar faz parte dos desenhos animados que animaram a nossa infância, regressando agora para uma nova geração via a animação computorizada, o que é uma pena já que perde todo o carisma e a identidade própria que o antigo tinha. Isto passava com uma dobragem Portuguesa, de grande qualidade com o grande António Feio a dirigir, nos finais de tarde do canal 1 no começo da década de 90 e cativou-nos a todos com uma animação simples e com um argumento de qualidade que não ficavam atrás dos livros que originaram esta série.

Babar foi criado por Jean de Brunhoff, que escreveu os livros baseados nas histórias que a sua esposa contava aos filhos deles para adormecerem. As histórias relatam as aventuras de um pequeno elefante que sai da floresta e chega à cidade começando a vestir-se como um homem, quando mais tarde ele regressa à floresta é eleito rei dos elefantes.

Essa premissa é utilizada também na série de TV, Babar casa-se com a sua prima Celeste e constituem família tendo 4 filhos, Flora, Pom, Alexandre e Isabel. Ele viveu muitas aventuras enquanto novo e conta elas aos seus filhos, os episódios mostravam então primeiramente um Babar adulto e suas crianças e depois passava para as aventuras dele quando criança mostrando um Babar mais novo e seus amigos.

Para além das histórias que contava, os episódios também mostravam aventuras do Babar como adulto em especial quando tinha que enfrentar as artimanhas do seu rival, o rei da Rinolândia. Lembro-me que gostava tanto dessas aventuras como das histórias que ele contava, a animação era colorida e bastante movimentada  , o que contrastava com o que estávamos habituados de desenhos animados semelhantes como o Panda Tao Tao, e a dobragem transmitia essa alegria envolvendo-nos completamente. Estes desenhos animados passaram também pela SIC em 1994 e 95, voltando aos ecrãs nacionais à sua casa original, mas com uma nova dobragem, em 2007 dando na RTP 2 pela hora do jantar.




quarta-feira, 18 de abril de 2012

... do Ronald Reagan

quarta-feira, abril 18, 2012 0
... do Ronald Reagan



A década de 80 foi marcada por personalidades fortes no mundo do espectáculo, mas a Política não lhe ficou atrás e deu-nos a conhecer pessoas que, com os seus feitos, ficaram-nos impressas na memória. A minha posição política não é condigna com a dos Republicanos Americanos, mas dois dos meus presidentes favoritos desse País são desse partido, e um deles é o Ronald Reagan.


Regan já tinha concorrido pela nomeação à Presidência por parte do seu partido, em 1976, perdendo por uma margem mínima para o moderado e sem carisma Gerald Ford. Mas no começo da década de 80 e com um País a atravessar uma crise de identidade, o seu carisma venceu facilmente quer o seu partido quer o País vencendo as eleições com 50% dos votos contra 41% do candidato Democrata, e ex-presidente, Jimmy Carter.

Apesar de já não ser novo, tinha 69 anos, Reagan já havia provado o seu valor nos antigos cargos políticos que tinha desempenhado, enquanto que o seu passado como actor de cinema e televisão contribuíam para o forte carisma que transmitia nos seus discursos. O mandato dele foi marcado por uma América que lutava contra uma inflação e uma depressão dos seus habitantes quer pela questão financeira, quer pela ameaça do comunismo e das armas nucleares.

Ronald Reagan devolveu o orgulho à Nação, enfrentou a recessão e relançou a economia com um boom de consumismo nunca antes visto para além de manter uma posição forte contra o comunismo e as políticas da União Soviética. A popularidade dele sofreu um boost logo no começo da sua presidência, devido a uma tentativa de assassinato que foi vítima, o que o ajudou a implementar um pacote de políticas económicas, Reaganomics, que apesar de ter um forte aumento de impostos ajudou a economia a subir a olhos vistos.



No começo Reagan criou uma política externa quase de Guerra, era o típico Cowboy Americano, constantemente criticando os Soviéticos e criando assim uma Guerra Fria que afectou o mundo todo, mas isso mudou no segundo mandato em especial quando um líder da União Soviética, Gobarchev, partilhou as ideias de criar um novo começo e acabar assim com a guerra fria.

Lembro-me sempre dos seus discursos, de como sabia movimentar uma plateia e do bom humor dele em muitos aspectos políticos. Era fácil gostar dele e por isso não foi de espantar que vencesse o seu segundo mandato com quase 60% dos votos. Esse segundo mandato foi marcado pela guerra ao consumo de drogas, ficou na história os constantes anúncios televisivos sobre esse assunto, e pelo escândalo dos Irã-Contras.

