Março 2012 - Ainda sou do tempo

sábado, 31 de março de 2012

... do Major Alvega

sábado, março 31, 2012 2
... do Major Alvega

O Major Alvega foi uma das melhores séries de produção Nacional, a qualidade técnica desta série em conjunto com um bom argumento e um excelente elenco, deu-nos algo que não ficava nada atrás de muita série estrangeira.

Em 1997 a RTP colocava no ar um herói que já tinha conhecido vida no papel, numa banda desenhada que retratava as aventuras de um herói Anglo-Português da RAF (a força aérea Britânica) e que fez furor nas décadas de 60 e 70 na revista "O Falcão". O herói criado em 1956 por Mike Butterworth e Geoff Campion, sofreu uma alteração no tempo da censura e ganhou um teor mais Nacionalista sendo rebaptizado de Major Jaime Eduardo de Cook e Alvega, ribatejano por via paterna e Inglês por via materna.

As aventuras televisivas seguiam a linha da BD, muita acção, suspense e doses maciças de humor enquanto enfrentava e vencia alguns dos maiores nomes da história do lado inimigo. Para além disso os cenários da série eram sempre ilustrações à lá BD, numa inovação que contribuiu muito para o sucesso da série junto do público que se rendeu à qualidade desses cenários e das interpretações dos actores do elenco.



Ricardo Carriço (Major Alvega) teve uma das melhores interpretações da sua carreira, o seu visual dava o ar jovial e "engatatão" necessário a este herói enquanto que António Cordeiro (Coronel Helmut Von Block) roubava as cenas onde aparecia com a personificação de um militar maléfico e megalómano que fervia em pouca água. Os seus gritos "Schnell!" ficaram lendários, assim como o tratamento para com a sua ajudante, Rosa Bela (Fraulein Schmidt), que vivia dividida entre o seu dever e os sentimentos que nutria pelo nosso herói. O mito vivo que era Fernando Pessa, narrava as aventuras do Major como se tratasse de notícias da guerra como o que já havia feito para a rádio da BBC.

A série está em reposição na RTP Memória, todos os fins de semana pelas 11h da manhã, e aconselho vivamente todos que possam a dar uma olhadela caso não a conheçam. Quem a conhece, aproveite para rever que a mesma envelheceu muito bem. É um mimo olhar para aqueles cenários bem pintados, e que dá um ar mais realista à acção do programa do que se usassem cenários reais que nunca atingiriam a atmosfera épica que se pretendia transmitir.

Lembro-me de seguir isto atentamente e de me deliciar com o humor da série, era algo que fugia ao comum da nossa Televisão e os cenários desenhados garantiam a minha total atenção. Fiquei ainda mais fã de António Cordeiro com o trabalho que este desenvolveu nesta série.


Eis alguns dados desta excelente série Portuguesa que já merecia uma edição em DVD.


FICHA TÉCNICA
Ano: 1998 / 1999
Canal: RTP
Estúdios: Miragem
Elenco:
Ricardo Carriço - Major Alvega
Rosa Bella - Fräulein Schmidt
António Cordeiro - Coronel Helmut Von Block
Fernando Pessa - Narrador
Outras personagens:
Canto e Castro - Sir Hugh
Júlio Cardoso - Churchill
José Wallenstein - Professor Strudell
Alexandre Falcão - Hitler
Cristina Homem de Mello - Makelove

Ficha técnica:
Realização – Henrique Oliveira
Assistente de realização – Maria Pires Pereira
Produção – Margarida Santos
Produção executiva – José Luís Vieira
Assistente de produção - Alexandre Vale, Miguel Guía
Secretária de produção – Sandra Coelho, Margarida Ramos
Guião – Henrique Oliveira, António Cordeiro, José de Pina, Filipe Homem Fonseca

Episódios:
1ª Série
01: Objectivo Berlim
02: Intriga em Lisboa
03: Operação Águia
04: Duelo de Gigantes
05: Rumo a Tarento
06: Missão: Branca de Neve
07: O Ceptro de Akhnaton
08: O Segredo de Peenemunde
09: O Agente X
10: Notas Falsas
11: O Sósia
12: Nome de Código: Komet
13: Uma Noite em Casablanca
2ª Série
01: Traição Fatal
02: Milagre de Dunquerque
03: O Ninho da Águia
04: Missão no Tibete
05: Outubro Vermelho
06: S.O.S. Titanic
07: Destino Nova Iorque
08: Sob o Sol de Creta
09: Operação Vampiro
10: A Grande Fuga
11: O Enigma da Antárctida
12: Allo, Mona Lisa
13: O Dia da Libertação








quinta-feira, 29 de março de 2012

... da Sassaricando

quinta-feira, março 29, 2012 3
... da Sassaricando


Na década de 80, o horário nobre era preenchido por uma Telenovela Brasileira que juntava a família toda, do mais miúdo ao mais graúdo pelas 20h em frente à sua TV a preto e branco (uma da Fábrica de Oeiras no meu caso). Lembro-me que existiam episódios que eram discutidos no recreio da escola, como se fosse um episódio do nosso desenho animado preferido e Sassaricando foi uma dessas Novelas.