Esse escândalo ficou marcado por Reagan negar sempre os negócios com os terroristas, mas já era óbvio que o governo Americano vendia armas a um País e com esse dinheiro financiavam os terroristas da Nicarágua. A sua credibilidade ficou bastante afectada nesta discussão, chegou-se a ameaçar a impugnação, e nunca recuperou totalmente depois dos julgamentos e condenações de membros do seu governo.

Mas este foi o homem que levantou uma Nação poderosa, foi o que ajudou a travar a Guerra Fria entre duas super Potências e que levou à redução das armas nucleares e também ao fim do muro de Berlim, ele foi o presidente necessário para aquela década e cumpriu na perfeição o seu papel.




... de jogar às Escondidas

quarta-feira, abril 18, 2012 2
... de jogar às Escondidas




Existem brincadeiras imortais, e apesar de ser uma quase em desuso nos dias de hoje, o jogo das Escondidas ainda era bastante popular na década de 80, quer na rua quer no recreio da escola. Não era preciso muito para jogar, um bom espaço ao ar livre com muitos locais onde se esconder e um grupo de crianças que se iria esconder enquanto um contava em voz alta, encostado a alguma superfície e de olhos fechados, e que iria depois tentar encontrá-los.

Escolhia-se um lugar que seria o lugar a ser atingido por quem estava escondido, o coito como alguns chamavam, e que se podia correr e tocar no mesmo ficando assim salvo do jogo e em alguns casos se gritasse "Salva todos", salvava todos e a outra pessoa teria que ir contar de novo.

Isto era um jogo que apesar de simples, puxava pelo nosso cérebro. Quer no procurar pelo melhor lugar para nos escondermos, quer no tentar descobrir onde estavam as pessoas escondidas. Havia sempre os que iam para lugares básicos, o que dizia muito da pessoa em questão, e os que eram muito elaborados chegando a descobrir locais mirabolantes que seriam quase impossíveis de encontrar.

Havia sempre as tentativas de fazer batota, algo comum nos jogos entre crianças, mas neste jogo eram quase sempre infrutíferas, já que ele era muito pouco dado a tentativas disso. O pior era quando o jogo cruzava a barreira e se fundia com o da Apanhada. Isso acontecia quando se descobria alguém escondido, gritava-se e tentava-se correr até ao local para comunicar isso enquanto o outro tentava se salvar.

Sempre foi um dos meus jogos preferidos devido à ginástica mental que se tinha que efectuar em algumas ocasiões.

... do Winamp

quarta-feira, abril 18, 2012 6
... do Winamp



Ainda sou do tempo em que um dos primeiros programas que se instalava após um download, era o Winamp, o programa que a esmagadora maioria utilizava para escutar música no computador. Em 1999 este programa era o rei e senhor para ouvir as nossas músicas preferidas, quer fosse em cd quer fosse em MP3 já que suportava quase todos os formatos de áudio.

As músicas eram vistas numa playlist com o nome do artista e da canção, tudo de uma forma muito intuitiva assim como as mudanças que se podiam efectuar nos agudos e graves da música de forma a podermos a ouvir na sua plenitude. Mas um dos maiores sucessos era a possibilidade de mudar a skin onde o leitor se encontrava, modificando por completo o aspecto do mesmo. Existia de tudo um pouco, desde formatos de Naves a algo relacionado com séries de TV passando por filmes e personalidades conhecidas e desta forma  podíamos nos divertir a modificar o leitor e não ver sempre a mesma coisa no nosso desktop.

O programa possibilitava a conexão com o mIRC ou o MSN e assim todos sabiam o que escutávamos, um pré-Facebook nesse aspecto. Havia quem escutasse música no Windows Media Player ou outro programa, mas este era de longe o mais usado pelo pessoal, no qual me incluía. Lembro-me como perdia tempo a colocar logo várias skins de modo a poder variar sempre o aspecto dele, e de gravar playlists enormes de modo a não ter que me preocupar com a quantidade de músicas que ia ouvir.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

... do Will and Grace

segunda-feira, abril 16, 2012 4
... do Will and Grace


No final da década de 90, a TVI dominava as madrugadas com séries de qualidade e deu-nos a conhecer do melhor que se fazia em Hollywood na segunda golden age das séries de TV. Uma das primeiras a ser transmitida nesse horário foi a sitcom Will & Grace.