A novela tinha um forte conteúdo cómico e o excelente elenco prendia-nos ao ecrã e fazia-nos repetir chavões como "A cobra está fumando" ou "óia os meus melões". O grande Paulo Autran, no seu último papel regular, interpretava o papel de um velhote simpático (Aparício Varella) completamente dominado pela sua esposa Teodora Abdalla (Jandira Martini) e uma das herdeiras de uma fortuna considerável. Foi por essa fortuna que Aparício deixou o amor da sua vida, Rebeca (Tônia Carrero) e se casou com Teodora sendo que após a morte desta viria a reencontrar o seu grande amor.

A filha de Aparício protagonizava alguns dos melhores momentos de humor da novela, Fedora (Cristina Pereira) era extremamente arrogante e gostava de se armar em superior em especial para Leonardo Raposo (Diogo Vilela), ao qual chamava de Estropicío e que vivia uma relação amorosa cheia de altos e baixos.

Mas o maior atractivo da novela era uma família de parcas posses e marcada pelo abandono do pai, que foi comprar cigarros e nunca mais voltou, que se metiam constantemente em discussões e em confusões amorosas com as filhas do casal. Ricardo de Pádua (Carlos Zara) desapareceu deixando Aldonza Gutierrez de Pádua (Lolita Rodrigues) com quatro filhos por criar: Jorge "Guel" Miguel (Edson Celulari), Constancia "Tancinha" (Cláudia Raia), Isabel "Bel" (Angelina Muniz) e Juana (Denise Milfont).


Tancinha estava sempre em conflito com o seu namorado, Apolo (Alexandre Frota) o que só piorou quando se apaixona pelo "tampinha" Beto (Marcos Frota) e cria com isso alguns dos momentos mais engraçados que já vi numa novela, com a ingénua e pouco instruída Tancinha deslumbrada com o mundo mais sofisticado de Beto. O resto da família não lhe ficava atrás, e as peripécias do trabalho deles numa feira davam muito que falar entre os telespectadores.

Mas foi o irmão que acabou por ganhar um destaque inesperado já que ajudou a desvendar o mistério de uma Seita, conhecida por deixar as pessoas à mercê de uma "cobra" com o conhecido cântico "a cobra, a cobra, a cobra está fumando". Para além do humor e deste mistério da seita, o fio condutor da novela mostrava um Aparício viúvo a tentar conquistar 3 solteironas fazendo-se passar por um Faxineiro, para reconquistar o seu amor da juventude que agora quer apenas um marido rico, e por um Lorde Inglês de modo a seduzir as amigas dela, Penélope (Eva Wilma) e Leonora (Irene Revanche).

Foi uma novela bastante divertida, cheia de chavões e personagens carismáticas numa altura que uma novela das 19h funcionava por cá em horário nobre sem muito problema.








quarta-feira, 28 de março de 2012

... dos Ases pelos Ares (Hot Shots)

quarta-feira, março 28, 2012 0
... dos Ases pelos Ares (Hot Shots)


Sou um fã de filmes non-sense, Top Secret e Aeroplano são 2 dos meus filmes preferidos e por isso fui de boa vontade ver ao cinema o Ases pelos Ares aquando da sua estreia em 1991 no saudoso cinema do Pão de Açúcar de Cascais. Para mim a sequela foi o último filme decente deste género, parodiar com outros filmes e com muita situação e diálogo sem sentido nenhum.

Uma das frases que promovia o filme era "Top Gun à lá Aeroplano" e isso era bem verdade, apesar de também parodiar filmes com Rocky ou 9 semanas e meia, mas eram as tiradas cómicas a cada 3 minutos que davam o sucesso ao filme e tinham aquele cheiro de Aeroplano. Lloyd Bridges e Charlie Sheen contribuíam para isso com o seu timing exacto e expressões faciais, Lloyd roubava as cenas todas em que ele entrava e até Cary Elwes esteve brilhante no papel do antagonista do herói do filme. Uma das coisas que ajudava à piada da paródia, era as parecenças de Sheen com Cruise em conjunto com a extrapolação do argumento base de Top Gun, que nos fazia rir por nos conseguirmos recordar das cenas originais.