Pelas 3 da manhã ria-me sem parar com as aventuras deste grupo de 4 amigos, com os seus diálogos rápidos e divertidos, com as bocas de Karen e as loucuras de Jack, e com a quantidade de artistas convidados que abrilhantaram a série.

A sitcom teve oito temporadas e 194 episódios de 1998 a 2006, foi nomeada 83 vezes para os Emmys, tendo ganho 16, e foi a terceira série onde todos os actores principais foram agraciados com o Emmy de melhor actor/actriz. A série retratava a vida de um advogado gay, Will Truman (Eric McCormack) que tinha uma neurose extrema em relação à limpeza e que era o mais certinho e sério do grupo. Will mantinha uma relação próxima com a sua melhor amiga dos tempos da faculdade, Grace Adler (Debra Messing) que tinha uma empresa de decoração e que era o oposto do amigo sendo bastante desorganizada e neurótica.

Nos papeis secundários, encontrávamos um casal que alcançou o sucesso junto do público, a rica Karen Walker (Megan Mullally) que era amiga de Grace e cujo marido nunca chegámos a conhecer apesar de ser sempre mencionado pela mesma. Karen era viciada em álcool e comprimidos, chegava a ser bastante insensível  ao falar com as outras pessoas, em especial a sua criada, mas mantinha uma relação muito próxima com Grace e com Jack. Jack McFarland (Sean Hayes) é um amigo gay de Will, que o ajuda a assumir a homossexualidade, bastante extrovertido e que salta de relação em relação assim como de emprego em emprego tentando sempre algo no ramo do show business.


Alguns dos meus episódios favoritos envolveram convidados especiais, algo que a série se especializou, como foram os da Cher e o do Kevin Bacon. No da Cher, Jack ganhou uma fixação doentia por uma boneca da cantora, enquanto que no de Bacon ele era um stalker do consagrado actor. Nesse episódio vemos Bacon a dançar Footloose com Will e a mandar uma piada sobre o jogo que envolve o seu nome e outros actores. Outros convidados interessantes eram aqueles que faziam par amoroso ou com a Karen, como Alec Baldwin ou John Cleese, ou com a Grace como o Woody Harrelson ou Harry Connick jr.


A dada altura, a criada de Karen ganhou um papel mais regular, envolvendo-se em situações hilariantes quando respondia à sua patroa na mesma moeda. Os espectáculos do Jack eram bastante engraçados e podiam se considerar quase uma personagem regular, Just Jack e Jack 2001 deram episódios bastante divertidos mostrando os falhanços dele mas ao mesmo tempo a sua energia em relação a perseguir o seu sonho.

Foi uma das melhores séries de humor, retratou um modo de vida homossexual sem cair muito em clichés ou chavões básicos e tinha uma escrita moderna e cheia de referências à cultura pop que casava em cheio com os convidados que apareciam no programa.









quinta-feira, 12 de abril de 2012

... dos Defensores da Terra (Defenders of the Earth)

quinta-feira, abril 12, 2012 5
... dos Defensores da Terra (Defenders of the Earth)



Em 1986, as personagens de Tiras clássicas da King Features Syndicate ganharam uma nova vida no pequeno ecrã aquando do desenho animado Defenders of the Earth. Já há várias gerações que Flash Gordon, Mandrake e Phantom marcavam presença em diversos jornais, revistas de banda desenhas e filmes para TV ou cinema, mas este desenho animado deu-os a conhecer de uma forma nunca antes vista.

O vilão que enfrentariam, no ano de 2015, seria o temível Ming (conhecido vilão de Flash Gordon) e contariam com a ajuda do parceiro de Mandrake, Lothar e dos filhos das 3 personagens (no caso de Mandrake, era o filho adoptivo), algo comum nos anos 80.

Em Portugal isto passou no Canal 1 em 1988, depois da hora de almoço numa altura que era comum dar desenhos animados nesse horário, e cativou-nos logo devido ao seu genérico apelativo com uma música e letra que ficavam logo no ouvido. Como fã de BD também tinha logo esse atractivo extra que era o de ver personagens que eu conhecia no papel, ali na minha Televisão. E as ligações à BD iam até ao comic que era publicado pela Star Comics (da Marvel) e com uma equipa criativa com nomes como Gerry Conway e Ross Andru. Aliás as letras da música do genérico são de Stan Lee, nome incontornável da editora, e com a narração do talentoso Corey Burton.



A história mostra Flash e o seu filho a fugirem de Ming, que raptou a mulher de Gordon e a torturou até à morte na tentativa de uma lavagem cerebral. Ele então consegue fugir para a Terra, que Ming pretende invadir, e une-se a Mandrake e Fantasma para impedir que ele dê cabo dos recursos naturais da Terra e assim parar os seus planos de conquista do nosso planeta e do universo.

A série era escrita por nomes como Lee Falk e Alex Raymond e por isso as personagens foram sempre bastantes fiéis às suas raízes no papel enquanto que os episódios eram sempre bastante animados com muita acção para os heróis sobressaírem. Como era comum nesta década, havia também sempre uma moral no episódio e dada de uma forma leve no final do episódio normalmente com o escape cómico das personagens infantis do elenco. Foram 65 episódios, sempre com o mesmo realizador, Will Meugniot, e que foram transmitidos por cá na sua versão original com legendas.

Lembro-me de coleccionar os calendários com imagens do cartoon, algo comum na altura para além dos cromos, e de gostar bastante da arte dos mesmos. Quando lia as aventuras do Fantasma no Correio da Manhã, ou nas revistas da RGE, estranhava um pouco não terem muito a ver com o desenho animado, mas depressa percebi que isso iria ser algo comum nas adaptações do género.





quarta-feira, 11 de abril de 2012

... dos Resistência

quarta-feira, abril 11, 2012 2
... dos Resistência


Os Resistência foram um super-grupo que apareceram na música Portuguesa como um cometa, tiveram uma vida curta mas marcante e ainda hoje há quem recorde com saudades dos espectáculos e das canções que o grupo tocava. No liceu quem tinha uma viola, era certo que tocava o "Nasce Selvagem" e todos cantavam o "Não sou o único" em qualquer visita de estudo que houvesse na altura.

O grupo era constituído por membros de bandas conhecidas, que tocava versões de sucessos conhecidos de uma forma carismática e com alma que conquistava tudo e todos no final da década de 80 e começo da década de 90. Os membros da banda eram:

Alexandre Frazão (bateria), Rui Luís Pereira e Fredo Mergner (guitarra), Fernando Cunha, Tim e Pedro Ayres Magalhães (vozes e guitarras), Fernando Júdice e Yuri Daniel (baixo), José Salgueiro (percurssão) e Miguel Ângelo e Olavo Bilac (voz).



O projecto consistia na união destes elementos provenientes de outras bandas que depois transformavam e davam uma nova orquestração a temas que pertenciam aos seus grupos, dando uma vertente mais acústica e com uma maior importância à união de vozes. Em 1991 lançavam o seu primeiro álbum, "Palavras ao vento" atingindo logo a dupla platina e dominando o verão conseguindo mais de trinta concertos em três meses. Em 1992 vem o segundo álbum, "Mano a mano" tendo alcançado igual sucesso que culminou numa tourné no final do ano com uma grande actuação em Lisboa de onde nasceu o álbum do ano seguinte, "Ao vivo no Armazém 22" que continha algum material inédito.

Infelizmente a última aparição ao vivo da banda sucedeu-se em 1994 no mega concerto em homenagem a Zeca Afonso, os Filhos da Madrugada onde tocaram o "Chamaram-me Cigano". Em estúdio pudemos ainda os ouvir noutro tributo, desta vez a António Variações onde interpretaram o "Voz-Amália-de-nós" um dos maiores sucessos dessa homenagem. Chegaram ao fim pouco depois com os seus membros a voltarem a se dedicar às suas bandas e deixando saudades numa geração que viveu intensamente aquele período de 88 a 94. Ainda hoje ouço músicas como "A Noite" e só me vem à cabeça a versão deles e não a original.



Eis alguns dos sucessos que a banda tocou e a origem do tema e do membro da banda que a tocava originalmente:






terça-feira, 10 de abril de 2012

... do Araponga

terça-feira, abril 10, 2012 2
... do Araponga


Araponga apareceu em Portugal como se de uma série se tratasse, a SIC dava aquilo num horário tardio e aquele tipo de humor e argumento apanharam-nos de surpresa já que não estávamos muito habituados a uma novela naquele formato.