O filme é bastante divertido e ainda hoje se mantém como uma das melhores comédias do género. Lembro-me de comprar a VHS por ter gostado tanto do filme e com receio que não desse na TV para o poder gravar. Em 1993 surgiu uma sequela, de menor qualidade em argumento mas ainda assim com algumas boas tiradas em matéria de paródias com filmes como o Rambo ou o Exterminador Implacável 2.

O elenco cresce com a adição de Richard Crenna, num papel quase idêntico ao que interpretou em Rambo, e Rowan Atkinson numa participação curta mas divertida. Lloyd Bridges continua por lá e desta feita é um presidente com umas saídas à lá Frank Drebin. No filme podemos ver um Sheen mais musculado que o costume, já que ele teve que seguir um treino e um regime especial de modo a ficar mais parecido com um herói de acção que pudesse estrelar um filme à lá Rambo. Lembro-me de rir bastante com o filme, mas este envelheceu um pouco pior do que a sua primeira parte. Em todo o caso ainda é melhor que muitas comédias que são feitas hoje em dia.










... da Roda da Sorte

quarta-feira, março 28, 2012 0
... da Roda da Sorte


O programa Americano Wheel of Fortune é um dos maiores programas de sucesso a nível mundial, e no começo dos anos 90 Portugal teve direito à sua versão, A Roda da Sorte. Apresentado pelo maior humorista nacional, Herman José, o programa divertia as pessoas nos finais de tarde mesmo antes do Telejornal e teve bastante sucesso entre o público tendo durado 3 anos até ao seu final épico em 1993.

Com o apoio de Cândido Mota e Ruth Rita, Herman usava do seu humor para deixar os concorrentes à vontade e para prender a atenção do público em casa e no estúdio (um público que seguiu o Herman durante vários anos). O programa era básico, existiam uns Puzzles os quais os concorrentes tinham que resolver como se fosse um jogo da forca. Eles rodavam a roda, escolhiam uma letra e depois iam tentando adivinhar que palavra era, um daqueles jogos que nós em casa também participávamos porque íamos tentando adivinhar a palavra também.

Chegou a existir um jogo de tabuleiro e tudo, para quem quisesse treinar os seus conhecimentos em casa, lembro-me que tinha notas como o Monopólio e tudo. O programa tanto podia cair na monotonia, como podia ser algo super divertido com as loucuras do apresentador, em especial no último programa em que ele decidiu ir vestido a caçador e com uma caçadeira para atirar sobre o estúdio e os prémios que a Singer oferecia.



Existiram enormes reclamações de uma fatia do público, na verdade o mais velho que nunca o compreendeu, devido a estar a atirar contra electrodomésticos quando se via que os mesmos eram carcaças ou velhos sem utilidade. A menina que virava as letras não era uma estampa, e estava sempre calada ao contrário do Mota que ria constantemente das chalaças do Herman enquanto tentava mandar uma ou outra "piada".

O programa voltou décadas mais tarde à Sic mas sem uma fracção do sucesso, uma pena já que acho que o programa em si é bem divertido e educativo. Na altura, o Herman continuou em cena com um programa novo, o "com a verdade me enganas" do qual falarei outro dia.






domingo, 25 de março de 2012

... de Pinky and the Brain

domingo, março 25, 2012 1
... de Pinky and the Brain


Quando finalmente tive TV Cabo, na segunda metade dos anos 90, o Cartoon Network.foi o canal pelo qual me apaixonei logo. A internet ainda não estava implementada da forma como a conhecemos, por isso conhecer ali desenhos animados novos e em Inglês teve uma grande importância para mim. Um dos que rapidamente ganhou a minha preferência, tinha no nome um dos meus realizadores preferidos, Steven Spielberg's present Pinky and the Brain.

O desenho animado estava na onda de outro com a chancela do Spielberg, os Animaniacs,  e tinha a mesma loucura e o tipo de escrita moderna que nos prendia facilmente ao ecrã. 2 ratos de laboratório geneticamente alterados estrelavam este programa, ambos tinham um aspecto Antropomórfico e uma inteligência acima da de um comum rato.

O Brain (Maurice LaMarche) tinha um QI elevado e por isso achava que o mundo seria um lugar melhor se ele o governasse, tentando então engendrar esquemas para conquistar o mundo que eram a premissa básica de todos os episódios. Ele era muito parecido com Orson Wells, chegando a "encontrar-se" com ele num episódio, e tinha uma cabeça anormalmente grande de modo a evidenciar o seu cérebro fora do comum. Era emocionalmente mais reservado, ao contrário do seu parceiro de gaiola, apesar de ter um sentido de humor bastante apurado.

Pinky (Rob Paulsen) era mais extrovertido, tinha um tom de voz mais elevado e era mais alto que brain. Uma das suas características era o constante uso da palavra "Narf", para além da sua incapacidade de perceber os planos do seu parceiro o que o levava constantemente ao desespero. Ele demonstra ter alguma telecinésia, movendo objectos conforme o seu desejo e assim mostrando o maior atributo da manipulação genética de que foi alvo.

Os episódios andavam pelos 10 minutos, em algumas ocasiões pelos 20 minutos, e seguiam sempre a mesma lógica de um plano engendrado pelo Brain com consequências hilariantes no decorrer desse tempo. De vez em quando existiam uns episódios especiais com eles em algumas ocasiões históricas, o que era uma boa variação dos episódios passados na "realidade" dos anos 90.

O engraçado desta série, era que os planos de Brain não eram megalómanos ou malignos, ele realmente achava que seria o melhor para todos se ele governasse o mundo. Isso era acentuado quando eles enfrentavam o Hamster Snowball, outro rato inteligente, que também queria governar o mundo mas sempre com planos muito mais maléficos.


O programa recebeu bastantes prémios e, com o sucesso que tinha, era normal que várias estrelas começassem a ser parodiadas ou então a aparecerem como vozes convidadas. Eric Idle, James Belushi ou Mark Hammill foram apenas alguns dos nomes que passaram por lá.

O humor era bastante adulto e sofisticado, o que era um pouco incomum na altura mas algo habitual em Animaniacs, com tiradas de cultura geral que iam desde a política ao desporto passando por personalidades conhecidas da TV. Um dos meus momentos preferidos era quando existia o seguinte diálogo:

Brain: Pinky, are you pondering what I'm pondering?
Pinky: I think so, Brain, but...

Que levava a respostas super divertidas e nada a ver como "Mas nós já estamos nus". Foram 65 episódios bastante divertidos e um dos melhores desenhos animados da década de 90.






sexta-feira, 23 de março de 2012

... do mIRC

sexta-feira, março 23, 2012 1
... do mIRC

Eu passo horas no Facebook, mas mesmo assim devo estar a dias de distância para igualar o tempo que eu perdia na antiga rede social de conversação, o IRC. A primeira coisa a fazer depois de ligar o cabo de telefone ao PC e colocar um daqueles cd's da Telepac, Clix, IOL e afins, era instalar o programa do mIRC, criar um nick e entrar nesse mundo viciante e maravilhoso.

Podíamos ficar só com o programa normal, ou então instalar um script que servia como um "tunning" para que tivéssemos acesso a coisas pré programadas como jogos, frases feitas, "bonecos" ou armas para a luta de poder pelo canal.

Depois de termos criado o nick que iria ser a nossa persona, chegava a hora de nos juntarmos a um canal (/join) e assim conhecermos as pessoas que o frequentavam numa conversa animada na janela principal, ou então começarmos uma conversa em privado com alguém.

No canal havia os que mandavam no mesmo, os OP's, e para além dos usuários normais, havia uma categoria extra que eram os Voices, normalmente atribuídos a pessoas que tinham alguma importância no canal mas sem os poderes de kickar ou banir como os OP's. Lembro-me de passar horas, de ficar acordado até de madrugada em conversas divertidas em canais que por vezes não tinham mais de 5 usuários, como o #comics, e falar-se de tudo um pouco desde ao que passava na TV comentando tudo em directo, ou sobre picardias existentes entre canais ou usuários.

Nas conversas em pvt imperava a tentativa do engate, com o uso da técnica "olá, dd tcl, idd?" para quebrar o gelo e depois ver até onde é que a conversa ia. A troca de fotos era algo comum, já que ainda não havia muito programa com Webcams e nem todos tinham uma.

Sempre que ouvíamos uma música, fazíamos com que o canal soubesse utilizando o comando /me, comando esse que era usado também sempre que queríamos sugerir algo que estivéssemos a fazer. Tenho boas lembranças de anos de verdadeira diversão em canais como o #comics ou o #wwe e usando scripts como o Extreme ou o Ninja. Ainda hoje olho para os logs que tenho guardados com alguma nostalgia recordando-me de toda a emoção que existia nas conversas entre várias pessoas ao mesmo tempo.






quinta-feira, 22 de março de 2012

... do Blackadder

quinta-feira, março 22, 2012 4
... do Blackadder


Blackadder faz parte daquelas séries que não entendi da primeira vez que a vi, o que é normal já que era muito novo quando a RTP passou isto, e só anos mais tarde, nos canais por cabo e com o dvd, é que pude me deliciar com a genialidade da mente dos criadores desta personagem, Richard Curtis e Rowan Atkinson.