Tudo começa com a morte do Senador Petrônio Paranhos enquanto era entrevistado por Magali Santana (Christiane Torloni), deixando a mesma numa situação embaraçosa e abrindo espaço para a  entrada em cena do detective Aristênio Catanduva, vulgo Araponga (Tarcísio Meira), que tinha uma mentalidade de antigo regime e era bastante atrapalhado. O cognome dele mostrava isso mesmo, já que Araponga é um ave estridente (o oposto do que um detective/agente secreto devia ser), e ele fazia jus ao nome sempre metido em situações cómicas as situações ou com as ilações que ele tirava acerca das informações erradas que recebia de alguém que pensava que o estava a ajudar.

Uma das suas características era o constante fascínio por calcinhas femininas, e a forma como se apresentava à lá James Bond, "O meu nome é Ponga, Araponga". Tarcísio estava em grande forma, as suas expressões faciais ajudavam a que o argumento ganhasse outra piada e o seu timing de comédia estava em grande sabendo sempre onde deixar a "punch line". Gostava de rever para ver se isto envelheceu bem, mas é bem complicado de encontrar, foi a última novela das 21h30 da Globo (deixou de emitir novelas nesse horário) e nunca mais foi repetida.

Por cá foi transmitido primeiro pela RTP ao fim de semana (numa altura que o canal experimentou novelas nessa altura) e depois pela SIC onde deu mais nas vistas.




segunda-feira, 9 de abril de 2012

... do Doido por ti (Mad about you)

segunda-feira, abril 09, 2012 0
... do Doido por ti (Mad about you)


Ainda sou do tempo em que o horário da Madrugada na TVI era mais visto do que o horário nobre. Todos falavam das séries que davam nesse horário e a pioneira foi uma comédia, a Doido por Ti (Mad about You) entre 1996 e 1999.

Paul Reiser e Helen Hunt formavam este casal moderno, Paul e Jamie Buchman que vivam num apartamento de Nova Yorque com o seu cão Murray e tinham uma relação peculiar já que vinham de mundos um pouco diferentes, ele era um cineasta e uma filosofia mais de "deixa andar", enquanto que ela era mais executiva e pragmática com empregos de escritório.

A família de ambos era um excelente elenco secundário, Ira (John Pankow) era o primo de Paul que vivia com esquemas para ganhar mais dinheiro e acaba por ficar com o negócio dos seus tios, pais de Paul, Burt (Louis Zorich) e Sylvia (Cynthia Harris) Buchman. Burt era um velhote simpático e ingénuo, enquanto que Sylvia era a típica sogra que tratava a nora com uma hostilidade disfarçada com sarcasmo e bocas ocasionais.

Existia ainda a irmã de Jamie, Lisa Stemple (Anne Ramsay) que era uma cabeça no ar e que vivia a colocar sarilhos para o casal, o casal amigo constituído por Fran (Leila Kenzle) e Mark (Richard Kind) Devanow, ambos neuróticos mas sempre dispostos a ajudar os seus amigos e a irmã de Paul, Debbie Buchman (Robin Bartlett) que acabaria por se assumir como lésbica a dada altura da série.



Os diálogos eram bem engraçados e os argumentos deixavam sempre o casal em situações interessantes, em especial devido à teimosia de ambos em determinados assuntos. A série não envelheceu mal devido a isso mesmo, mostra situações que podem acontecer a qualquer casal mesmo nos dias de hoje. Mesmo quando chega um bebé à vida do casal, a comédia continua, como num episódio em que a criança não pára de chorar e têm que descobrir como evitar isso, acabando por estar de madrugada dentro de um Táxi para o bebé adormecer com o movimento.

Os convidados eram sempre divertidos, como o grande Mel Brooks que fazia de tio excêntrico do Paul, ou os ocasionais Hank Azaria, que passeava o cão dos Buchmans, e Lisa Kudrow como a empregada de café Ursula que seria aproveitada mais tarde em Friends.

O genérico da série assentava numa música escrita por Reiser, Final Frontier e que mostrava na letra muito do espírito do programa. Foram sete temporadas, de 1992 a 1999 e os 164 episódios mantiveram uma qualidade rara em séries do género. Ria-me bastante com a série e ainda hoje consigo esboçar sorriso em algumas das situações que o casal se mete, devido a pensarem sempre de uma forma peculiar em relação aos outros ao seu redor.