A série prolonga-se por quatro "temporadas", cada uma a passar-se numa determinada era da história da humanidade, e retrata as desventuras de um membro da nobreza Britânica, interpretado pelo próprio Atkinson, e o seu companheiro fiel, Baldrick (Tony Robinson). Ao longo das séries enquanto a inteligência de Blackadder aumenta, a de Baldrick diminui consideravelmente juntamente com a condição social de ambos. Nas primeiras duas temporadas eles são dominados por um aristocrata, Lord Percy de Tim McInnermy, e depois por Hugh Laurie que interpretou um Príncipe na terceira temporada e um Tenente na última.


Não sou fã da primeira temporada confesso, acho que a personagem é muito mais rica quando é mostrada de uma forma inteligente e com desdém por todos ao seu redor, do que a personagem burra e ridícula da primeira. Aqui ele é um filho burro e cobarde numa época como a idade média, onde tenta de uma forma atabalhoada e com a ajuda do seu servo, na altura mais inteligente, Baldrick cair nas boas graças do seu Pai que dominava o País. Mas isso muda na segunda, quando passamos para o reinado da Rainha Elizabeth e vemos a aparição de um Blackadder bastante mais inteligente e manipulador. A série mostra como Blackadder tenta manipular a Rainha infantil em seu benefício apesar das dificuldades impostas por um lorde rival, interpretado por Stephen Fry, e da ignorância de ambos os seus aliados, Baldrick e Lord Percy. No final desta temporada o actor que interpreta Tim, decide sair da série para que não ficasse estereotipado com este tipo de papel mas felizmente volta na última série.


Ao contrário das sequelas dos filmes, cada nova série de Blackadder é melhor que a anterior e por isso a Terceira atinge novos níveis de genialidade com um Príncipe Galês burro que nem uma porta, numa actuação soberba de Hugh Laurie, e Blackader é o seu Mordomo. Aqui a personagem continua bastante inteligente, ao contrário de Baldrick que fica mais burro e os seus "cunning plans", são cada vez mais absurdos e hilariantes.

A minha série preferida é a última, passada na primeira guerra mundial e com um elenco fenomenal onde cada papel é fantasticamente interpretado por alguns dos melhores actores da Tv Inglesa.

Rowan Atkinson é o Capitão Blackadder, que só quer fugir da guerra sem ser morto e passar despercebido na mesma. Mais inteligente que os que o rodeiam, encara a vida de uma forma cínica e tenta sempre desesperadamente encontrar uma forma de sair das trincheiras.

Tony Robinson continua como Baldrick, um simples soldado completamente imundo e imbecil, com uns planos super idiotas para o infortúnio do seu superior. Os seus talentos culinários são ao nível da sua inteligência.

Hugh Laurie veste a pele do idiota Tenente George, que está sempre pelas trincheiras como os outros dois. Como vem de boas famílias, isso é aproveitado em muitas ocasiões por Blackadde de modo a safar-se dos seus esquemas.

Tim McInnermy volta como Capitão Darling, um lambe botas supremo e que despreza Blackadder e tenta de tudo para lhe complicar a vida. Os trocadilhos em torno do seu nome dominam toda a série.

Stephen Fry é o General Melchett, que se encontra sempre bem longe das trincheiras e é um verdadeiro bonacheirão sempre pronto para se divertir. Também não abunda na inteligência, e depende do Capitão Darling para não se esquecer das coisas e para não cometer imbecilidades.


Aconselho vivamente a adquirirem o pack completo com todas as temporadas de Blackadder para além dos especiais transmitidos pela BBC. É uma das melhores comédias de sempre e os risos são garantidos a cada 5 minutos. Cada série tem apenas 6 episódios, mas são mais do que suficientes para nos apaixonarmos por esta personagem.








quarta-feira, 21 de março de 2012

... de jogar ao Burro, ao Peixinho e ao Keims

quarta-feira, março 21, 2012 1
... de jogar ao Burro, ao Peixinho e ao Keims

Ainda sou do tempo em que as cartas eram um divertimento bastante comum, os jogos de cartas estiveram sempre presentes na nossa vida desde crianças a jogar ao Burro e ao Peixinho, enquanto adolescente jogamos ao Keips (que muitos chamam Keims), ao Uno ou à Sueca e agora há a moda do Póquer.

Não havia jogo mais simples que o do Burro, cada jogador recebia 3 cartas, o jogador à esquerda do distribuidor começa o jogo colocando a carta mais alta que ele tiver na mesa (um 9 de Espadas por exemplo) e depois o outro jogador tem que assistir colocando outra carta do mesmo naipe na mesa. Se tiver aquilo continua em frente, senão tem que ir tirando cartas do monte até lhe sair uma do mesmo naipe e o objectivo é o ficar sem cartas na mão e não encher-se de cartas. Existia uma variante de burro em pé que implicava tirar cartas de uma estrutura construída com essas cartas mas sem a derrubar. Não jogava muito essa variante por isso não tenho presente como seria essas regras.

O jogo do peixinho consistia num monte de cartas viradas para baixo em cima da mesa, enquanto que os jogadores iam pedindo uns aos outros cartas de modo a ter 4 do mesmo número (4 Reis por exemplo). Quando isso acontecesse tínhamos que gritar Peixinho, o jogo demorava por isso algum tempo mas era bem divertido em especial quando mandávamos a outra pessoa pescar devido a não termos a carta que queriam e ver ela a ter que ir tirar cartas de cima da mesa. Se fosse uma igual à que tinha pedido, podia continuar a jogar, senão a jogada ia para outro jogador.

O jogo do Keips, que muitos chamam Keims, era bastante popular no liceu. O jogo do Keim(p)s é jogado com 2 equipas de 2 jogadores (4 jogadores).


Objectivo: conseguir um grupo de 4 cartas do mesmo valor antes da outra equipa, e dizer "KEIMS".


1 - A cada jogador são dadas 4 cartas.
2 - Sao colocadas 4 cartas (do monte) viradas pra cima sobre a mesa.
3 - Conta-se até 3 e cada um pega na carta que quer, e tem de colocar depois uma carta na mesa para substituir a que tirou. Só pode ficar com quatro cartas na mão. Pode apanhar uma carta que outro jogador coloca sobre a mesa.
4 - Quando já mais ninguém quiser uma das 4 cartas que estão sobre a mesa,essas são separadas, e já não voltam ao jogo.
5 - São viradas mais quatro cartas do monte e o jogo contiunua assim até alguém ter 4 cartas do mesmo valor e de naipes diferentes.
6 - Tem de fazer um sinal ao parceiro de equipa para que este diga "Keims!". Deve fazer os possíveis para os oponentes não verem o sinal. Se o outro jogador da mesma equipa o disser antes dos adversarios darem o corte, ganham o jogo.
7 - Se um jogador desconfiar que a outra equipa já tem 4 cartas iguais pode dizer Corte Keims. Se acertar ganha o jogo, se falhar, perde.


Era normal assistir a jogos destes nos bares da escola, ou em casa com familiares dando origem a serões bastante divertidos. Os jogos de cartas são das opções de diversão mais económicas e que podem proporcionar horas de entretenimento entre um grupo de amigos.



terça-feira, 20 de março de 2012

... dos Onda Choc

terça-feira, março 20, 2012 5
... dos Onda Choc

Ana Faria foi um nome marcante para as pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90, os seus projectos musicais conheceram sempre o sucesso e era rara a criança que não teve um vinil ou um cd dela, dos Queiinhos Frescos ou da banda que ela criou na segunda metade dos anos 80, os Onda Choc.

Foi em 1986 que surgiu esta banda infanto-juvenil constituída por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade que cantavam basicamente covers de músicas conhecidas, muitas delas no top desse ano, Nacionais ou Internacionais. As k7's dominavam todas as praças e feiras do nosso País e eles eram presença constante de diversos programas televisivos, sendo que a aparição anual na grande gala do Natal dos Hospitais era um dos momentos mais aguardados pelo público infantil que seguia o programa com a sua família.

O primeiro LP saiu com o nome da banda em 1987 e atingiu logo o Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil unidades, também saiu em k7 e o seu maior êxito foi a adaptação do "in the army now", chamado "Vais p'rá tropa pá" que tinha a participação da antiga banda de Ana Faria, os Queijinhos Frescos. Coloco aqui a info desse primeiro álbum retirado do excelente blog http://ondachoc.blogspot.pt

Lado A
1-Azul(True Blue)-Luísa
2-Onda Choc(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
3-Vais p'rá tropa, pá(In the army now)-Cecília, Maria João, Margarida, Nuno e Pedro(Participação especial dos Queijinhos Frescos)
4-Ao meu lado(Don't leave me this Way)-Ruth e Tiago
5-Contagem final(The final countdown)-João(Participação especial dos Queijinhos Frescos)

Lado B
1-Ser artista não é fácil(You keep me hangin' on)-Tiago, Margarida, Cecília, e participação especial da cantora Dora
2-Rock à moda da casa(Inclui os temas:Chiclete, Chamem a Polícia, Se cá nevasse..., Um café e um bagaço, Olha o Robot, Amor e Efectivamente)-Todos
3-Coisas com que me sinto bem(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
4-Férias no Algarve(Holiday)-Pedro e Tiago
5-A nossa moda(Thorn in my side)-Cristina

Versões Portuguesa de Ana Faria
Participações especiais da Dora e dos Queiinhos Frescos
Arranjos instrumentais dos temas "Onda Choc" e "Coisas com que me sinto bem":Namouche
Coreografias:Fernanda Martins
Fotografia:Octávio Diaz
Produção:Heduíno Gomes
Editora:CBS Portugal

Elementos dos Grupo:
Cecília, Cristina, Luísa, Margarida, Maria João, Patrícia, Pedro, Ruth e Tiago. 


Em 1988 não havia criança no País que não soubesse a letra do "Na minha idade", o maior sucesso do disco com o mesmo nome que a banda lançou nesse ano e que chegou a disco de Platina com vendas acima das 50 mil unidades. Era já um dado adquirido que a banda tinha conquistado o seu espaço, apesar de optar por músicas por vezes mais calmas e com uma letra mais "melosa" do que a sua banda rival, os Ministars.



No ano seguinte a banda lançou 2 álbuns e conseguiu a proeza de chegar ao disco de Platina em ambos os discos. Apesar disso só o segundo dominou as rádios e a TV com uma versão própria do mega hit "Lambada". No começo da década seguinte o sucesso continuou para a banda sediada em Oeiras e, apesar de ter chegado só ao disco de ouro, foi um dos maiores marcos da banda e aquele que muitos hoje ainda se lembram das letras das músicas. O maior sucesso foi aquele que muitos associam logo a banda, "Bikini pequenino às bolinhas amarelas" que era algo muito mais animado do que o habitual repertório dos Onda Choc e até mais na linha do que os Ministars cantavam.

LP e K7

Lado A
1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Bater, Tocar, Chamar(I'm gonna knock on your door)-Joana
3-Nada e Niguém(Nothing Compares 2 U)-Susie
4-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
5-Tão Pouco Tempo!(Tears on my pillow)-Vera
6-Salvar a Terra(Tossing and turning)

Lado B
1-Começaram as Férias(It's my party)-Margarida
2-Saco Cheio(Pump up the jam)-José Pedro, Sofia, Alexandra e Ana Luísa
3-Dona Elvia(Letra e Musíca:Ana Faria)-Bruno
4-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
5-Feitiço(La Luna)-Margarida
6-O que hei-de ser?(Sempre, Há sempre alguém)

Mini K7

Lado A
1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
3-Ri-te, Ri-te...(Reet Petite)-Filipa

Lado B
1-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
2-Porque é que me mentiste?(Eternal flame)-Andreia


Versões Portuguesas:Ana Faria
Arranjos de Mike Sergeant excepto "Nada e Ninguém" "Tão Pouco Tempo!" e "Saco Cheio"
Produção e Fotografias:Heduíno Gomes
Participação Especial:Susie Gonçalves
Editora:CBS Portugal


Elementos do grupo:
Alexandra, Ana Luisa, Ana Paula, Andreia, Bruno, Filipa, Joana, José Pedro, Margarida, Sofia e Vera.


Com o segundo disco desse ano, os Onda Choc voltaram ao disco de platina com o sucesso do álbum "Feira Popular" mostrando assim que o seu sucesso iria continuar nesta nova década apesar da constante mudança de elementos do grupo devido ao factor "idade".

Em 1991 houve o mega êxito "Ela só quer, só pensa em namorar" enquanto que em 1993 ainda acompanhei e cantei um dos seus maiores sucessos "Ele é o Rei".


A banda continuou a editar discos até o fim do Milénio, mas nunca mais atingiu nenhum grande sucesso como os das décadas passadas. Tenho 2 k7's, um vinil e o cd dos grande êxitos que foi editado pelos anos 2000 e continuo a gostar de ouvir alguns dos temas devido a levarem-me numa viagem pelas memórias de um tempo melhor da minha infância onde os ouvia em conjunto com a outra banda infanto-juvenil do momento, os Ministars. Como curiosidade existem algumas personalidades do nosso tempo que começaram a sua carreira nesta banda, Pedro Camilo, Micaela e Donna Maria são alguns dos mais conhecidos. É impossível não pensar nesta banda devido ao sucesso da mesma e a constante passagem das suas músicas, no conjunto venderam mais de um milhão de discos o que no nosso país é algo digno de registo.


Eis a discografia da banda com links para os álbuns no blog dedicado aos Onda Choc:


DISCOGRAFIA ONDA CHOC








... do Tom e Jerry

terça-feira, março 20, 2012 3
... do Tom e Jerry


Sou um fã da dupla de criadores William Hanna e Joseph Barbera pelas diversas horas de diversão que me proporcionaram ao longo dos anos, sendo que muitas dessas horas pertencem a uma das suas melhores criações, a dupla Tom & Jerry.

Em 1940 começaram a surgir as primeiras curta-metragens pelos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer e aquilo começou a pegar de tal forma que era um dos principais motivos para as pessoas irem ao cinema ver um filme, o de poderem ver uma animação onde um gato e um rato protagonizavam uma divertida luta. A dupla Hanna-Barbera realizou 114 curta-metragens entre 1940 e 1958, sendo que sete ganharam o Óscar da academia de melhor curta de Animação igualando assim o recorde das Silly Simphonies de Walt Disney. Eles moldaram a dupla de tal forma que a evolução que tiveram nesses 18 anos pouco se alterou nos restantes anos, Tom (o gato) mudou a sua aparência e forma de estar e foi o que sofreu mais alterações da dupla. Ele era bastante mais peludo e quadrúpede nas primeiras aparições, algo que se foi alterando e o mesmo foi ficando mais dependente de se apoiar em 2 patas como o seu adversário.


Era impressionante a forma como algo tão básico como a perseguição entre um gato e um rato conseguia virar uma experiência intensa e divertida. Existia sempre algo diferente em cada episódio e as variantes eram mais que muitas de algo que parecia ter uma premissa tão simples. A dada altura notou-se um aumento na velocidade e energia dada em cada curta-metragem, levando até a um aumento na violência das perseguições (o que muitos atribuem à entrada para os estúdios de um tal de Tex Avery).

Em Agosto de 1958 com o abrandar do interesse das pessoas nas curta metragens cinematográficas e com o sucesso da produções televisivas, os estúdios cortaram drasticamente os orçamentos para que se mantivesse uma qualidade aceitável nos episódios levando assim à saída dos talentosos autores e a consequente mudança destes para que começassem a criar programas televisivos.

Foi a fase de ouro das personagens e alguns dos meus episódios favoritos saíram destas 114 curta-metragens. O pequeno sobrinho de Jerry como Mosqueteiro, o cão Spike e mais tarde o seu filhote, a dona de Tom e os seus ultimatos para que este apanhasse o rato, e em especial um pequeno patinho que dava cabo da paciência a ambos os protagonistas, tudo isto chegava a atingir para mim píncaros de genialidade.

Em 1960 a MGM decidiu reviver a dupla do Gato e do Rato de modo a tentar aproveitar a onda de sucesso que as curtas dos Looney Tunes iam tendo, e encomendaram a um estúdio do outro lado da cortina de ferro (em Praga) 13 curtas-metragens. Gene Deitch entregou umas animações que podiam ser consideradas, no mínimo, bizarras com a típica imagem acelerada e efeitos sonoros algo atribulados tão típicos das animações de Leste (que podíamos comprovar no programa do saudoso Vasco Granja).

Apesar de não terem a qualidade anterior quer na animação quer na escrita, estes episódios atingiram o seu objectivo e destronaram os Looney Tunes do primeiro lugar das bilheteiras. Não consegui gostar muito desta fase, odeio o novo dono do Tom, a animação usada e os constantes diálogos em algo que devia ser quase mudo.

Em 1963 é dada a oportunidade a um dos melhores realizadores da Warner e dos Looney Tunes, Chuck Jones. Até 1967 e em 34 curta-metragens não há dúvidas que ele deixou a sua marca no legado Tom & Jerry, seja no estilo de histórias produzidas seja pelo factor de que introduziu mudanças bastante significativas no visual das personagens, especialmente em Jerry que ganhou uma cabeça muito mais expressiva em conjunto com os seus olhos. O estilo psicótico e psicadélico de Jones deu azo a algumas das minhas histórias preferidas como o episódio na praia ou o da ópera.


Em todo o caso esta dupla continua a ser dos melhores desenhos animados que já vi na minha vida, é impossível ainda hoje não soltar uma ou outra gargalhada e fiquei para sempre fã incondicional desta dupla. A dada altura a editora Abril lançou por cá também a revista em banda desenhada que ambos estrelavam e apesar de longe do glamour destas produções, tinha os seus bons momentos.

Por cá vimos isto pela primeira vez no programa do Vasco Granja e depois virou um dos cartoons preferidos da RTP para dar naqueles momentos mortos entre um programa e outro ou quando a emissão parava por algum problema inesperado.